Dois meses no necrotério: uma faceta da campanha para tornar os bahá’ís iranianos imperceptíveis

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Dois meses no necrotério: uma faceta da campanha para tornar os bahá’ís iranianos imperceptíveis

O corpo de um bahá’í foi mantido num necrotério durante quase dois meses na grande cidade de Ahvaz, ao sul do Irã, devido à recusa dos oficiais de permitir seu sepultamento. Shamel Bina faleceu em 28 de outubro, mas permanece insepulto a despeito dos numerosos apelos de sua família e de diversos oficiais.

Recentemente cemitério bahá’í dessa cidade foi fechado pelas autoridades. O episódio é o mais recente de uma série de incidentes nos últimos meses nos quais oficiais iranianos impediram ou interferiram no sepultamento de bahá’ís – ou sancionaram a destruição de seus cemitérios – aparentemente como parte de uma campanha para forçar os bahá’ís a negarem sua própria identidade religiosa.

Em Semnan foi dito aos bahá’ís que para se emitir permissão para eles sepultarem seus parentes mortos, deveriam assinar um termo. Nesse documento pede-se para não colocar nenhuma marca nos túmulos a não ser os nomes e as datas de nascimento e morte, e não criar espaços verdes no cemitério, pois isso é considerado promoção da Fé Bahá'í. Ordens similares foram emitidos ainda este ano para o cemitério de Sangsar.

“Nos anos recentes, mais de 40 cemitérios bahá’ís foram atacados, vandalizados e, em inúmeros casos, as autoridades impediram ou interferiram no sepultamento de bahá’ís”, Iradj Eghrari, membro da Comunidade Bahá'í no Brasil.

Essas ações fazem parte de uma série de esforços coordenados pelo governo para tornar os bahá’ís imperceptíveis no Irã, eliminando um dos poucos indícios públicos remanescentes de sua existência e forçá-los a negar sua fé.

O mais conhecido desses incidentes foi o empenho dos Guardas Revolucionários de Shiraz, desde abril, em destruir o histórico cemitério bahá’í dessa cidade para dar lugar a um novo complexo esportivo e cultural. 

Apesar da solicitação de espcialistas em direitos humanos da ONU pelo fim desse ataque, relatórios recentes dizem que a obra continua e cerca de 5 a 6 mil metros quadrados do terreno já foram escavados ou edificados.

 

Outros ações dessa campanha incluem:

● O caso de Ziba Rouhani, que morreu em outubro em Tabriz. Durante pelo menos oito dias oficiais impediram seu sepultamento no cemitério bahá’í de Tabriz, a menos que ela fosse sepultada sem caixão, o que seria contrário às leis bahá’ís de sepultamento.

● O caso de Miss Mahna Samandari, uma jovem talentosa que ficou inválida e recentemente morreu em Tabriz com 11 anos. Segundo relatos recebidos em novembro, foi-lhe negado sepultamento no cemitério em Tabriz.

● Em novembro, autoridades governamentais fecharam o cemitério de Mahmoudiyeh, na província de Isfahan, dizendo que não seria mais permitido sepultar bahá'ís no local.

● Em junho houve relatos de que oficiais recusaram permissão para o sepultamento de Tuba Yeganehpour e outros dois bahá’ís no cemitério público de Tabriz.

● Em abril, o túmulo de um bahá’í proeminente no cemitério de Sabzevar foi destruído por escavadeira por um indivíduo desconhecido. Assim como em outros casos, está claro que ninguém pode usar esse tipo de equipamento pesado sem a sanção das autoridades.

● Num período de oito meses, na cidade de Tabriz, recusou-se o sepultamento dos restos de pelo menos 15 bahá’ís no cemitério público, e suas famílias foram forçadas a levar seus corpos a outra cidade.

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