Fechamento de lojas é apenas um dos elementos da perseguição econômica aos bahá’ís do Irã

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Fechamento de lojas é apenas um dos elementos da perseguição econômica aos bahá’ís do Irã

As recentes investidas das autoridades iranianas contra os bahá’ís, lacrando seus comércios por fecharem para celebrar seus dias sagrados, é apenas a mais nova tentativa feita pelo governo do Irã para destruir a subsistência econômica de seus cidadãos bahá’ís.

A perseguição econômica à comunidade bahá’í do Irã abrange a proibição de todas as formas de emprego no governo, incluindo na área da educação e outros serviços públicos, severa restrição aos tipos de comércio permitido aos bahá’ís e tentativas de persuadir empresas pertencentes a muçulmanos para despedirem esses empregados.

As lojas e comércios pertencentes a bahá’ís sofrem ataques frequentes. Desde 2005, por exemplo, pelo menos 650 incidentes de perseguição econômica aos bahá’ís do Irã foram documentados. Esses incidentes ocorreram em praticamente todas as províncias. O número de incidentes é sem dúvida maior devido à dificuldade de obter informações acuradas a respeito de violação de direitos humanos no Irã. “O elevado numero de incidentes e sua ampla diversidade geográfica e de tipos mostra que há uma campanha oficial e dirigida pelos altos escalões do governo para privar os bahá’ís do Irã de seus meios de subsistência”, disse Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto às Nações Unidas.

A amplitude dessa campanha inclui não somente a interdição de lojas e restrições aos tipos de emprego, mas também imposição de multas, negação de acesso à educação, e incitamento geral ao ódio contra os bahá’ís, o que desencoraja clientes a comprar em lojas pertencentes a bahá’ís. Essa propaganda antibahá’í tem motivado ataques incendiários contra lojas e empresas de bahá’ís que permanecem impunes. “O que o Irã está fazendo é claramente ilegal perante a lei internacional que ordena não discriminação no emprego e direitos econômicos afins”, disse Dugal.

Quando questionados em fóruns internacionais, representantes do governo negam que os bahá’ís sejam alvo de discriminação oficial. Porém, memorandos e documentos que definem políticas oficiais mostram o contrário. O mais significativo é um memorando datado de 1991, assinado pelo Supremo Líder, Ali Khamenei, que delineia uma série de medidas repressoras a serem tomadas contra os bahá’ís para “bloquear” seu desenvolvimento, incluindo restrições no campo da educação e de atividades econômicas, tais como “Negar emprego caso se identifiquem como bahá’ís”.

Em 9 de abril de 2007, o Departamento de Supervisão de Lugares Públicos expediu uma carta aos comandantes da polícia nacional, orientando a não emitir licenças de trabalho para bahá’ís numa ampla variedade de atividades profissionais, incluindo hotelaria e turismo, indústria de alimentos, joalheria, publicações, e empresas relacionadas a computadores e internet. Incidentes recentes mostram que essas políticas continuam em vigor:

•   Em 2014, houve informações de que as autoridades de Isfahan visitaram mais de dez lojas pertencentes a bahá’ís e ameaçaram fechá-las caso os proprietários celebrassem seus dias sagrados bahá’ís em abril de 2015.

•  Em 2014, agentes da Guarda Revolucionária impediram agricultores bahá’ís de fazer sua colheita numa área rural em Semnan. No ano anterior, essa ação resultou na perda de uma grande safra. Em resposta ao protesto de um dos proprietários, que queria ter acesso a sua propriedade, um dos agentes disse que iriam embora somente quando a colheita estivesse podre.

•   No final de 2013, pelo menos 16 negócios foram fechados em Tonekabon. Entre eles estava uma ampla variedade de pequenas empresas, tais como lojas de roupas, serviços de costura, lojas de peças de refrigeradores e sistemas de alarme, e uma loja de reparos de televisão.

•    No final de 2012, uma grande distribuidora de produtos de higiene pertencente a um bahá’í em Teerã foi fechada pelas autoridades, resultando na demissão de 70 empregados, muitos dos quais não eram bahá’ís.

•   Em maio de 2012, agentes da inteligência invadiram e fecharam duas fábricas em Semnan, sendo elas total ou parcialmente pertencentes a bahá’ís. Uma delas fabricava venezianas verticais e empregava 51 pessoas das quais 36 não eram bahá’ís. A outra, uma fábrica de polimento de lentes, empregava dois bahá’ís e seis outros indivíduos.

•   No início de 2009, a Câmara de Comércio de Semnan, juntamente com 39 membros de sindicatos de comerciantes, parou de emitir licenças comerciais a bahá’ís. Em meados de 2012, mais 27 empresas de bahá’ís foram interditadas, deixando mais de 110 famílias sem renda.

Esses fechamentos e apreensões oficiais foram acompanhados em todo o país por ataques anônimos a empresas e propriedades pertencentes a bahá’ís, desencorajando outras atividades econômicas. Em 2010, por exemplo, pelo menos uma dúzia de lojas pertencentes a bahá’ís em Rafsanjani foram alvo de incendiários. Os ataques foram precedidos por uma carta ameaçadora enviada a 20 residências e empresas de bahá’ís, advertindo-os a evitar “amizade com muçulmanos” ou “empregar e utilizar estagiários muçulmanos”.

Em 2009, pelo menos três lojas de bahá’ís em Semnan foram alvos de bombas incendiárias, algumas delas por repetidas vezes. Outras lojas de bahá’ís ao redor do país foram pichadas com frases antibahá’ís ou vandalizadas de outras formas nos últimos anos. Esses e outros ataques anônimos ocorreram em meio a uma campanha patrocinada pelo governo para incitar ódio contra os bahá’ís, marcada por numerosos artigos e transmissões nas mídias estatais ou patrocinadas pelo estado. Entre janeiro de 2014 a maio de 2015, mais de 6.000 artigos, vídeos ou páginas de internet antibahá’ís foram disseminados na mídia oficial ou semioficial no Irã.

O esforço que há muito prevalece de impedir os bahá’ís de obterem educação superior, o que impediu milhares de jovens bahá’ís de frequentar universidade ou faculdade, também teve um grande impacto econômico, marginalizando a juventude bahá’í a subempregos ou desemprego.

 

História da pressão econômica contra os bahá’ís do Irã

O esforço de negar aos bahá’ís um meio de subsistência para si e suas famílias começou logo após a Revolução Islâmica de 1979, quando o governo confiscou numerosas propriedades e instituições pertencentes à comunidade bahá’í iraniana. Essas incluíam prédios usados para reuniões e adoração, cemitérios, lugares sagrados relacionados aos fundadores da Fé e um grande hospital em Teerã. O governo também confiscou ou congelou os recursos de diversos fundos mantidos pela comunidade bahá’í e instituições econômicas em 1979. Estima-se que 15.000 bahá’ís tenham perdido todas as suas economias.

Em 1980, o governo passou a demitir bahá’ís de empregos do setor público. Milhares de bahá’ís da educação pública, departamentos governamentais, hospitais e instituições do governo foram demitidos. Antes de serem demitidos, eles eram convidados a se converterem ao Islã; ao se negarem a renunciar suas crenças, foram demitidos por “terem crenças contrárias ao Islã”. O banimento dos bahá’ís do setor público tornou-se oficial em 1981 e muitos bahá’ís tiveram suas pensões governamentais revogadas ou suspensas.

Um entre muitos confiscos de empresas aconteceu entre os anos de 1981 e 1982, quando foi fechada a fábrica de tijolos pertencente e operada por Jamaloddin Khanjani, uma das sete lideranças bahá’ís atualmente presas. A fábrica de Khanjani empregava várias centenas de pessoas e todos os seus empregados bahá’ís foram demitidos depois que o governo a fechou.

Vários bahá’ís também tiveram suas casas ou propriedades confiscadas. Um relatório de 2006 de Miloon Kothari, então Relator Especial da ONU sobre moradia adequada, dava conta de que pelo menos 640 propriedades de bahá’ís haviam sido confiscadas pelo governo no Irã em 1980. “Com a discriminação e perseguição afetando os bahá’ís em todos os setores da economia, não resta dúvida de que a campanha do Irã de privar os bahá’ís de ganharem seu sustento é de natureza sistemática e dirigida pelos mais altos escalões do governo”, completa Dugal.

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