O caminho para uma cultura bahá’í

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O caminho para uma cultura bahá’í

Leia essa e outras notícias no Bahá'í Brasil - edição 39

Recentemente, os bahá’ís de diferentes origens estiveram perante festividades, como o ano novo gregoriano (1 de janeiro) e o natal (25/12) para os de origem cristã, o Hanukkah (16-24/12) para os  de origem judaica, Mawlid-al-Nabi (03/01) para os de origem muçulmana, ou mesmo o Shab-e Yalda (21/12) para os amigos persas. É um período festivo em diversas religiões e os bahá’ís perguntaram-se se e como participariam de tais celebrações.

Naturalmente os bahá’ís têm sempre em mente o que Bahá’u’lláh revelou e, portanto, associam-se aos seguidores de todas as religiões em um espírito de amizade e companheirismo, não havendo assim, nenhum mal em bahá’ís compartilharem dessas celebrações com parentes e amigos. A perpetuação de tais características culturais herdadas expressa unidade na diversidade — sempre que tais atividades não antagonizem com os princípios bahá’ís.

Quando alguém assume a identidade bahá’í, adquire uma lealdade mais ampla às Manifestações de Deus e deve ter o cuidado para não se isolar de sua família e amigos, mostrando respeito à sua antiga denominação religiosa. Contudo, existe uma distinção clara entre participar em eventos festivos e culturais, em oposição a praticar ou promover cerimônias e rituais religiosos. Desta forma, os bahá’ís devem evitar praticar ações que, de algum modo, impliquem serem considerados membros de outra denominação religiosa ou que sejam contrárias aos seu princípios, salvaguardando a independência da Fé.

Shoghi Effendi escreve que “nesses dias os amigos deveriam demonstrar, através de suas ações, tanto quanto possível, a independência da Divina Fé de Deus e sua desvinculação dos costumes, rituais e práticas de um passado desconsiderado e abolido.”

Em carta escrita em nome do Guardião (19 de março de 1938), pode-se ler o seguinte: “Sobre a celebração dos feriados cristãos pelos crentes – é certamente preferível e mesmo altamente recomendável que os amigos em sua relação uns com os outros, devam interromper a observância de tais feriados como natal e ano novo e ter os seus encontros festivos dessa natureza durante os dias intercalares e o Naw Rúz.”

Em outra carta (15 de agosto de 1957), também escrita em seu nome, o Guardião chama todo bahá’í à reflexão. “Cada Bahá’í deveria conscientemente começar a assim se comportar pois, sem o que, as pessoas nunca saberão que somos membros de uma nova religião, mas pensarão que somos apenas pessoas acreditando em duas ou três coisas ao mesmo tempo.”

O importante é que os crentes não se dissociem, sem necessidade, de práticas culturais inofensivas, alienando família e amigos não-bahá’ís, ao mesmo tempo que evitam a prática de costumes abolidos do passado, solapando a independência da Fé Bahá’í. Buscando, por fim, novas formas de viver as suas datas comemorativas e dias sagrados, sem que essas se tornem mera imitação da velha forma.

Precisamos, por exemplo, começar a refletir: como pretendemos celebrar os “Festivais Gêmeos” dos aniversários de Bahá’u’lláh e dO Báb, que pela primeira vez no Brasil serão em dias seguidos (10 e 11 de Qudrat), cumprindo as palavras de Bahá’u’lláh de que “Esses dois dias são considerados um só aos olhos de Deus”.

Como planejamos, individualmente ou em comunidade, seguir a instrução de Bahá’u’lláh e devotar os dias intercalares a festividades, regozijo e caridade, ou, nas palavras do Guardião “à hospitalidade, ao oferecimento de presentes”?

Os desafios que a comunidade bahá’í encontra diante de si, através da adoção de um novo modo de vida, da implantação integral de um novo calendário e dias santos próprios, a busca de formas de celebração de eventos da nova Dispensação, são compreensíveis e na verdade, formam uma parte integral dessa transição, dessa mudança de cultura da comunidade, e que exige dos indivíduos, da comunidade e das Instituições muita diligência e esforço.

A Casa Universal de Justiça prometeu em sua mensagem de 10 de julho de 2014, que o “próximo Naw-Rúz assinalará ainda outro passo histórico na manifestação da unidade do povo de Bahá e do desdobramento da Ordem Mundial de Bahá’u’lláh”. Como será celebrado entre amigos, familiares e na sua comunidade, o dia 1º de Bahá de 172, o Ano Novo bahá’í?

A Casa garante que “o lugar da humanidade no tempo e no espaço [é] repensado, e o ritmo da vida reformulado”.

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