Convenção Nacional reunirá Bahá'ís de todo Brasil

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Convenção Nacional reunirá Bahá'ís de todo Brasil

Nos próximos dias a Comunidade Bahá'í escolherá a nova Assembleia Espiritual Nacional. A eleição acontecerá durante a 54ª Convenção Nacional, no Centro Educacional Soltaniéh, em Mogi Mirim (SP) e é uma oportunidade de trocar experiências, discutir estratégias sobre o desenvolvimento da Fé Bahá’í no Brasil ao longo do próximo ano.

 

A Convenção Nacional

A Convenção Nacional acontece anualmente no final de abril e só é adiada para maio a cada cinco anos, em consequência da Convenção Internacional, quando os membros de todas as Assembleias Nacionais se deslocam para o Centro Mundial, em Haifa, para a eleição da Casa Universal de Justiça. Nesse ano de 2014 o evento começa amanhã (25) e vai até domingo (27).

No Brasil, a Convenção Nacional acontece desde 1960 e é o período em que os delegados eleitos nas Convenções Regionais se encontram para falar sobre temas importantes para a Comunidade Bahá'í Brasileira e para o desenvolvimento da Fé Bahá’í no país. É uma oportunidade única, que permite uma conversa franca e desimpedida entre a Assembleia Nacional e os delegados, que, além de votar, apresentam uma visão geral de sua respectiva região e consultam sobre sugestões de ações.   

A Convenção Nacional é dividida em três etapas:

- no primeiro dia  é apresentado o Relatório Anual do Desenvolvimento da Comunidade Bahá'í Brasileira e é feito um balanço das ações executadas no ano anterior. Esse ano também será apresentado um vídeo sobre as Conferências de Juventude;

- no segundo dia acontece a eleição da Assembleia e são feitas sugestões com base no Relatório Anual e na mensagem do Ridván, envia da pela Casa Universal de Justiça;

- no terceiro dia são traçadas as diretrizes para o próximo ano (2014-2015 corresponde ao ano 171 da Era Bahá'í), nesse dia a consulta continua, mas agora já sabendo quem são os membros eleitos para a nova composição da Assembleia.

Apesar do caráter administrativo, a Convenção é um evento bastante dinâmico. Também há espaço para a espiritualidade, com momentos de orações e meditações. Além disso, os momentos de diálogos são bem flexíveis. Ano passado, por exemplo, o Fronteiras da Aprendizagem, produzido pelo Centro Mundial de Ensino, foi divulgado juntamente com o Relatório Anual e serviu para nortear as consultas dos delegados.

Qualquer pessoa pode participar da Convenção, mas somente os delegados possuem voz e voto. As inscrições de observadores podem ser feitas mediante solicitação à Secretaria Nacional (secnac@bahai.org.br), com antecedência, tendo em vista o número limitado de vagas.

 

A Assembleia Nacional

Segundo a Ordem Administrativa instituída por Bahá’u’lláh, a Assembleia Espiritual Nacional é autoridade em todos os assuntos que afetam os interesses da Fé Bahá'í no país. Ela é a responsável pela administração dos assuntos bahá’ís em âmbito nacional e representa o país em âmbito internacional. De acordo com Shoghi Effendi, “é a mola-mestra das diversas atividades e interesses de toda comunidade nacional no mundo bahá'í. Ela constitui a única conexão e liga estas comunidades à Casa Universal de Justiça, o supremo corpo administrativo da Dispensação de Bahá'u'lláh”.

A Assembleia é composta por nove membros eleitos na Convenção Nacional, que podem ser qualquer bahá'í maior de 21 anos residente no país. Os membros da Assembleia podem ser reeleitos quantas vezes for necessário. Isso garante renovação, mas também cria oportunidades de novos membros aprenderem com as experiências dos mais antigos.

A principal característica da Assembleia é a unidade. Todos os membros são iguais e não há relação de poder. Shoghi Effendi diz que “não pode haver nenhum conflito de autoridade, nenhuma dualidade, sob qualquer condição ou circunstância”. A diversidade de experiências e pontos de vista é o que garante que as decisões possam ser tomadas conforme os melhores interesses da comunidade como um todo.

 

Método eleitoral Bahá'í

Diferente do sistema eleitoral brasileiro de voto direto, no método eleitoral bahá'í não são todos os membros da comunidade que votam e não há candidatos. Os delegados que participam da Convenção Nacional escolhem nove nomes dentre qualquer membro declarado da Comunidade Bahá'í. Os nove mais votados irão compor a Assembleia Espiritual Nacional pelo próximo ano. Os delegados, por sua vez, são eleitos ao longo do ano nas Convenções Regionais. Cada região dispõe de uma quantidade de delegados proporcional ao número de membros. Esse ano serão 76 delegados participantes que, além de votar na Assembleia, ajudarão a definir os rumos da administração bahá'í brasileira para o ano 171 E.B.

No momento da votação, o delegado recebe uma cédula em branco, na qual deverá escrever os nove nomes que considera mais aptos a contribuir com as atribuições da Assembleia. O voto é secreto e a cédula é então inserida na urna de votação. As cédulas preenchidas indevidamente são descartadas e anuladas. Não há votos brancos, por que entende-se que a participação da escolha dos nove membros é fundamental na construção de um sistema baseado na unidade, na transparência e na participação universal.

Outra característica fundamental é o fato de que as eleições bahá'ís não são partidárias. Não existem partidos e\ou chapas e não há campanha eleitoral. Até por que, o sistema partidário acabaria com um dos princípios básicos bahá'í: a Unidade.  Dessa forma, o voto é ponderado com consciência e a índole e as características individuais das pessoas votadas são o mais importante. Sendo assim, os membros são eleitos por suas qualidades espirituais e administrativas, já que a base do sistema de administração bahá’í é a consulta e o interesse coletivo está acima dos individuais. Entre os aspectos levados em consideração no momento da escolha estão a diversidade, o equilíbrio, a experiência em assuntos comunitários e a maturidade espiritual.

 

Comunidade Bahá'í e as Eleições Nacionais

Esse ano também teremos as eleições nacionais, onde escolheremos quem vai governar o Brasil pelos próximos quatro anos, além dos nossos representantes no Legislativo e no Judiciário e dos governos estaduais. Naturalmente, é um momento muito importante para os brasileiros, tendo em vista os problemas sociais e econômicos pelos quais o país tem passado.

A orientação da Casa Universal de Justiça e do próprio Bahá'u'lláh é que não haja envolvimento partidário da Comunidade Bahá'í e de seus membros. Isso por que o fato de haver partidos político já abala unidade do gênero humano, criando pontos de oposição entre as pessoas. No sistema administrativo bahá'í a consulta de um corpo deliberativo é uma premissa, enquanto no sistema partidário isso não acontece.

Em seus ensinamentos Bahá'u'lláh defende a reforma política, econômica e social. Por isso, a Comunidade Bahá'í busca demonstrar a possibilidade de uma nova cultura política de unidade e envolvimento nos assuntos comunitários, que não contempla campanhas individuais e conluios. Os bahá’ís são estimulados a votar nas eleições nacionais com o mesmo senso de responsabilidade com que realizam a votação nas eleições bahá’ís: considerando o máximo de informações que possui sobre os candidatos e suas qualidades para contribuir para a transformação da sociedade, e evitando o envolvimento em campanhas, sejam elas realizadas a favor ou contrariamente aos candidatos existentes, nas redes sociais ou em qualquer outro meio.

Para mais informações sobre o assunto leia o artigo “Política: entre os limites da transformação social e do partidarismo

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