• Escritório de Assuntos Externos dos Bahá'ís do Brasil

Mundo bahá’í reflete sobre experiências nascentes de fortalecimento comunitário


Brasil, 30 de Junho de 2021 - A comunidade bahá’í iniciou no ano de 1996 um esforço global coordenado para gerar aprendizado sobre como fortalecer núcleos comunitários e fomentar capacidade para transformação social, garantindo protagonismo dentro das populações inseridas neste empreendimento. Vinte e cinco anos depois, os envolvidos refletem agora sobre seus esforços, reconhecendo a experiência acumulada até o momento.


“Percebemos uma maré crescente, por meio da qual a capacidade, a confiança e a experiência acumulada da maioria das comunidades estão aumentando", comentou sobre os resultados alcançados em mensagem aos bahá’ís do mundo, a Casa Universal de Justiça - conselho diretivo internacional da Fé Bahá’í. Acrescentou ainda, “Independente do ponto de partida de uma comunidade, ela avançou no processo de crescimento quando combinou as qualidades de fé, perseverança e comprometimento com uma disposição para a aprendizagem.”


O empreendimento requereu o fortalecimento de instituições em diversos níveis, uma rede complexa e bem conectada para troca de experiências e um marco de ação flexível porém comum. Ao longo dos anos, práticas foram implementadas, destiladas e adequadas a diferentes realidades sociais e culturais.



Grupos de pessoas em cenários diversos, valendo-se do contato com os Escritos bahá’ís, foram encorajados a pensar no seu próprio desenvolvimento, construindo capacidades para compreender sua realidade, consultar a respeito de uma variedade de temas relevantes para a vida coletiva e definir cursos de ação adequados.


Dentre as lições aprendidas, percebeu-se que para potencializar esforços e manter coerência entre iniciativas era útil se organizar a partir de áreas geográficas de tamanho administrável com características sociais e econômicas específicas. Observou-se que ações que ocorrem em pequenos territórios, bairros e vizinhanças dão resultados concretos que podem ser mensurados, analisados e possivelmente ampliados. Atividades nesse âmbito podem parecer limitadas mas têm, na prática, desdobramentos profundos.


Nas raízes das comunidades, os moradores também constataram que a capacidade crescente de conceber e preparar planos, ainda que simples, têm ajudado a estabelecer processos e trazer dinamismo.


Equipes reunidas para a Semana de disseminação de aprendizagens da região Nordeste em 2019

Sobre hábitos nascentes na vizinhança onde residem, no Sul do Brasil, um grupo relatou, “nós nos encontramos regularmente para organizar as atividades para a semana e identificar quais famílias serão visitadas por quem. A equipe visita cerca de 70 famílias a cada mês”.


As famílias as quais se referem apoiam de alguma forma as atividades da vizinhança, relacionadas em grande parte à educação das gerações jovens. A equipe consiste de algumas pessoas com mais experiência que oferecem acompanhamento aos que estão à frente das atividades.


Encontro de professoras do programa de educação espiritual para crianças

Essas visitas tratam de alguns assuntos práticos, mas também de fortalecer os laços entre os moradores. “Recentemente, um jovem faleceu, assim, visitamos sua família com mais frequência para orar e estudar Escritos a respeito da vida após a morte”, salienta um dos participantes.


Nesta mesma vizinhança muitas mães relataram que as atividades de construção de comunidade têm as aproximado umas às outras. “Elas consultam em pequenos grupos sobre o bem-estar de todas as famílias à sua volta e em outras partes da vizinhança, e encontram maneiras criativas de responder aos desafios. Notaram, por exemplo, que algumas das crianças estavam subnutridas, assim, construiu-se um barracão de madeira, com fogão a lenha, a fim de que três vezes por semana se pudesse preparar refeições quentes para todas as crianças da vizinhança”, continua o relato.


Jovens apoiam a construção de espaço comunitário para abrigar atividades

Esse projeto é revelador de outro aprendizado da comunidade bahá’í. Foi perceptível nas últimas décadas que a existência de laços sociais fortes entre os indivíduos da localidade é salutar e complementa a motivação individual para agir. Relações de solidariedade, a capacidade de consultar e o desejo de trabalhar em conjunto, além de um benefício em si mesmo, são meios que possibilitam chegar a soluções que antes pareceriam distantes.


A Casa Universal de Justiça afirma que as atividades bahá'ís "visam cultivar um espírito comunitário vigoroso através do qual a resiliência para desafios grandiosos também é fortalecida”. O ano de 2020 colocou este espírito à prova.


No Brasil, a crise sanitária e as demais crises por ela intensificadas moveram os envolvidos nas atividades bahá’ís nestas pequenas áreas a implementar medidas emergenciais, voltadas principalmente aos mais vulneráveis. Houve oferecimento de reforço escolar; confecção de máscaras; distribuição de materiais de orientação sobre medidas sanitárias, produtos de higiene e cestas básicas; implementação de pequenas hortas comunitárias; instalação de pias; entre outros.

Vizinhos apoiam na distribuição de cestas básicas em resposta à crise sanitária
Confecção de máscaras para doação em resposta à crise sanitária

Em alguns desses lugares, essas ações estão conectadas com o espírito comunitário que estava sendo nutrido há anos. “O apoio material deve ocorrer no contexto da construção de comunidade, através de uma relação de amizade e verdadeira preocupação com o bem-estar dos amigos e não apenas um mero oferecimento de bens materiais”, afirma membro de um dos Conselhos Bahá’ís Regionais do país.

Chamadas de vídeo mantém amigos conectados durante a pandemia

Além de responder a necessidades materiais, as comunidades buscaram maneiras de aliviar o sofrimento mantendo-se conectadas.

Chamadas de vídeo mantém amigos conectados durante a pandemia

“Mesmo com o distanciamento social, enviamos orações e mensagens bondosas pelas redes sociais”, disse uma jovem de Manaus. Ela conta que sua participação em atividades bahá’ís vinha fortalecendo sua família. “Desde o meu primeiro contato passamos a fazer orações juntos, convidando também amigos próximos e vizinhos para momentos devocionais, criando relacionamentos saudáveis e de verdadeira amizade.”


Em São Sebastião-DF o mesmo fenômeno é relatado. “Hoje, já visualizamos o quão importante foi continuar a manter contato com as famílias e os participantes das atividades, dando continuidade a conversas

significativas, compartilhando uma oração mesmo que fosse por uma ligação. Isso fez com que estreitássemos os laços de amizade.”


Ao descrever o momento atual, a Casa Universal de Justiça indica que a humanidade foi “subjugada pela exposição de sua vulnerabilidade” e, ao mesmo tempo, está “mais consciente da necessidade de colaboração no tratamento dos desafios globais”.


Conscientes de que as próximas décadas trarão desafios intimidadores mas também potência especial, a comunidade bahá'í no Brasil e no mundo se prepara agora para uma nova etapa de ampliação de seus esforços e aprendizados.

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