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Fazendo as cidades pertencerem àqueles que trabalham para construí-las


INDORE, Índia, 4 de Agosto de 2020 - Das centenas de milhões de pessoas empregadas na economia informal nas cidades indianas, dezenas de milhões voltaram para suas casas na área rural por causa da pandemia. Este êxodo em massa despertou a consciência pública para a condição precária das pessoas que trabalham neste setor, muitas das quais vivem em assentamentos urbanos informais sem proteção social.


A Cátedra Bahá'í de Estudos em Desenvolvimento da Universidade de Devi Ahilya, em Indore, vê este período como de crucial importância na promoção de abordagens de longo prazo para o pensamento sobre desenvolvimento. A Cátedra tem reunido economistas e acadêmicos em uma série de encontros on-line intitulada “Fazendo as cidades pertencerem àqueles que as constroem” para examinar os efeitos da pandemia sobre as pessoas marginalizadas.


Arash Fazli, professor assistente e o responsável pela Cátedra Bahá'í, explica como uma nova concepção da natureza humana - aquela que vê a nobreza de cada ser humano e protege cada um contra o preconceito e o paternalismo - é essencial para qualquer discussão sobre o desenvolvimento.


“Em grande medida, fala-se sobre as pessoas que vivem na pobreza urbana, especialmente aquelas que migraram das áreas rurais,como um grupo digno de pena, que sofre opressão e tem todos os tipos de necessidades, ou que no máximo é uma fonte de trabalho. No entanto, definir as pessoas pelas circunstâncias de sua opressão é negar a elas sua plena humanidade.


Avançar em direção a um futuro mais sustentável, próspero e pacífico para nossas cidades requer primeiro o reconhecimento da nobreza de cada ser humano. Aqueles que vivem em assentamentos informais levam vidas significativas e produtivas por meio da criatividade e engenhosidade, fortes laços sociais e convicções espirituais que lhes dão alegria, esperança e resiliência em face de circunstâncias terríveis. ”


A Cátedra Bahá'í foi criada há quase 30 anos para promover pesquisas interdisciplinares e bolsas de estudo no campo do desenvolvimento a partir de uma perspectiva que considera a prosperidade humana como resultado do progresso material e espiritual. No encontro mais recente realizado pela Cátedra, os participantes exploraram como o desenvolvimento urbano pode se tornar mais inclusivo para as pessoas marginalizadas.


Partha Mukhopadhyay do Centro para Pesquisas Políticas, em Delhi, falou sobre as diferentes razões apresentadas pelos migrantes para retornar às suas aldeias natais. “Eles vêm para a cidade para sustentar suas famílias e, nos momentos difíceis, sentem-se responsáveis por cuidar dos que ficam na aldeia. Ao mesmo tempo, eles não acreditam que receberão cuidados na cidade no caso de que algo aconteça com eles. ...Nesses dois níveis, você percebe que [os migrantes] ainda não pertencem à cidade, mesmo que tenham passado toda a sua vida profissional lá. ”


Partha Mukhopadhyay do Centro para Pesquisas Políticas, em Delhi, falou sobre as diferentes razões apresentadas pelos migrantes para o fato de retornarem às suas aldeias de origem durante a pandemia.

As discussões também destacaram a necessidade de estruturas que permitam às populações marginalizadas defenderem a si mesmas. Siddharth Agarwal, do Centro de Pesquisa Urbana de Nova Delhi, falou sobre várias estratégias de solidariedade social que surgiram dentro das experiências da sua organização, incluindo a formação de grupos de mulheres que são capazes de avaliar as necessidades de suas comunidades e buscar que seus direitos sejam defendidos através de um processo de “negociação gentil, mas perseverante” com as autoridades.


Siddharth Agarwal, do Centro de Pesquisa Urbana de Nova Delhi, falou sobre várias estratégias de solidariedade social que surgiram dentro das experiências da sua organização, incluindo a formação de grupos de mulheres que são capazes de avaliar as necessidades de suas comunidades e buscar que seus direitos sejam defendidos através de um processo de “negociação gentil, mas perseverante” com as autoridades.

Vandana Swami, professora da Universidade Azim Premji, em Bangalore, observou que “as cidades nunca foram construídas para os pobres” e que as áreas urbanas tentam manter fora de vista a existência de pessoas que vivem na pobreza.


Ao refletir sobre o seminário, o Dr. Fazli explica como as idéias inspiradas nos ensinamentos Bahá'ís podem lançar luz sobre questões relativas ao desenvolvimento.


“O objetivo de longo prazo dessas conversas é fornecer uma nova linguagem e conceitos que podem permitir novas formas de pensar sobre o desenvolvimento urbano e de efetivar políticas.

Formas comuns de olhar para este assunto são através da perspectiva do acesso aos recursos materiais. Embora seja verdade que aqueles que vivem na pobreza carecem de recursos materiais, eles levam uma vida com significado e propósito. Quando reconhecemos que o progresso social tem uma dimensão material e espiritual, começamos a ver todos os habitantes da cidade como contribuintes potenciais para a prosperidade material e espiritual do todo."


Caroline Custer Fazli, pesquisadora da Universidade de Bath, no Reino Unido, e membro da comunidade Bahá’í indiana, disse no encontro, que a pesquisa em assentamentos informais em Indore, na Índia, destacou elementos ricos da cultura dos residentes que muitas vezes passam despercebidos.

"A pobreza é uma grande injustiça que deve ser tratada de forma sistemática. Mas a experiência tem mostrado que mesmo intervenções de desenvolvimento bem intencionadas criam dependência, exploração e ressentimento quando são baseadas em suposições paternalistas sobre pessoas que vivem na pobreza. Em última análise, o desenvolvimento só produzirá frutos duradouros quando as pessoas se tornarem protagonistas de seu próprio desenvolvimento e forem ajudadas a trabalhar com outras pessoas na sociedade para alcançar objetivos comuns para o progresso social coletivo. Ver o potencial de todos para contribuir para este processo requer ir além das estruturas materialistas de pensamento e ver as capacidades morais e espirituais das pessoas. ”


Uma gravação do seminário pode ser vista aqui.


Fonte: Bahá'í World News Service, original em inglês disponível aqui

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