Reuniões de amigos: diferentes formatos atraem cada vez mais participantes por todo o país

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Reuniões de amigos: diferentes formatos atraem cada vez mais participantes por todo o país

Foto: Participantes do Spirituality Café, realizado em Inglês e Português em Brasília (DF) 

Encontros em Brasília e Valinhos geram oportunidades para compartilhar temas espirituais e estreitar laços de amizade.     

As reuniões de amigos promovidas pelos bahá’ís em diversas cidades do Brasil cumprem um duplo propósito: oferecer a pessoas de diferentes origens e religiões a oportunidade de estreitar laços de amizade e de conversar sobre temas espirituais em ambientes agradáveis e informais. 

A ideia original vem de longe: em suas viagens e exílios, Bahá’ulláh – Profeta-Fundador da Fé Bahá’í, e Seu filho ‘Adbu’l-Bahá costumavam realizar conversas informais em jardins e outros locais públicos que atraíam pessoas de todas as religiões para falar sobre temas como a unidade da humanidade, a igualdade entre mulheres e homens e até mesmo a necessidade de se ampliar a consciência ambiental. Muitas vezes realizadas ao ar livre, essas reuniões receberam o nome de “firesides”, que literalmente, em português, significa “ao lado do fogo” – uma alusão às pequenas fogueiras que eram acesas para aquecer os participantes nas noites geladas e permitir iluminação adequada. 

Ao longo do tempo, o nome passou a ser utilizado por bahá’ís de todo o mundo para se referir a atividades semelhantes, hoje realizadas no conforto de residências devidamente protegidas das intempéries e providas de luz elétrica. O objetivo, porém, permanece o mesmo: compartilhar os ensinamentos bahá’ís a fim de promover seu entendimento, seja por meio de uma pequena palestra inicial ou do estudo de trechos selecionados dos Escritos Sagrados.

 

Reuniões multilíngues em Brasília 

A jornalista brasiliense Luana Reis explica que existem vários formatos para essas reuniões de amigos. “´Cada pessoa tem a liberdade de pensar na maneira como quer receber seus convidados”, conta ela. “Aqui em Brasília, às terças-feiras, temos uma reunião que gira em torno de palestras temáticas que atraem um grande número de participantes. Outra, realizada uma vez por mês aos domingos, tem foco na meditação sobre selecionados textos sagrados... O que todas elas têm em comum é o desejo dos organizadores de receber as pessoas num espírito de amizade e hospitalidade genuíno”, diz ela. 

Junto com o australiano Omid Niazian e a canadense Shiva Khazemi, ambos jovens professores, Luana promove reuniões que acontecem às quintas-feiras e sábados. O diferencial da proposta multinacional é que, às quintas, os convidados realizam reflexões em português – idioma nativo do país anfitrião. Já aos sábados, os encontros são realizados em língua inglesa.

Omid explica que o nome “Spirituality Café” foi inicialmente utilizado por um grupo na cidade de Adelaide, em sua terra natal. “Eles prepararam um material riquíssimo que promove reflexões bastante interessantes. Percebi, quando cheguei ao Brasil, que muitos brasileiros gostariam de praticar o inglês, e então, com a autorização dos meus amigos na Austrália, decidi oferecer o material para os nossos encontros aqui.” 

Cada encontro reúne em média com 7 pessoas, e a cada encontro participam pessoas novas. Para os organizadores, é importante a oportunidade de apresentar diferentes aspectos e ensinamentos da Fé Bahá'í. “Mas é importante dizer que não é um encontro para necessariamente falar da Fé Bahá'í”, ressalta Luana. “As pessoas se sentem à vontade para compartilhar seus próprios pontos-de-vista sobre os diversos assuntos, sempre abordados sob um fundo espiritual. É claro que os materiais se utilizam dos ensinamentos bahá'ís, mas também incorporam outros textos sagrados e trechos de livros relevantes ao tema”, conta ela. 

Luana conta que a decisão de realizar reuniões nos dois idiomas veio da demanda gerada por pessoas interessadas na proposta. “Além dos brasileiros que querem praticar o inglês, vez por outra recebemos estrangeiros de várias partes do mundo que também têm interesse nesses encontros. São pessoas de diferentes religiões, credos e até mesmo agnósticos. O que consigo perceber é que todos estão em suas próprias buscas espirituais. Nós acreditamos que o idioma não pode ser uma barreira que dificulte essa busca.” 

Os três amigos revezam entre suas casas o local de realização do Spirituality Café, que dependendo da semana ocorre na Asa Sul ou na Asa Norte. “É muito bom receber as pessoas em casa, e conhecer novos amigos”, avaliam. “O fato de fazermos em diferentes endereços pela cidade também traz um clima de descontração e alegria, deixando os participantes mais à vontade para falar o que pensam do assunto. No final temos sempre um momento de confraternização e um lanche, que permitem que todos se conheçam um pouco mais”, conta Omid.

 

Um ‘mergulho espiritual’ em Valinhos 

Capa de "As Palavras Ocultas", usado no encontro de Valinhos

Desde abril de 2012, a casa da família Anvari recebe seus convidados para profundas reflexões sobre algumas das principais perguntas que todo ser humano se faz ao longo de sua vida: “De onde vim?”; “O que estou fazendo aqui?”; e “Para onde vou?”. A ideia dos organizadores é promover debates mensais sobre a força da fé na vida das pessoas, com base nos conselhos de sabedoria contidos no livro ‘As Palavras Ocultas’, escrito por Bahá’u’lláh por volta de 1857. 

Tania Dantas conta que o evento, que recebeu o nome de ‘Mergulhando nas Palavras Ocultas de Bahá'u'lláh’, foi uma iniciativa da matriarca da família. “Ela percebeu que os textos das Palavras Ocultas reveladas em árabe contém trechos e expressões que também aparecem na Bíblia, o Livro Sagrado dos cristãos”, conta Tânia. “A expressão ‘árvore da vida’, por exemplo, aparece nos dois textos sagrados. Isso gera uma oportunidade inestimável de realizar um estudo comparado entre a Fé Bahá’í e o Cristianismo, favorecendo o diálogo inter-religioso e a compreensão de que Deus é um só e Seus ensinamentos, transmitidos à humanidade por meio de Seus Manifestantes, valem para todas as pessoas. 

O sucesso foi tão grande o número crescente de pessoas participando regularmente dos encontros gerou a necessidade de se organizar um horário alternativo “A primeira edição começa às 9h30, sempre no terceiro doingo do mês. Logo em seguida, ao meio-dia, temos outra edição sobre o mesmo tema, conduzida pela senhora Anvari”, conta Tânia. “A preocupação desta voluntária com os convidados é tanta que ela fez um compilação dos primeiros textos que foram estudados para que os novos participantes consigam entender o texto atual.” 

 

Amigos e estranhos, em espírito de camaradagem 

“A repercussão da reunião em Valinhos tem sido extraordinária entre amigos e convidados, que têm demonstrado expressivo interesse e entusiasmo para participar”, alegra-se Tânia. “As pessoas vêm de toda a cidade, dos arredores e até de Campinas. A intenção dos organizadores é realizar uma reunião de fechamento desses dois anos de encontros durante a qual os textos estudados serão categorizados de acordo com as perguntas fundamentais que deram origem a esse mergulho espiritual”, finaliza. 

Em Brasília, impera esse mesmo espírito de amizade e receptividade para com amigos e convidados. “Se nos lembramos do ensinamento bahá'í de que ‘o planeta Terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos’, então nenhuma dessas pessoas são estranhas; como nós, elas estão em busca de evoluir espiritualmente”, conclui Luana. “É interessante ver como cada um percebe os mesmos ensinamentos, e o quanto podemos fortalecer nossa própria fé. Para nós também é um grande aprendizado”, conclui.

 

Para saber mais sobre as atividades promovidas pelos bahá’ís na sua cidade, entre em contato pela página http://www.bahai.org.br/content/contato.

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