Bahá’ís de todo o Brasil celebram o Ayyám-i-Há

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Bahá’ís de todo o Brasil celebram o Ayyám-i-Há

Atividades comemorativas fortalecem o senso de comunidade e marcam o desenvolvimento de uma nova cultura 

Tradição (do latim traditio) significa "entregar", "passar adiante". A tradição é a transmissão de costumes, comportamentos, memórias, crenças e histórias que passam de geração em geração. Os elementos transmitidos passam, então, a fazer parte da cultura de uma comunidade. 

Os seguidores de todas as grandes religiões do mundo estão acostumados a realizar celebrações e rituais que envolvem famílias e comunidades em torno de datas especiais. É assim com o Natal cristão, a Festa de Yemanjá para os seguidores de religiões afro-brasileiras, o Yom Kipur dos judeus, o Carnaval do Brasil e tantas outras festividades. 

Visita a lar de idosos nos arredores de Brasília (DF)

Os bahá’ís têm hoje uma oportunidade interessante: membros de uma comunidade com apenas 170 anos de existência, estão agora no momento de estabelecer as suas próprias tradições festivas, dando cor e forma às suas celebrações, estreitando laços e reafirmando-se como membros de uma só família. 

O estabelecimento de uma tradição exige a criação de hábitos – algo que requer tempo e dedicação. Para isso, uma família, grupo ou comunidade deve garantir continuidade nas ações que marcam uma determinada data ou tema. 

A comemoração dos Dias Intercalares é um bom exemplo do que pode vir a se tornar belas tradições da comunidade bahá’í. De acordo com os ensinamentos de Bahá’u’lláh, esses são dias para se celebrar a essência de Deus. No alfabeto árabe, “Há” é a letra que simboliza essa essência, e por isso o período também é conhecido como Ayyám-i-Há, ou “Dias de Há”. 

“São quatro dias (ou cinco, nos anos bissextos) antes do início do jejum, os quais os bahá’ís dedicam à caridade, à amizade e à hospitalidade”, explica Carlos Alberto Silva, Secretário Nacional da Comunidade Bahá’í do Brasil. 

“Não existem regras sobre quais os formatos que devem ser assumidos por essas celebrações”, continua Carlos. “Como na Fé Bahá’í não existem rituais, é importante que cada comunidade ou indivíduo se sinta livre para adotar a maneira que considerar mais adequada e agradável para conduzir as suas celebrações, que podem assumir as mais diversas formas, sempre pautadas por um elevado nível de reverência e excelência”. 

Carlos conta que este ano os funcionários bahá’ís da Sede Nacional Bahá’í, em Brasília, decidiram demonstrar a amizade e hospitalidade para com seus colegas de trabalho. “No primeiro dia, trouxemos para o desjejum cappuccino e pão de queijo. No segundo, sanduíche e suco. No terceiro, que era uma sexta-feira, convidamos uma amiga para fazer uma pequena palestra sobre o calendário bahá’í e oferecemos um almoço feito com a ajuda de algumas pessoas da comunidade local.” 

Francisca Lima, cozinheira da Sede Nacional, disse que gostou muito da demonstração de carinho de seus colegas. “Em todos os anos em que trabalho aqui, nunca tinha tido uma atividade assim. Ano passado visitamos uma creche e foi muito legal, mas esse ano foi especial”, avaliou. 

Criança se diverte com material de pintura em Maceió (AL)

Diversas comunidades bahá’ís no Brasil optaram por realizar brincadeiras de amigo secreto. Em Goiânia (GO), a troca de presentes ocorreu em meio a um animado Festival de Sorvete; em Brasília (DF), durante um jantar comunitário. Além disso, os bahá’ís brasilienses realizaram visitas a instituições de assistência social e uma festa para pré-jovens e crianças de São Sebastião, uma das regiões administrativas da cidade. 

Flávio Cardoso conta que, em Maceió (AL), um grupo de bahá'ís e amigos também optou por visitar um abrigo para crianças. "Alguns de nós foram caracterizados e fizemos brincadeiras com as 10 crianças presentes no local - todas abandonadas pelas famílias ou afastadas judicialmente dos pais. Trabalhinhos de pintura tomaram a atenção da garotada. E um lanche saboroso com bolo, salagados, doces e refrigerantes encerrou o encontro", diz ele. 

Jean Caio, de 10 anos, foi um dos participantes da visita. "Eu gostei de visitar as crianças", diz o menino. "Achei legal brincar com elas e descobrir que são crianças iguais a mim. O triste é saber que eles estão sem os pais." 

"A oportunidade de conviver com pessoas que estão em situações diferentes da nossa vida corriqueira, humaniza mais", analisa Flávio. "Perceber que somos "ricos", que somos "nobres" e vivenciar um pouco as inúmeras carências e necessidades permite que o ser humano possa se desenvolver em todos os níveis. Entrar no período de Jejum com essas aprendizagens nos leva a refletir sobre como podemos ser mais eficientes, mais eficazes e como podemos otimizar nosso tempo para servir mais e levar a palavra curadora de Bahá'u'llah a todos povos da terra.", emociona-se. 

Passado o Ayyám-i-Há, toda a comunidade bahá'í se prepara para celebrar a chegada do Ano Novo, que ocorrerá no dia 21 de março. “Esta é outra excelente oportunidade para fortalecermos nossas tradições e darmos forma à uma nova cultura", reforça Carlos. 

Para saber mais sobre o calendário bahá’í, acesse www.bahai.org.br/a-fe-bahai.

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