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Bahá'ís alvos de propaganda de ódio: 52 novos ataques se somam aos mais de 100 nas últimas semanas


Mais de 100 bahá'ís foram perseguidos nas últimas semanas. As recentes incursões revistaram e saquearam casas, e pertences confiscados

Genebra—1 de agosto de 2022—


O Ministério da Inteligência do Irã fez um pronunciamento chocante de propaganda de ódio opressivo contra a perseguida minoria religiosa bahá'í ontem, 31 de julho, em uma tentativa de justificar as invasões nas casas e comércios de 52 bahá'ís em todo o Irã, e a detenção e prisão de 13 indivíduos.


O Ministério da Inteligência deu uma declaração formal sobre as medidas - as quais vieram após semanas de crescente pressão sobre os bahá'ís - e alegou que as prisões eram contra membros do "partido [político] de espionagem bahá'í", e aqueles que foram detidos estavam "propagando os ensinamentos do colonialismo fabricados bahá'í e se infiltrando em ambientes educacionais”, incluindo jardins de infância. A menção a "jardins de infância" é um aparente pretexto para colocar como alvo vários bahá'ís que são professores de pré-escola.


A Comunidade Internacional Bahá'í rejeita essas absurdas e irracionais alegações como claras invenções. O que o governo iraniano está fazendo é simultaneamente um ato de opressão grosseira e um exemplo descarado do pior tipo de discurso de ódio.


Treze indivíduos – entre eles Mahvash Sabet, Fariba Kamalabadi e Afif Naemi, ex-membros da liderança da comunidade e prisioneiros de consciência que passaram uma década na prisão – foram detidos durante os ataques. Um está sendo mantido em confinamento solitário na prisão de Evin e o paradeiro dos outros dois é desconhecido.


“Estamos indignados com o número significativo de bahá'ís, entre eles Mahvash Sabet, Fariba Kamalabadi e Afif Naemi, detidos novamente no Irã”, disse Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í (BIC) nas Nações Unidas. “E é ainda mais agravante que o Ministério da Inteligência esteja tentando retratar esses indivíduos como agentes de potências estrangeiras que buscam minar a segurança do Irã. A declaração do Ministério é totalmente incoerente e autocontraditória, e as alegações são claramente absurdas e infundadas. As autoridades iranianas, em vez de lidar com os desafios de seu país, direcionam seus ataques a inocentes e tentam atiçar o ódio religioso”.


“O governo do Irã alega, há mais de 40 anos, que os bahá'ís são espiões de países estrangeiros, mas, em todo esse tempo, não conseguiu produzir um fragmento de evidência confiável. Agora estão focados em atacar professores de jardins de infância e de creches como uma ameaça à segurança nacional”, acrescentou Ala’i.


Sabet, Kamalabadi e Naemi eram membros de um grupo de pessoas conhecido como "Yaran", ou "Amigos" do Irã, o qual até 2008 servia como liderança informal da comunidade bahá'í iraniana. Todos os sete de seus membros foram detidos em 2007 e 2008 e presos por uma década. Os Yaran atendiam às necessidades religiosas básicas da comunidade – a maior minoria religiosa não muçulmana do Irã – e o faziam com o conhecimento e a aceitação das autoridades iranianas na época. Mas, o Yaran foi dissolvido como resultado de suas prisões e nunca mais foi reagrupado ou restabelecido. As declarações do Ministério da Inteligência, que sugerem que eles fazem parte dos chamados “membros principais” do “partido de espionagem” bahá'í, são, portanto, absolutamente falsas em todos os sentidos.


Os ataques e prisões ocorreram dias após que 20 bahá'ís em Shiráz, Teerã, Yazd e Bojnourd foram detidos, presos ou submetidos a buscas domiciliares e fechamento de comércios, e há menos de um mês desde que 44 outros em todo o Irã foram também detidos, processados e encarcerados. Vinte e seis indivíduos, entre os 44, era de Shiráz e foram sentenciados a um total de 85 anos de prisão.


Mais 100 bahá'ís foram, portanto, alvos no Irã ao longo das últimas semanas.


Mahvash Sabet, que escrevia poesias durante sua década na prisão de Evin, em Teerã, as quais foram compartilhados durante seu encarceramento e posteriormente publicados em inglês sob o título “Prison Poems”, foi reconhecida em 2017 como uma Escritora Internacional de Coragem da PEN.


“Estamos muito preocupados com os relatos de que Mahvash Sabet, vencedora do Prêmio PEN Pinter 2017 para Escritor Internacional de Coragem, foi novamente detida no Irã”, disse Daniel Gorman, diretor do English PEN. “Continuaremos a monitorar a situação de perto.”


Fariba Kamalabadi, uma psicóloga do desenvolvimento, foi presa em 2008 e também passou uma década atrás das grades. Em 2017, a Comissão de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos a reconheceu e a defendeu como uma prisioneira religiosa de consciência.


Afif Naemi, um industrial que também foi preso em 2008, passou grande parte de sua sentença de 10 anos de prisão com problemas de saúde, mas foi negado o tratamento médico de que precisava. Ele foi libertado em 2018 ao lado de outros membros do antigo grupo de liderança bahá'í.


"A detenção desses bahá'ís demonstra a crueldade sem sentido do governo iraniano em sua campanha sistemática para perseguir toda a comunidade", disse Ala'i. “Mahvash Sabet, Fariba Kamalabadi e Afif Naemi são símbolos de resiliência no Irã, reconhecidos em todo o mundo por sua coragem como prisioneiros de consciência, e ninguém acreditará nas escusas do governo iraniano para atacar uma comunidade indefesa e pacífica. Mas, essa guerra psicológica implacável e crescente prepara o terreno para uma perseguição ainda maior aos bahá'ís nas próximas semanas e meses”.


Para ler o original em inglês, veja aqui.


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