Samy Adghirni: um brasileiro no Irã

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Samy Adghirni: um brasileiro no Irã

Depois de quase três anos no Irã, o jornalista e correspondente da Folha de S.Paulo, Samy Adghirni, lança o livro “Os Iranianos”. Na obra, o autor mergulha na vida política e social dos iranianos e traz para o leitor brasileiro uma visão diferente sobre a realidade do país. Samy fez diversos lançamentos do livro pelo Brasil e no dia 30 de julho foi a vez de Brasília. Em entrevista realizada durante o evento na livraria Cultura, Samy falou um pouco sobre a situação dos bahá’ís no Irã.

Bahá’í Brasil | Durante o período em que você permaneceu no Irã, como você resume a situação dos bahá’ís no país?

Samy Adghirni | Os bahá’ís são, de longe, a minoria mais perseguida e discriminada no Irã. Apesar da quantidade enorme de bahá’ís no país, cerca de 350 mil, é muito difícil encontrar ou falar com alguém a respeito. A Fé Bahá’í é assunto proibido. Muitos assuntos são delicados no Irã, mas mesmo assim, em algum momento, são discutidos. No entanto, a Fé Bahá’í é o grande tabu. Ninguém fala, ninguém vê, ninguém sabe de nada sobre o assunto. Os bahá’í ficam literalmente acuados e com medo o tempo inteiro. Eles sabem que a qualquer momento podem ser alvo de algum tipo de violência ou discriminação. Com frequência casas são invadidas e destruídas sem nenhum motivo aparente e muitos bahá’ís são privados de educação e do serviço público, além de serem vítimas de prisões arbitrárias. Dói ver o que aquelas pessoas passam. É realmente uma situação muito triste e complicada. 

B.B. | Você conheceu ou conviveu com algum bahai?

S.A. | Não. Como eu havia dito, é muito difícil encontrar alguém que se declare abertamente bahá’í. Você não vê bahá’ís na rua ou em reuniões de grupos. Eles fazem seus encontros às escondidas. Além  disso, mesmo os que a gente sabe que são bahá’ís não conversam sobre o assunto com qualquer um. Eles não se abrem com facilidade, até por uma questão de segurança. 

B.B. | Você estava no Irã durante as últimas eleições para a presidência em 2013. O vencedor e atual presidente, Hassan Rohani, é considerado um “clérigo moderado”, e se opõe aos extremistas. Como essa mudança pode beneficiar a comunidade bahá’í no país?

S.A. | Todos sabemos que a intolerância religiosa no Irã, principalmente contra os bahá’ís, é uma política de Estado, não de governo. Ou seja, não é uma atitude específica de um ou outro presidente. O Irã é um Estado Teocrático, então, mesmo o Rohani sendo de uma linha mais branda, a situação dessas pessoas não vai mudar muito. O governo e a Guarda Revolucionária talvez sejam um pouco menos incisivas, mas é como se esse preconceito já estivesse enraizado na sociedade islâmica. Claro que não são todos que agem dessa maneira, mas a Fé Bahá’í é considerada uma facção política criada pelo ocidente para dividir e enfraquecer a comunidade muçulmana. E esse pensamento é anterior à República Islâmica. Essa perseguição existe desde que a Fé Bahá’í foi fundada. O governo apenas oficializou isso depois da Revolução Islâmica, em 1979. No entanto, é bom ver que muitas autoridades e civis muçulmanos têm se pronunciado em favor da liberdade religiosa, inclusive da comunidade bahá’í, como o presente oferecido pelo aiatolá Tehrani à Comunidade, como símbolo de coexistência pacífica. Isso é muito positivo, por que o Irã é um país lindo e de uma cultura riquíssima e esse tipo de coisa tem que acabar. 


 

Os Iranianos

Autor: Samy Adghirni

Coleção: Povos e Civilizações

Idioma: Português

Editora: Contexto

Assunto: História Geral

ISBN: 8572448640

Edição:

Ano de Lançamento: 2014

Número de páginas: 224

Preço: R$ 39,90

 

Sinopse:

Muitos iranianos acreditam que sua civilização entrou em decadência a partir da invasão islâmica do século VII, que impôs a cultura árabe em detrimento da cultura persa. Revelações como essa mostram facetas surpreendentes de uma nação muito contestada e pouco conhecida no Ocidente. Na antiga Pérsia convivem tradição e modernidade, burocracia e mudanças aceleradas, mulheres com túnicas negras e calças jeans. Trata-se de uma nação que no século XX conheceu forte influência ocidental - nos tempos do xá Reza Pahlavi - e uma revolução islâmica, liderada pelos aiatolás. Neste livro, o jornalista Samy Adghirni, correspondente em Teerã, percorre todos esses contrastes e muitos outros - da política à geografia, da gastronomia ao esporte, da cultura à economia - para revelar ao leitor brasileiro quem realmente são os iranianos.

 

Leia essa e outras matérias na edição 38 do Bahá'í Brasil

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