UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM

 

 

Tributo a Leonora Armstrong


                No dia 10 de agosto de 1996, sábado, no início da tarde, Ruhíyyih Khanum foi entrevistada ao vivo na “TV Educativa”. Imediatamente após esta entrevista, Ruhíyyih Khanum participou de uma reunião devocional em memória de Mãe Espiritual da América Latina, Sra. Leonora Armstrong, junto com os demais participantes da conferência. O Cemitério dos Ingleses em Salvador era pequeno para conter a multidão que para lá acorreu. Orações entoadas e recitadas em diversas línguas, e mais o comovente tributo à Mãe Espiritual dos Bahá’ís da América do Sul, Leonora Armstrong prestado por Ruhíyyih Khanum:

 “Amigos, talvez eu conheça Leonora mais cedo do que qualquer outra pessoa aqui presente. Eu a conheci quando era ainda uma criança e ela uma grande amiga da minha mãe. Nós estamos comemorando nessa reunião e em muitas outras ocasiões da Conferência vários aspectos referentes a Leonora, mas eu a conhecia de antes, lá da América e talvez, repito, seja a única pessoa aqui presente.

Como vocês sabem, ‘Abdu’l-Bahá nos deu as Epístolas do Plano Divino que foram um padrão, um caminho, de como ensinar as massas sobre os ensinamentos de Bahá’u’lláh. Nós tivemos muitos outros planos, mas Leonora foi das primeiras a se levantar do Hemisfério Ocidental, a se levantar, viajar para tão longe, naquilo que hoje conhecemos como pioneirismo. Leonora não tinha dinheiro, ela era uma professora escolar e não tinha muitos recursos.

Então quando ela estava partindo para aquilo que hoje fazemos ou conhecemos como pioneirismo, ela estava passando pelos Estados Unidos, estava em Nova Iorque, minha mãe estava lá e eu era uma criança. Eu me recordo que a minha mãe levou-a para fazer compras e compraram algumas das roupas que ela traria para esta viagem, para a América do Sul. (...) Leonora era uma  pessoa muito, muito amável. Ela era muito tímida, modesta, porém uma grande amante dos ensinamentos de Bahá’u’lláh. E ela tinha isso forte no seu coração, de vir para a América Latina,  visitar o povo nativo daqui e ensinar o que ela tinha no coração. Então ela é uma das grandes heroínas da Fé Bahá’í... e nós lhe devemos muito.

É algo maravilhoso para os bahá’ís da América do Sul, do Brasil, ter uma pessoa tão especial sepultada aqui. Vocês sabem que nós temos algo especial na Fé Bahá’í, talvez nem todos aqui presentes o saibam. E também existem várias religiões, pois é a verdade. E este é o poder da intercessão. Nós podemos ir para nossas casas hoje à noite depois de termos estado aqui nesse cemitério e implorar “Leonora, ajude-me, ajude-me a ensinar os índios”. Leonora era uma pessoa muito calma, quieta, porém, uma senhora muito determinada. E eu tenho a certeza de que lá em cima ela está feliz por nós estarmos aqui. Muito feliz pelos desenvolvimentos da Fé no Brasil, um país que ela amava tanto. Feliz pois aqui no seu túmulo existem bahá’ís de tantos lugares diferentes aqui presentes.

E os bahá’ís preciosos são os indígenas. Então nós podemos partir desta conferência, sair daqui levando junto conosco a missão que ela tinha havido escolhido para si mesmo, que era o de ensinar os ensinamentos de Bahá’u’lláh. E isso é algo muito particular e pessoal meu, que se algo difícil acontecer, ou alguma dificuldade, eu posso gritar “Leonora!” em qualquer lugar. Porque em geral, os bahá’ís não acreditam nisso. Que os bahá’ís não acreditam na morte, nós acreditamos na morte física que Leonora está fisicamente morta. Porque de acordo com os ensinamentos de  Bahá’u’lláh, o espírito de Leonora está vivo, ativo e devotado ao serviço do Brasil, ao serviço da Causa, ao serviço aos indígenas, que ela tanto amava.

Creio que uma das maiores bênçãos que a Fé Bahá’í deu é a da certeza da vida após a morte, da sobrevivência da vida individual após a morte. Todos vocês sabem que hoje em dia a fé em Deus e a fé na vida após a morte está muito fraca. Mas nós, bahá’ís, estamos muito firmes, pois acreditamos em Deus, acreditamos em Bahá’u’lláh, como manifestação de Deus para os dias de hoje e vivemos de acordo com os seus ensinamentos, acreditando na vida após a morte.

Alguns dos amigos trouxeram flores para colocar no seu túmulo. Mas a flor que podemos colocar, cada um de nós, em seu túmulo, é realmente sairmos dessa reunião e ensinarmos a Fé de Bahá’u’lláh. E eu quero que as crianças saibam, alguns jovens que se encontram aqui, que eles podem ensinar a Fé da mesma forma que os adultos. Nós temos aqui os povos indígenas que podem sair com o amor e a dedicação de Leonora, que está sepultada aqui no seu túmulo e voltarem para as suas tribos e ensinarem profundamente a Fé em meio ao seu povo. Tenho certeza de que esta é uma ocasião que nós não haveremos de esquecer, falo isso em meu nome, da minha companheira Viollet Nakhajavani, da minha prima Mary Walker, de estarmos hoje, particularmente, presentes neste dia..."