• Comunidade Internacional Bahá'í

Confisco de fazendas irrigadas de bahá’ís em meio à crise hídrica no Irã

NOVA YORK - 5 de dezembro de 2021

Carta emitida pelo escritório de assuntos de segurança e ordem pública da secretaria da província de Kohgiluyeh e Boyer-Ahmad, onde se localiza a aldeia de Kata, ordenando a investigação pelas autoridades municipais sobre o leilão das terras de propriedade de bahá’ís.

Treze lotes de terras irrigadas pertencentes a bahá'ís na aldeia de Kata, no sudoeste do Irã, foram alvos ​​das autoridades, que buscam ampliar os confiscos aos bens dos bahá'ís no país.


“Este é mais um exemplo do sistema cada vez mais cruel do governo iraniano de perseguição religiosa direcionada à comunidade bahá’í”, disse Bani Dugal, Representante Principal da Comunidade Internacional Bahá’í na ONU. “Este ato inflige em uma injustiça intolerável e sem escrúpulos à uma comunidade inocente que respeita a lei. Tirar arbitrariamente os meios de subsistência dos fazendeiros e colocar suas terras à venda é um ato que vai contra todas as normas de decência humana.”


A organização “Execução da Ordem do Imam Khomeini” - uma agência paraestatal controlada pelo Líder Supremo Aiatolá Ali Khamenei, que, desde a Revolução Islâmica de 1979, retém e vende ativos confiscados de grupos e indivíduos proscritos - anunciou os 13 lotes de terra em um site de leilão em meados de outubro. Cada propriedade foi listada para venda a um preço estimado em apenas 15% de seu valor justo de mercado.



Post em rede social divulgando o leilão das terras de propriedade de bahá’ís em Kata, indicando que os interessados podem visitar o escritório da “Execução da Ordem do Imam Khomeini” em Yasouj para oferecerem seus lances.

Esta ação ocorre em meio à uma grave escassez de água no Irã, e parece que este é um fator motivador para a apreensão e venda dessas valiosas terras irrigadas neste momento. A listagem do leilão foi divulgada mesmo com os bahá'ís tendo a posse das escrituras dessas propriedades há gerações.


Apelos dos bahá'ís locais - e até tentativas de recomprar suas próprias terras - foram rejeitadas pelas autoridades. Os bahá'ís foram informados de que o leilão foi fechado para bahá'ís e também para quaisquer muçulmanos que tivessem negócios com bahá'ís, confirmando que a apreensão e o leilão são um ato direcionado de perseguição religiosa.


“O confisco de propriedade pelo Estado e a negação de meios de subsistência são violações aos compromissos de direitos humanos do Irã sob as convenções das Nações Unidas”, disse a Sra. Dugal. “A renda obtida com essas fazendas sustenta essas famílias há mais de 100 anos. Esse roubo, que está sendo chamado de leilão, deve ser cancelado sem demora”.


Carta de apelo contra o leilão das terras de bahá’ís em Kata

Mais de 400 famílias bahá'ís foram despejadas de Kata após a Revolução. Várias centenas de casas foram incendiadas por motins de revolucionários. A situação era tão terrível que os bahá’ís de Kata foram forçados a viver em um campo de refugiados após a perda de suas casas. As decisões judiciais e oficiais em 2002, 2008 e 2016 também confirmam as tentativas mais recentes por parte das autoridades de confiscar terras agrícolas em e no entorno de Kata.


Só no ano passado houve repetidas apreensões de propriedades bahá'ís pelas autoridades iranianas em todo o país. Em fevereiro um apelo global foi impulsionado pela #ItsTheirLand contra a destruição e confisco de dezenas de propriedades bahá'ís em Ivel, província de Mazandaran; em agosto, após ataques a casas de bahá'ís, durante as quais agentes de segurança fizeram busca e apreensão de títulos de propriedade, seis lotes na província de Semnan foram tomados; e em novembro, terras agrícolas foram novamente confiscadas no entorno da aldeia de Roshankooh, também na província de Mazandaran.


“Quantas vezes temos que lembrar às autoridades iranianas que as terras de propriedade dos bahá'ís não são deles para fazer o que bem quiserem?” perguntou a Sra. Dugal. “O governo do Irã deve reconhecer este fato hoje e devolver todos esses bens aos seus legítimos proprietários bahá'ís.”


Fonte: Comunidade Internacional Bahá'í, original em inglês disponível aqui

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