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Três semanas no Irã, mais de 200 casos: reação internacional condena “opressão violenta" aos bahá'ís


Representantes governamentais, meios de comunicação nacionais e internacionais e dezenas de atores e indivíduos proeminentes da sociedade civil correram em defesa dos bahá'ís do Irã durante uma repressão de três semanas.

Nova Iorque – 23 de Agosto de 2022 –


Representantes governamentais, internacionais e de veículos de comunicação nacionais, e dezenas de atores proeminentes da sociedade civil e indivíduos correram em defesa aos bahá'ís no Irã, neste mês, com uma enxurrada de declarações, cobertura de notícias e postagens em mídias sociais provocadas por um aumento da repressão e propaganda oficial de ódio contra a comunidade, exigindo um fim à injustiça. A repressão começou no dia 31 de Julho com uma onda de prisões e destruições violentas de casas na aldeia de Roshankouh no norte do Irã.


Estima-se que centenas de milhões de pessoas tenham sido alcançadas pela cobertura de notícias da mídia tradicional e online sobre esses eventos e declarações de apoio sobre as perseguições.


A própria conta do Twitter da Comunidade Internacional Bahá’í (BIC) viu um acréscimo nove vezes maior em seu alcance e capacidade de informar as perseguições ao público. Só um vídeo mostrando vários bahá'ís despejados junto com os escombros de suas casas em Roshankouh foi visto 3,4 milhões de vezes na conta do Instagram de uma emissora e foi compartilhado inúmeras vezes.


O grupo de experts das Nações Unidas, liderado pelos Relatores Especiais sobre a situação de de direitos humanos no Irã, liberdade de religião e crença, e questões de minorias, Javaid Rahman, Nazila Ghanea e Fernand de Varennes, disseram em 22 de agosto que as autoridades iranianas devem acabar com a perseguição e assédio a minorias religiosas e parar de utilizar a religião com o fim de negar direitos humanos fundamentais.


“Nós estamos profundamente preocupados em relação ao aumento de prisões arbitrárias, e em algumas ocasiões,com desaparecimentos forçados de membros da Fé Bahá'í e a destruição ou confisco de suas propriedades, no que demonstra todos os sinais de uma política de perseguição sistemática,” afirmaram os especialistas, observando que a repressão foi parte de uma política mais ampla contra minorias religiosas no país.


Os principais meios de comunicação também cobriram a situação no Irã.


O New York Times disse que as perseguições equivaliam a “repressões radicais”. O The Associated Press Associação da Imprensa publicou um artigo que foi amplamente distribuído, incluindo no Washington Post, que dizia que, apesar das alegações contra os bahá'ís pelo Ministério da Inteligência iraniano, “O Irã não apresentou evidência que dê sustentação às alegações aos bahá'ís de terem feito algo ilegal.”


A Agence-France Presse chamou a situação de um “novo pico” e relatou que os bahá'ís “explicam que os princípios de suafé encorajam uma abordagem sem confronto conhecida como ‘resiliência construtiva’ e impelem os bahá'ís do Irã a querem trabalhar pelo o bem do país e não irem de encontra a liderança dele”. A Associated Press e a Reuters também publicaram notícias valiosas sobre a situação.


Na BBC, a cobertura foi feita durante várias transmissões (transmissão 1, transmissão 2), na The Times do Reino Unido e no The Telegraph, em dois artigos na Deutsche Welle da Alemanha (artigo 1, artigo 2), o Jerusalém Post, no New Arab, duas vezes na Times of Israel (artigo 1, artigo 2), e no Indian Express. Os jornais franceses Le Figaro e Le Monde também cobriram a respeito da situação. O artigo de Le Monde relatou as últimas perseguições dentro do contexto da posição geopolítica do Irã – assim como fizeram vários outros veículos em suas reportagens.


Uma reportagem da Toronto Star vinculou os últimos acontecimentos à contínua negação ao ensino superior aos bahá'ís no Irã e ao recente desaparecimento de uma estudante bahá'í iraniana.


Esses níveis extraordinários e espontâneos de apoio e cobertura vieram após um pronunciamento bastante desmoralizado ridicularizada feito pelo Ministério de Inteligência do Irã em 31 de julho, acusando os bahá'ís de “colonialismo e de “infiltração em escola de jardim de infância”, em um ato terrível de discurso de ódio,e também pelas sequência de prisões, detenções, e ataques em residências e comércios.


Autoridades iranianas têm, desde aquela data, atingido os bahá'ís em mais de 200 incidentes distintos com prisões e detenções, invasões e buscas domiciliares, destruição de casas e confisco de bens, negação ao ensino superior, tornozeleira eletrônica, fianças exorbitantes, espancamentos e negação de medicamentos aos presos.


Posteriormente, uma revelação da BIC descobriu que, no mesmo dia, agentes de segurança iranianos haviam encenado e filmado uma cena armada em um jardim de infância para tentar incriminar e enquadrar a comunidade bahá’í com essas alegações.


Em 2 de agosto, cerca de 200 agentes isolaram a aldeia de Roshankouh, em Mazandaran, onde vive um grande número de bahá'ís, e usaram equipamentos pesados ​​para demolir seis casas. Os agentes também confiscaram cerca de 20 hectares de propriedades pertencentes aos bahá'ís.


Bani Dugal, representante principal da BIC nas Nações Unidas, disse que o apoio internacional e iraniano mostrou que o governo iraniano falhou em seus esforços em eliminar e isolar os bahá'ís.


“Durante três semanas, a comunidade internacional assistiu horrorizada enquanto o governo iraniano intensificava sua perseguição aos bahá'ís, rebaixava-se a novos patamares em sua campanha de propaganda de ódio contra a comunidade, e negava a mais jovens bahá'ís o direito de frequentar a universidade, além dos milhares que já foram impedidos de ingressar no ensino superior no passado”, disse a Sra. Dugal, referindo-se também ao fato de que o último processo de admissão em universidades iranianas novamente excluiu os bahá'ís. “Tudo isso deve parar e deve parar agora.”


Nos Estados Unidos, mais de 30 organizações da sociedade civil e líderes em direitos humanos escreveram uma carta ao presidente Joe Biden, na qual pediam ao presidente para “dar voz à nossa profunda preocupação com os níveis crescentes de perseguição enfrentados pelos bahá'ís do Irã” e disse que havia “um padrão emergente que sugere fortemente um esforço deliberado e sistemático para aumentar substancialmente a perseguição” na comunidade bahá'í no Irã.


Rashad Hussain, o embaixador-geral dos Estados Unidos (EUA) para a Liberdade Religiosa, disse que “o Irã deve honrar suas obrigações internacionais em respeitar a liberdade de religião ou crença de todos os iranianos e acabar imediatamente sua crescente campanha de invasões, prisões e detenções injustas” aos bahá'ís.


A divisão do Departamento de Estado sobre Democracia, Direitos Humanos e Trabalho também pediu ao Irã que “respeite os direitos de todos à liberdade de religião ou crença” em um tweet

que foi retuitado pela subsecretária de Estado Uzra Zeya.


A Comissão de Liberdade Religiosa Internacional dos Estados Unidos (USCIRF) também "condenou a crescente repressão do governo iraniano às minorias religiosas no país", em um comunicado, que especificou a perseguição de "dezenas de bahá'ís".


“O governo do Irã não pode criar estabilidade e segurança visando minorias religiosas vulneráveis ​​e dissidentes pacíficos, mas continua com essas terríveis violações da liberdade religiosa”, disse a comissária da USCIRF, Sharon Kleinbaum.


O Ministro de Relações Exteriores de Luxemburgo, Jean Asselborn, há muito defensor dos direitos dos bahá'ís no Irã, também expressou a preocupação de seu governo e instou o Irã “a cumprir suas obrigações de respeitar os direitos humanos e eliminar toda discriminação .”


O Lorde Ahmed de Wimbledon, do Reino Unido, ministro das Relações Exteriores, Commonwealth e Desenvolvimento responsável pelos Direitos Humanos e Liberdade de Religião e Crença, disse que o Reino Unido estava “profundamente preocupado” pelas prisões, destruições de casas e confisco de propriedades, e por colocarem como alvo ex-membros do Yaran. “A perseguição de minorias religiosas não pode ser tolerada em 2022… Estamos trabalhando em estreita colaboração com nossos parceiros internacionais para responsabilizar o Irã e continuar a levantar questões de direitos humanos regularmente com o governo iraniano”, disse ele.


O Escritório de Direitos Humanos, Liberdades e Inclusão do Global Affairs Canada tuitou sua preocupação com a “campanha sistemática para reprimir e perseguir os bahá'ís”, acrescentando que “o Irã deve cumprir as obrigações internacionais e domésticas de respeitar os direitos humanos e eliminar toda discriminação, inclusive com base em religião ou crença”.


Fiona Bruce MP, encarregada do Reino Unido para Liberdade de Religião ou Crença e Presidente da Aliança Internacional pela Liberdade Religiosa ou Crença disse no Twitter que o Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos era “claro” e que o direito de praticar e manifestar crenças “deve ser protegido para todos, em todos os lugares.”


O encarregado da Alemanha para a Liberdade de Religião ou Crença, Frank Schwabe, disse no Twitter que os bahá'ís foram presos por "acusações absurdas... os presos devem ser libertados".


Muitos parlamentares e representantes do governo somaram sua voz em protesto contra a perseguição.


O congressista norte-americano Ted Deutch instou a Câmara dos Representantes a aprovar um projeto de lei que ele havia apresentado que “condena a perseguição aos bahá'ís pelo Irã e insta o presidente e o secretário de Estado a impor sanções aos iranianos diretamente responsáveis ​​por graves abusos de direitos humanos, incluindo aqueles cometidos contra os bahá'ís”.


Três parlamentares do Reino Unido, Ruth Jones, Virendra Sharma, e Lord David Alton, também expressaram seu apoio, assim como o parlamentar alemão Lamya Kaddor, um notável estudioso islâmico, que disse que a perseguição aos bahá'ís era "altamente problemática" e vinha acontecendo há décadas.


Um parlamentar brasileiro, Frei Anastácio, expressou sua “solidariedade com os bahá'ís… pelos ataques que estão sofrendo” e pediu ao governo brasileiro que se envolvesse, insistindo que o governo do Irã “respeite os tratados de direitos humanos”.


A Anistia Internacional também emitiu uma ação urgente na qual disse que os bahá'ís iranianos estavam "sofrendo ataques crescentes aos seus direitos humanos" e pediu aos centros nacionais da Anistia que escrevessem ao chefe do judiciário do Irã e a dois promotores públicos.


E Kenneth Roth, Diretor Executivo da Human Rights Watch, foi um dos primeiros em nível internacional a postar notícias no Twitter em inglês quando a crise estourou.


A Força-Tarefa sobre Minorias do Oriente Médio da Liga Antidifamação, um órgão da sociedade civil internacional e com sede nos EUA que aborda o antissemitismo, o extremismo, o ódio e a intolerância, disse em seu comunicado que o governo iraniano demonstra uma “brutalidade contínua” contra os bahá'ís iranianos que “há muito são caluniados e perseguidos pelo regime iraniano”.


“Esses ataques são os mais recentes de uma série de medidas drásticas e crescentes direcionadas a populações vulneráveis ​​do topo do governo do Irã, marcando um nível de repressão mais alto do que o testemunhado nos últimos anos”, disse o comunicado.


Mahvash Sabet, Fariba Kamalabadi e Afif Naemi, três ex-membros do desfacelado Yaran, ou “amigos” do Irã, que até 2008 era um grupo informal de liderança da comunidade bahá'í iraniana, estavam entre os presos. Todos os três já haviam passado uma década na prisão antes de sua libertação em 2018.


PEN International, grupo de liberdade de expressão literária e seus centros austríaco, inglês, francês, e norueguês expressaram sua preocupação com a prisão de Mahvash Sabet. A Sra. Sabet, que escrevia poesia durante a década em que passou na prisão, foi reconhecida em 2017 como Escritora Internacional de Coragem pelo PEN Inglês.


O Centro de Direitos Humanos Raoul Wallenberg do Canadá também fez um pronunciamento no qual afirmou que os eventos recentes eram “um espelho do antigo padrão de ódio e perseguição do regime iraniano contra os bahá'ís no Irã”, que “continuava inabalável” em uma “cultura de impunidade, em que ninguém jamais foi preso ou processado por tais crimes” desde a Revolução Islâmica de 1979 no Irã.


A sociedade civil iraniana liderou esse apoio com um apelo sem precedentes à solidariedade, dentro e fora do país, de figuras sociais e políticas, defensores dos direitos humanos e ativistas dos direitos das mulheres, artistas, escritores, poetas, cartunistas e comediantes, acadêmicos religiosos e até alguns clérigos, jornalistas, atuais e ex-prisioneiros de consciência, seguidores de outras religiões, acadêmicos, advogados, intelectuais religiosos e comentaristas sociais e políticos, e centenas de milhares de outros iranianos.


Mais de uma centena de iranianos proeminentes, dentro e fora do Irã, fizeram uma declaração em conjunto expressando preocupação com a crescente perseguição e declarando que “quando se trata de direitos civis e humanos dos bahá'ís, nós nos consideramos bahá'ís, também."


Vários painéis no Clubhouse receberam porta-vozes bahá'ís e outros especialistas que discutiram, para audiências de dezenas de milhares, por que a situação dos bahá'ís preocupa todos os iranianos.


E em um ato dramático de solidariedade, ativistas de direitos humanos, amigos e simpatizantes dos bahá'ís dentro do Irã organizaram um tuitaço com as hashtags #BahaisUnderMassiveAttacks e #BeingBahaiIsNotaCrime que estiveram nos "assuntos do momento" por mais de 24 horas no Twitter em persa, e estiveram no top 2 em persa por muitas horas.


Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e advogada de direitos humanos, e Mehrangiz Kar, uma aclamado ativista e advogada iraniana de direitos humanos, postaram declarações formais de apoio no Instagram. O historiador Abbas Milani disse no Twitter que desde o início da Fé Bahá'í, o que ele chamou de "ódio maligno contra os bahá'ís e sua matança", está enraizado no preconceito religioso.


Arash Sadeghi, um ativista de direitos humanos no Irã, exigiu que a propaganda de ódio contra os bahá'ís parasse.


Seyyed Mohammad Ali Ayyazi, um clérigo xiita iraniano, perguntou: “Que estrutura religiosa justifica a demolição das casas dos bahá'ís? ... Estamos agora testemunhando a opressão contra cidadãos que já estão privados de seus direitos básicos”.


A escritora e comentarista irano-americana, Roya Hakakian, disse que “algum dia, outros olharão para o Irã e verão que a história mais trágica também foi a mais edificante – a dos bahá'ís. Nenhuma outra minoria foi tão sistematicamente atacada por 43 anos. No entanto, nenhum outro defende o perdão e a tolerância mais do que eles”.


Um jornalista e ativista de direitos humanos, Javad Abbasi Tavalali, disse que “os bahá'ís não têm clérigos, mulás ou muftis. O regime iraniano tem medo das crenças bahá'ís. Vamos ser a voz de nossos concidadãos bahá'ís”.


O escritor Behrouz Boochani, um iraniano na Nova Zelândia, disse: “A palavra ‘discriminação’ não pode descrever adequadamente a situação da minoria bahá’í no Irã. O que eles estão passando não é discriminação, mas um esforço sistemático para marginalizar, banir e, finalmente, eliminar. A discriminação se aplica à criação de oportunidades desiguais, mas quando se trata de bahá'ís o objetivo é erradicar”.


Maryam Mirza, jornalista iraniana na Alemanha, disse: “Todos nós, e nossos pais e os pais de nossos pais, tivemos um papel a desempenhar na situação atual dos bahá'ís iranianos. Vamos levantar nossa voz para que possamos compensar a vergonha de nosso histórico coletivo anti-Bahaismo.”


O filósofo iraniano Soroush Dabbagh disse: “Como muçulmano e membro de uma família intelectual religiosa, simpatizo com os queridos concidadãos bahá'ís e condeno veementemente a destruição das propriedades dos moradores de Roshankouh, Mazandaran, que aconteceu por causa das crenças dos proprietários na Fé Bahá'í. Sejamos muçulmanos, cristãos, judeus, bahá'ís ou ateus, proteger nossos direitos civis é um pré-requisito para a coexistência e não pode ser negligenciado a qualquer custo”.


E Aban Tahmasbi, um historiador, disse que era sua “honra” ser uma voz dos bahá'ís iranianos.


Os porta-vozes da Comunidade Internacional Bahá'í foram entrevistados pelo menos 37 vezes por várias emissoras independentes de língua persa. Os representantes do BIC até receberam ameaças e outras formas de discurso de ódio como resultado de seus esforços – em um claro sinal de seu sucesso em compartilhar os fatos e a verdade sobre a perseguição com o público iraniano.


Dezenas de agências de notícias e grupos da sociedade civil em todo o Oriente Médio e Ásia Central, incluindo Egito, Azerbaijão, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Líbano, Iêmen e Curdistão, publicaram um nível sem precedentes de cobertura de apoio e solidariedade.


“A resposta da comunidade global foi emocionante e absolutamente clara: a perseguição implacável do governo iraniano aos bahá'ís apenas mina e prejudica sua própria reputação e credibilidade aos olhos do mundo”, disse Dugal. “O Irã deve saber que as vozes públicas continuarão a ser levantadas até que a perseguição termine e os bahá'ís possam viver como cidadãos plenos em sua própria pátria.”


Fonte: Bahá'í International Community, original publicado em inglês aqui.

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