UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM



 

 

Palavras à Juventude


No início da tarde deste domingo, 11 de agosto de 1996, no Hotel da Bahia, em Salvador, Ruhíyyih Rabbani dirigiu a palavra a cerca de 200 jovens bahá'ís que haviam solicitado, através de convite de membros do Comitê Nacional da Juventude Bahá'í do Brasil, uma reunião com a ilustre visitante. O seu pronunciamento foi o seguinte:

            “Alguns de vocês são crianças, mas a maioria são o que eu chamo de adulto-jovem. Vocês têm tudo pela frente, até o início da vida adulta de vocês. E é uma oportunidade maravilhosa de crescer como bahá’í. Agora eu estou olhando pela janela e vejo como tudo é muito bonito no Brasil.
               Há uma pequena palmeira baixinha e duas outras bem grandes ali atrás. Agora não sejam que nem essa palmeira baixinha, sejam como aquela outra, alta, que todo mundo pode ver. Seria maravilhoso se vocês, nas suas escolas, nas suas universidades ou no trabalho, no início da sua vida no trabalho estabelecessem tal reputação que as pessoas quando se referissem a voces dissessem “ah ele é bahá’í, ela é bahá’í”.

               Quando eu era jovem ainda, 21 anos de idade, fui com a minha mãe para a cidade de Washington, capital dos Estados Unidos. Naquele tempo era o período quando havia a lei seca, os mais idosos vão lembrar disso, tinha um período que proibiram a venda de álcool, não funcionou, mas era uma lei. Naquele tempo eu era jovem, eu era bonita e nós fomos convidadas para várias coisas, eu fui convidada para várias coisas, como sair para dançar, para festas. Foi uma experiência muito interessante. Algumas pessoas sempre me levavam para algum desses lugares, minha mãe estava adoentada, não podia me acompanhar, então sempre havia alguém que me acompanhava a estes convites. Naquele tempo as pessoas bebiam muito álcool, bebiam como peixe.

               Aonde quer que eu fosse, claro, por ser uma bahá’í, eu não bebia. E sempre que alguém vinha me oferecer bebida alcólica eu mesmo dizia que não bebia, porque o meu acompanhante, que era o  embaixador egípcio, em Washington, ele, imediata- mente, quando a pessoa oferecia, dizia “não a Srta. Maxwell não bebe álcool, ela é uma bahá’í”. Se ele não tivesse dito, lógico, eu teria dito, que se alguém me oferecesse meu coquetel “não obrigado eu não quero coquetel, me dá uma outra bebida, um guaraná ou algo assim”. O interessante é que eu nunca precisava dizer isso, esse homem sempre dizia. E essa é uma coisa maravilhosa se vocês puderem ter, começando pelo seu comportamento como jovem e ao invés de você ter que dizer toda hora “eu sou bahá’í, eu sou bahá’í”, outras pessoas vão dizer por você, pelo comportamento que você os tem de que  vocês são bahá’ís.

               Eu preciso dizer isto a vocês e tenho a alegria de que nós tenhamos essa oportunidade que eu possa dizer isso. Porque vocês precisam se dar conta de que o futuro da Fé Bahá’í no Brasil  está nas mãos de vocês e de que aquelas pessoas que precisam ingressar na Causa devem ingressar através de vocês. Vocês sabem que todas as pessoas podem ensinar a Fé Bahá’í. As crianças, os adultos, as pessoas de meia idade, os idosos, os netos, os avós, todos podem ensinar a Fé. Sabem, nós temos uma colônia muito grande hoje em dia, de bahá’ís servindo na Terra Santa, no Centro  Mundial Bahá’í, em Haifa. E esses jovens que servem na Terra Santa vão se conhecendo, se casam, têm filhos e alguns destas crianças precisam iniciar os seus estudos e vão para a igreja católica. A melhor escola em Haifa para crianças pequenas, é uma escola católica. E todos sabem que estas crianças são crianças bahá’ís e gostam muito delas porque, são bem educadas, são gentis, são cortêses, estudam muito. E isso é muito importante no dia de hoje quando tanta atenção está sendo prestada na juventude. É o período da história em que a juventude está sob um foco da atenção. Portanto, realmente vocês são os embaixadores da Fé Bahá’í, vocês todos, jovens. Porque se vocês se comportarem dessa maneira, não de uma maneira fanática, estou me referindo a um comportamento fanático. Mas se vocês se comportarem dessa  maneira, através de toda uma maneira de ser,  através das suas atitudes, de seu comportamento, essa é uma maneira maravilhosa pelas quais as crianças e os jovens podem ensinar a Fé.

               Vestindo-se adequadamente, corretamente, sempre estando limpos, bonitos, sendo educados, gentis, cortêses. O melhor comentário que alguém pode dizer a respeito de você seja o de que “ah aquele jovem, aquela jovem, aquele menino, aquela criança, ah, eles são bahá’ís”. Vocês precisam fazer com que as pessoas saibam que são bahá’ís, isso não quer dizer que tenham que sair gritando, dizendo “eu sou bahá’í, eu sou bahá’í”. Mas que tenham um comportamento distinto de todos os demais e, através desse comportamento, eles reconheçam que são bahá’ís.

               Não sei bem que atividades vocês fazem no Brasil, mas em outras partes do mundo como, por exemplo, na Europa, os jovens bahá’ís se reúnem em grupos, talvez em grupos musicais, e visitam várias diferentes partes. Lá fazem atividades e proclamam o nome de Bahá’u’lláh e as pessoas gostam deles e dizem “ah, eles são bahá’ís”. Assim, de uma maneira natural, não sendo muito arrogante ou muito conscientes de si próprios, é importante que se dêm conta que têm uma   apresentação condigna, que tem uma maneira condigna, de tal forma que as pessoas digam “ah, ele é bahá’í”, e possam se sentir, então, como embaixadores da Fé porque, afinal, não existem tantos bahá’ís no Brasil.

               Eu não sei o que vocês fazem no Brasil, como é o sistema educacional brasileiro mas, de repente, eu estou chegando, não é o meu país, não é o meu mundo. Mas sei que em outras partes do mundo, por exemplo, os jovens bahá’ís podem ser convidados a apresentar shows de slides sobre a Fé Bahá’í, sobre os Lugares Sagrados, os templos bahá’ís, por exemplo. Vocês precisam usar a imaginação, a criatividade, e descobrir a maneira, perguntando a si mesmos “o que eu posso fazer para que outras pessoas conheçam a Fé Bahá’í?”, e então executar isso para que elas conheçam a Fé. Eu sei, com certeza, devido as viagens que eu fiz pelo mundo todo, que talvez os bahá’ís mais idosos com muita experiência, mais maduros possam fazer mais coisas e melhor mas, com certeza, todos os bahá’ís podem fazer muitas coisas.

                E, portanto, eu desejo a vocês êxito, êxito em seus estudos, nos seus empreendimentos, e que vocês possam demonstrar através do exemplo o que é ser um bahá’í."