UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM



 

Excertos de uma inspiradora carta de
May Maxwell a Agnes Alexander






"Para todos aqueles cujos corações ela tão profundamente sensibilizou, a tristeza que esta perda irreparável traz será, no tempo devido, amenizado com a compreensão da alegria que ela estará usufruindo através de sua reunião com o Guardião e com o Mestre, o Qual, Ele próprio, orou no Santuário Mais Sagrado, para que seus pais fossem abençoados com uma criança. Através dos séculos vindouros, os seguidores de Bahá’ú’lláh irão contemplar com deslumbramento e gratidão, a qualidade dos serviços – sempre ardorosos, incansáveis, expeditos – que ela trouxe para a proteção e promoção da Causa."

-- A Casa Universal de Justiça, 19.1.2000


 Excertos da tradução para o português dessa inspiradora carta escrita pela mãe de Amatu'l-Bahá Rúhíyyih Khanum, May Maxwell para a também Mão da Causa de Deus Agnes Alexander:

------------------------------------------------------------------------------------------

243 W. 44th St.
N.Y. City

7 de maio (1909)

Minha queridíssima Agnes,

Todas as suas cartas foram recebidas. . . . Você deve ter estranhado que eu pudesse permanecer tão silenciosa apesar de todo o seu amor e bondade, mas você compreenderá ao lhe contar que este inverno foi um de grande fraqueza física e sofrimento para mim, de modo que quase sempre não tenho podido escrever, ou fazer qualquer esforço. Há um pouco mais de um ano, quando estava em Akká, estava passando um anoitecer na penumbra em frente a porta do Mestre. Sua filha, Rouha, estava comigo e nos meus braços eu segurava seu bebêzinho. De repente eu vi nosso amado Senhor emoldurado na porta me olhando atentamente -- então Ele falou -- "você ama este bebê?" "Ó! Eu o amo", respondi -- e após uma pausa nosso Senhor falou: "Venha cá, entre aqui," e eu fiquei diante dEle, no quarto dEle com o bebê em meus braços e Rouha a meu lado. Então, o Abençoado sentou-se olhando para nós; e disse para mim: "Você gostaria de ter um bebê!" e eu respondi, "Eu seria tão feliz em ter um" -- e Ele disse, "Você sabe porque nunca teve um? É porque você foi uma serva escolhida de Deus -- você foi chamada para o serviço de Deus -- você não podia ter filhos porque tinha que devotar seu tempo ao serviço da Causa. Esta é a única razão -- esta é a única razão."
Fiquei com a cabeça abaixada ante Ele e após um silêncio Ele disse: "Diga que você escolhe ter uma criança, pode escolher!" Então olhei para Ele com todo o meu coração e alma em adoração e disse, "Eu escolho o que Deus escolhe -- não tenho escolha senão Dele." Embora aquelas palavras fossem muito simples em si, eu renunciei toda esperança de maternidade. Então 'Abdu'l-Bahá levantou-Se rapidamente e veio a mim e abraçou-me em Seus braços com o maior amor e alegria, e Ele disse: "Esta é a melhor escolha, a Vontade de Deus é a melhor escolha -- "e andando de um lado para o outro continuou, "Orarei por você, que Deus lhe mande o que for melhor para você." "Tenha certeza disso, que Deus lhe mandará aquilo que for melhor para você -- "e isso Ele repetiu diversas vezes.
Assim, terminou esta inesquecível cena -- porém não posso descrever a sua realidade -- o profundo significado daqueles momentos -- o ambiente de beleza e santidade que permeou aquele pequeno quarto -- a entrega de uma alma na Presença do Senhor -- o crepúsculo tranqüilo na terra mesclando-se com pureza e paz refulgente do Reino de Deus. E sobre o Adorado mesmo -- o que podemos dizer? Tal amor -- tal amor maravilhoso -- revelado na Face e Voz e Olhos e Toque! Um amor tão suave para compreender, tão forte para redimir! Ele desejou para mim como para todos, o mais elevado e melhor -- não o desejo mortal desviado -- nem mesmo os desejos naturais humanos -- nem mesmo a pura flor da maternidade -- mas a entrega da alma para Deus pelo qual unicamente o ápice de desprendimento e santidade, e se torna aceso com o Fogo do Amor Eterno.
E assim lhe contei, minha Agnes -- sobre uma cena daqueles dias divinos e perfeitos no Reino de Deus -- e eventualmente espero contar-lhe tudo -- pois aqueles dias vivem para sempre, muito acima do mundo -- e eu almejo que você e todos os queridos compartilhem seus frutos sagrados. E agora, minha querida, eu vou lhe confiar um segredo que é a seqüência do que eu lhe contei. Nosso querido Senhor favoreceu Sua serva além de todas as suas esperanças, e pelas puras chuvas de Sua benção irrigou a semente da vida, e está trazendo uma criança. Em alguns meses, se Deus quiser, o bebê que Ele está enviando para meu marido e para mim nascerá, e peço suas orações, tanto para o bebê como para mim -- pois eu não sou forte -- nem jovem! E físicamente estou atravessando algumas provas -- e neste inverno eu tive um tombo que quase foi fatal. Não contei para os amigos -- nem mesmo os mais íntimos -- mas eu queria que você soubesse -- e sei que você manterá minha confidência.

***************************

Em uma carta de 2 de março de 1911 May Maxwell escreveu:

Em uma epístola recente Ele ('Abdu'l-Bahá) disse, referindo-se a ela (o bebê de May):

"No jardim da existência uma rosa desabrochou com o máximo frescor, fragrância e beleza. Eduque-a de acordo com os ensinamentos divinos para que ela possa crescer sendo uma verdadeira bahá'í e empenhe-se com todo teu coração, para que ela possa receber o Espírito Santo."
. . . Você guardou meu segredo tão bem -- e ninguém soube até que a natureza o proclamou e todos estavam tão felizes na vinda da criança dada por Deus."

Fim da tradução