Arte por um mundo melhor!

Noticias / Arte por um mundo melhor!

Arte por um mundo melhor!

As intervenções artísticas organizadas pela Comunidade Bahá’í do Brasil na praia de Copacabana estão se tornando uma tradição. Em 2011 centenas de rostos de prisioneiros iranianos tomaram conta da da areia da praia de Copabacana; em 2012 um poema em persa de Saadi, um dos expoentes da poesia persa, foi rodeado por centenas de guarda-chuvas vermelhos; em 2013 um banner gigante produzido pelo artista plástico Siron Franco foi estendido na praia; em 2014 centenas de bolas verdes e vermelhas simbolizaram os prisioneiros de consciência no Irã.

Para esse ano a Comunidade preparou um grafitaço em defesa dos jovens bahá’ís iranianos que são impedidos de estudar no país. O painel foi pintado pelos artistas plásticos e grafiteiros Marcelo Melo e Gustavo Amaral (Gut) durante a 8º Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa.

O grafitaço faz parte da campanha mundial Pinte a Mudança (Paint the Change), lançada em Nova York no início desse mês pelo cineasta Maziar Bahari. O objetivo é pressionar o Estado Iraniano a mudar suas políticas e encorajar universidades a aceitarem estudantes bahá’ís. Para isso, a equipe de Maziar está promovendo a criação de murais de grafite em diversas cidades ao redor do mundo como forma de chamar atenção para esse problema. “É uma satisfação muito grande participar dessa manifestação em apoio aos estudantes bahá’ís iranianos por que a gente se identifica muito com esse tipo de campanha… os grafiteiros ainda sofrem muita discriminação. Com educação a gente consegue ir muito longe!”, enfatizou Marcelo Melo.

A instalação contou com a participação da Comunidade Bahá’í e chamou a atenção das pessoas que passavam no local. A professora aposentada Lenita Lopes já conhece a Fé Bahá’í e acredita que esse tipo de intervenção é imprescindível para maior integração dos seguidores de diversas religiões. “A pintura está ficando linda e com certeza vai aproximar mais a Fé Bahá’í das pessoas que ainda não conhecem”, ressaltou Lenita.  

Gustavo Amaral enfatizou no caráter educativo da obra. “Foi uma honra poder participar desse projeto e conhecer mais sobre um problema que não passa na grande mídia. Acho muito ruim quando a política começa a se misturar com religião, como é o caso do Irã, e acredito no respeito acima de tudo, por isso acho fantástico poder expressar isso na minha arte e ajudar as pessoas a refletirem sobre um assunto tão sério quanto a perseguição dos bahá’ís no Irã”.

 

A Caminhada

A Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa é uma iniciativa da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro (CCIR), juntamente com a Comunidade Bahá'í e diversas outras organizações religiosas.

 

Os estudantes bahá’ís no Irã

Os bahá’ís são a maior minoria religiosa do Irã. Mais de 200 bahá’ís foram executados entre 1979 e 1987, após a Revolução Islâmica, e mais de 100 bahá’ís encontram-se atualmente presos por causa de sua fé. A comunidade também foi periodicamente perseguida nas décadas antes da revolução. Hoje, os bahá’ís sofrem assédios rotineiros, têm sua subsistência negada, são detidos e aprisionados sob falsas acusações, além de serem impedidos de trabalhar e estudar.

Em 1987, os bahá’ís do Irã fundaram o Instituto Bahá’í de Ensino Superior (BIHE), uma universidade informal que visa dar aos jovens bahá’ís a oportunidade de aprender.

A história do BIHE é tema do filme Educação Não É Crime (To Light a Candle), produzido por Maziar Bahari. O filme utiliza histórias pessoais e um arquivo de filmagem dramático para explorar a perseguição aos bahá’ís e o papel de sua resistência pacífica no movimento democrático no Irã.

As campanhas Educação Não É Crime e Pinte A Mudança têm o apoio de grandes figuras mundiais, incluindo o Arcebispo Desmond Tutu e a Dra Shirin Ebadi, agraciados com o Prêmio Nobel da Paz, assim como atores de Hollywood como Mark Ruffalo e Rainn Wilson.

 

Sobre Maziar

Maziar Bahari foi repórter da Newsweek no Irã entre 1998 e 2011 e produziu diversos documentários sobre o país, além de reportagens para emissoras de todo o mundo, incluindo a BBC, Channel4, HBO e Discovery. A próxima campanha de Bahari será dedicada à liberdade de expressão e de imprensa no Irã. Durante os Protestos Eleitorais em 2009, foi preso sem acusações e detido por 118 dias — tema do filme que foi lançado no Brasil em 2014. "Esse tipo de evento internacional, com foco em alguns dos principais temas levantados pelo documentário, são não apenas instrumentais para chamar atenção para o sofrimento enfrentado pelos bahá'ís ao longo de muitas décadas, mas também um estímulo para mudanças positivas. Enquanto os bahá'ís continuarem a enfrentar injustiças, e enquanto as autoridades iranianas os tratarem como cidadãos de segunda categoria, ainda haverá muito a ser feito", afirma Bahari.

RSS

Para subscrever a nossa feed RSS de notícias clique aqui