Da senzala à unidade racial

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Da senzala à unidade racial

“Café com Fé” celebra o dia internacional da luta contra a discriminação racial

            No dia 21 de março de 1960 mais de 20 mil negros protestavam nas ruas de Joanesburgo, na África do Sul, pelo fim da segregação racial no país. A manifestação era pacífica, mas a polícia do Apartheid abriu fogo contra a multidão desarmada, deixando 69 mortos e 186 feridos.

            Para lembrar as pessoas que deram a vida pela unidade racial, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 21 de março como o “Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial”. Desde então, a data é lembrada em todo o mundo de diversas maneiras, mas sempre com o objetivo refletir sobre o racismo e a discriminação racial que, em pleno século XXI, ainda assombra a humanidade.

            Em Salvador, um grupo de bahá'ís organiza o “Café com Fé”. Para celebrar o Dia Internacional da Luta pela Eliminação a Discriminação Racial e debater sobre as soluções e desafios impostos pela questão racial, o tema do último “Café”, realizado em 30 de março, foi: "Da Senzala à Unidade Racial".

            O “Café” começou com uma introdução sobre a data e o contexto histórico que deram origem ao tema em debate e foi seguido por uma reflexão sobre o texto de Joaquim Nabuco, musicado por Caetano Veloso, no disco “Noites do Norte” (2000). O texto, escrito no início do século XX, fala sobre a escravidão e os seus efeitos a longo prazo na cultura brasileira.  

 

A escravidão permanecerá por muito tempo como a característica nacional do Brasil. Ela espalhou por nossas vastas solidões uma grande suavidade; seu contato foi a primeira forma que recebeu a natureza virgem do país, e foi a que ele guardou 

Joaquim Nabuco

 

            “Essa reflexão trouxe o contexto em que vivemos hoje e a importância de estarmos conscientes e vigilantes quanto ao preconceito que está impregnado em todos nós”, comenta Eduardo Santos, um dos organizadores do evento.

            A equipe do “Café” também fez uma compilação de Escritos Sagrados Bahá'ís que abordam o tema igualdade racial. A leitura de alguns trechos ajudou a nortear o debate e fortalecer a espiritualidade dos participantes, já que no final do século XIX, quando alguns países, inclusive o Brasil, ainda iniciavam o processo de abolição da escravatura, os Escritos Sagrados Bahá'ís já falavam de igualdade racial, tema que tem ganhado mais força somente nas últimas décadas. O trecho abaixo condensa muito bem o posicionamento bahá'í sobre o assunto.

 

Considerai as flores de um jardim: diferem em espécie, cor, forma e aspecto. Não obstante, desde que são refrescadas pelas águas da mesma fonte, revivificadas pelos sopros de um só vento e revigoradas pelos raios de um único Sol, sua diversidade lhes aumenta o encanto e realça a beleza

 

            Também é importante ressaltar que o racismo não está somente em exemplos extremos, como o massacre de 21 de março, mas se apresenta em inúmeros outros fatos do dia a dia. O Artigo I da Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial diz que "discriminação racial significa qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada na raça, cor, ascendência, origem étnica ou nacional com a finalidade ou o efeito de impedir ou dificultar o reconhecimento e exercício, em bases de igualdade, aos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político, econômico, social, cultural ou qualquer outra área da vida pública". Ou seja, o racismo não se apresenta somente na cor da pele, mas, de maneira velada ou não, contra etnias, religiões, gêneros ou culturas. No Brasil, os negros representam mais da metade da população e o racismo continua um tema bastante delicado.

 

            Eduardo Santos também afirma que, apesar da variedade de temas,  a questão central que permeia todos os encontros é: sendo o ser humano essencialmente um ser espiritual vivendo uma dimensão humana, como vivenciar e desenvolver a espiritualidade em um mundo material? “Assim, a cada encontro nos provocamos a refletir sobre como expressar e integrar em nosso cotidiano, as qualidades espirituais que estamos aqui para desenvolver”, completa Eduardo.   O “Café com Fé” acontece desde 2012 e já foram realizados 22 encontros, cada um com um tema diferente.  

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