• Escritório de Assuntos Externos dos Bahá'ís do Brasil

Diálogos sobre desafios sociais em Maceió reforçam o papel da juventude na transformação social

A capacidade da juventude em ler a realidade social e atuar pela sua transformação está cada vez mais evidente nos esforços da comunidade bahá’í, em Maceió, no campo da educação. No bairro Vila Saem são os jovens quem protagonizam as atividades educacionais comunitárias, assumindo um papel relevante como agentes de mudanças. Mesmo diante das muitas responsabilidades que ombreiam, decorrentes dos desafios socioeconômicos agudamente vividos pelos mesmos e suas famílias, encontram tempo para se envolverem nas iniciativas emergentes e cuidar das necessidades de seus vizinhos e vizinhas.

Um grande volume deste trabalho tem ocorrido no limiar geográfico de um processo doloroso de desapropriação iniciado em 2018. A exploração mineral do sal-gema, conduzida por décadas por uma multinacional nos bairros ao redor da Lagoa Mundaú (onde inclui a Vila Saem e o Bairro Pinheiro, nos quais se concentram as atividades), tem trazido tremores e afundamento de terra, levando à expulsão de mais de 55.000 pessoas. Este fato tem mobilizado os moradores e gerado uma busca por justiça diante das desapropriações, indenizações consideradas injustas e a mudança radical de suas rotinas.

Nos últimos anos, a comunidade bahá’í de Maceió tem se concentrado em, de forma resiliente, construir laços de unidade e solidariedade através de processos educativos que abarcam diferentes faixas etárias. Ao redor da Associação de Moradores da Vila Saem (AMOSA), a poucos metros do processo de desapropriação, a comunidade bahá’í tem concentrado suas atividades. Com aulas de valores espirituais para crianças, programa de desenvolvimento de pré-jovens (12 a 15 anos) e educação moral de adultos, centenas de indivíduos têm atuado para lidar com uma realidade literalmente em desconstrução.

Em suas falas, os jovens relatam que neste contexto a infraestrutura urbana tem se mostrado altamente problemática, com desafios no fornecimento de energia, de água e aumento da insegurança no bairro, especialmente ligada ao tráfico de drogas. Neste cenário, mães e mulheres são as mais impactadas. Contudo, o instituto de capacitação bahá’í tem fornecido as ferramentas necessárias para que compreendam seu papel na transformação social e em trazer sementes de esperança ao bairro.

Além da consciência sobre o impacto ambiental e social em suas vidas, os jovens demonstram clareza de pensamento sobre o caminho a ser percorrido. Relatam que as atividades têm permitido melhorar suas capacidades de comunicação e inserção social.

Ainda que o senso de injustiça prevaleça em suas falas, as colocações demonstram que os esforços educacionais bahá’ís têm promovido uma compreensão mais profunda sobre a importância da unidade em diferentes esferas. Na família, no bairro e na sua convivência cotidiana, esse conceito torna-se central para uma transformação positiva do bairro, capaz de unir crianças, adolescentes e adultos em prol da construção de sociedade.

O exemplo demonstrado pelos jovens que conduzem atividades comunitárias no campo da educação na Vila Saem é, por fim, um demonstrativo da capacidade da juventude em promover ambientes conducentes à aprendizagem. Ainda mais, reforçam o potencial que essa população tem de resilientemente construir sociedade mesmo diante de desafios significativos que afetam a sua vida cotidiana, tal como se demonstra no afundamento do bairro e suas consequências por conta da exploração mineral.


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