Destruição do cemitério de Shiraz preocupa autoridades brasileiras

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Destruição do cemitério de Shiraz preocupa autoridades brasileiras

Em pronunciamento oficial proferido no último dia 11, o deputado federal Luiz Couto (PB) prestou sua solidariedade aos bahá'ís de todo o mundo pela destruição do cemitério histórico de Shiraz. “Reitero a minha preocupação e, uma vez mais, solicito ao presidente iraniano uma posição imediata perante essas injustiças cometidas contra a Comunidade Baháí”, afirma Couto.

O deputado também falou sobre a postura de Ali Younesi, conselheiro do presidente do Irã para minorias religiosas e étnicas, que convocou os iranianos a respeitarem os direitos das minorias religiosas. “Aqui temos um exemplo claro de um conselheiro de prestígio do presidente, em solo sagrado judeu, dizer que a nação iraniana pertence a todos os iranianos, e que todos os grupos minoritários possuem o direito de viverem em paz e que ninguém tem o direito de violar os direitos de nenhuma minoria, enquanto a Guarda Revolucionária faz o que deseja”.

A notícia da demolição do cemitério surgiu no início de maio, depois que a Comunidade Internacional Bahá’í soube que no final de abril a Guarda Revolucionária escavou uma área de cerca de 200 metros quadrados e enfileirou cerca de 50 caminhões para continuar a escavação.

No local estão sepultados cerca de 950 bahá'ís, entre eles dez mulheres cruelmente enforcadas em 18 junho de 1983, no auge da campanha do governo para promover a execução de bahá'ís. Entre 1979 e 1988, mais de 200 bahá'ís foram executados no Irã.

As dez mulheres, cujas idades variavam entre 17 a 57 anos, foram condenadas por serem "sionistas” e ensinarem as crianças (o equivalente à "catequese” no ocidente).

Essas execuções injustas atraíram a atenção do mundo inteiro. Logo após o anúncio da condenação das mulheres, o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, fez um apelo por clemência para elas e para outros 12 bahá'ís que haviam sido sentenciados à morte. Dessa forma, o cemitério passou a a simbolizar a perseguição e os crimes de morte do governo do Irã contra os bahá'ís.

A propriedade onde o cemitério está localizado pertence e é utilizada pelos bahá'ís de Shiraz desde o início da década de 1920. O local foi confiscado pelo governo em 1983, quando as lápides foram destruídas e os principais edifícios derrubados. Três anos atrás, o escritório provincial da Guarda Revolucionária anunciou que havia tomado o local.

Ataques a cemitérios bahá'ís tem sido uma característica comum da perseguição aos bahá'ís no Irã nos últimos anos. Entre 2005 e 2012, pelo menos 42 deles foram atacados de maneiras diversas.

Esses ataques, muitas vezes realizados com consentimento implícito, se não direto, do governo, incluem ataques incendiários contra edifícios mortuários, derrubada de lápides, arrancada de arbustos pela raiz, uso de escavadeiras, pichações de frases anti-bahá'ís nos muros, e a exumação de corpos.

Outro dado importante a se destacar é o fato de que a perseguição contra os bahá'ís no Irã, não se trata de uma política de governo, mas uma política de Estado que vem sendo implementada desde o início da Fé Bahá'í. Ou seja, essa perseguição não é uma ação do governo atual ou do anterior, não se trata da posição do governante, é uma perseguição que se baseia em uma política de Estado, que foi intensificada com a Revolução Islâmica em 1979, quando foram definidas as linhas de ação para a supressão da Comunidade Bahá'í Iraniana.

 

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