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Comunidades se mobilizam pela educação das suas crianças

23 de Junho de 2020 - Com escolas e instituições de ensino fechadas em obediência às recomendações das autoridades de saúde, em diversos lugares do país, comunidades locais têm se perguntado sobre o seu papel na educação de suas crianças. As conversas e esforços que têm surgido no seio das famílias e entre vizinhos e amigos têm criado oportunidade para se pensar a educação das crianças como um esforço compartilhado entre escolas, famílias e comunidades.


Ao longo dos últimos anos, a Comunidade Bahá'í, junto a famílias e comunidades locais, têm aprendido a nutrir um maior senso de responsabilidade com a educação das crianças e jovens e a promover programas educacionais que fortalecem a vida comunitária e contribuem para o desenvolvimento moral e intelectual. Essas iniciativas reforçam e complementam a educação oferecida pelas escolas.

Professores em Anchieta (ES) entregam materiais nas casas dos alunos e refletem sobre como manter o programa e o acompanhamento às crianças.

Dorothy Yazdani, coordenadora de um dos programas educacionais bahá'ís no Rio Grande do Sul, afirma que a participação nesses programas cria a possibilidade de se repensar as relações que permeiam a vida comunitária: "As relações de educação se estabelecem de forma mútua. Todos, através da postura de humilde aprendizado, são capazes de ensinar e aprender uns com os outros”. Segundo ela, com o tempo, “As atitudes dos participantes reverberam nos mais diversos relacionamentos, com seus familiares, amigos e na escola, pois os programas objetivam que o participante ressignifique seu modo de agir com o outro e com o mundo”.


Com os encontros físicos suspensos em diversas localidades, uma movimentação progressivamente floresceu nos últimos meses para pensar em maneiras criativas de dar continuidade à educação das crianças.


As ações tipicamente começaram com um levantamento junto às famílias para entender as condições existentes. Carol Arnandes, uma das coordenadoras do programa em Brasília relata, Como primeiro passo, fizemos um levantamento de todas as crianças e professores sobre acesso à internet. Nesse contato, também buscamos entender quais outros desafios poderiam estar passando”.


Eduardo Fernandes, de Anchieta (ES), explica que desde que o bairro onde atua começou a promover as atividades educacionais bahá'ís, visitar uns aos outros regularmente se tornou um costume. Por mais que o contato durante a pandemia seja diferente, ele continua acontecendo, seja por ligações telefônicas ou por visitas presenciais que se limitam aos portões das casas. “Quando as relações são baseadas em amizades genuínas, e na verdadeira preocupação com os nossos vizinhos, conhecemos as necessidades uns dos outros”, disse.


Irmãos mais velhos apoiam os mais novos na realização de atividades de uma aula de criança em Goyazes (GO)

A partir dessas conversas, moradores de diversas localidades analisaram suas necessidades e pensaram juntos nas possibilidades de ação diante da pandemia. Diferentes abordagens surgiram para atender circunstâncias diferentes.


Em alguns casos, houve elaboração de materiais impressos entregues pelos professores nas casas das crianças. Para as famílias com acesso a internet, aulas virtuais foram disponibilizadas. E quando o acesso a internet existia mas era limitado, áudios e pequenos vídeos eram enviados por whatsapp. Dentro de núcleos familiares, algumas aulas também continuam acontecendo, conduzidas pelos pais ou irmãos mais velhos.




Alguns moradores das vizinhanças onde ocorrem as atividades também contribuíram por meio de doações. Alguns doaram materiais, outros ofereceram suas habilidades artesanais para montar pequenos kits para as crianças. “Uma pessoa elaborou uma cartilha sobre o coronavírus e através de seis páginas foi de forma ilustrativa explicando a situação da pandemia para as crianças”, conta Carol sobre uma das experiências no Distrito Federal.


Muitos daqueles que se envolvem e promovem as atividades educacionais são jovens das próprias localidades. A participação nessas atividades tem despertado neles uma reflexão mais profunda sobre seu papel na educação moral das gerações mais novas. “Eu quis ser professora porque gosto de crianças. Mas depois percebi o significado do que eu estava fazendo: estava ensinando crianças a compartilhar, a serem mais educadas, compreensivas, a entenderem o valor das coisas. Saber que elas estão aprendendo e um dia poderão fazer o mesmo que eu e ensinar outras crianças me motiva”, disse Samara, jovem professora em Tangará da Serra (MT).


Jovem conduz aula bahá’í para crianças em Tangará da Serra, MT

“Diante desse panorama, o que se percebe é que as comunidades são ricas em recursos mesmo em condições adversas", identifica Victória Gardinali da Secretaria de Ações com a Sociedade e o Governo da Comunidade Bahá'í, "Quando estamos dispostos a sermos generosos com nossos talentos, tempo, materiais e sabemos agir em conjunto, muitas limitações iniciais podem ser vencidas”.

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