Padrão de vida bahá’í

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Padrão de vida bahá’í

Atualmente, a vida do homem neste planeta é representada por uma batalha contínua entre duas forças inerentes à sua natureza. Estas forças – a material e a espiritual – em muitas ocasiões aparentam ser conflitantes. Tal fato não condiz, contudo, com as suas verdadeiras essências.

Através de suas poderosas forças de atração, os elementos materiais despertam em nós características inerentes à nossa natureza física, ligando-nos às bênçãos existentes no mundo da matéria. Tais ganhos terrenos podem, no entanto, em determinadas situações, se tornar o foco principal, o objetivo primordial e a meta suprema das nossas vidas. As pessoas geralmente se esforçam para tirar o máximo proveito, usufruindo plenamente das satisfações que provêm dos prazeres efêmeros e dos benefícios proporcionados pelo meio em que vivem. Não há dúvida de que uma influência moderada das atrações materiais é necessária para a sobrevivência e o progresso da humanidade. Porém, quando os limites da moderação são transgredidos e nossa vida se inclina aos excessos que tais atrações, de maneira convidativa, nos apresentam, elas se transformam numa fonte contínua de sofrimento e pesar. Neste caso, a alma passa a ser dominada e escravizada pelos desejos mundanos e, inevitavelmente, passará a obedecer aos seus traiçoeiros comandos. Como resultado, o espírito acaba por obscurecer-se pela poeira da avidez, do egoísmo e do orgulho. 

A outra força impulsora da vida humana é de natureza espiritual. Ela é fortalecida na medida em que o espírito percorre a trilha da aquisição de virtudes e qualidades divinas – o caminho rumo ao progresso e realização espiritual.  Esta força ilumina a mais íntima realidade do homem e nos libera da teia representada pela atração excessiva pelo mundo da matéria; purifica a alma, facilitando o seu vôo aos mais ternos reinos do espírito.

Esta realidade miraculosa é o eflúvio da consciência espiritual nos homens, e o seu resultado se manifesta através do gradual crescimento do espírito de desprendimento, da cooperação bondosa e de uma generosidade tal que o interesse do próximo passa a sobrepujar em preferência ao nosso próprio.

A observância das determinações contidas nas Sagradas Escrituras nos ajuda a vivenciar o seguinte conselho de Bahá’u’lláh:  

“Bem-aventurado quem prefere seu irmão antes de si próprio. Verdadeiramente, de acordo com a Vontade de Deus, o Onisciente, a Suma Sabedoria, tal homem figura entre o povo de Bahá, que habita na Arca Carmesim”.

Para viver a vida em sua plenitude,    faz-se necessário, portanto, estabelecer um equilíbrio harmonioso entre estas duas forças, possibilitando uma existência sadia e moderada, que nos livra de um estilo de vida voltado unicamente para a satisfação dos confortos terrenos, ao mesmo tempo em que nos aproxima da sociedade da qual fazemos parte e para cujo progresso todos nós devemos contribuir. 

No plano individual, os Escritos Sagrados de Bahá'u'lláh nos trazem o seguinte conselho:

Ó Filho do Espírito: Meu primeiro conselho é este: possui um coração puro, bondoso e radiante, para seja tua uma soberania antiga, imperecível, eterna."

Nos escritos de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá, como também nos Seus pronunciamentos registrados, encontramos numerosos trechos que convocam todos a uma nova vida de conduta impecável.

Os Manifestante de Deus, refletindo perfeitamente aquela fonte de energia e poder de atração que os homens chamam amor, de uma maneira adaptada às necessidades mutantes de uma humildade em crescimento progressivo, tem tido sempre um objetivo tríplice: perpetuar a civilização do homem, purificar suas qualidades, promover sua felicidade em todos os mundos de Deus. 

O próprio homem, criado para conhecer, servir, adorar, louvar, refletir e amar a Deus, é considerado pelos bahá’ís uma mina de atributos, cada um deles em forma latente e potencial. Através da educação, é que se fazem aparecer estes atributos. Se, no curso desse processo, o homem não desenvolvê-los, esses atributos serão introvertidos, os laços de amor e estima pelos outros se tornarão fracos e desaparecerão e aquelas qualidades tão importantes deixarão de se apresentar, tornando-se um grande entrave para a vida espiritual que se seguirá a esta vida neste mundo.

Se, por outro lado, o homem compreender que seu semelhante também foi criado a fim de refletir as perfeições de Deus, ele procurará associar-se ao seu semelhante, de modo que, através da cooperação mútua, cada um possa aumentar sua capacidade refletiva e assim desenvolver-se, crescer e expandir, até que aquelas perfeições se revelem claramente e a alma, assim capacitada, esteja pronta para a vida além da vida. Essa associação, esse amor, essa amizade, alicerçam aquela civilização em contínua evolução, para cuja promoção todos os homens foram criados.

Assim como cada Manifestante de Deus é um espelho perfeito que reflete a Essência Divina, do mesmo modo todos os seres humanos são espelhos que, volvendo-se para aqueles Manifestantes e especialmente para Bahá'u'lláh, o Manifestante desta era, podem refletir os gloriosos atributos Deles, principalmente aqueles necessários para a sua futura existência nos mundos de Deus.

Leia essa e outras matérias na edição 38 do Bahá'í Brasil

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