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Ciência, religião e investigação da realidade

Por André Akhavan e Lília Firoozmand -


A curiosidade e a investigação da realidade têm acompanhado o ser humano desde os primórdios de sua existência. As qualidades de observação, intuição e raciocínio são apenas algumas das capacidades que permitiram a construção do conhecimento e o avanço da civilização. Dois sistemas de conhecimento têm guiado os caminhos da humanidade ao longo da história: a ciência e a religião. Apesar de serem frequentemente considerados incompatíveis, a história nos mostra certos momentos, mesmo que breves, em que ambos estiveram em harmonia e guiaram o avanço de um povo.


No início de 2020, com a pandemia do novo coronavírus alcançando o território brasileiro, nosso país e o mundo foram testados com enormes desafios. Setores da sociedade responderam de formas distintas, obtendo direcionamento a partir de diferentes fontes de conhecimento. Muitos olhares de esperança se voltaram para a ciência, com a perspectiva de compreender a doença e gerar soluções técnicas. Muitos olhares também se voltaram para a religião, se valendo da Fé para ressignificar, dar conforto e coragem. Frente aos desafios cada vez maiores enfrentados pela humanidade, qual é o papel da ciência e da religião?


No ambiente de fluxo desordenado de informação ao qual estamos submetidos, seja nas mídias sociais, na televisão ou em conversas, a ciência é um potente elixir contra a propagação da desinformação e do pânico. E para além disso, permite que uma população seja promotora ativa de seu próprio bem-estar.

“O acesso ao conhecimento é direito de cada ser humano, e a participação em sua geração, aplicação e difusão, uma responsabilidade que todos devem ombrear no grande empreendimento de construir uma próspera civilização mundial - cada indivíduo de acordo com seus talentos e habilidades.” (A Casa Universal de Justiça)

No contexto atual, a ciência exerce um papel essencial na busca de vacinas, tratamentos, e na formulação de políticas de saúde pública. Entretanto, a ciência não é uma mera lista de pesquisas e descobertas. Ela representa um método de investigação da realidade baseado na observação imparcial do mundo físico. Para além de um laboratório, a metodologia científica permite que o ser humano seja justo com as informações que encontra, racionalizando o conhecimento, evitando a aceitação cega de ideias.


“A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a Justiça; [...] Nela te apoiando, verás com teus próprios olhos e não com os alheios; saberás pela tua própria compreensão e não pela compreensão de teu semelhante.” (Bahá’u’lláh).


Inseparável desse desejo de compreender o mundo físico, o ser humano busca um propósito e sentido maior para a vida. Quando a veracidade e a justiça estão no padrão de conduta individual e no esforço coletivo, e quando o amor e o conhecimento estão presentes no pensamento e na ação, o nosso entendimento do universo físico e espiritual da sociedade é ampliado. A motivação para agir e colaborar para o bem comum está fundamentada nessa realidade.

“E a honra e distinção do indivíduo consistem nisto, que dentre todas as multidões do mundo ele deve tornar-se uma fonte de bem-estar social.” (‘Abdu’l-Bahá)

O papel da religião está diretamente associado à ligação entre a humanidade e Deus. Amplia as percepções, examina e desvenda as verdades da realidade espiritual, é fonte de esperança e promove a ação construtiva. Longe de uma mera lista de regras e dogmas, a essência da religião motiva o ser humano a investigar a realidade e a trabalhar pelo bem comum.

“...a religião tem sido a principal força a unir os diversos povos em sociedades cada vez mais amplas e complexas, através das quais as capacidades individuais assim liberadas se podem expressar.” (A Casa Universal de Justiça)

Caso o ser humano tente avançar apenas com a ciência, afundará nas armadilhas do materialismo. Mas se tentar avançar apenas com a religião, ele será paralisado pelas forças da superstição e fanatismo. A essência desses dois sistemas de conhecimento não são apenas compatíveis, mas estão essencialmente em harmonia, pois a realidade é uma só.

“Religião e ciência são duas asas sobre as quais a inteligência do homem pode pairar nas alturas, com as quais a alma humana pode progredir.” (‘Abdu’l-Bahá).


Ainda que enfrentada por um vírus que não enxerga as barreiras artificiais erigidas pelo ser humano, a humanidade tem adquirido percepções de que ela é uma única raça humana. E guiada pelo poder da ciência e da religião, ela é capaz de cultivar as bases da verdadeira prosperidade.

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