Bahá'ís são punidos por fechar comércio em dias sagrados

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Bahá'ís são punidos por fechar comércio em dias sagrados

 

Dezenas de comércios bahá’is nas cidades de Rafsanján, Kermán, Sárí e Hamadán foram interditados pelas autoridades governamentais do Irã numa tentativa de coibir os bahá’ís nas comemorações de seus dias sagrados ao longo dos últimos meses. Esses comércios, em sua maioria, são pequenos estabelecimentos que fornecem serviços como reparo de aparelhos domésticos, venda de equipamentos automotivos e vestuário.
Esse ano, durante os dias sagrados de abril e maio, o estado interditou muitos desses estabelecimentos sem motivos plausíveis. Em alguns casos, as autoridades iranianas informaram aos lojistas que caso não assinassem um termo de compromisso de que somente fechariam seus estabelecimentos durante os feriados nacionais reconhecidos, teriam seus alvarás de funcionamento revogados e suas lojas lacradas permanentemente.

"Essa tentativa recente das autoridades no Irã de impedir que os donos de empresas bahá’ís observem os dias sagrados bahá’ís, que ocorrem em apenas uns poucos dias por ano, é um atentado contra as próprias leis do Irã e uma violação das normas internacionais de direitos humanos”, afirma Gabriel Marques, secretário nacional da Comunidade Bahá’í do Brasil.

Com a frequente perseguição sofrida pelos bahá’ís no Irã, esses comércios acabam se tornando a única fonte de renda de suas famílias, já que os bahá'ís não podem assumir cargos públicos e as grandes empresas são estimuladas a não contratar, ou mesmo a demitir os bahá’ís.

Muitas dessas lojas já haviam sido lacradas em outubro do ano passado, quando cerca de 80 estabelecimentos bahá’is foram interditados nas mesmas cidades e também em Jíroft. Após inúmeros apelos por parte da comunidade local e da divulgação internacional sobre os fechamentos, as lojas finalmente foram autorizadas a reabrir.

A notícia surge justamente quando governos, empregadores e representantes dos trabalhadores de todo o mundo se reúnem em Genebra para a 104ª Conferência Internacional do Trabalho, na qual o tema da discriminação no local de trabalho é uma das principais preocupações. "O fato de as notícias sobre esses incidentes, que são claros exemplos de perseguição religiosa, virem à tona no momento em que o mundo está debatendo sobre a discriminação no local de trabalho, serve apenas para destacar mais uma vez o grau no qual o Irã tem falhado em atender os padrões internacionais de direitos humanos”, destaca Gabriel Marques.

Além disso, os comércios administrados por bahá’ís não têm sofrido apenas com as frequentes interdições do governo, mas também com ataques incendiários, perpetrados num clima no qual o ódio contra os bahá’ís tem sido incitado por meio de campanhas de mídia.

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