Mensagem da Casa Universal de Justiça à Conferência dos Corpos Continentais de Conselheiros, 29 de dezembro de 2015

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Mensagem da Casa Universal de Justiça à Conferência dos Corpos Continentais de Conselheiros, 29 de dezembro de 2015

[Tradução para o Português disponível também neste link, em formato PDF.]

À Conferência dos Corpos Continentais de Conselheiros 


Amigos ternamente amados,


1. O Plano que o mundo bahá’í iniciou há cerca de cinco anos se encontra nos seus últimos estágios; o cômputo final de suas realizações continua a crescer, mas em breve estará encerrado. O esforço coletivo que ele inspirou exigiu total confiança naquelas forças com as quais um Senhor benévolo dotou Seus amados. Reunidos com vocês neste momento de reflexão, estamos cônscios de uma determinação entre os amigos de levar o Plano atual a uma conclusão condigna, e de um anseio em avançar mais ainda no caminho que a experiência destacou.

2. A considerável distância já percorrida ao longo do caminho é evidente através dos mais marcantes resultados obtidos no atual Plano. A ambiciosa meta de elevar a 5.000 o número de agrupamentos em que um programa de crescimento esteja em andamento, em qualquer nível de intensidade, parece prestes a ser alcançada nos meses que restam até o Ridván de 2016. Em numerosos agrupamentos, há mais de mil habitantes — algumas vezes vários milhares — participando em um padrão bem estabelecido de atividade que envolve um crescente número de pessoas, edificando comunidades cujos hábitos de pensamento e ação estão enraizados na Revelação de Bahá’u’lláh. No mundo todo, há meio milhão de indivíduos que foram capacitados a terminar pelo menos o livro 1 da sequência de cursos, feito extraordinário que estabeleceu uma sólida fundação para o sistema de desenvolvimento de recursos humanos. Uma geração de jovens está sendo galvanizada para a ação por uma visão irresistível de como poderão contribuir para a construção de um novo mundo. Maravilhados por aquilo que viram, líderes da sociedade em certos lugares estão cobrando dos bahá’ís a ampla disponibilização de seus programas para a educação da juventude. Enfrentando complexidade cada vez maior, as instituições bahá’ís e suas agências estão encontrando modos de organizar as atividades de um número crescente de amigos através da promoção da colaboração e do apoio mútuo. E a capacidade de aprendizagem, que representou tão precioso legado dos Planos anteriores, está sendo estendida além do domínio da expansão e consolidação para abranger outras áreas do esforço bahá’í, notavelmente a ação social e a participação nos discursos correntes da sociedade. Vemos uma comunidade fortalecida pelas dádivas da força e da experiência duramente adquirida, proveniente de duas décadas de esforço incessante focado num objetivo comum: um avanço significativo no processo de entrada em tropas.

3. Não pode haver qualquer dúvida de que este processo deve avançar muito mais; entretanto, o progresso demonstra que já houve um avanço significativo. Ele preparou os amigos de Deus para um teste mais exigente de suas habilidades, teste que também demandará muito mais de sua instituição, à medida que vocês os estimulam a atender as suas necessidades. Neste próximo Plano, que terminará no limiar do segundo centenário da Idade Formativa da Fé, convocaremos os crentes de toda parte ao imenso esforço necessário para fazer frutificar as sementes que tão amorosa e dedicadamente foram semeadas e irrigadas nos cinco Planos que o precederam.   
 
O surgimento de um programa de crescimento
4. O desenrolar de um processo de crescimento num agrupamento, embora naturalmente tenha características singulares, modelado, em todos os casos, pela receptividade daqueles que são expostos aos ensinamentos divinos, enquadra-se em certas características comuns. Muitas dessas características foram tratadas na nossa mensagem à sua conferência de 2010, na qual fez-se referência a uma série de marcos que indicam o progresso ao longo de um caminho de desenvolvimento. Um entendimento coletivo do que é necessário para que os amigos de um agrupamento passem pelo primeiro dos marcos que descrevemos, e posteriormente pelo segundo, tem aumentado durante esse período.

5. No Plano de Cinco Anos que agora finda, a tarefa diante dos crentes foi aplicar tudo o que foi aprendido nos Planos anteriores para o trabalho de estender o processo de crescimento a milhares de novos agrupamentos. O que isso demonstrou é que depende muito da habilidade das instituições em recorrer à ajuda dos amigos de outros agrupamentos, reforçando as ações de uma comunidade bahá’í existente, organizando, por exemplo, o apoio de equipes visitantes de ensino, ou tutores. Em muitos lugares, o processo do instituto começa com a ajuda de crentes de comunidades vizinhas mais fortes que encontram maneiras criativas de alcançar a população local, especialmente os jovens, apoiando-os à medida que começam a se engajar no serviço. Esforços para estimular atividades num agrupamento, especialmente um que ainda não tenha sido aberto à Fé, são grandemente intensificados caso um ou mais indivíduos se estabeleçam como pioneiros residentes, concentrando sua atenção em parte de um povoado ou mesmo uma única rua onde haja alta receptividade. Mais de 4.500 crentes já se levantaram para servir dessa maneira durante o atual Plano, uma realização impressionante.

6. Qualquer que seja a combinação de estratégias usadas, o principal objetivo é iniciar um processo para construir capacidade dentro do agrupamento através do qual seus habitantes, estimulados por um desejo de contribuir para o bem-estar espiritual e material de suas comunidades, são capazes de oferecer atos de serviço. Uma vez cumprido este requisito fundamental, o programa de crescimento já foi iniciado. Naturalmente, é essencial o apoio de membros do Corpo Auxiliar e seus ajudantes, cujo estreito envolvimento desde os primeiros sinais de atividade ajuda os amigos a manter uma visão clara e unida do que é necessário.

Fortalecendo o padrão de ação

7. Logo forma-se no agrupamento um núcleo de amigos que trabalham e consultam em conjunto, organizando atividades. Para que o processo de crescimento avance, o número de pessoas que se comprometem com isso deve aumentar, e sua capacidade de se empenhar em ação sistemática dentro do marco conceitual do Plano deve crescer proporcionalmente. E tal como o desenvolvimento de um organismo vivo, o crescimento pode ocorrer com rapidez quando as condições adequadas estiverem disponíveis.

8. A principal dessas condições é que o processo do instituto esteja se fortalecendo, por ser ele fundamental para a promoção do movimento de populações. Os amigos que começaram a estudar os materiais do instituto e que estão também investindo suas energias em organizar aulas para crianças, grupos de préjovens, reuniões para adoração coletiva ou outras atividades atinentes, estão sendo auxiliados a seguir adiante na sequência de cursos, ao mesmo tempo que o número dos que iniciam seus estudos continua a crescer. Com a manutenção do fluxo de participantes nos cursos do instituto e no campo de ação, o contingente dos que estão apoiando o processo de crescimento se expande. O progresso depende, em grande medida, da qualidade dos esforços daqueles que servem como tutores. Neste estágio inicial, a maioria deles ainda pode ser proveniente de outros agrupamentos, mas, ao mesmo tempo, há alguns amigos locais sendo mobilizados, os quais, à medida que cresce sua capacidade para ação, começam a ajudar outros a estudar os materiais do instituto. Os esforços para inaugurar o primeiro núcleo de tutores de um agrupamento devem seguir o caminho intermediário entre dois resultados indesejáveis. Se os indivíduos passarem pelos cursos do instituto com demasiada rapidez, a capacidade para servir não se desenvolve suficientemente; inversamente, se o estudo for excessivamente prolongado, o processo se priva do dinamismo essencial ao seu avanço. Em circunstâncias diversas, soluções criativas foram usadas para obter o equilíbrio necessário, assegurando que, dentro de um período razoável, alguns dentre os residentes no agrupamento sejam capacitados a servir como tutores. 

  
9. Naturalmente, não é o simples oferecimento de capacitação que em si produz o progresso. Os esforços para o desenvolvimento de capacidade falham caso não sejam rapidamente feitos arranjos para acompanhar os indivíduos na arena do serviço. Um adequado nível de apoio vai bem além de palavras encorajadoras. Ao se preparar para assumir uma tarefa pouco conhecida, trabalhar ao lado de uma pessoa com alguma experiência aumenta a consciência do que é possível. A garantia de auxílio prático pode dar àquele que se aventura a tentar, a coragem de iniciar uma atividade pela primeira vez. Então as almas ampliam seu entendimento em conjunto, compartilhando humildemente as percepções de cada um em dado momento e avidamente procurando aprender com os companheiros de jornada no caminho do serviço. A hesitação cede e a capacidade se desenvolve até o ponto em que um indivíduo pode levar avante as atividades por si mesmo e, por sua vez, acompanhar outros no mesmo caminho.

10. No que concerne ao instituto, o fluxo de participantes nos seus cursos cria uma crescente necessidade de serem eles sistematicamente apoiados à medida que começam a servir como professores de crianças, como animadores e como tutores. Oportunidades surgem naturalmente para aqueles dentre o núcleo de crentes que já ganharam alguma experiência em atividades educacionais para ajudar aqueles que são mais novos nelas. Uma pessoa que mostre disposição para ajudar outros a avançarem em seus esforços para servir pode fazer com que responsabilidades específicas lhe sejam atribuídas. Desse modo, surgem coordenadores para cada um dos três estágios do processo educacional, à medida que as necessidades exijam. Suas ações são sempre motivadas pelo desejo de ver a capacidade ser desenvolvida nos outros e de promover a amizade alicerçada em cooperação e reciprocidade.

11. Evidentemente, o processo do instituto aumenta a capacidade para uma ampla diversidade de empreendimentos; desde os primeiros cursos, os participantes são encorajados a visitar seus amigos em suas casas e estudar com eles uma oração, ou compartilhar um tema dos ensinamentos bahá’ís. As medidas para apoiar os amigos nessas iniciativas, as quais podem ter sido majoritariamente informais, eventualmente se mostraram inadequadas, indicando a necessidade de um Comitê de Ensino de Área ser implantado. Seu foco principal é a mobilização de indivíduos, muitas vezes pela formação de equipes, para a contínua difusão do padrão de atividade num agrupamento. Seus membros passam a ver todos como um colaborador em potencial num empreendimento coletivo, e apreciam seu próprio papel em cultivar o espírito de propósito comum na comunidade. Com um Comitê em funcionamento, os esforços já em andamento para convocar uma reunião de adoração, fazer visitas aos lares, e ensinar a Fé podem agora se expandir consideravelmente. Vocês precisarão encorajar as Assembleias Espirituais Nacionais e Conselhos Regionais Bahá’ís, tanto quanto os institutos de capacitação, para permanecerem alertas para o momento em que num agrupamento as condições requeiram medidas organizacionais concretas — sem agir prematuramente, nem adiar indevidamente o aparecimento de estruturas formais.

12. Tal como os indivíduos, as agências que nascem num agrupamento precisam de apoio à medida que assumem seus deveres. A ajuda dos membros do Corpo Auxiliar em relação a isso é essencial, mas é também uma importante responsabilidade dos Conselhos Regionais Bahá’ís, ou, onde não existe Conselho, da própria Assembleia Espiritual Nacional, e é igualmente uma preocupação premente dos institutos de capacitação. A capacidade de servir habilmente no âmbito de agrupamento aumenta quando são criados espaços em que os crentes envolvidos podem estudar as guias, à luz delas refletir sobre suas ações, e daí extrair percepções, e ainda ficar conectados com o acervo mais amplo de conhecimento que está sendo gerado em agrupamentos vizinhos e distantes. Em vez de formular planos abstratos, as consultas conduzidas em tais espaços frequentemente objetivam captar a realidade do agrupamento naquele momento específico e identificar o próximo passo imediato para facilitar o progresso. Aqueles que servem em âmbito regional ou nacional podem fazer muito para aconselhar os amigos e expandir sua visão sobre aquilo que pode ser realizado, mas não procurarão impor suas próprias expectativas no processo de planejamento; ao contrário, eles estão ajudando os crentes que trabalham em um agrupamento a melhorar gradualmente sua habilidade de formular e implementar um curso de ação inspirado na experiência que se vai acumulando nas bases da comunidade e na familiaridade com as reais condições. Para desenvolver a capacidade das agências do agrupamento em aprender e agir de forma sistemática, as instituições regionais e nacionais precisam ser conscientes e metódicas em seus próprios esforços para auxiliá-las. O apoio de seus auxiliares nesse trabalho assegurará que cada elemento do processo de crescimento alcance as características necessárias e que a integridade e coerência de todos os esforços sejam mantidas. 

   
13. O impulso para aprender através da ação naturalmente está presente entre os amigos desde o próprio início. A introdução de ciclos trimestrais de atividade aproveita essa capacidade nascente e permite que seja continuamente reforçada. Embora essa capacidade seja especificamente associada à fase de reflexão e planejamento de um ciclo, especialmente a reunião de reflexão que regula seu ritmo pulsante, ela é exercida também em todos os demais pontos do ciclo por aqueles que seguem linhas de ação afins. Observamos que, à medida que a aprendizagem se acelera, os amigos se tornam mais capazes de superar reveses, sejam eles pequenos ou grandes — diagnosticando suas causas raízes, explorando os princípios subjacentes, analisando experiência relevante, identificando medidas corretivas, e avaliando o progresso, até que o processo de crescimento tenha sido totalmente revigorado.

14. A transformação individual e coletiva produzida mediante a Palavra de Deus é fundamental para o modelo de ação que se desenvolve num agrupamento. Desde o início da sequência de cursos, o participante entra em contato com a Revelação de Bahá’u’lláh ao considerar temas significativos como adoração, serviço à humanidade, vida da alma, e educação de crianças e jovens. À medida que uma pessoa cultiva o hábito de estudo e reflexão profunda sobre a Palavra Criativa, esse processo de transformação se revela numa habilidade de expressar o entendimento pessoal dos profundos conceitos e de explorar a realidade espiritual em conversações significativas. Essas capacidades são visíveis não somente nas elevadas discussões que cada vez mais caracterizam as interações dentro da comunidade, mas nas contínuas conversações que chegam bem além — também entre a juventude bahá’í e seus colegas — estendendo-se aos pais cujas filhas e filhos se beneficiam dos programas de educação da comunidade. Por meio desse tipo de intercâmbio, eleva-se a consciência das forças espirituais, dicotomias aparentes cedem espaço a percepções inesperadas, o senso de unidade e vocação comum é fortalecido, a confiança de que um mundo melhor pode ser criado é revigorada, e o compromisso com a ação se torna manifesto. Tais conversações distintivas gradualmente atraem um número cada vez maior de pessoas para participar de uma grande diversidade de atividades comunitárias. Temas de fé e certeza surgem naturalmente, estimulados pela receptividade e experiência dos envolvidos. É evidente, portanto, que à medida que o processo do instituto ganha ímpeto num agrupamento, o ato de ensinar passa a assumir maior proeminência na vida dos amigos.

15. À medida que o progresso continua, a crescente capacidade para conversação significativa é aproveitada nos planos das instituições. Quando os ciclos de atividade emergem formalmente, essa capacidade é estimulada ainda mais pela fase de expansão que tem tanto significado na definição do resultado de cada ciclo. Os objetivos precisos de cada fase de expansão naturalmente variam de acordo com as condições existentes no agrupamento e as circunstâncias da comunidade bahá’í. Em alguns casos seu principal objetivo é aumentar a participação nas atividades centrais; em outros, descobre-se uma prontidão para ingressos na Fé. Conversações sobre a Pessoa de Bahá’u’lláh e o propósito de Sua missão ocorrem em diversos ambientes, incluindo reuniões de amigos (firesides) e visitas aos lares. As ações tomadas durante essa fase permitem que as habilidades desenvolvidas através do estudo dos materiais relevantes do instituto sejam exercidas e refinadas. À medida que a experiência aumenta, os amigos se tornam mais capazes de perceber que encontraram ouvidos receptivos, de decidir quando ser mais direto em compartilhar a mensagem, de remover obstáculos ao entendimento, e de ajudar os buscadores a abraçarem a Causa. A abordagem de trabalhar em equipes permite aos amigos servirem juntos, oferecerem apoio mútuo, e construírem confiança — mas, mesmo quando atuam individualmente, eles estão coordenando seus esforços para uma maior eficiência. Seu foco e investimento de tempo faz essa fase curta, porém decisiva do ciclo, ser dotada com a intensidade que ela exige. Esse espírito de elevada determinação serve para multiplicar as forças da comunidade, e em cada ciclo os amigos aprendem a depender mais e mais das potentes confirmações do reino divino atraídas por suas ações.

16. Cinco anos atrás, a maioria dos agrupamentos em que se havia estabelecido um programa intensivo de crescimento eram agrupamentos onde já vivia um número razoável de bahá’ís, muitas vezes dispersos geograficamente. Os esforços da parte desses crentes para avançar o trabalho convidando a participação de amigos, colegas de trabalho, família estendida e conhecidos, fez muito para incrementar o nível de atividade em todo o agrupamento. De fato, ampliar o círculo de participação dessa maneira tornou-se um aspecto familiar da vida bahá’í e permanece sendo essencial. Ao mesmo tempo, a experiência indica que, para que o crescimento seja acelerado por meio de um fluxo contínuo de novos participantes no processo do instituto, é necessário fazer mais. O padrão de vida comunitária precisa ser desenvolvido nos lugares em que a receptividade cresce, aqueles pequenos centros de população em que a atividade intensa pode ser mantida. É aqui que, ao se empreender o trabalho de construção de comunidades dentro de um perímetro estreito, as dimensões entrelaçadas da vida comunitária expressam-se de forma mais coerente, é aqui que o processo de transformação coletiva é mais agudamente percebido — aqui onde, no devido tempo, o poder de construção de sociedade inerente à Fé se torna mais visível.

17. Por isso, uma tarefa importante diante de vocês e seus auxiliares no início do próximo Plano será a de ajudar os amigos de toda parte a perceberem que, a fim de que os programas de crescimento existentes continuem a ganhar força, a estratégia de iniciar atividades de construção de comunidades em vizinhanças e povoados que se mostrem promissores deve ser amplamente adotada e sistematicamente acompanhada. Os indivíduos que servem em tais áreas aprendem a explicar o propósito dessas atividades, a demonstrar por meio de atos a pureza de seus motivos, a nutrir ambientes em que os inseguros possam ser tranquilizados, a ajudar os habitantes a verem as ricas possibilidades criadas pelo trabalho conjunto, e a encorajá-los a levantar e servir aos melhores interesses de sua sociedade. Ainda assim, reconhecer o real valor desse trabalho deve também aumentar a consciência de sua natureza delicada. Um padrão de ação nascente numa pequena área pode facilmente ser abafado por demasiada atenção externa; assim, o número de amigos que se deslocam para tais localidades ou as visitam frequentemente não precisa ser grande, pois, afinal, o processo em andamento é essencialmente algo que depende dos próprios residentes. No entanto, o que se requer dos envolvidos é um compromisso de longo prazo e um desejo de se tornarem tão íntimos da realidade de um lugar que eles passam a integrar a vida local, evitando qualquer traço de preconceito ou paternalismo, e formando aqueles laços de verdadeira amizade que beneficiam companheiros numa jornada espiritual. A dinâmica que se desenvolve em tais ambientes cria um forte senso de vontade e movimento coletivo. Com o passar do tempo, o agrupamento como um todo e seus centros de intensa atividade infundirão uns nos outros um elevado entendimento que provém dos esforços de aplicar os ensinamentos em diferentes contextos.

18. À medida que os amigos num agrupamento continuam reforçando e expandindo as atividades de construção de comunidades que tomam forma ao seu redor, torna-se evidente que ocorreu um progresso distintivo. Todos os elementos de um sistema necessário para manter o crescimento estão agora no devido lugar. Alcançar o segundo marco dentro do continuum de desenvolvimento, que lhes descrevemos cinco anos atrás, é acompanhado por avanços qualitativos, mas também quantitativos — tais como um aumento no número dos envolvidos em conversações que possibilitam descobrir e nutrir a receptividade, no número de lares que estão sendo visitados, no número de atividades centrais e seus participantes, no número de indivíduos que estão começando a sequência de cursos, ou apoiando outros enquanto adquirem confiança em servir. A participação em reuniões para celebrar a s Festas de Dezenove Dias e Dias Sagrados bahá’ís está sendo fomentada por Assembleias Espirituais Locais. Tais avanços são os sinais mais visíveis de um desenvolvimento mais refinado: a difusão gradual, em meio a uma população, de um padrão de vida comunitária baseada nos ensinamentos de Bahá’u’lláh. E, naturalmente, o número de crentes aumenta.

19. Nos últimos cinco anos, o caminho que conduz ao surgimento de um programa intensivo de crescimento tornou-se mais prontamente discernível. Ele deve ser diligentemente perseguido. No Plano que terá início neste Ridván, estamos pedindo que o crescimento seja acelerado em todos os agrupamentos em que já começou. Apesar dos altos e baixos característicos de um processo orgânico, deve aparecer uma curva clara de progresso no decorrer de vinte ciclos. Este esforço combinado deve procurar aumentar o número de agrupamentos nos quais o programa de crescimento se tornou intensivo para 5.000 até o Ridván de 2021.

20. Estabelecemos este objetivo ao mundo bahá’í conscientes de que ele é verdadeiramente formidável; que um trabalho hercúleo será necessário; que muito sacrifício terá de ser feito. Mas, diante da condição de um mundo que, privado do elixir de Bahá’u’lláh, sofre mais a cada dia, não podemos, em sã consciência, pedir menos que isso de Seus devotados seguidores. Queira Deus, seus esforços mostrar-se-ão dignos de coroar cem anos de labuta, e armar o palco para façanhas ainda inimagináveis que deverão adornar o segundo século da Idade Formativa.

21. Nos próximos meses, vocês iniciarão consultas com as Assembleias Espirituais Nacionais para com elas avaliar as implicações desta meta global para suas respectivas comunidades, um processo de consulta que deve ser rapidamente expandido até que alcance as bases da comunidade. Então deve emergir a ação. Antevemos que o progresso será mais rapidamente alcançado em regiões em que um ou mais programas intensivos de crescimento foram mantidos por algum tempo, pois elas oferecem uma valiosa fonte de conhecimento e experiência e representam um repositório de recursos humanos ao serem feitos esforços para fortalecer áreas circunvizinhas. Procurar alcançar esta meta resultará também no surgimento de novos programas de crescimento, muitas vezes em agrupamentos ainda não abertos, nas vizinhanças daqueles em que já houve avanço significativo. Tal fluxo de assistência tem sua origem nos imperativos estabelecidos nas Epístolas do Plano Divino.

Envolvendo grandes números e administrando a complexidade

22. Embora, quando um programa de crescimento está nascente num agrupamento, possa haver um punhado de indivíduos envolvidos em sua promoção e os participantes possam provir de umas poucas famílias, ao se tornar intensivo o programa, a expectativa é que esses números tenham aumentado: talvez haja dezenas de indivíduos ativos num trabalho de expansão e consolidação, enquanto os participantes bem possam superar uma centena. Porém, estar apto a alcançar um grande número — mobilizando uma centena de pessoas ou mais, cujos serviços os conectam com muitas centenas ou mesmo milhares de pessoas — exige a capacidade de se adaptar a um aumento considerável da complexidade.

23. À medida que o processo do crescimento continua, os esforços dos amigos para se engajarem em conversações significativas os levam a muitos espaços sociais, permitindo que um contingente mais amplo de pessoas se familiarize com os ensinamentos e considere seriamente a contribuição que podem fazer para a melhora da sociedade. Além disso, mais e mais lares servem como locais para as atividades de construção de comunidade, fazendo de cada um, um ponto para a difusão da luz da orientação divina. O processo do instituto passa a ser apoiado por um crescente número de amigos servindo com competência como tutores que, ciclo após ciclo, oferecem toda a sequência dos cursos do instituto entre eles, algumas vezes com intensidade marcante. Assim, o desenvolvimento de recursos humanos prossegue com quase nenhuma interrupção e gera um contingente de trabalhadores em constante expansão. Embora continue a contar com uma ampla diversidade de habitantes do agrupamento, os que estudam seus cursos em grande quantidade são em geral os jovens. O efeito transformador de estudar a Palavra de Deus é vivenciado pelos muitos cujas vidas são tocadas de alguma maneira pelas atividades da comunidade. E à medida que cresce o fluxo de pessoas que começa algum caminho de serviço, progresso considerável é feito em todos os aspectos dos esforços dos amigos na construção de comunidade. O número de animadores de grupos de pré-jovens e de professores de aulas para crianças se multiplica, estimulando a expansão desses dois programas vitais. As crianças ficam aptas a seguir de um grau a outro das aulas, enquanto os grupos de pré-jovens evoluem ano a ano e fundamentam sua aprendizagem no serviço à sociedade. As agências dos agrupamentos, reforçadas pelo apoio das Assembleias Espirituais Locais, encorajam e promovem a passagem natural dos participantes de um estágio do processo educacional ao seguinte. Agora há um sistema educacional, firmemente enraizado no agrupamento, com todos os seus elementos componentes, capaz de se expandir para receber um grande número de pessoas.

24. Este tipo de progresso requer o esforço conjunto dos amigos, onde quer que eles residam no agrupamento. Entretanto, no atual Plano a experiência mostra que um padrão de ação que seja capaz de envolver um grande número de pessoas advém principalmente do trabalho de atrair mais vizinhanças e povoados — locais em que a convergência das forças espirituais esteja efetuando uma rápida transformação entre os habitantes — até que eles possam manter atividade intensa. Em cada um desses há um núcleo de indivíduos que se responsabiliza pelo processo de construir capacidade em seus habitantes. Uma mostra representativa mais ampla da população está sendo engajada em conversações, e estão sendo abertas atividades para grupos inteiros ao mesmo tempo — turmas de amigos e vizinhos, grupos de jovens, famílias inteiras — permitindo-lhes descobrir de que modo a sociedade que os cerca pode ser remodelada. A prática de se reunirem para adoração coletiva, algumas vezes para orações ao alvorecer, nutre em todos uma conexão muito mais profunda com a Revelação de Bahá’u’lláh. Hábitos, costumes e maneiras de expressão predominantes tornam-se todos suscetíveis à mudança — manifestações externas de uma mudança interior ainda mais profunda, que afeta muitas almas. Os laços que os unem tornam-se mais afetuosos. Qualidades de apoio mútuo, reciprocidade e serviço mútuo começam a sobressair como características de uma cultura emergente e vibrante entre os envolvidos nas atividades. Os amigos em tais lugares ajudam as agências do agrupamento a estender o processo de crescimento a diferentes partes do agrupamento, pois estão ansiosos por apresentar a outros a visão de transformação que eles próprios já vislumbraram. 

  
25. Durante as suas atividades, os crentes encontram receptividade entre diferentes populações que representam um grupo étnico, tribal ou outro grupo específico e que pode estar concentrado num local restrito ou presente em todo o agrupamento e bem além dele. Há muito a ser aprendido sobre a dinâmica envolvida quando uma população desse tipo abraça a Fé e é galvanizada pela sua influência edificante. Enfatizamos a importância deste trabalho para o avanço da Causa de Deus: todos os povos têm uma parte na Ordem Mundial de Bahá’u’lláh, e todos devem ser reunidos sob a bandeira da unicidade da humanidade. Em seus estágios iniciais, o esforço sistemático para alcançar uma população e promover sua participação no processo de construir capacidade se acelera de forma marcante quando os próprios membros daquela população estão na vanguarda desse esforço. Esses indivíduos terão uma percepção especial das forças e estruturas da sua sociedade que podem reforçar os esforços em andamento, de diversas maneiras,

26. À medida que o crescimento avança no agrupamento, maiores demandas recaem sobre o esquema organizacional do instituto de capacitação. Agora são necessários coordenadores adicionais, alguns dos quais podem focar seus esforços numa parte específica do agrupamento. No entanto, isso não quer dizer que uma outra camada de administração seja necessária. Muito pode ser realizado através de colaboração, uma vez que coordenadores começam a trabalhar juntos em equipes, algumas vezes contando com a ajuda de outros indivíduos capazes. As contínuas interações e intercâmbio de experiência dentro dessas equipes enriquecem o entendimento e aumentam a eficácia de seu serviço. Os coordenadores também descobrem que seus esforços podem ser muito ampliados se os amigos que servem como professores de crianças, como animadores e como tutores, que vivem bem próximos uns dos outros podem se reunir em pequenos grupos nos locais em que servem, e se auxiliarem mutuamente.

27. Enquanto isso, o Comitê de Ensino de Área está se elevando a um novo nível de funcionamento. Está engajado em uma interpretação mais meticulosa das circunstâncias em todo o agrupamento: por um lado, avaliando mais acuradamente as capacidades da comunidade e os resultados sendo produzidos pelo crescimento sustentado e, por outro, entendendo as implicações das várias realidades sociais para a construção de comunidade a longo prazo. Nos planos que elabora a cada ciclo, o Comitê se apoia grandemente naqueles que ombreiam a maior parte do trabalho de expansão e consolidação, porém, como agora o número dos que de algum modo estão conectados com o padrão de atividade é grande, há uma variedade de questões que se tornam mais prementes: como mobilizar todo o grupo de crentes em apoio às metas de ensino; como organizar visitas sistemáticas aos lares dos amigos que possam se beneficiar com o aprofundamento e as conversações que os conectam com a comunidade; como fortalecer laços espirituais com os pais das crianças e dos pré-jovens; como atrair o interesse daqueles que já mostraram boa vontade em relação à Fé, mas que ainda não tomaram parte nas suas atividades. A ampla promoção da realização de reuniões devocionais é outra preocupação, até que centenas e eventualmente milhares de pessoas se dediquem à adoração na companhia de suas famílias e vizinhos. Em última análise, com certeza o Comitê continuamente procura estender o alcance dos esforços da comunidade para mais e mais almas conhecerem a mensagem de Bahá’u’lláh. Ao administrar as complexidades do seu próprio trabalho — o que inclui reunir e analisar dados estatísticos, bem como uma diversidade de outras tarefas — o Comitê conta com a ajuda de indivíduos além de seus próprios membros. Essas complexidades também exigem colaboração cada vez mais estreita com as Assembleias Espirituais Locais.

28. Por sua vez, e em resposta ao crescente número de pessoas que participa das atividades, a Assembleia Local está elevando sua capacidade para desempenhar as suas muitas responsabilidades em prol de uma comunidade em expansão. Ela busca criar um ambiente em que todos se sintam encorajados a contribuir para o esforço coletivo da comunidade. Ela está desejosa de ver as agências do agrupamento bemsucedidas em seus planos, e sua íntima familiaridade com as condições em sua área a deixa apta para promover o desenvolvimento de processos que interagem em âmbito local. Com isso em mente, ela encoraja a participação entusiástica dos amigos em campanhas e reuniões para reflexão, e provê recursos materiais e oferece ajuda para iniciativas e eventos que se organizam na localidade. A Assembleia está também atenta à necessidade de que os novos crentes sejam nutridos atentamente, considerando quando e como as diversas dimensões da vida comunitária devem ser apresentadas a eles. Ao encorajar seu envolvimento nos cursos do instituto, ela objetiva assegurar-lhes que desde o início eles se considerem protagonistas em um nobre empreendimento, o de reconstruir o mundo. Ela zela para que as Festas de Dezenove Dias, comemorações de Dias Sagrados e eleições bahá’ís tornem-se oportunidades de reforçar os elevados ideais da comunidade, fortalecer seu compartilhado senso de comprometimento, e fortalecer seu caráter espiritual. À medida que o número de membros da comunidade aumenta, a Assembleia reflete sobre quando poderá ser benéfico descentralizar tais reuniões de modo a facilitar uma participação cada vez maior nessas importantes ocasiões.


29. Uma característica notável de agrupamentos avançados é o modo de aprendizagem que permeia toda a comunidade e que dinamiza o desenvolvimento da capacidade institucional. Relatos que oferecem percepções sobre um método, uma abordagem ou um processo completo fluem continuamente entre os focos de atividade. A reunião de reflexão para todo o agrupamento, em que é apresentada grande parte dessa aprendizagem, é frequentemente complementada com reuniões para áreas menores, o que gera um senso mais forte de responsabilidade entre os participantes. Esse senso de apropriação coletiva se torna mais visível de ciclo em ciclo — a força liberada por um contingente unido de pessoas que se encarrega de seu desenvolvimento espiritual por gerações futuras. E, ao assim fazê-lo, o apoio que recebem das instituições bahá’ís regionais e nacional e suas agências é vivenciado como um fluxo incessante de amor.

30. Um resultado natural do aumento de recursos e de consciência das implicações da Revelação para a vida de uma população é o surgimento da ação social. Não poucas vezes, iniciativas desse tipo emergem organicamente do programa de empoderamento espiritual de pré-jovens, ou são provocadas por consultas sobre as condições locais que ocorrem em reuniões comunitárias. As formas que tais empreendimentos podem tomar são diversas, e podem incluir, por exemplo, assistência tutorial a crianças, projetos para melhorar o ambiente físico, e atividades para aprimorar a saúde e prevenir doenças. Algumas iniciativas chegam a se consolidar e gradualmente crescem. Em alguns lugares, o estabelecimento de uma escola comunitária nas bases da comunidade surgiu de uma profunda preocupação com a educação apropriada para as crianças e da conscientização de sua importância, fluindo naturalmente do estudo dos materiais do instituto. Oportunamente, os esforços dos amigos podem ser grandemente reforçados pelo do trabalho de uma organização de inspiração bahá’í existente, que funcione nas imediações. Por mais humilde que seja a experiência de ação social no início, ela é um indício de um povo que cultiva em si uma capacidade crítica, a qual oferece potencial e importância infinitos para os séculos vindouros: aprender a aplicar a Revelação às múltiplas dimensões da existência social. Todas essas iniciativas também servem para enriquecer a participação, em nível individual e coletivo, nos discursos prevalentes na comunidade em geral. Conforme esperado, os amigos estão sendo atraídos mais profundamente ao seio da vida da sociedade — um desenvolvimento que é inerente ao padrão de ação num agrupamento desde o princípio, mas que agora está bem mais pronunciado.


31. O fato de o movimento de uma população ter chegado tão longe demonstra que o processo que o criou é suficientemente forte para alcançar e manter um alto grau de participação em todos os aspectos envolvidos no esforço de construir capacidade e de administrar a complexidade resultante. Este é outro marco que os amigos devem passar, o terceiro na sequência desde que se iniciou o processo de crescimento num agrupamento. Ele sinaliza o surgimento de um sistema para estender, a centro após centro, um padrão dinâmico de vida comunitária que possa engajar uma população — homens e mulheres, jovens e adultos — no trabalho de sua própria transformação espiritual e social. Isso já ocorreu em cerca de duas centenas de agrupamentos, cobrindo uma variedade de condições socioeconômicas, e vislumbramos que, na conclusão do Plano vindouro, isso será perceptível em mais algumas centenas. É um futuro a que os amigos que trabalham em milhares de outros agrupamentos podem aspirar.

32. Em alguns agrupamentos onde o crescimento chegou a este ponto, algo ainda mais impressionante ocorre. Há localidades dentro desses agrupamentos onde uma porcentagem significativa da população está envolvida nas atividades de construção de comunidade. Por exemplo, há pequenos povoados onde o instituto conseguiu a participação de todas as crianças e pré-jovens em seus programas. Quando o alcance da atividade é amplo, o impacto social da Fé se torna mais evidente. A comunidade bahá’í obtém um maior reconhecimento como uma voz moral distintiva na vida de uma população e pode contribuir com uma perspectiva fundamentada aos discursos à sua volta sobre, por exemplo, o desenvolvimento das gerações mais novas. Figuras de autoridade da sociedade em geral começam a levar em conta a percepção e a experiência gerada pelas iniciativas da ação social inspirada pelos ensinamentos de Bahá’u’lláh. Conversações influenciadas por esses ensinamentos, voltadas ao bem-estar comum, penetram num recorte cada vez mais amplo da população, até que seja sentido um efeito sobre o discurso corrente em uma localidade. Fora da comunidade bahá’í, as pessoas começam a considerar a Assembleia Espiritual Local como uma fonte radiante de sabedoria, à qual se podem volver para receber iluminação. 
 
33. Reconhecemos que conquistas como essas ainda são uma perspectiva distante para muitos, mesmo em agrupamentos onde o padrão de atividade envolve grande número de pessoas. Porém, em alguns lugares, este é o trabalho de agora. Em tais agrupamentos, enquanto os amigos continuam ocupados em sustentar o processo de crescimento, outras dimensões do empenho bahá’í reivindicam uma crescente parte de sua atenção. Eles estão procurando entender de que modo uma população local vicejante pode transformar a sociedade da qual é parte integrante. Esta será uma nova fronteira de aprendizagem para um futuro próximo, na qual serão geradas percepções que finalmente beneficiarão todo o mundo bahá’í.
Liberando o potencial da juventude

34. As maravilhosas proezas da juventude no campo do serviço são um dos mais excelentes frutos do Plano atual. Se era necessária alguma prova do extraordinário potencial da juventude, ela já foi incontestavelmente dada. Na sequência das conferências da juventude convocadas em 2013, a onda de energia infundida ao trabalho sendo realizado nos agrupamentos demonstra claramente como a comunidade do Máximo Nome é capaz de dar forma às mais elevadas aspirações da juventude. Quão satisfeitos estamos em ver que, após a participação de mais de 80.000 jovens nessas conferências, uma legião adicional de mais de 100.000 se uniu a eles tomando parte em numerosos encontros realizados desde então. Medidas para encorajar o pleno engajamento desses crescentes contingentes em atividades da comunidade devem constituir um nos principais componentes do novo Plano.

35. A entusiástica participação da juventude enfatizou também o fato de que ela representa um elemento altamente responsivo em qualquer população receptiva que os amigos buscaram alcançar. O que se aprendeu nesse sentido é o modo de ajudar a juventude a se tornar cônscia da contribuição que pode oferecer para a melhora de sua sociedade. À medida que se tornam mais conscientes, eles se identificam cada vez mais com os objetivos da comunidade bahá’í, e expressam anseio em empregar suas energias no trabalho em andamento. As conversações ao longo dessas linhas estimulam o interesse em como os poderes físicos e espirituais que lhes estão disponíveis neste período da vida podem ser canalizados em prol do atendimento às necessidades de outros, especialmente das gerações mais novas. As reuniões especiais para a juventude, que estão ocorrendo com mais frequência no âmbito de agrupamento, e mesmo em vizinhanças e povoados, têm se mostrado como ocasiões ideais a prover mais intensidade a esta contínua conversação, e são uma característica cada vez mais comum nos ciclos de atividade em muitos agrupamentos.

36. A experiência sugere que a conversação sobre a contribuição para a melhora da sociedade não atinge as mais profundas fontes de motivação caso exclua a exploração de temas espirituais. A importância do “fazer”, do levantar-se para servir e acompanhar almas companheiras, deve se harmonizar com a noção do “ser”, do crescente entendimento da pessoa a respeito dos ensinamentos divinos e do espelhar as qualidades espirituais em sua vida. E, assim, dá-se que, ao entrar em contato com a visão da Fé sobre a humanidade e o excelso caráter de sua missão, a juventude naturalmente sente o desejo de prestar serviço, um desejo ao qual o instituto de capacitação responde rapidamente. De fato, liberar a capacidade da juventude é, para cada instituto de capacitação, um dever sagrado. Porém, promover essa capacidade à medida que ela se desenvolve é uma responsabilidade de todas as instituições da Causa. A prontidão com que os jovens demonstram em tomar iniciativa, quaisquer que sejam as linhas de ação por eles escolhidas, pode obscurecer o fato de que eles precisam de apoio contínuo das instituições e agências no agrupamento para além dos primeiros passos.

37. Os jovens também apoiam uns aos outros nesse sentido, reunindo-se em grupos para se dedicarem a mais estudo e mais consultas sobre seus serviços, para reforçar os esforços uns dos outros e para criar determinação, procurando ampliar o círculo de amizade mais e mais. O encorajamento assim oferecido por uma rede de colegas provê a juventude com a tão necessária alternativa para aqueles cantos de sereia que os atraem às armadilhas do consumismo e da distração compulsiva, bem como um antídoto aos convites para demonizar outros. É contra este cenário de materialismo debilitante e de sociedades estilhaçadas, que o programa de pré-jovens revela atualmente seu valor especial. Ele oferece à juventude uma arena ideal para ajudar os mais jovens que eles a resistir às corrosivas forças que os têm em mira especial.  
   
38. À medida que os jovens avançam no caminho de serviço, seus esforços são inteiramente integrados às atividades do agrupamento e, em consequência disso, a comunidade prospera como um todo coletivo. Alcançar as famílias dos jovens é um modo natural de fortalecer a construção de comunidade. As instituições e agências têm o desafio de aumentar sua própria capacidade, a fim de encontrar meios de sistematicamente liberar o potencial da juventude. Com uma maior consciência das condições e dinâmica de grupos dessa idade, elas são capazes de planejar adequadamente — por exemplo, provendo oportunidades para a juventude estudar cursos intensivamente, talvez imediatamente ao concluir um encontro de jovens. A infusão de energia de um grupo vibrante de jovens permite que o ritmo do trabalho dentro do agrupamento seja acelerado.

39. Embora seja correto esperar grandes realizações daqueles que têm tanto a oferecer no caminho do serviço, os amigos não devem nutrir um enfoque limitado a respeito das implicações do desenvolvimento rumo à maturidade. A liberdade de ação e a disponibilidade de tempo permite que muitos jovens sirvam de maneiras diretamente relacionadas às necessidades da comunidade; porém, à medida que avançam em direção aos vinte anos, seus horizontes se ampliam. Outras dimensões de uma vida coerente, igualmente exigentes e altamente meritórias, solicitam mais e mais sua atenção. Para muitos, uma prioridade imediata será a educação superior, acadêmica ou vocacional, conforme as possibilidades diante deles, e novos espaços para interação com a sociedade que se abrem. Ademais, mulheres e homens jovens se tornam intensamente conscientes das exortações da Pena Suprema de “casai-vos” para que “apareça de vós quem faça menção de Mim entre os Meus servos” e se ocupem “em ofícios ou profissões”. Ao assumir uma profissão, os jovens naturalmente tentam contribuir para o seu campo de trabalho, ou até mesmo elevá-lo a novos níveis, à luz das percepções adquiridas em seus contínuos estudos da Revelação, e se esforçam em ser exemplos de integridade e excelência em seu trabalho. Bahá’u’lláh exalta aqueles “que ganham seu sustento por meio de sua vocação e despendem em benefício de si próprios e dos seus semelhantes por amor a Deus, o Senhor de todos os mundos”. Esta geração de jovens formará famílias que asseguram os alicerces de comunidades florescentes. Por intermédio de seu crescente amor por Bahá’u’lláh e de seu comprometimento pessoal com os padrões aos quais Ele os exorta, seus filhos absorverão o amor de Deus, “juntamente com o leite materno”, e sempre buscarão o abrigo de Sua divina lei. Portanto, certamente a responsabilidade de uma comunidade bahá’í para com os jovens não cessa quando eles recém começam a servir. As importantes decisões que eles tomam sobre o rumo de sua vida adulta determinará se o serviço à Causa de Deus foi apenas um breve e memorável capítulo de sua juventude, ou um centro determinante de sua existência terrena, uma lente através da qual todas as ações assumem sua devida proporção. Confiamos em vocês e em seus auxiliares para assegurarem que seja dada a devida importância às perspectivas espiritual e material da juventude nas deliberações das famílias, das comunidades, das agências e das instituições.

Aprimorando a capacidade institucional

40. Os requisitos do atual Plano — estabelecer milhares de novos programas de crescimento e fortalecer os existentes — exigiu das instituições nacionais e regionais, bem como de vocês próprios, uma proeza de força e coordenação. Seu cumprimento foi possível através de um espírito coletivo de colaboração entre os três protagonistas do Plano — o indivíduo, a comunidade e as instituições. Este espírito foi o prérequisito para todo empreendimento importante, incluindo iniciativas especiais para estabelecer pioneiros em determinados países e, naturalmente, para a organização das 114 conferências da juventude. Uma atitude dominante de serviço com alegria, flexibilidade e desprendimento de preferências pessoais dotaram até mesmo as atividades administrativas de um caráter sagrado. As novas exigências do Plano vindouro sem dúvida testarão ainda mais a capacidade das instituições bahá’ís, porém, não importa como, elas certamente preservarão este espírito de unidade entre todos aqueles que trabalham em conjunto.

41. Conforme indicado anteriormente, o movimento de agrupamentos ao longo de um continuum depende de que haja um compromisso das instituições para orientar e apoiar as agências dos agrupamentos e para proporcionar recursos conforme necessário. Esta tarefa é uma responsabilidade decisiva dos Conselhos Regionais Bahá’ís e dos institutos regionais de capacitação. O número de Conselhos no mundo aumentou de 170 para 203 nos últimos cinco anos, refletindo a crescente necessidade e o aumento da capacidade para o trabalho a ser feito neste âmbito, e em alguns países onde os Conselhos ainda estão para serem formados, foram tomadas medidas específicas para adquirir experiência antes de seu surgimento, tais como a nomeação de equipes regionais. Em algumas regiões que se estendem por um grande território, os Conselhos tomaram medidas para nutrir o desenvolvimento de conjuntos de agrupamentos adjacentes. Entrementes, em países menores, que não requerem o estabelecimento de Conselhos Regionais, as Assembleias Nacionais estão cada vez mais refletindo sobre maneiras de ajudar os agrupamentos a avançarem, em alguns casos pela formação de um grupo encarregado desse trabalho; vocês são encorajados a estimular a aprendizagem nessa área, com o objetivo de que, oportunamente, possam ser definidas estruturas formais que assumam esta responsabilidade do mesmo modo que o fazem os Conselhos em outros países. E, como no caso dos Conselhos, imaginamos que qualquer estrutura desse tipo que emerja em âmbito nacional beneficiar-se-á da interação com a instituição dos Conselheiros. 

42. Para cumprir seus deveres eficazmente, as instituições regionais e nacionais precisarão permanecer totalmente familiarizadas com o progresso nas bases e o que está sendo aprendido nos agrupamentos cujo progresso elas supervisionam. O acesso em tempo hábil à informação sobre o movimento dos agrupamentos e o trabalho do instituto sob sua jurisdição é requerido das instituições para apoiarem suas agências e para tomarem as muitas decisões que se referem, por exemplo, à alocação de pioneiros, distribuição de fundos, criação e promoção da literatura bahá’í, e planejamento de reuniões institucionais; isso lhes permite interpretar acuradamente a realidade de suas comunidades e agir com base em necessidades claramente compreendidas ao administrarem as energias dos amigos para satisfazer as exigências do momento. Em diversas ocasiões, em consulta com vocês, uma Assembleia Nacional pode considerar aconselhável adotar formalmente e disseminar certos aspectos das lições que foram aprendidas, especialmente em relação aos esquemas organizacionais no âmbito de agrupamento e de região. A necessidade de permanecer bem informadas sobre a experiência acumulada da comunidade tem implicações concretas para as Assembleias Nacionais em países mais vastos que possuem vários Conselhos Regionais, especialmente quando a Assembleia transfere aos Conselhos o trabalho de administrar o instituto. Aqui, algumas vezes foram necessários novos ajustes em âmbito nacional para garantir à Assembleia Nacional análises confiáveis daquilo que está sendo aprendido em todas as regiões.

43. Naturalmente, uma Assembleia Espiritual Nacional tem, em última análise, a responsabilidade de promover todos os aspectos do desenvolvimento de uma comunidade bahá’í. Embora ela própria siga várias linhas de ação, em muitos casos cumpre essa responsabilidade assegurando que os Conselhos Regionais ou agências especializadas sejam capazes de tomar medidas para o avanço das áreas de trabalho confiadas a elas. À medida que a capacidade dos amigos cresce e o tamanho de uma comunidade aumenta, o trabalho de uma Assembleia Nacional em suas diversas dimensões se torna proporcionalmente mais complexo. Por isso, e em vista da magnitude da tarefa perante as instituições no Plano vindouro, as Assembleias Nacionais — bem como os Conselhos — beneficiar-se-ão por periodicamente considerarem, em colaboração com vocês, se suas operações administrativas, e mesmo elementos de seu próprio funcionamento, podem ser ajustados ou aprimorados de modo a favorecer mais o processo de crescimento.

44. Alcançar um nível mais elevado de funcionamento é igualmente uma preocupação premente dos institutos de capacitação. Os esforços da comunidade em fortalecer os programas de crescimento em milhares de agrupamentos e em manter sua intensificação exigirá muito destas agências. Seu foco, naturalmente, é o desdobramento dos três estágios do processo educacional que eles supervisionam, e o fortalecimento dos processos de aprendizagem associados a cada um deles, de modo que tanto a qualidade das atividades do instituto, como a capacidade de levá-las a um sempre crescente número de pessoas, esteja aumentando constantemente. Embora seja importante que os institutos atendam aos assuntos operacionais do dia-a-dia, a escala do que deve ser realizado requer que eles se ocupem também com questões de estratégia. Os corpos consultivos dos institutos de capacitação precisam se manter em contínua consulta com os coordenadores nacionais ou regionais, bem como com os membros do Corpo Auxiliar, a respeito de como uma atividade num agrupamento ganha força, como ela pode ser adequadamente alimentada, que abordagens se mostram efetivas em diferentes cenários, e como a experiência pode ser compartilhada. Temos em mente um esforço sistemático e concentrado da parte deste grupo colaborativo para reunir e aplicar percepções, provindas das bases, relacionadas à promoção de aulas para crianças, grupos de préjovens, e círculos de estudo. Tratar de outras dimensões do trabalho do instituto — tais como os esquemas de coordenação no âmbito de agrupamento, o aprimoramento da capacidade dos coordenadores, e o gerenciamento de estatísticas e finanças — também será fundamental. Em seu trabalho com os institutos de capacitação, sem dúvida vocês desejarão garantir que eles se beneficiem da experiência de outros institutos da mesma parte do mundo. Os centros para a disseminação da aprendizagem sobre o programa de pré-jovens também oferecem uma rica fonte de conhecimento para os institutos de países ou regiões próximos.


45. À medida que as instituições e as agências procuram acelerar os processos de expansão e consolidação em toda parte, a questão de recursos financeiros certamente exigirá crescente atenção. De fato, um aspecto importante da melhora da capacidade institucional nos próximos anos será o contínuo desenvolvimento dos Fundos local e nacional. Para que isso aconteça, a generalidade dos amigos deve ser convidada a considerar sob uma nova perspectiva a responsabilidade de todos os crentes de apoiar o trabalho da Fé através de seus próprios meios, e, mais ainda, de administrar seus assuntos financeiros à luz dos ensinamentos.

46. A civilização futura contemplada por Bahá’u’lláh é uma civilização próspera na qual os vastos recursos do mundo serão direcionados à elevação e regeneração da humanidade, não à sua degradação e destruição. O ato de contribuir para o Fundo é, portanto, imbuído de profundo significado: é um meio prático de apressar o advento dessa civilização, e também necessário, pois, conforme o próprio Bahá’u’lláh explicou: “Aquele que é a Verdade Eterna – exaltada seja Sua glória – fez depender de meios materiais a realização de todo empreendimento na terra”. Os bahá’ís conduzem suas vidas em meio a uma sociedade gravemente enferma em seus assuntos materiais. O processo de construção de comunidade que estão promovendo em seus agrupamentos cultiva um conjunto de atitudes em relação à riqueza e posses bem diferentes daquelas que prevalecem no mundo. O hábito da regularidade em doar aos Fundos da Fé — incluindo contribuições em espécie, particularmente em alguns lugares — provém de, e por sua vez reforça, um sentimento de preocupação pessoal com o bem-estar da comunidade e com o progresso da Causa. O dever de contribuir, tal como o dever de ensinar, é um aspecto fundamental da identidade bahá’í que fortalece a fé de cada pessoa. As generosas contribuições feitas com sacrifício pelo indivíduo bahá’í, a consciência coletiva das necessidades do fundo promovida pela comunidade, e uma administração cuidadosa dos recursos financeiros exercida pelas instituições da Fé podem ser consideradas como expressões do amor que interliga mais estreitamente esses três protagonistas. E, em última instância, a doação voluntária fomenta uma consciência de que administrar os próprios assuntos financeiros de acordo com princípios espirituais é uma dimensão indispensável de uma vida vivida com coerência. É uma questão de consciência, uma forma de traduzir na prática o compromisso com a melhora do mundo. 

47. Lhes dirigimos estas declarações em reconhecimento à responsabilidade incomparável que vocês, seus auxiliares e os ajudantes deles ombreiam em ajudar os amigos a elevarem sua compreensão em numerosas áreas, em especial, é claro, no que diz respeito à dinâmica do crescimento. Conforme indicamos anteriormente, na instituição dos Conselheiros a comunidade bahá’í tem um sistema através do qual as lições aprendidas nas mais remotas partes do planeta podem beneficiar o processo de aprendizagem de escala global em que cada seguidor de Bahá’u’lláh pode participar. À medida que com o passar do tempo emerge um entendimento cada vez mais profundo do Plano de Cinco Anos entre os crentes, as percepções provenientes da aplicação das orientações são reconhecidas, articuladas, absorvidas e compartilhadas. Nesse sentido, a comunidade do Máximo Nome tem uma imensa dívida de gratidão ao Centro Internacional de Ensino, que tanto realizou nos últimos anos, e com tanta diligência, para nutrir amorosamente e promulgar vigorosamente um modo de aprendizagem que agora está bem estabelecido.

48. Os elementos essenciais do próximo Plano, tal como os que vieram antes dele, são claros. Contudo, um profundo entendimento de suas várias facetas requer uma apreciação do sofisticado conjunto de operações através do qual um agrupamento se desenvolve. Confiamos que sua instituição está a tal ponto familiarizada com a guia pertinente que os amigos em geral, e as instituições e suas agências em particular, podem contar com vocês para iluminar suas deliberações, chamando atenção para considerações pertinentes. No entanto, certamente a necessidade de ajudar os amigos em pelo menos 5.000 agrupamentos em que o padrão de ação está sendo intensificado, será um desafio considerável, que terá implicações em seu próprio modo de funcionamento — mas mais especificamente para o dos membros do Corpo Auxiliar. Agrupamentos que se encontram na vanguarda do processo de crescimento em suas áreas inevitavelmente reivindicarão uma grande parte do tempo deles; os arranjos administrativos em âmbito regional também exigirão mais frequentemente seu apoio. Eles estão envolvidos em muito do que ocorre na comunidade; atentos tanto ao desenvolvimento de cada estágio do processo educacional quanto ao fortalecimento dos ciclos de atividade, eles promovem coerência entre as linhas de ação sendo promovidas num agrupamento, e alimentam a chama da paixão pelo ensino. No exercício de sua responsabilidade em promover a aprendizagem e ajudar os amigos a entrarem na arena do serviço, eles contam grandemente com o instituto de capacitação, cujo trabalho tem aspectos que se alinham estreitamente com o deles. Porém, seus outros deveres são igualmente imperativos. Portanto, a fim de cumprir essa ampla diversidade de responsabilidades, eles precisarão considerar como contar com a ajuda de seus ajudantes de forma mais ampla e criativa. Os ajudantes, naturalmente, podem ser designados para qualquer tarefa — simples ou complexa, geral ou muito específica — e essa versatilidade constitui uma força distintiva. Enquanto alguns ajudantes podem ocupar-se com o desenvolvimento de uma comunidade local, outros podem ser incumbidos de tarefas relacionadas a todo um agrupamento. Ao orientá-los adequadamente, guiando-os à medida que a capacidade se expande, e gradualmente aumentando seus deveres, os membros do Corpo Auxiliar estarão aptos a melhor explorar as possibilidades existentes. Certamente há muito a ser aprendido em consequência disso, e vocês são encorajados a obter percepções a partir da experiência de seus auxiliares.

Um período de potência especial

49. A execução sistemática do Plano, em todas as suas dimensões, faz emergir um padrão de esforço coletivo que se distingue não somente por seu comprometimento com o serviço, mas também por sua atração à adoração. A intensificação de atividade requerida para os próximos cinco anos enriquecerá ainda mais a vida devocional compartilhada por aqueles que servem lado a lado nos agrupamentos ao redor do mundo. Este processo de enriquecimento já está bastante avançado: vejam, por exemplo, como as reuniões para adoração se integraram ao cerne da vida comunitária. Reuniões devocionais são ocasiões em que qualquer alma pode ingressar, inalar as fragrâncias celestiais, saborear a doçura da prece, meditar sobre a Palavra Criativa, ser transportada nas asas do espírito, e comungar com o Bem-Amado. Sentimentos de companheirismo e solidariedade são gerados especialmente nas conversações espiritualmente elevadas que ocorrem naturalmente em tais ocasiões, e através das quais a “cidade do coração humano” pode ser aberta. Através da realização de um encontro para adoração, no qual adultos e crianças de qualquer procedência são bem-vindos, o espírito do Mashriqu’l-Adhkár é evocado em qualquer localidade. A intensificação do caráter devocional de uma comunidade também tem efeito na Festa de Dezenove Dias, e pode ser sentido em outras ocasiões em que os amigos se reúnem.

50. A comemoração dos Dias Sagrados tem uma posição especial nesse sentido. As Epístolas recitadas e as orações, histórias, canções e sentimentos externados — todas expressões de amor por aquelas Figuras sagradas cujas vidas e missões são lembradas — fazem vibrar o coração e enchem a alma de admiração e encantamento. Durante o Plano de Cinco Anos que está por começar, duas ocasiões momentosas desse tipo ocorrerão: os aniversários de duzentos anos do Nascimento de Bahá’u’lláh e Nascimento do Báb, respectivamente, em 2017 e 2019. Esses gloriosos Festivais serão oportunidades para os bahá’ís de todos os lugares atraírem o maior número possível de crentes, suas famílias, amigos e colaboradores, bem como outras pessoas da sociedade em geral, para comemorar momentos em que um Ser incomparável na criação, um Manifestante de Deus, nasceu para o mundo. Celebrar esses bicentenários certamente irá aumentar a percepção de como a comemoração dos Dias Sagrados, agora de acordo com um calendário que une os amigos de Deus em todos o mundo, fortalece a identidade bahá’í.

51. Na verdade, nos próximos anos a comunidade passará por uma série de aniversários, que termina com o Centenário da Ascensão de ‘Abdu’l-Bahá, em novembro de 2021, que encerra o primeiro século da Idade Formativa. No próximo ano, o mundo bahá’í observará os cem anos desde que a primeira das Epístolas do Plano Divino fluiu da pena do Mestre. Nessas quatorze epístolas, reveladas durante um dos períodos mais sombrios da humanidade, ‘Abdu’l-Bahá delineou uma carta magna para o trabalho de ensino que definia o planeta inteiro como seu palco de ação. Mantido em suspenso até 1937, quando o primeiro de uma série de Planos lançados por iniciativa do Guardião foi dado aos bahá’ís da América do Norte, o Plano Divino continuou a se desdobrar durante décadas desde então, à medida que crescia a capacidade coletiva dos seguidores de Bahá’u’lláh, capacitando-os a enfrentar desafios cada vez maiores. Quão maravilhosa a visão do Autor do Plano! Colocando diante dos amigos a perspectiva de um dia quando a luz da Revelação de Seu Pai iluminaria todos os rincões do mundo. Ele lançou não somente estratégias para alcançar esta proeza, mas princípios orientadores e requisitos espirituais imutáveis. Todo esforço feito pelos amigos para propagar sistematicamente os ensinamentos divinos tem sua origem nas forças colocadas em movimento no Plano Divino. 
   
52. O próximo empreendimento global, para o qual os amigos serão convocados, pede a aplicação de estratégias comprovadas, ação sistemática, análise fundamentada e percepção aguçada. Porém, acima de tudo, trata-se de um empreendimento espiritual, e seu verdadeiro caráter não deve ser jamais obscurecido. A urgência em agir é impelida pelas condições desesperadoras do mundo. Tudo o que os seguidores de Bahá’u’lláh aprenderam nos últimos vinte anos deve culminar com as realizações dos próximos cinco. A magnitude do que está sendo pedido a eles faz lembrar uma de Suas Epístolas, na qual Ele descreve, em termos impactantes, o desafio que implica a difusão de Sua Causa:

Quantas as terras que permaneceram sem cuidado e cultivo; e quantas as terras cuidadas e cultivadas, mas que permaneceram sem água; e quantas as terras onde, chegando o tempo de colheita, ninguém apareceu para colher! Contudo, através das maravilhas do favor de Deus e das revelações de Sua amorosa bondade, temos a esperança de que possam surgir almas que sejam as personificações de virtude celestial e que se ocupem em ensinar a Causa de Deus e instruir todos os que habitam a terra.

53. Os esforços sistemáticos de Seus amados em todo o mundo tem por objetivo o cumprimento da esperança assim expressada pela Abençoada Perfeição. Possa Ele Próprio apoiá-los a cada passo.

[assinado: A Casa Universal de Justiça] 

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