O uso de material sagrado na Era Digital

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O uso de material sagrado na Era Digital

Com o advento da internet e das redes sociais, o uso de imagens ganhou outra dimensão. Devido ao acesso rápido e fácil a todos os tipos de conteúdo, muitas vezes publicados por fontes pouco confiáveis, na “Era Digital” é preciso tomar os devidos cuidados para não banalizarmos aquilo está na esfera do Sagrado, transformando-o em peças publicitárias.

Sagrado (do latim sacratu), refere-se a algo que merece veneração ou respeito religioso por ter uma associação com uma divindade ou com objetos considerados divinos”. Ou seja, tudo aquilo que é Sagrado não deve ser utilizado de maneira indiscriminada, inclusive imagens.

Com as figuras e símbolos sagrados para a Comunidade Bahá'í não é diferente. Contudo, muitas vezes a imagem de Bahá’u’lláh, que é muito preciosa para os bahá’ís e que somente é vista pelos peregrinos que vão a Terra Santa em um momento de profunda reverência e espiritualidade, acaba sendo utilizada indevidamente. Por outro lado existem algumas reproduções do Máximo Nome, ou de fotos de ‘Abdu’l-Bahá que circulam na Internet, mas a recomendação da Casa Universal de Justiça é que elas não sejam divulgadas. No Facebook, por exemplo, não é conveniente que se use como fotografia de “capa” ou de “perfil” fotos ou outras representações das figuras ou símbolos sagrados.

Em 2004 a Casa Universal de Justiça afirmou que “essas imagens e fotografias são apresentadas somente em raras ocasiões especiais, sagradas para os bahá’ís, tais como a peregrinação à Terra Santa, e mesmo nessas ocasiões, isso é feito com a máxima reverência. Portanto tanto, publicar uma foto de Bahá’u’lláh [em veículos] destinados ao consumo público é inapropriado, uma vez que contraria o princípio da dignidade e respeito a essas imagens observados pela comunidade bahá’í, ofendendo o sentimento religioso dos bahá’ís em qualquer parte do mundo”.

A orientação da Assembleia Espiritual Nacional do Brasil é de que os amigos não utilizem a imagem sagrada de Bahá’u’lláh em sites e/ou redes sociais e não acessem sites ou links que publicam esse tipo de material. Dessa forma, garantimos que a sacratíssima imagem do Profeta-fundador da Fé Bahá’í não seja indevidamente usada ou acessada.

No entanto, as pessoas podem se sentir à vontade para fazer uso pessoal de fotografias de 'Abdu'l-Bahá em seus lares, ou publicá-las adequadamente em livros. Inclusive, as sedes locais e nacionais geralmente disponibilizam um espaço reservado para esse fim. Mas devemos nos precaver para que nossa afeição a Ele não nos induza a um senso de familiaridade que se torne casual e, inadvertidamente, deprecie a santidade de Sua posição. É com espírito de reverência que devemos decidir de que maneira compartilhar Sua imagem, seja impressa ou em qualquer formato eletrônico, tais como página da internet, blog, ou quaisquer sites de redes sociais.

De acordo com guias da Casa de Justiça, não é conveniente usar uma fotografia de 'Abdu'l-Bahá na capa de um livro, nem representá-Lo como um personagem em apresentações teatrais. Assim como não é apropriado incluir Sua foto em filipetas ou peças publicitárias, nem reproduzi-la em objetos, tais como canecas, chaveiros, postais, capas de CD, etc. Sendo assim, não é recomendado que se utilize a imagem do Mestre como ícone no Facebook ou em redes sociais similares, assim como os vídeos de 'Abdu'l-Bahá, que são reservados a momentos sagrados e de extrema reverência, excluindo-se sua veiculação on-line.

No início do século XX, Shoghi Effendi já falava no assunto. Em carta datada de 26 de novembro de 1923, ele solicita “aos amigos que ajam com restrição e cuidado no uso e distribuição da gravação da voz do Mestre. No meu ponto de vista, esta somente deverá ser usada em ocasiões especiais e escutadas com a máxima reverência. A dignidade da Causa, estou certo, sofreria com o uso amplo e indiscriminado de uma das relíquias mais preciosas de nosso falecido Mestre”.

Em uma carta datada de 24 de setembro de 1987 a Casa Universal de Justiça nos esclarece que as restrições ao uso das Figuras Sagradas ou do Máximo Nome não devem ser vistas no contexto de uma série de impedimentos, mas sim numa visão de responsabilidade pessoal para com a atitude de reverência:

Em alguns casos, as Escrituras Bahá’ís contêm orientações precisas sobre como a reverência aos objetos ou lugares sagrados devem ser expressadas; por exemplo, restrições ao uso do Máximo Nome em objetos, ou ao uso indiscriminado da gravação da voz do Mestre. Em outros casos, os crentes são solicitados a esforçarem-se por obter um entendimento mais profundo do conceito de santidade nos ensinamentos bahá’ís, dos quais eles podem determinar suas próprias formas de conduta pela qual reverência e respeito devem ser expressados”.

A importância de tal comportamento deriva do princípio expressado nas Escrituras Bahá’ís de que o exterior tem influência sobre o interior. Referindo-Se ao “povo de Deus”, Bahá’u’lláh declara: “sua conduta exterior nada é senão um reflexo de sua vida interior, e sua vida interior, um espelho de sua conduta exterior”.

Os bahá’ís imbuídos de talento artístico encontram-se em uma posição única para usar suas habilidades, quando tratam de temas bahá’ís, de tal forma a desvendar para a humanidade a evidência da renovação espiritual que a Fé Bahá’í trouxe para o gênero humano através de sua revitalização do conceito de reverência.

Os artistas bahá’ís são livres para aplicar seus talentos em quaisquer temas que sejam de interesse deles. É esperado, contudo, que eles exerçam um papel de liderança na restituição do reconhecimento da reverência como um elemento vital para se alcançar a verdadeira liberdade e a permanente felicidade.”

 

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