UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM



 

 

Amazonas


            16 de agosto de 1996, sexta-feira - Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum e sua comitiva desembarcam no Aeroporto Internacional de Manaus. Recepcionada na sala vip do Aeroporto, alunos da Escola Vocacional Bahá’í Masrour oferecem um buquê de rosas à Amatu’l-Bahá e à Sra. Nakhjavani. Um membro da Assembléia Espiritual Local de Manaus dirige palavras de boas-vindas a Ruhíyyih Khanum e sua distinta comitiva.
            Neste mesmo dia em que Amatu’l-Bahá chega em Manaus, a Assembléia Legislativa do Estado do Amazonas sancionou uma lei reconhecendo o dia 21 de março, Naw-Ruz, como um Dia Sagrado Bahá’í isentando todos os bahá’ís, adultos, jovens ou crianças de neste dia terem que ir ao trabalho ou frequentarem as escolas.
            17 de agosto de 1996, sábado - Ruhíyyih Khanum viaja para Iranduba onde 150 amigos bahá’ís a esperam. Estão reunidos no Instituto Rural Djalal Eghrari em uma Conferência Regional de Ensino especialmente convocada. A assistência inclui indígenas provenientes da tribo Munduruku. Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum aborda o destino dos povos indígenas e o poder que possuem para influenciar na evolução da humanidade. Nesta sua viagem a Iranduba, em um barco especialmente oferecido pelo Governo do Estado do Amazonas, Ruhíyyih Khanum teve a oportunidade de rememorar suas experiências ao viajar pelo rio Amazonas.

            Em Iranduba, na Conferência de Ensino, ela pronunciou o seguinte discurso:

            "Vocês podem me ouvir? Isso está funcionando? É uma alegria muito grande para mim estar aqui hoje, junto com minha companheira Sra. Nakhjavani e minha prima, Sra. Mary Walker, que está viajando comigo, de poder estar aqui no Amazonas, nesse rio maravilhoso e nesta floresta tão extraordinária. Muitos dos amigos aqui hoje são indígenas, são originários desse país. Eu não sei se eles têm conhecimento da promessa de ‘Abdu’l-Bahá, o filho do Fundador desta Fé.
            Quando os amigos indígenas das Américas, ou seja, esses amigos que aqui estão hoje, se levantarem  para ensinar a Fé de Deus, eles serão uma causa da iluminação de todo o mundo.
            Vejam, as Américas são aquilo que nós chamamos o Novo Mundo. A Europa, a Ásia, este é um mundo antigo. Mas as Américas são o novo continente que foi incorporado às nações do mundo. E quem são as pessoas do novo mundo, não sou eu e não é ele (se referindo ao tradutor). São os índios.
            E quando ainda criança eu descobri que não era uma indígena do Canadá, eu costumava sentar e chorar e dizer “porque, Deus, tu não me fizeste uma índia?”. Então o melhor que eu podia fazer era amar os índios e estar com eles, no Canadá, nos Estados Unidos, na América Central e na América do Sul. E muitos anos atrás os índios do Canadá me deram um nome: “a mãe do Canadá”. Eu estou muito feliz de estar aqui com vocês, vocês são bahá’ís ou conheceram bahá’ís e muitos de vocês estão frequentando a escola bahá’í e eu quero lhes dizer o seguinte. Basicamente, a questão é essa: que esse continente, esse continente das Américas é fundamentalmente, algo que é dos indígenas.
            E um homem branco veio para esta parte do mundo, veio com seu dinheiro, seu poder, tudo que ele representava de uma forma exterior, aparentemente, ele conquistou as Américas. Pela força militar, pelo poder financeiro, pela sua cultura, ele, aparentemente, conquistou as Américas. Mas a base sempre permaneceu. Os rios permaneceram, as florestas permaneceram e os índios permaneceram. E eu estou muito alegre, muito feliz de que existem amigos indígenas nessa reunião e que eu possa dizer a eles aquilo que eu sinto no meu coração. Da raça branca, nós brancos somos  seus irmãos. Porém, viemos de outro mundo e de outra cultura. Vocês são os povos das Américas.
            Vocês são os amigos da América do Sul, central e norte que tem essas raízes profundas dentro desse território.
            Nós somos todos irmãos e irmãs. Mas não estou falando realmente sobre este aspecto. Eu estou falando de que os povos indígenas das Américas devem se levantar a ensinar a Causa de Deus a seus irmãos e, por que não, aos homens brancos? E de muitas formas, os amigos índios têm muito mais poderes que os homens brancos.
            Primeiro, o poder que emana do fato de que vocês têm suas raízes iguais a estas grandes árvores das florestas profundamente colocadas dentro desse continente.
            Segundo, é que vocês têm a promessa dentro das escrituras bahá’ís do poder que lhe foi dado por Bahá’u’lláh, com sua promessa. A promessa feita por ‘Abdu’l-Bahá, o filho de Bahá’u’llah, fundador desta Fé, de que se vocês, os amigos indígenas se levantarem para abraçar e ensinar esta Causa, vocês iluminarão todo o mundo. Esta é a garantia espiritual que lhes foi dada.
            Esta é a coroa que foi colocada em suas cabeças.
            E eu estou feliz de que eu possa estar aqui, no meio da floresta amazônica e dizer isso a muitos dos amigos que estão aqui hoje e que são os índios nativos desse país. Ensinai a Fé Bahá’í, permiti que as pessoas saibam que vocês são bahá’ís. Ensinai a vosso povo. Ide a floresta e levai estes ensinamentos, estas mensagens para as tribos que estão na florestas, ensinai a eles a respeito disso. Por que que eles não podem ser bahá’ís?
            Vocês sabem que a Fé Bahá’í teve a sua origem há mais de cem anos, no Irã. E quando a Fé Bahá’í começou no Irã, no meio desse povo muçulmano e muito fanático e uma das pessoas que se levantou para divulgar esses ensinamentos era um homem muito humilde um homem cuja função na praça do mercado era peneirar o trigo. Ele não era educado, ele não tinha dinheiro, ele era um membro muito humilde da sociedade. Então as pessoas da região do Irã, se reuniram para eliminar os bahá’ís, eles disseram “esta é uma nova verdade espiritual e isso é perigoso para nós” e se      juntaram e decidiram eliminar a todos os bahá’ís. E lembrem-se isso faz mais de 100 anos, não é assim hoje em dia. Nessa história da Fé Bahá’í, lembrem-se é uma história do passado e eu tenho dentro dessa história duas figuras especiais que me atraem. Muitos destes amigos da história inicial da Fé eram professores de universidades, pessoas muito educadas, mas eu tenho dois entre eles que eu gosto de recordar, em especial.
            Era um homem, que como eu havia citado, trabalhava no mercado e que peneirava o trigo. Ele jogava para cima o trigo, para que a casca o vento levasse e o trigo permanecesse na peneira.
            E essas pessoas que tinham as suas origem na religião Islã, eles lá dentro da religião era permitido lutar para defender a sua fé, então essas pessoas, os primeiros bahá’ís que eram originalmente muçulmanos e haviam se tornado bahá’ís, eles também acreditavam que podiam dar sua vida para defender sua religião. Eu me recordo que daqueles dias, no século passado, mais de 20 mil pessoas, babís, deram suas vidas pela sua Causa.
            A segunda pessoa que eu admiro muito dentro dessa história é uma mulher. Era uma mulher iraniana, uma mulher persa e ela tinha cabelos negros muitos compridos como as índias. Desde o início da religião muçulmana e fazem 1400 anos que a religião muçulmana foi estabelecida, dentro da religião, as pessoas tinham o direito de lutar para defender a sua religião, porém não é assim dentro da Fé Bahá’í. Bahá’u’lláh não nos deu essa permissão. E vendo o belo cabelo negro dessas senhoras indígenas veio à minha memória novamente esta história. Essa senhora de cabelos negros que eu admiro tanto estava em um desses lugares lutando para defender a vida dos bahá’ís que estavam sendo perseguidos e mortos pelos preconceitos que existiam naquela época e a única coisa que eles tinham era um pequeno canhão, um canhão era a única arma que eles tinham. Usando esse canhão, esse canhão começou a ter uma rachadura no cano e é óbvio que se rachasse o cano eles não poderiam usar mais o canhão para se defender. E essa senhora iraniana que tinha esse lindo cabelo negro, então vendo isso cortou o seu cabelo e amarrou o cabelo ao redor do cano do canhão, para que o canhão pudesse continuar sendo usado. Isso faz parte das origens da Fé Bahá’í, das raízes da Fé Baha’í.
            Agora não nos matam mais, não atiram mais em nós. Agora fazemos parte das Nações Unidas, como membros no consultivo, participamos da conferência, grandes conferências, através do mundo. Vindo aqui, no meio da floresta talvez nesse lugar tão belo com estas árvores, com todas essas coisas no meio da floresta me fez recordar esta parte da escola em nossa Causa. Através dos anos eu vi que tantos maravilhosos jovens bahá’ís, não só jovens bahá’ís entre 20 e 30  mas jovens bahá’ís maravilhosos entre 10 a 20. Bom vocês poderiam ser analfabetos ou um professor de  universidade ou saber só sua língua nativa ou saber cinco línguas diferentes, não importa. Eu creio que vocês devam saber isso, aqui existem muitos jovens e muitas crianças e eu creio que vocês devem saber disso que todos podem ensinar a Fé. Vocês podem utilizar o fato de que vamos ter essa conferência em Manaus, essa grande conferência com pessoas de diferentes partes do mundo, usar isso para ensinar a Fé Baha’í, porque os ensinamentos da Fé Bahá’í, os ensinamentos de Bahá’u’lláh, são a única salvação da humanidade.
            Vocês poderão dizer “minha família de crença teve hóspedes da semana passada de todas as partes do mundo, de diferentes partes do mundo e nós somos acreditados junto às Nações Unidas e somos de todas as partes do mundo e somos uma família muito feliz.” Nós podemos ter excelente publicidade nos jornais na televisão, mas isso não atinge a todas as pessoas, então os jovens podem levar essas idéias, o fato desta conferência, o fato dos acontecimentos hoje aqui e levar essas notícias para seus companheiros de classes, seus amigos das escolas, compartilhar essas notícias com todos eles.
            Sabem, eu sou um alto oficial graduado da Fé Bahá’í e venho do Centro Mundial da Fé. E sei muita coisa do que está acontecendo na Fé Bahá’í através das diferentes regiões do mundo. A Fé Bahá’í está crescendo, está aumentando o seu número de adeptos e ela está se erraizando cada vez mais, se solidificando cada vez mais, em todas as partes. Mas não temos número suficiente de  pessoas que saibam que a Fé Bahá’í existe. É aí que a juventude pode fazer uma diferença e me parece que eu estou vendo muitos jovens aqui nessa audiência. E vocês podem transmitir isso, podem dar a notícia da existência da Fé Bahá’í a seus amigos, a seus companheiros, com quem quer que seja do seu círculo de amizade, vocês podem compartilhar o fato da existência da Fé Bahá’í.
            Vocês podem o que quiserem, mas podem dizer, por exemplo, que nós somos um grupo de pessoas, que são amantes da paz, querem abolir os preconceitos, os extremos de riqueza e pobreza, vocês podem falar o que vocês quiserem. Vocês podem descobrir que conferências existiram, que os bahá’ís participaram e podem fazer menção disso. Todos nós temos grandes privilégios dentro da Fé mas, vejam, eu já sou uma pessoa de mais idade, vocês são jovens. Eu como pessoa de mais idade, também temos os mesmos privilégios, mas vocês são jovens e tem toda uma vida pela frente e tem esses privilégios e devem se utilizar deles.
            E eu espero que todas as pessoas aqui, e os jovens e as pessoas de mais idade, se utilizem dessa oportunidade, dessa grande conferência e realmente compartilhem essas notícias, essas idéias com os seus amigos, com todas as pessoas. Vocês são os embaixadores de Bahá’u’lláh, especialmente os jovens. Especialmente, porque os olhos de todo o mundo hoje em dia estão voltados para a juventude, porque eles sabem que a juventude é o futuro da humanidade. Portanto, é uma grande oportunidade, especialmente para os jovens, para compartilhar com os seus amigos,   os seus círculos de amizade, a questão de que vai existir essa grande conferência aqui e compartilhar com todos os amigos, com todas as pessoas. Seria muito bom agora, se os amigos pudessem fazer algumas perguntas que irei respondê-las. Se tiverem uma maneira de escrever, tudo bem. Se fizerem perguntas oralmente, façam com que as perguntas sejam breves.
            Nós acreditamos na revelação progressiva e acreditamos que a humanidade é instruída e treinada naquilo que nós chamamos “a escola dos profetas. E então, quando Cristo disse “ainda tenho muitas coisas para vos dizer, porém, vós não pudeis entenderer agora, por enquanto ele, o Espírito da Verdade vier, ele vos trará toda a verdade”.Os bahá’ís tomam cursos especiais em escolas de verão, em outras ocasiões para estudar as revelações do passado, estudar sobre o judaísmo, sobre a revelação de Moisés, sobre a revelação de Cristo de Maomé, de Buda, de Khrisna, de todos os grandes manifestantes do passado, mas especialmente, tomam tudo isso  naquilo que nós chamamos classe dos profetas.
            Nós tivemos tantos bahá’ís judeus, porque ao se tornarem bahá’ís eles passaram a acreditar em Cristo. Nós tivemos muitos bahá’ís de origem hindu, que não acreditavam em Cristo ou em nenhum dos outros manifestantes, porém, ao se tornarem bahá’ís eles passaram a crer e aceitar os outros manifestantes. Vocês puderão se recordar destas palavras, especialmente os jovens, de que a humanidade é educada na escola dos profetas. Então não haverá lugar para preconceitos.

           18 de agosto, domingo - Ruhíyyih Khanum e sua comitiva fazem uma viagem no barco cedido pelo Prefeito de Manaus, para reviver sua histórica Expedição Luz Verde, neste ano em que se comemora o seu vigésimo aniversário. Participam desta viagem autoridades estaduais e municipais relacionadas ao meio-ambiente. Estão também presentes cinco dos sete membros da Expedição original, os quais foram    especialmente convidados pela amada Mão da Causa de Deus para essa ocasião: Dra. Nosrat Rabbani, Mrs. Ruth Pringle, Mr. Anthony Worley, Mr. Mark Sadan and Mr. Mas’ud Khamsi.

            19 de agosto, segunda-feira, 20 horas  - O Teatro Municipal de Manaus, uma instituição centenária, é o palco adequado para celebrar condignamente os 20 anos da Expedição Luz Verde.
            Quatrocentos e vinte participantes, principalmente autoridades, formadores de opinião e pessoas proeminentes da sociedade amazonense, representando trinta diferentes organizações da sociedade civil, ouvem a conferência de Ruhíyyih Khanum sobre o tema da eliminação de preconceitos, a unidade da humanidade, e enfatiza o papel da Amazônia no cenário internacional bem como a importância de seu povo.
            Nesta noite magnífica são apresentadas números de música clássica, danças folclóricas, dramatização sobre a proteção do meio-ambiente, apresentação de um vídeo sobre a vida de Ruhíyyih Khanum e uma edição compacta do filme sobre a Expedição Luz Verde.