• Escritório de Assuntos Externos dos Bahá'ís do Brasil

RELATÓRIO ESPECIAL: AUMENTO DA PROPAGANDA ANTI-BAHÁ’Í NO IRÃ


Histórico

Desde a Revolução Islâmica de 1979, o governo iraniano tem empreendido uma campanha implacável de propaganda anti-bahá'í, online e na mídia, bem como através de seminários educacionais, exposições e comunicações informais, o que tem se intensificado nos últimos anos.


Todos os meses, centenas de artigos e vídeos anti-bahá'ís são publicados no Irã. Desde 2017, mais de 33.000 peças de conteúdo anti-bahá'í foram publicadas ou transmitidas. Nos últimos anos, centenas de sites e dezenas de contas de redes sociais atacaram sistematicamente a Fé Bahá'í. Durante os primeiros quatro meses de 2021, houve um aumento de 44% em relação ao ano anterior.


Aumento na propaganda de ódio


Este aumento na propaganda de ódio é parte de um esforço governamental de quatro décadas para despertar sentimentos de suspeita, desconfiança e ódio contra a população bahá'í do Irã. Um estudo feito pela Comunidade Internacional Bahá’í (BIC) sobre milhares de peças de propaganda anti-bahá'í descobriu que quase todos os artigos pesquisados deturpam as crenças bahá'ís de uma maneira projetada para causar ofensa máxima à população de maioria muçulmana do Irã. Esta campanha de propaganda de ódio levou a atos de violência contra os bahá'ís, realizados com total impunidade.


O propósito de espalhar e disseminar informação falsa e propaganda odiosa é o de demonizar e difamar os bahá'ís e provocar o ódio público, a violência - e até mesmo o assassinato - contra eles por seus vizinhos e concidadãos. Nessas circunstâncias, a opressão está se desdobrando com maior intensidade.


A história mostra que o ódio de toda uma população pode ser incitado por essa repetição implacável e sistemática de falsidades e mitos. Quando cidadãos instigados realizam ações violentas contra seus vizinhos - sobre quem lhes foi dito repetidamente serem traidores, corruptos ou impuros - as autoridades infratoras podem se absolver da responsabilidade atribuindo a culpa das ações à população.


Uma campanha de demonização


A Fé Bahá'í é conhecida em todo o mundo como uma religião mundial independente. Seus ensinamentos defendem ideais progressistas como a igualdade entre mulheres e homens. Ela enfatiza a obediência ao governo, o não envolvimento em política partidária e o trabalho em esforços assíduos para promover a melhoria da sociedade. Além disso, seu código moral pede aos seguidores que defendam os mais altos padrões de castidade, honestidade e confiabilidade.


No entanto, de acordo com o quadro pintado pela mídia iraniana, os bahá'ís são “desviados”, “depravados” e “satanistas”, cuja principal preocupação é derrubar o governo por meio de métodos como “corrupção” da juventude ou espalhar “propaganda contra o regime.”


Um exame detalhado feito pela Comunidade Internacional Bahá'í sobre propaganda anti-bahá'í identificou mensagens recorrentes que se destinam a incutir uma crença ou sentimento de que os bahá'ís são estranhos em sua própria terra, que merecem ser discriminados - e até submetidos à violência.


Manipulação de imagens


Abaixo encontram-se alguns exemplos, entre vários, de como as imagens em referência à comunidade bahá’í são distorcidas e disseminadas na internet e nas redes sociais por indivíduos, organizações e grupos associados ao governo iraniano. Aquelas manipuladas estão marcadas com o termo “FALSE”:


> Símbolo do “Máximo Nome”


O símbolo bahá’í “Máximo Nome” é altamente sagrado e de grande reverência para os bahá’ís. É um símbolo de referência a Deus. Abaixo, à esquerda, o símbolo foi profanado. A versão verdadeira está à direita.


Este símbolo é equivalente à cruz para os cristãos, e à representação do termo “Allah” para os muçulmanos.



> Foto do Santuário de Bahá’u’lláh

Para os bahá’ís em todo o mundo, o Santuário de Bahá’u’lláh é considerado um dos lugares mais sagrados do mundo. É onde está sepultado Bahá’u’lláh, o Mensageiro de Deus fundador da Fé Bahá’í, e é ponto de devoção para orações. Foi reconhecido em 2008 como Patrimônio Mundial pela UNESCO, possuindo "excepcional valor universal”.


A imagem à esquerda foi distorcida, mostrando um adorador de culto se curvando diante de lápides em chamas sobrepostas em frente à uma imagem da entrada do Santuário de Bahá’u’lláh.


O Santuário de Bahá’u’lláh é sagrado para os bahá’ís assim como a Caaba é para os muçulmanos, e a Igreja da Sagrada Sepultura em Jerusalém para os cristãos. A fotografia verdadeira do Santuário de Bahá’u’lláh está à direita.



> Posts nas redes sociais

Há dezenas de canais no YouTube, no Telegram e contas no Instagram que hospedam conteúdo anti-bahá’í com o objetivo de perpetuar informações falsas e ódio.

Quando um conteúdo anti-bahá’í é postado por contas no Instagram, algumas delas são derrubadas sob as diretrizes de uso. Mas, frequentemente, o conteúdo volta a aparecer com novos nomes de usuários.

Por exemplo, referir-se aos bahá'ís como espiões britânicos tem sido uma tática usada pelos clérigos governantes no Irã e pelas autoridades por décadas para incitar sentimentos anti-bahá'ís, à luz do sensível contexto geopolítico na região para levantar suspeitas e ódio aos bahá'ís.

Essa situação pode ser bem ilustrada a partir das próximas imagens a seguir. ‘Abdu’l-Bahá, o filho mais velho de Bahá’u’lláh, teve um papel de liderança na Fé Bahá’í após o falecimento de seu Pai. Dentre algumas de suas ações, ele empreendeu um projeto com o objetivo de ajudar a aliviar o sofrimento e a fome em Haifa e Akká, bem como da população circunvizinha, durante os anos de fome entre 1914 e 1918 que acometeram a região em decorrência da 1ª guerra mundial.

Por causa de seu trabalho humanitário, ‘Abdu'l-Bahá recebeu o título de cavaleiro do Império Britânico.

Na imagem à esquerda, não inclusa, temos um dos exemplos de posts no Instagram insinuando que ‘Abdu’l-Bahá foi um espião do Reino Unido. A fotografia verdadeira de ‘Abdu’l-Bahá recebendo o reconhecimento pelo projeto de combate à fome está à direita.











> Websites


Websites dedicados a amplificar imagens pejorativas que demonizam e desumanizam bahá’ís são desenvolvidos por indivíduos e autoridades iranianas. Há milhares de exemplos de materiais anti-bahá’ís em circulação, com frequência compartilhados por sites patrocinados pelo governo ou pró-governo, além das plataformas em redes sociais.

Uma pesquisa rápida nesses materiais aponta para mais de 100 sites diferentes que hospedam conteúdo anti-bahá'í. Esses sites incluem o Ministério da Cultura e Orientação, o site de notícias semi-oficial Kayhan e os sites pessoais de clérigos como o Aiatolá Safi Golpaygani e o Aiatolá Subairi Zanjani - junto com outros sites de notícias e veículos de propaganda.


Existem também vastas bibliotecas online contendo centenas de livros anti-bahá'ís que afirmam ser pesquisas objetivas sobre a Fé Bahá'í, mas que, na verdade, têm o objetivo de distorcer a história e as crenças bahá'ís.


Muitos vídeos e documentários estão cheios de acusações infundadas contra os bahá'ís e informações falsas sobre as crenças bahá'ís e a comunidade bahá'í, e são produzidos com o objetivo de enganar o público a seu respeito.


Exemplos de figuras, como as que estão abaixo, incluem acusações aos bahá’ís de praticarem bruxaria, além do uso desrespeitoso de imagens e símbolos sagrados cristãos e judaicos. São figuras comumente usadas que apresentam a Fé Bahá’í como "satânica" ou “depravada”, ou como agentes e espiões de Israel e de outros países ocidentais.


> Mais exemplos de propaganda de ódio


O site “Archives of Bahá’í Persecution in Iran”, desenvolvido pela Comunidade Internacional Bahá’í, oferece inúmeros exemplos dessa propaganda de ódio direcionada aos bahá’ís. Nos hiperlinks abaixo encontram-se outras formas por meio das quais são promovidos os discursos de ódio, calúnias e afirmações elaborados contra os bahá'ís:



A resposta do Irã


Em sua retórica pública, as autoridades iranianas alegaram apoiar os ideais de tolerância religiosa e liberdade que hoje estão profundamente arraigados no tecido do direito internacional e das normas de direitos humanos. As autoridades iranianas também apoiaram verbalmente os esforços internacionais para combater várias formas de incitação ao ódio ou violência contra a crença religiosa.


A realidade, entretanto, está em contradição direta com esses esforços.


O governo iraniano apoiou ativamente a disseminação da propaganda de ódio. Os bahá'ís no Irã não têm o direito de responder a nenhuma dessas acusações infundadas, seja na mídia ou em qualquer outro meio.


Apesar de oficiais iranianos negarem rotineiramente as acusações de incitamento, a perseguição sistemática do governo de 40 anos aos seus cidadãos bahá'ís foi bem documentada, oferecendo fatos que provam as violações do Irã da lei internacional no que diz respeito às garantias de liberdade religiosa - juntamente com violações ao devido processo legal e a outros direitos humanos básicos, que afetaram não apenas os bahá'ís iranianos, mas muitos outros cidadãos iranianos.


As obrigações do Irã perante o direito internacional


A comunidade internacional reconhece amplamente a necessidade de enfrentar o incitamento ao ódio e violência dirigida contra as minorias religiosas. A liberdade de religião ou crença e a proteção das minorias contra a discriminação estão entre os princípios fundamentais da Declaração Universal dos Direitos Humanos quando foi adotada em 1948. Desde então, tem sido repetidamente reafirmada em várias resoluções e declarações da ONU, bem como em tratados e convenções internacionais. A implementação desses direitos está intimamente ligada à proibição do discurso de ódio, em particular, o Artigo 20, inciso II¹, do Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos (PIDCP).


Portanto, sabendo-se que o Irã é signatário do PIDCP desde 1976, sua obrigação perante o ordenamento jurídico internacional deve ser no sentido de tanto prevenir, como punir a incitação à discriminação, à hostilidade e à violência. Ou seja, é impensável que um Estado sob o jugo do PIDCP persiga de maneira ativa e agressivamente seus próprios cidadãos, quando deveria estar protegendo, garantindo e ampliando seus direitos humanos, independente da religião que professem.


Para mais informações, acesse https://iranbahaipersecution.bic.org/ e acompanhe no Instagram @emdefesa.aosbahais e no Twitter @defesaaosbahais.


¹ “Será proibida por lei qualquer apologia do ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitamento à discriminação, à hostilidade ou a violência”.

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