Vicente Adorno: uma vida de dedicação à cultura, educação e aos valores da humanidade

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Vicente Adorno: uma vida de dedicação à cultura, educação e aos valores da humanidade

Quatorze nos atrás eram inaugurados no Monte Carmelo, em Haifa, os Patamares Bahá’ís - um conjunto de 19 jardins suspensos que  harmoniosamente acolhem os edifícios do Centro Mundial Bahá’í, incluindo alguns de seus Lugares Sagrados em Israel. À época, o jornal Folha de São Paulo deu uma matéria sobre a inauguração, contendo extensas informações sobre a Fé Bahá’í e seus ensinamentos. No mesmo período, sob o olhar criterioso do roteirista, produtor e diretor Vicente Adorno, a TV Cultura embarcou numa monumentosa empreitada para realizar o documentário “Seguidores da Glória”.

Lançado em 2002, o documentário apresenta um panorama sobre a religião fundada por Bahá’u’lláh em meados do século XIX. Acompanhado do cinegrafista Valdir Rodrigues, cuidadosamente selecionado para acompanhá-lo nas viagens por Israel, Estados Unidos e Alemanha, Adorno declarou-se “extasiado com a beleza e espiritualidade que emergia dos lugares sagrados da Fé Bahá'í”. Os dois buscavam sempre filmar em ângulos pouco usuais, desses em que a iluminação natural é mais valorizada e isto dependia bastante das condições climáticas. Foram incansáveis em entrevistar de jardineiros e membros do Centro Internacional de Ensino, além de colher depoimentos de jovens bahá'ís originários dos mais distantes países do mundo.

Alguns anos depois, após estudar profundamente a história arquitetônica das civilizações, Adorno embarcou em uma nova missão: produzir seu segundo documentário acerca da Fé Bahá’í, que teria como tema central a arquitetura inovadora e instigante dos templos bahá'ís ao redor do mundo. A pergunta que o desafiava nesse novo documentário era esta: "Como as pessoas ocupam esses espaços?" Para ele, o projeto “Arquitetura da Unidade” (2006) era extraordinário nessa perspectiva, além de “falar sobre um aspecto muito interessante que é o da cultura bahá'í, é esse cuidado e esse refinamento com a construção dos templos. Confesso que todos dos que eu vi até hoje me deixaram emocionados, porque mostram as coisas boas que um ser humano é capaz de fazer quando se dispõe a um esforço coletivo”, afirmou ele certa vez.

Em um evento realizado também em 2006, Adorno elogiou a presença da Comunidade Bahá'í em redes como a Transparência Brasil e a sua marcada presença junto à ONU. “É de grande valia mencionar a obra humanitária e social das comunidades bahá’ís pelo mundo e, ainda, a importância dada pelos bahá’ís à educação universal gratuita de qualidade. No meu entender, oportunidades iguais só se conseguem com acesso igual e irrestrito à educação latu sensu, e uma das minhas maiores satisfações ao tomar contato com os bahá’ís foi descobrir que eles também pensam assim. Melhor ainda: praticam o que pregam, ao oferecer educação de qualidade a populações carentes", afirmou Adorno na ocasião.

Adorno nasceu em 1947 e trabalhou por muitos anos na Rádio e Televisão Cultura onde, entre outras funções, foi editor de internacional do Jornal da Cultura. Publicou o livro Tietê, Uma Promessa de Futuro Para as Águas do Passado. Estudioso da comunicação pública, muito o incomodava o grau de decadência social, moral e espiritual dos programas exibidos na televisão brasileira. “A função da TV pública é promover cultura, educação, valores, cidadania e discussões, ser um veículo de discussão eficaz desses temas. O desafio deve ser de toda a sociedade e que os veículos de comunicação públicos devem ser um canal de escuta das demandas da população a fim de construir um país mais justo e igualitário.

No último dia 14 de agosto, vítima de infarto, Vicente Adorno se despediu dessas paragens humanas e deu início à sua mais ampla jornada espiritual rumo aos vastos mundos de Deus. A Comunidade Bahá'í presta suas condolências e os mais profundos sentimentos aos familiares, amigos e todas as pessoas que passaram por seu caminho. Adorno deixa este plano terreno como uma figura pública cujas iniciativas visaram promover o bem-estar de seus concidadãos. E nossas memórias sempre associarão sua vida e ações ao serviço à educação e à cultura universal.

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