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Bahá'í Toobar

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Unidade Teológica

Antonio Bastos


A crença Bahá'í de que a Revelação de Deus é progressiva, isto é, vem sendo dispensada eta-pa por etapa ao longo da história pelos chamados Mensageiros de Deus - Abraão, Krishna, Moisés, Zoroastro, Buda, Jesus, Maomé, Báb e Bahá'u'lláh - estabelece um novo enfoque à teo-logia comparada, onde o estudo da interligação entre as Escrituras dos diversos sistemas reli-giosos promove uma consciência sobre a verdade e inspiração divina de cada uma delas, eli-minando preconceitos, tensões e conflitos.

As Escrituras Bahá'ís afirmam que as chamadas diferentes religiões são fases de um mesmo Plano Divino, de uma mesma e única religião. Cada uma delas tem a exata medida da neces-sidade e capacidade do homem de cada tempo. Seus surgimentos são marcos antropológicos de novas civilizações. A organização social, as ciências e as artes evoluem impulsionadas pelo poder criativo da espiritualidade renovada a cada nova Revelação.

Seus adventos são como o sol nascente, cuja luz a poucos ilumina. Seu apogeu é como o sol do meio-dia, que a tudo toca. Seu declínio é como o sol poente, que traz as trevas da noite. Mas quando a escuridão é mais severa, e nem mais as estrelas iluminam o céu, um novo sol nasce e todo o ciclo vital se renova. Se dissermos que a cada dia nasce um novo sol, isto será cor-reto. Igualmente aceitável será afirmar que o mesmo sol de ontem trouxe um novo dia.

Um dos temas recorrentes às Escrituras dos sistemas religiosos de diferentes épocas e cultu-ras é a promessa de uma futura Manifestação Divina. Às vezes profetizam Sua vinda, às vezes Sua volta, significando ambas as colocações a mesma coisa. O que se quer dizer é que Deus manifestar-se-á novamente aos homens, através de alguém especial que revelará Sua Mensagem, Sua Lei, Seu Poder, Sua Soberania, Sua Misericórdia, enfim, Seus atributos - o Mensageiro de Deus.

Em sinal de apreço e respeito à civilização Judáico-Cristã predominante no ocidente, apre-sentamos alguns aspectos Bíblicos dessa unidade teológica, lembrando que, pela inexcedível importância do tema, melhor avaliação exigirá amplo estudo da literatura Bahá'í.

ESTRUTURA DO ENSAIO

Esta exposição relaciona textos do Velho e Novo Testamento ao Advento Bahá'í, a partir de resposta às questões a seguir, as quais nos parecem adequadas a um primeiro contato com a Fé Bahá'í. Dentre as várias versões da Bíblia disponíveis, escolhemos utilizar como base para transcrições a Bíblia de Jerusalém, a qual se apresenta como aceitável para a maioria das cor-rentes Cristãs existentes no Brasil.

v  Por que a Fé Bahá'i surgiu em 1844?

v  Por que a Fé Bahá'í surgiu na antiga Pérsia, atual Irã?

v  Por que o novo Manifestante da Vontade Divina se chama Bahá'u'lláh?

v  Por que o Profeta-Arauto que anunciou a vinda de Bahá'u'lláh se chama Báb (Porta)?

v  Por que o Centro Mundial Bahá'í fica na Terra Santa (Israel), no Monte Carmelo?

v

POR QUE A FÉ BAHÁ’Í SURGIU EM 1844?

Este é um dos mais surpreendentes fatos envolvendo a Fé Bahá'í - o cumprimento simultâneo de diversas profecias Judaicas, Cristãs, Islâmicas, entre outras. Não estamos nos referindo a visões obscuras e de caráter indefinido, mas de profecias claras e autorizadas pelas Escritu-ras de cada um dos sistemas religiosos.

Entre as centenas de profecias referentes ao Advento Bahá'í mencionadas por William Sears em O Ladrão da Noite, Michael Sours em As Profecias de Jesus e 'Abdu’l-Bahá em O Esplendor da Verdade (Editora Bahá'í do Brasil), escolhemos abordar apenas as visões do profeta Daniel pe-lo seu caráter cronológico de interpretação amplamente aceita pelos estudiosos Cristãos, e pela sua vinculação a outros textos proféticos encontrados na Bíblia.

O Livro de Daniel é de especial importância para o Cristianismo porquanto é expressamente ratificado pelo próprio Jesus em Seu grande discurso profético conhecido como O Sermão das Oliveiras (Mateus 24, Marcos 13 e Lucas 21). Nessa passagem Jesus responde a questões específi-cas dos discípulos: “Dize-nos quando vai ser isso, e qual o sinal da tua Vinda e da consumação dos tempos.” (Mateus 24:3)

A resposta de Jesus é surpreendente, pois representa o único momento de Sua Revelação em que Ele cita um profeta do Judaísmo como chave para o entendimento de suas predições. Ele diz “Quando, portanto, virdes a abominação da desolação, de que fala o profeta Daniel, instalada no lugar santo - que o leitor entenda!” (Mateus 24:15)

As visões de Daniel têm poderoso efeito sobre a crença Cristã porque antecipam com grande precisão os três maiores eventos do Cristianismo: (1) o início da Era Cristã com o ministério de João Batista, (2) o período do ministério de Jesus e (3) o ano de Sua crucificação. Daniel prevê também eventos relacionados ao Islã, como a Proclamação de Maomé, a Hégira, a A-bominação da Desolação e o fim da Revelação de Maomé, ou o tempo do fim, ou a consumação dos tempos, temas que abordaremos adiante para demonstrar a sincronia das visões e seu ca-ráter unificador das religiões Judaica, Cristã, Islâmica e Bahá'í em uma seqüência entrelaça-da, uma Unidade Teológica.

O que é desconhecido para a grande maioria dos teólogos é o entendimento das profecias de Daniel que anunciam com absoluta precisão os eventos mais marcantes do Advento Bahá'í: (1) a Proclamação do Báb, (2) a Proclamação de Bahá'u'lláh e (3) o Estabelecimento da Casa Universal de Justiça.

Como premissa deste ensaio, cabe registrar o consenso entre os estudiosos de que a lingua-gem profética utiliza a palavra dia para significar ano. Isso tem base na própria Bíblia onde se lê “O dia do Senhor é um ano” (Números 14:34; Ezequiel 4:6). Todos concordam igualmente que também a palavra tempo deve ser entendida como ano, às vezes como ano primitivo (360 dias, ou 12 meses de 30 dias).

O Livro de Daniel contém visões de diferentes e específicos períodos de tempo que transcor-rem pelas eras Judaica, Cristã, Islâmica e Bahá'í. Os períodos são contados e se sucedem a partir do Édito de Artaxerxes (Daniel 9:25), o decreto expedido em 457 AC que promoveu a efetiva reconstrução de Jerusalém e o retorno dos Judeus à Cidade Santa e à vida religiosa.

Os períodos são assim apresentados e entendidos:

PROFECIAS SOBRE O ADVENTO DO CRISTIANISMO

Daniel 9:24 - “as 70 semanas”

Refere-se à Crucificação de Jesus Cristo em 33 DC. O texto diz:

Setenta semanas foram fixadas para o teu povo e a tua cidade santa para fazer cessar a transgressão e lacrar os pecados, para expiar a iniqüidade e instaurar uma justiça eterna, para sigilar visão e profecia e para ungir o santo dos santos. (Daniel 9:24)

Setenta semanas correspondem a 490 dias (70 x 7 dias) ou, em linguagem profética, 490 anos. Assim, contando 490 anos a partir de 457 AC, chegamos com precisão ao ano 33 DC (-457+490=33). Cabe registrar que, como não há um ano 0 dividindo os períodos AC e DC, a Crucificação pode haver ocorrido em 34 DC (e não em 33 DC), ano em que Jesus teria, então, 33 anos de idade. Esse incidente matemático em nada altera a precisão profética, porquanto a contagem dos 490 anos também obedeceria ao mesmo critério.

Daniel 9:25 - “as 7 semanas” e “as 62 semanas”

Aqui Daniel apresenta o período supracitado dividido em duas fases.

Fica sabendo, pois, e compreende isto: Desde a promulgação do decreto so-bre o retorno e a reconstrução de Jerusalém até um Príncipe Ungido, haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas serão novamente cons-truídas praças e muralhas, embora em tempos calamitosos. (Daniel 9:25)

A primeira fase, as 7 semanas, profetiza o período oficial da reconstrução de Jerusalém, que terminou em 408 AC. Assim, 7x7 dias=49 dias, ou 49 anos, donde -457+49=408 AC.

A segunda, as 62 semanas, refere-se à continuidade da reconstrução (detalhes como pra-ças, muralhas...) e o tempo a decorrer até o início do ministério de João Batista em 26 DC (62x7=434 dias, donde -408+434=26 DC). Aqui também se aplica a mesma observação do pa-rágrafo supra em relação à ausência do ano 0, o que conduziria a profecia a 27 DC sem qualquer prejuízo ao seu acerto.

Daniel 9:27 - “1 semana” e “meia semana”

Ele confirmará uma aliança com muitos durante uma semana; e pelo tem-po de meia semana fará cessar o sacrifício e a oblação... (Daniel 9:27)

Refere-se ao período de 7 anos (1 semana = 7 dias) entre o início do ministério de João Ba-tista e a Crucificação de Jesus, de 26/7 DC a 33/4 DC. A meia semana corresponde a 3,5 a-nos e se refere ao tempo do ministério de Jesus, o qual começou aos Seus 30 anos de ida-de (Lucas 3:23) e terminou 3,5 anos mais tarde com Sua Ascensão.

PROFECIAS SOBRE O ADVENTO BAHÁ’Í

Daniel 8:14 - “2300 dias e será feita justiça ao Santuário”

É neste ponto que a pergunta-título Por que a Fé Bahá'í surgiu em 1844? é respondida. Lembremos do que os discípulos pediram a Jesus: “Dize-nos quando vai ser isso, e qual o sinal da tua Vinda e da consumação dos tempos” (Mateus 24:3).

Respondendo aos discípulos (Mateus 24:4-14), Jesus fala dos sinais da consumação dos tem-pos e de Sua vinda através de imagens simbólicas, tais como: guerras [conflitos espirituais, individuais e coletivos], fome [fome espiritual], terremotos [a insegurança causada pelo chão tre-mendo sob os pés], falsos profetas [aqueles que se aproveitam da insegurança e desviam o povo].

É verdade que essas alegorias espirituais podem também representar eventos no mundo físico. Todavia, a identificação tais eventos como os sinais preditos se afigura inconclusi-va, porquanto guerras, fome, terremotos e falsos profetas são infelizmente corriqueiros na história humana.

Logo a seguir, Jesus informa quando vai ser isso:

Quando, portanto, virdes a abominação da desolação, de que fala o profeta Daniel, instalada no lugar santo - que o leitor entenda! (Mateus 24:15)

Assim, o exame da visão de Daniel que fala da abominação da desolação é a chave para se saber quando Jesus voltaria. A passagem a que Cristo se refere é certamente aquela encontrada em Daniel 8:13-17, a qual revela com extrema clareza o período até o tempo do Fim, ou da consumação dos tempos, quando, então, Sua vinda ocorreria. Daniel relata que, em sua visão, um santo indagou a outro:

... Até quando irá a visão do sacrifício perpétuo, da desolação da iniqüida-de [a abominação da desolação], e do Santuário e da legião calcados aos pés?” (Daniel 8:13)

“Até duas mil e trezentas tardes e manhãs [dias, portanto]. Então será feita justiça ao Santuário.” (Daniel 8:14)

...

Gabriel, explica a este a visão! (Daniel 8:16)

Então ele me disse: Filho do homem, fica sabendo que a visão se refere ao tempo do Fim.”” (Daniel 8:17)

Utilizando os mesmos parâmetros que se confirmaram corretos para interpretar as pro-fecias de Daniel referentes ao Primeiro Advento de Jesus, o resultado será:

2300 anos contados a partir de 457 AC = 1844 DC

(ano “0” adicionado)

Comentários sobre a abominação da desolação, ou desolação da iniqüidade, e legião calcados aos pés serão feitos adiante, quando mencionarmos alguns aspectos do Islã.

O QUE OCORREU EM 1844 QUE PUDESSE REPRESENTAR O TEMPO DO FIM E O SEGUNDO ADVENTO DE JESUS?

O século XIX foi um momento de grande expectativa para os Cristãos que aguardavam com ansiedade a volta de Jesus, todos baseados nas mesmas interpretações que fazemos aqui. Muitos se desesperaram com a hipótese do fim do mundo, já que Jesus voltaria no tempo do fim. Inúmeras conferências e publicações trataram da expectativa messiânica. Missionários europeus correram o mundo pregando o Evangelho, já que isso era consi-derado requisito para a volta de Jesus. Surgiu o movimento Adventista liderado pelo pastor norte-americano William Muller. Enfim, o século XIX presenciou uma grande euforia que, depois de transcorrido o ano de 1844 DC sem que o Senhor voltasse da forma esperada, se transformou no que a história chamou de O Grande Desapontamento.

O que não foi observado é que naquele mesmo ano de 1844 DC, na Pérsia (hoje Irã), ou seja, no mesmo lugar onde Daniel diz haver percebido que estava ao ter a visão, em Su-sa, na província de Elam (Daniel 8:2, comentários adiante), um dinâmico movimento reli-gioso irrompia em torno de um jovem que afirmava ser Aquele Prometido, o Báb (em árabe, a Porta). Seu ministério durou 9 anos e arrastou multidões ao martírio pelo deses-perado clero Muçulmano que via seu poder temporal ameaçado pelo Jovem Iluminado. O Báb foi afinal Ele próprio martirizado em praça pública, num evento envolto por inú-meros sinais de Seu poder divinamente concedido.

É de se notar que o surgimento do Báb não pode ser entendido como uma tentativa de cumprimento forçado da profecia de Daniel, até porque o evento ocorreu no rígido mundo Islâmico Shiita da Pérsia do século XIX, onde a leitura, ou mesmo a posse, de qualquer livro que não fosse diretamente relacionado ao Corão era proibida. Assim, aqueles milhares que aceitaram apaixonadamente o Báb, a ponto de dar suas vidas por Sua Causa, não tinham conhecimento das expectativas messiânicas Cristãs.

Uma vez mais a Unidade Teológica se revela. É que, no Islã Shiita predominante no Irã, há uma profecia de que o 12º Imame, Muhammad al-Mahdí, considerado o legítimo su-cessor de Maomé e desaparecido no ano 260 AH (Anno Hegira), retornaria no Dia do Jul-gamento como um libertador. No Corão está escrito: No fim, subirão até Ele num dia que, para vossas medidas, equivale a mil anos. Ele é o vosso Senhor. (Corão 32-5, equivalente a 2 Pe-dro 3:8). Assim, a profecia era esperada para ocorrer no ano Islâmico de 1260 (260+1000), o qual, como comentaremos adiante, corresponde ao mesmo ano de 1844 DC.

O arquétipo do Mensageiro de Deus estava claramente presente na figura do Báb. Ele manifestava uma conduta nobre, ética, irrepreensível, um conhecimento inato e pene-trante, um carisma que atraia quem Dele se aproximava, e uma aceitação serena das provações e do martírio a que foi submetido. Exatamente como Moisés, Jesus e Maomé...

O Báb afirmava aos seguidores que o mais importante aspecto de Sua missão era como o de uma Porta, que se fechava para um ciclo de Revelações (o fim ou a consumação dos tempos) e se abria para um novo ciclo no qual um Grande Mensageiro logo iria se mani-festar - Bahá'u'lláh, literalmente, em árabe, a Glória de Deus. Estava inaugurada a Era Bahá'í. No ano e lugar predito, não somente por Jesus e Daniel como aqui explicitado, mas por dezenas de outros profetas, no Velho e no Novo Testamento e no Corão.

Gráfico produzido por estudiosos Cristãos do século XIX que já adotavam as mesmas interpretações aqui expostas

 sobre as profecias de Daniel. Representações similares são encontradas em diversos estudos teológicos da época.

Informações sobre o Islã, necessárias ao entendimento das visões a seguir:

A compreensão das visões a seguir depende de informação sobre alguns eventos históri-cos envolvendo a Fé Muçulmana. São eles:

A Proclamação de Maomé: Em 613 DC, após três anos de ministério, Maomé pro-clama Sua Missão de portador da Mensagem de Deus.

A Hégira de Maomé: Em 622 DC, a perseguição a Maomé se intensificou tanto que O obrigou a fugir de Meca para Medina. Esse evento marca o início do Calen-dário Islâmico, o Ano 1 da Hégira (representado como 1 AH).

A Trégua de al-Hudaybiyyah: Em 628 DC, a perseverança de Maomé e Seu já então grande número de seguidores, convence os poderosos idólatras de Mecca a aceitar uma trégua que permitisse aos Muçulmanos peregrinar à Kaaba ali locali-zada, o que representava o 5o Pilar do Islã. Essa trégua resultou em uma imediata e explosiva expansão do Islã. É neste momento que Maomé envia mensagens aos reinos vizinhos convidando-os a abraçar o Islã. Esse evento marca a legitimação do Islã pela obtenção de muitas e importantes conversões, e significou Sua vitória sobre os adoradores de ídolos.

Daniel 12:7 - “um tempo, tempos e metade de um tempo”

Em Daniel 11:40 até 12:13, outra visão sobre o Tempo do Fim é oferecida. Daniel relata que um homem indagou a outro: “Até quando o tempo das coisas inauditas?” (Daniel 12:6). A resposta foi: “Será por um tempo, tempos e metade de um tempo” (Daniel 12:7)

Utilizando o critério aceito pelos estudiosos bíblicos: um tempo é igual a 1 ano, tempos corresponde a 2 anos e meio tempo significa 6 meses. Teremos, então, 3 anos e 6 meses, ou 42 meses, ou 1260 dias. Assim, o período das coisas inauditas será de 1260 anos.

É interessante notar que, referindo-se também ao Tempo do Fim, as visões de João no Li-vro do Apocalipse indicam igual período: “Quanto ao átrio externo do Templo, deixa-o de lado e não meças, pois ele foi entregue às nações que durante quarenta e dois meses calcarão aos pés a Cidade santa.” (Apocalipse 11:2). E, então, no versículo seguinte, é dito: “Às minhas duas testemunhas, porém, permitirei que profetizem, vestidos de saco, durante mil duzentos e sessenta dias.” (Apocalipse 11:3). Assim, São João, além de confirmar os 1260 dias encon-trados em Daniel 12:7, introduz um novo elemento à profecia – as duas testemunhas.

Já temos, então, como entender que o término do período de 1260 anos significará o fim das coisas inauditas e que esse momento coincidirá com o fim da legião calcada aos pés. O entendimento geral dessas expressões é o de que coisas inauditas correspondem à abomi-nação de desolação, ou à desolação da iniqüidade, um sacrilégio desolador. Já a legião calca-da aos pés se refere ao “povo santo”, os Judeus expulsos de sua Cidade Sagrada e, assim, impedidos de professar plenamente sua fé.

Alguns estudiosos Cristãos entendem que a desolação se refere a Antiochus IV, rei da di-nastia Seleucid que conquistou Jerusalém em 167/168 AC e colocou a estátua de um ído-lo pagão sobre o altar do Templo. Contudo, esse sacrilégio não durou 1260 dias e muito menos 1260 anos, como profetizado.

'Abdul-Bahá esclarece que a abominação da desolação se refere ao que sobreveio ao Islã lo-go a partir de seu início. Uma dinastia despótica e iníqua, os Umayyads que, simulando uma conversão, usurpou o poder e levou os Muçulmanos a inúmeros conflitos e derra-mamento de sangue, efeitos que acompanharam o Islã até o Tempo do Fim (1844 DC).

Quem são as duas testemunhas vestidas de saco mencionadas por João? Um rápido exame do Islã mostra com que veemência Maomé e Ali dão testemunho de Jesus, Moisés e do Deus único, além de ratificar os profetas do Velho Testamento e os personagens mais significativos do Novo Testamento - Maria e José. A Lei e o estilo de vida que Maomé impôs a seus seguidores era severo como aquele imposto aos Judeus da época de Moisés, ou seja, um discurso à moda antiga, quando a vestimenta usual era como sacos.

Como dissemos anteriormente, o ano 1260 do calendário Islâmico corresponde exata-mente ao ano 1844 do calendário Gregoriano. Ora, então as duas testemunhas (Maomé e Ali) testemunharam por 1260 anos, vestidas de saco (à moda antiga), sob a abominação da desolação causada pelos Umayyads. Assim, só resta saber o que ocorreu em 1844 DC aos Judeus, o povo santo, a legião dos calcados aos pés, para o completo entendimento das profecias até aqui analisadas.

No mesmo exato ano santo de 1844 DC, em 21 de março, no equinócio da primavera no hemisfério norte, ocorreu o maior evento da história Judaica dos dois últimos milênios: o governo Turco-Otomano, que na época dominava grande parte do Oriente Médio, inclu-indo a região da Palestina, emitiu o famoso Édito de Tolerância que permitiu aos Judeus seu retorno à Terra Santa, o que era imperativo para a vida espiritual do povo santo.

Daniel 12:11 - “haverá 1290 dias”

Ainda no mesmo contexto, a visão oferece uma outra informação a Daniel, cuja inter-pretação tem sido negligenciada pela maioria dos estudiosos. A visão diz: “A contar do momento em que tiver sido abolido o sacrifício perpétuo e for instalada a abominação da desola-ção haverá mil duzentos e noventa dias.” (Daniel 12:11)

A abolição do sacrifício perpétuo é entendida como sendo o término do período da Revela-ção de Jesus, que ofereceu a si próprio em sacrifício, a Crucificação, para expiar os peca-dos do povo santo e livrá-lo da incumbência de oferecer animais em sacrifícios no Tem-plo. Com a Proclamação de Maomé em 613 DC, estava consumado o tempo do sacrifício de Jesus e, portanto, abolido o sacrifício perpétuo.

A abominação da desolação, como já vimos anteriormente, foi instalada desde o início da Revelação de Maomé pelos iníquos Umayyads que usurparam o poder sobre o Islã.

Os 1290 anos devem ser então contados a partir da Proclamação de Maomé, o momento em que é abolido o sacrifício perpétuo e é instalada a abominação da desolação. Esses 1290 anos devem ser entendidos como anos lunares, já que assim era, e ainda é, contado o tempo no lugar e na época do desfecho desse período (Pérsia do século XIX). Assim, os 1290 anos lunares, contados a partir da Proclamação de Maomé em 613 DC, nos levam a 1863 DC – o ano da Proclamação de Bahá'u'lláh, aquele que o Báb havia anunciado como o Grande Mensageiro do novo ciclo recém inaugurado.

Daniel 12:12 - “1335 dias”

Imediatamente após predizer a Proclamação de Bahá'u'lláh no versículo acima, a visão de Daniel informa. “Bem-aventurado aquele que perseverar, chegando a mil trezentos e trinta e cinco dias.” (Daniel 12:12). O texto é claramente uma continuação do versículo anterior, cujo tema é a Revelação de Bahá'u'lláh.

Os 1335 anos, contudo, devem agora ser entendidos como anos solares, já que esse é o sistema de contagem de tempo utilizado no momento e lugar onde término do período se dá. Assim, contando 1335 anos a partir da Trégua de al-Hudaybiyyah de 628 DC, chegamos a 1963 DC (628+1335), o ano do estabelecimento da Casa Universal de Justiça no Monte Carmelo, em Israel, o grande marco da expansão global da Fé Bahá'í, exatamente no ano do centenário da Proclamação de Bahá'u'lláh.

Conclusão

É notável como as profecias de Daniel permeiam a Era Judaica, a Era Cristã, a Era Mu-çulmana e a Era Bahá'í. Seu entendimento, como aqui mostrado, depende do conheci-mento e aceitação sincera da verdade de cada uma dessas etapas do Plano de Deus. É o que queremos dizer com o titulo deste ensaio: Unidade Teológica, um enfoque com o poder de unificar a humanidade pela eliminação das tensões e conflitos religiosos.

 

 

v

POR QUE A FÉ BAHÁ’Í SURGIU NA ANTIGA PÉRSIA, ATUAL IRÃ?

Sem o conceito de Unidade Teológica, os adeptos de cada  sistema religioso espera ver o cum-primento da profecia da volta do Mensageiro de Deus no mesmo lugar em que acreditam que Ele surgiu pela primeira vez, ou pelo menos na mesma região, ou ainda em algum lugar que considerem sagrado. Contudo, tal não sucedeu em nenhuma das Manifestações anteriores. Moisés não surgiu na Mesopotâmia de Abrão, mas no Egito. Jesus não surgiu no Egito de Moisés, mas na Palestina. Maomé não veio da Palestina de Jesus, mas da Arábia (hoje Saudi-ta). Assim, tal expectativa não encontra amparo na história religiosa e não integra, portanto, o arquétipo do Manifestante de Deus.

O lugar da Manifestação é o indicado pelas profecias respectivas. É como se Deus quisesse que somente os crentes sinceros, aprofundados na Palavra, pudessem saber onde e quando esperar. Assim sucedeu em cada uma das Manifestações do passado. A vinda de Jesus, por exemplo, era aguardada pelos estudiosos Judeus e Zoroastristas, os Reis Magos (Mateus 2:1-11) que sabiam onde e quando procurá-lo. O mesmo ocorreu com o Báb, cujo surgimento era es-perado pelos estudiosos islâmicos da escola de Shaykh Ahmad, que O encontraram no tempo e lugar profetizados.

É claro que os líderes religiosos de cada época, muitos deles cheios de orgulho por sua posi-ção na sociedade e preocupados com a manutenção de seu poder temporal, outros mesmo por simples ignorância, cuidam de entender tais profecias da forma que se lhes apraz e, com a antiga desculpa de estar protegendo o rebanho, acabam representando um poderoso obs-táculo ao reconhecimento do novo Manifestante de Deus por aqueles de coração puro. Assim foi, na época de Moisés, de Jesus, de Maomé, do Báb e de Bahá'u'lláh.

O lugar do Advento Bahá'í está predito em diversas profecias bíblicas, das quais destacamos as que nos parecem mais diretas:

v   O profeta Jeremias, em Oráculos contra as Nações, especificamente no Oráculo contra Elam (província da antiga Pérsia, hoje Irã) diz: “Eu (Deus) estabelecerei o meu trono em Elam e exterminarei ali reis e príncipes – oráculo de Iahweh. (Jeremias 49:38-39). O lugar do trono é a sede do poder. Assim, Jeremias está se referindo ao lugar de onde emanaria a Manifestação de Deus.

v  Em Daniel 8:1-2, onde é introduzida a visão dos 2300 anos que, como vimos a anterior-mente, recaem sobre o Advento Bahá'í, o profeta diz: “No terceiro ano do Reinado de Bal-tazar, tive uma visão, eu Daniel, depois daquela que tivera anteriormente. Eu contemplava a visão. E enquanto contemplava, encontrava-me em Susa, a praça forte situada na província de Elam...”. Susa é a antiga capital de Elam (Pérsia, hoje Irã) e seus limites incluíam a mes-ma região onde nasceu o Báb e onde Ele proclamou Sua Missão.

v

POR QUE O NOVO MANIFESTANTE DA VONTADE DIVINA DE CHAMA BAHÁ’Ú’LLÁH?

Bahá'u'lláh se traduz literalmente da língua árabe como Glória de Deus. Embora essa ex-pressão, esse título, seja muito empregado nas Escrituras Judáico-Cristã, foi no mundo Islâ-mico que Bahá'u'lláh Se manifestou. Isso evidencia uma vez mais a Unidade Teológica e o caráter unificador da Revelação Bahá’í, onde o Islã, o Cristianismo e o Judaísmo, além de ou-tros sistemas religiosos, são entendidos e aceitos como uma só Religião, uma só Fé.

Tanto o Velho como o Novo Testamento dedicam inúmeras citações ao advento futuro da Glória de Deus, da Gloria do Pai, da Glória de Iahweh. Algumas dessas citações se referem a uma volta, outras indicam uma aparição espetacular, o que obviamente sugere um simbo-lismo para representar um espetáculo de natureza espiritual, e não um show de luzes e cores. Em nenhuma das vindas (ou voltas) do Mensageiro de Deus no passado houve um espetácu-lo que chamasse a atenção de todos. Concordamos, todavia, que aqueles que Os reconhece-ram viveram tal emoção que nenhum espetáculo físico rivalizaria.

Apenas para citar algumas profecias relativas à vinda da Glória de Deus, transcrevemos:

“A glória do Líbano lhe será dada, bem como a beleza do Carmelo e do Saron. Eles verão a glória de Iahweh, o esplendor do nosso Deus.” (Isaias 35:2)

“Então a glória de Iahweh há de revelar-se e toda carne, de uma só vez, o verá, pois a boca de Iahweh o afirmou.” (Isaias 40:5)

“A cidade não precisa do sol ou da lua para a iluminarem, pois a glória de Deus a ilu-mina, e sua lâmpada é o Cordeiro.” (Apocalipse 21:23)

“De fato, aquele que, nesta geração adúltera e pecadora, se envergonhar de mim e de minhas palavras, também o Filho do Homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos e anjos.” (Marcos 8:38)

Algumas das declarações do Báb e do próprio Bahá'u'lláh, como as que citamos a seguir, con-firmam o caráter espiritualmente espetacular de Seu Advento:

“Quando o Sol de Bahá (Glória) brilhar resplandecente acima do horizonte da eterni-dade, vos incumbirá apresentar-vos diante de Seu Trono”. Deveis Lhe pedir os admi-ráveis sinais de Seu favor, para que Ele, benevolamente, vos revele o que Ele quiser e desejar, desde que, nesse Dia, todas as revelações da graça divina haverão de circundar o Assento de Sua Glória e emanar de Sua presença - pudésseis vós apenas compreendê-lo”. (Seleção dos Escritos do Báb, Editora Bahá'í do Brasil)

“Por Deus! Este é o Mais Amado em todos os mundos, mas ainda não compreendeis is-so! Ele representa a Formosura de Deus entre vós e o poder de Sua Soberania em vosso meio - saberíeis se vos fosse dado entender! Este é o Mistério de Deus e Seu Tesouro, a Causa de Deus e Sua Glória, para todos os que estão nos domínios da Revelação e nos reinos criados - saberíeis se estivésseis entre aqueles que percebem!” (Bahá'u'lláh, O Chamado do Senhor das Hostes 1:7, Editora Bahá'í do Brasil)

v

POR QUE O PROFETA-ARAUTO QUE ANUNCIOU A VINDA DE  BAHÁ’U’LLÁH SE CHAMA BÁB (PORTA)?

Em João 10 (a parábola do bom pastor), por exemplo, Jesus disseca o tema e não deixa dúvi-da do significado de “Porta” que justifica o nome do Profeta-Arauto de Bahá'u'lláh. Ele diz:

“Em verdade, em verdade, vos digo: quem não entra pela porta do redil das ovelhas, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante; o que entra pela porta é o pastor das ovelhas. A este o porteiro abre: as ovelhas ouvem a sua voz e ele chama as suas ovelhas uma por uma e as conduz para fora. Tendo feito sair todas as que são suas, caminha à frente delas e as ovelhas o seguem, pois conhecem a sua voz. Elas não seguirão um es-tranho, mas fugirão dele, por que não conhecem a voz dos estranhos.” (João 10:1-5).

Jesus segue explicando que “... eu sou a porta...” (João 10:7)

Jesus continua com o tema e diz: “Eu sou o bom pastor: o bom pastor dá a vida pelas suas ove-lhas.” (João 10:11). Assim como Jesus, o Báb deu Sua vida pelas Suas ovelhas. Seu martírio foi por Ele consentido e constituiu a prova de Sua condição de bom pastor. Esse evento, ocorrido em meados do século XIX (1853 DC), foi noticiado pela imprensa da época, não restando dú-vidas de seu caráter marcante e seu significado místico.

Mais adiante, ainda na parábola do bom pastor, Jesus expande o significado de Suas palavras e, referindo-se ao futuro, diz:

“Tenho ainda outras ovelhas que não são deste redil: devo conduzi-las também; elas ou-virão a minha voz; então haverá um só rebanho, um só pastor.” (João 10:16)

A razão do nome Báb (literalmente, em árabe, Porta) se apresenta, assim, como óbvia. Ele não Se identificava diretamente como o bom pastor, embora também o fosse, mas como a Porta por onde entraria o bom pastor – Bahá'u'lláh, a Glória de Deus, cuja voz vem sendo reconheci-da por milhões de ovelhas de todos os redis do mundo. A Unidade Teológica propiciada pelos ensinamentos de Bahá'u'lláh atende à profecia de que haverá um só rebanho, um só pastor.

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POR QUE O CENTRO MUNDIAL BAHÁ’Í FICA NA TERRA SANTA (ISRAEL), NO MONTE CARMELO?

É consenso entre Judeus e Cristãos o caráter sagrado do Monte Carmelo. Algumas dezenas de profecias encontradas no Velho Testamento mencionam o local diretamente, enquanto ou-tras tantas são assim entendidas. Entre as que mencionam o Carmelo de forma direta, desta-camos aquela de Isaias que diz:  “... A glória do Líbano lhe será dada, bem como a beleza do Car-melo e do Saron. Eles verão a Glória de Iahweh, o esplendor do nosso Deus.” (Isaias 35:2).

No Seu último exílio, em 1868 DC, Bahá'u'lláh foi aprisionado na Fortaleza de Akka, ou Acre, uma fortificação ao norte de Israel de hoje, na fronteira com o Líbano, local muito próximo do Monte Carmelo e da planície de Saron.

Com o transcorrer dos anos de encarceramento (de 1868 DC a 1892 DC), os próprios carcerei-ros de Bahá'u'lláh, fascinados por Sua influência divina, não mais impediam que Ele saísse para longos passeios pela região. Assim, a beleza do Carmelo e do Sarom puderam ver a Glória de Deus. Nessas jornadas, Bahá’u’lláh costumava armar Sua tenda no Monte Carmelo para descanso. Em uma dessas oportunidades, acompanhado por Seu filho 'Abdul-Bahá, Ele apon-tou o lugar onde deveria ser edificado o Santuário do Báb. A foto abaixo mostra o Santuário no exato local indicado por Bahá'u'lláh na Montanha de Deus, o Monte Carmelo.

Image:TerracesBenGurion2.jpg

Embora sagrado para Judeus e Cristãos, o Monte Carmelo, palco da saga de Elias e de sua vi-tória sobre os profetas de Baal, onde também se encontra a famosa Gruta de Elias, parece que Deus reservou aos Bahá'ís a honra do estabelecimento de sua glória. A partir da iniciativa e coordenação de 'Abdul-Bahá, a Comunidade Bahá'í, sem qualquer ajuda externa, seja de go-vernos ou de qualquer outra organização não-Bahá'í, adquiriu a propriedade de grande par-te do Monte Carmelo para trazer ao mundo a Nova Jerusalém, a Jerusalém Celestial.

Ainda sem qualquer ajuda externa, os Bahá'ís construíram no Monte Carmelo uma obra ar-quitetônica espetacular. São os famosos prédios do Centro Mundial Bahá'í, a sede da Casa Universal de Justiça e o Santuário do Báb, tudo envolto por maravilhosos jardins suspensos que se tornaram destino obrigatório dos que visitam Israel. O lugar recebe também intensa peregrinação de Bahá'ís de literalmente todo o mundo, além de constantes visitas de chefes de estado e outras autoridades.

Na Epístola do Carmelo, Bahá'u'lláh diz:

“Toda glória a este Dia, o Dia em que as fragrâncias da misericórdia manaram sobre todas as coisas criadas, um Dia tão abençoado que as eras passadas e os sé-culos idos não podem esperar jamais o rivalizar, um Dia em que o semblante do Ancião dos Dias se volve para Sua sede santa. Com isso se fizeram ouvir as vozes de todas as coisas criadas e, além delas, as da Assembléia nas Alturas, clamando: “Apressa-te, ó Carmelo, pois eis, a luz do Semblante de Deus, - Quem rege o Rei-no dos Nomes e moldou os céus - sobre ti se ergueu”...”

“Rende tu agradecimentos a teu Senhor, ó Carmelo. O fogo de tua separação de Mim rapidamente te consumia, quando ante a tua face surgiu o oceano de Minha presença, alegrando teus olhos e os de toda a criação, e enchendo de deleite todas as coisas visíveis e invisíveis. Regozija-te, pois Deus, neste Dia, sobre ti estabele-ceu Seu trono, te fez o ponto do alvorecer de Seus sinais e a aurora das evidências de Sua Revelação. Bem-aventurado quem a teu redor circula, quem proclama a re-velação de tua glória e relata o que a generosidade do Senhor teu Deus fez sobre ti chover. Segura tu o Calix da Imortalidade em nome de teu Senhor, o Todo-Glo-rioso, e a Ele rende graças, desde que, como sinal de Sua misericórdia a ti, trans-formou em alegria tua tristeza e em júbilo estático teu pesar. Em verdade, Ele ama o lugar que se fez a sede de Seu trono, que Seus pés pisaram, ao qual foi con-ferida a honra de Sua presença, donde ergueu Seu chamado e sobre qual derra-mou Suas lágrimas.”

“Chama Sião, ó Carmelo, e anuncia as jubilosas novas: Veio Aquele que estava o-culto dos olhos mortais! Está manifesta Sua soberania predominante; revela-se Seu esplendor que a tudo abrange. Acautela-te, para que não hesites, nem pares. Apressa-te a sair e circundar a Cidade de Deus que se fez baixar do céu, a Kaaba celestial a cujo redor têm circulado, em adoração, os favorecidos de Deus, os pu-ros de coração, e a companhia dos mais excelsos anjos. Oh, quanto Eu anseio por anunciar a todo lugar na superfície da terra e levar a cada uma de suas cidades as boas novas desta Revelação – uma Revelação à qual o coração do Sinai se sentiu atraído e em cujo nome clama a Sarça Ardente: - “A Deus, Senhor dos Senhores, pertencem os reinos da terra e do céu”. Verdadeiramente, este é o Dia em que tan-to a terra como o mar se regozijam por causa desse anúncio, o Dia para o qual fo-ram guardadas aquelas coisas que Deus, por uma graça além da compreensão de qualquer mente ou coração mortal, destinou à Revelação. Em breve fará Deus navegar sobre ti Sua Arca, e tornará manifesto o povo de Bahá que o Livro dos nomes mencionou.”...” (Epístolas de Bahá'u'lláh, Ed. Bahá'í do Brasil, pág. 11-13)

Sede da Casa Universal de Justiça, no Monte Carmelo, Haifa, Israel

 

CONCLUSÃO

A Unidade, em todos os seus aspectos, é tema central da Revelação Bahá'í. Não somente a Unidade Teológica como apresentamos neste ensaio. É um chamado ao reconhecimento de que as barreiras que historicamente separaram a humanidade em grupos étnicos, religiosos, políticos, sociais, etc., foram removidas e não mais se justificam. Os meios de transporte e comunicação de nosso tempo tornaram possível o estreitamento dos laços entre todos os fi-lhos de Deus. A ciência genética demonstra sermos uma só raça. Todos os pressupostos para a Unidade do Gênero Humano estão agora disponíveis.

A organização social vem se tornando cada vez mais abrangente, desde o sistema Patriarcal de Abraão, passando pela organização em Tribos da época de Moisés, pelas Cidades-Estado do tempo de Jesus,  pelo estabelecimento de Nações a partir de Maomé. É chegada a hora de mais um salto – “...a Terra é um só País e os seres humanos seus cidadãos” (Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, Ed. Bahá'í do Brasil). Assim, o conceito de Unidade Teológica, eleva o estudo do Fe-nômeno Religioso a um patamar antes inspensado – uma identidade religiosa completa e glo-bal, uma reconciliação entre os filhos de Deus em uma só Causa, da qual incontáveis benefí-cios ao progresso da humanidade advirão.

Bahá'u'lláh afirma:

“... o bem-estar da humanidade, sua paz e segurança, são inatingíveis, a não ser que, primeiro, se estabeleça firmemente sua unidade.

 (Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh, CXXXI, Ed. Bahá'í do Brasil)