UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM

Perfil Biográfico



Uma Cidadã do Mundo em Ação


"Para todos aqueles cujos corações ela tão profundamente sensibilizou,  a tristeza que esta perda irreparável traz será,  no tempo devido,  amenizado com  a  compreensão da alegria que ela estará usufruindo através  de  sua reunião com  o  Guardião  e  com o Mestre,  o Qual,  Ele próprio,  orou  no Santuário Mais Sagrado, para que seus pais fossem abençoados com uma criança. Através dos séculos vindouros, os seguidores de Bahá’ú’lláh irão contemplar  com  deslumbramento e gratidão,  a qualidade dos serviços  – sempre ardorosos, incansáveis, expeditos – que ela trouxe para a proteção e promoção da Causa."
                                                -- A Casa Universal de Justiça, 19.1.2000
 
           A Sra. Rabbani nasceu Mary Maxwell em 1910. Seu pai, William Sutherland Maxwell, foi um famoso arquiteto canadense cuja reputação considerável cresceu com o passar do tempo; seus prédios eram conhecidos por todo o Canadá. Seu último grande trabalho foi o famoso Santuário Bahá’í no Monte Carmelo, em Haifa, Israel.
            Sua mãe, May Ellis Bolles, que vivia em Paris, tornou-se a primeira norte-americana radicada na Europa a aceitar a Fé Bahá’í, em 1898, e uma de suas primeiras discípulas no mundo ocidental. Ela também fez parte do primeiro grupo de ocidentais a visitar ‘Abdu’l-Bahá (filho e sucessor de Bahá’u’lláh, o Fundador da Fé Bahá’í) quando ele ainda era mantido prisioneiro pelo Império Otomano na colônia penal de Acre, Palestina, em 1899.

            Ela foi um verdadeiro apóstolo da nova Religião e tornou-se uma renomada instrutora bahá’í; faleceu em uma viagem de ensino na América do Sul. Embora idosa e de saúde frágil, seu amor pelo povo latino a impeliu a visitar a Argentina, onde morreu em 1 de março de 1940, poucos dias após sua chegada. Ela está sepultada no Cemitério Quilmes, nos arredores de Buenos Aires.

            Não causa, então, surpresa que sua filha viesse a ter uma vida tão extraordinária, e se tornasse a mais alta autoridade da comunidade Bahá’í, com o título de "Mão da Causa".

            Em 25 de março de 1937, casa-se com Shoghi Effendi Rabbani, o bisneto de Bahá’u’lláh e Guardião da Fé Bahá’í, conforme as cláusulas explícitas da Vontade e Testamento de ‘Abdu’l-Bahá. É assim que durante exatos vinte anos, ela foi a secretária de Shoghi Effendi, respondendo sua correspondência que crescia de modo espantoso à medida que a Fé Bahá’í se expandia rapidamente por todo o mundo, e cuidando de uma infinidade de outros assuntos que lhe competiam como esposa do líder da Fé Bahá’í. Ela adquiriu fluência na rica e poética língua persa, acrescentando-a ao seu já impressionante domínio do inglês, francês e alemão, por ser uma exigência em sua nova vida e para dirigir-se aos muitos peregrinos persas do Irã na própria língua deles.

            A morte prematura de Shoghi Effendi em novembro de l957, em Londres, foi um golpe terrível para sua esposa bem como para os Bahá’ís de todo o mundo.

            Os assuntos mundiais da Comunidade Bahá’í foram tratados com segurança por seu Centro Mundial através de um conselho, formado pela Sra. Rabbani e oito outras altas autoridades da Fé Bahá’í, enquanto se esperava a eleição de seu órgão supremo, a Casa Universal de Justiça, em 1963.

            Sua história está intimamente ligada com o surgimento no cenário mundial de um admirável movimento espiritual, a Fé Bahá’í, uma Religião moderna e verdadeiramente global, que incorpora os valores espirituais eternos de todas as Religiões e oferece um plano para um moderno sistema mundial baseado na unidade espiritual e na cooperação sem preconceitos entre todos os povos e nações. Certa vez, ela declarou em um vídeo-documentário:
"Minha missão é ajudar os povos a compreender a Fé Bahá’í‚ dar impulso à difusão da mensagem bahá’í... Se você não quer ser um bahá’í, não seja um bahá’í, mas, em nome de Deus, ouça a mensagem bahá’í porque seus ensinamentos morais, econômicos, sociais são muito avançados..."

"Minha mensagem está baseada no fato de ter sido uma bahá’í toda a minha vida e ter sido iluminada pelos extraordinários conceitos internacionais do Fundador da Fé, Bahá’u’lláh. Como se pode fazer bilhões de pessoas viverem cooperativamente e, por assim dizer, compartilharem os benefícios espirituais e físicos deste nosso maravilhoso planeta?"

            Em Delhi, Índia, no final de dezembro de 1986, a Sra. Rabbani abriu oficialmente para culto público o mais recente e mais famoso Templo Bahá’í, chamado pelos meios de comunicação o "Templo do Lótus de Bahapur" devido a sua semelhança com uma imensa flor de lótus em mármore branco; é aclamado como o triunfo arquitetônico da moderna tecnologia e engenharia deste final de século. A Sra. Rabbani abriu para culto público todas as Casas de Adoração Bahá’ís existentes: a de Wilmette, Illinois, EUA (1953); a de Kampala, Uganda (1961); a de Sydney, Austrália (1961); a de Frankfurt, Alemanha (1964); a da Cidade do Panamá, Panamá (1972); a de Apia, Samoa Ocidental (1984); e a de Nova Delhi, Índia (1986).
            Ruhíyyih Khanum é também conhecida internacionalmente por suas inúmeras ações visando a proteção do meio-ambiente, a promoção do princípio de cidadania mundial e tem diversos livros publicados, dentre estes, no Brasil se encontram disponíveis os livros "Prescrição para a Vida" e "O Desejo do Mundo". É autora da mais completa biografia do líder mundial bahá’í Shoghi Effendi, intitulada The Priceless Pearl (Bahá’í Publishing Trust, Londres, Inglaterra, 1969) e que foi publicado em inglês, francês, alemão, espanhol, persa e braile; A Manual for Pioneers (Bahá’í Publishing Trust, Nova Delhi, Índia, 1974); publicado em inglês; The Guardian of. the Bahá’í Faith (Bahá’í Publishing Trust, Londres, Inglaterra, 1988) publicado em inglês.

            Uma vez assegurado o desenvolvimento ordenado das instituições globais da Fé Bahá’í, a Sra. Rabbani começou suas viagens ao redor do mundo, visitando antigas e novas comunidades Bahá’ís em cada canto do globo. Poucas pessoas cruzaram mais fronteiras do que a Sra. Ruhiyyih Rabbani.

Seja na África – a bordo de um veículo pela floresta tropical, ou nos Andes montada  no  lombo  de  um  burro,  ou  em  trens europeus,  cruzando continentes  em  boeings,  o  certo  é  que ela visitou 185 países,  ilhas  e territórios, alguns deles mais de uma vez, dirigiu seu próprio jeep Land Rover por mais de 60.000 quilômetros cruzando todos os países do continente africano, organizou sua própria expedição, atravessando selvas e rios da América do Sul, e também percorreu picos famosos dos Andes como Machu-Picchu, visitou remotos atóis do Pacífico, aldeias árticas e os povos do sertão australiano. Suas atividades em volta do mundo colocaram-na em íntimo contato com toda a riqueza e diversidade da espécie humana.

            Suas viagens levaram-na a praticamente todos os países da África, a extensivas visitas a toda a América Latina e às Ilhas do Caribe, à América do Norte, à Groenlândia, à Islândia, a quase todas as ilhas do Pacífico, a extensivas e repetidas viagens por toda a Ásia, a visitas a todos os países da Europa Ocidental, cinco vezes à China, em 1988, 1989 e 1990, incluíndo a Mongólia Interior, o deserto de Gobi, a Manchúria, a República Popular da Mongólia, a Ilha Sakhalina e o Tibete, e, desde 1990, à Romênia, Polônia, Bulgária, República Tcheca, República Eslováquia e onze países da ex-União Soviética, incluíndo as repúblicas Autônomas de Sakha e da Buriátia.

            Durante estas viagens, a Sra. Rabbani encontrou-se com muitos Chefes de Estado e pessoas de proeminência em todo o mundo. Uma das mais memoráveis dessas ocasiões foi o encontro na Suíça, em outubro de 1987, com Sua Alteza Real o Príncipe Philip, Duque de Edimburgo, na sede central do WWF, quando esta Organização reconheceu a Comunidade Bahá’í Mundial como a sexta maior Religião do mundo. Naquele encontro, a Sra. Rabbani apresentou ao Príncipe Philip uma declaração da Comunidade Internacional Bahá’í sobre a proteção e preservação da natureza. Desde então, ela e o Príncipe Philip compartilham a mesma plataforma como principais oradores em dois eventos, ambos realizados em Londres: o banquete do WWF para levantamento de fundos, em outubro de 1988, na Syon House, e, em julho de 1994, a reunião da World Forestry Charter Gathering (Reunião da Carta Florestal Mundial), no Palácio Saint-James.

            Outros encontros desse tipo incluem a entrega ao então secretário-geral da ONU, Javier Pérez de Cuellar, em novembro de 1985, da mensagem redigida pela Casa Universal de Justiça, intitulada "A Promessa da Paz Mundial"; dois encontros com a então Primeira-Ministra Indira Gandhi, bem como recepções por parte de dois eminentes presidentes da Índia; e encontros com Sua Alteza o Rei Malietoa Tanumafili II, da Samoa Ocidental; o Imperador Hailé-Selassiéh, da Etiópia, o presidente Senghor, do Senegal, o presidente Houphouet-Boigny, da Costa do Marfim; o presidente Tubman, da Libéria; o presidente Kaunda, de Zâmbia; o rei Sobhuza da Suazilândia; o rei Moshoeshoe II, do Lesoto; o primeiro-ministro Edward Seaga, da Jamaica; o Presidente Rodrigo Carazo Odio, da Costa Rica; o Presidente José López Portillo, do México; e o Presidente Carlos Menem, da Argentina.

            "Como autoridade da Fé Bahá’í em viagem para visitar os Bahá’ís em todo o mundo — porque há bahá’ís no mundo todo — eu entrei automaticamente em contato com líderes, líderes espirituais e líderes políticos.", declarou a Sra. Rabbani.

            A Sra. Rabbani sente-se igualmente à vontade com a realeza, chefes de Estado ou simples aldeães; fez amizades dentro da mais ampla gama da diversidade humana, tornando-se uma verdadeira "cidadã do mundo".

            Como conferencista renomada, ela inaugurou uma exposição no Museu Britânico, discursou nos Parlamentos das Repúblicas da Buritia e de Sakha, dirigiu a palavra a eminentes cientistas, pronunciou o discurso principal aos 30.000 bahá’ís de mais de 200 países reunidos no II Congresso Mundial Bahá’í em Nova York em 1992, e assim conquistou o respeito e a admiração dos formadores de opinião em todos os setores da vida de todos os cantos do mundo.

            Muito mais que uma viajante do mundo, sua vida singular e admirável representa a expressão exterior de uma realidade espiritual interior, seu reconhecimento da unidade de toda a família humana.

            O dia 14 de Agosto de 1996, quarta-feira, é uma data em que o Brasil e Ruhíyyih Rabbani uma vez mais se encontram. Naquele dia, às 14:30 horas, na Câmara Federal, em Brasília, senadores, deputados federais, autoridades federais do Executivo e do Judiciário, dirigentes de Organizações Não-Governamentais e mais de uma centena de bahá’ís ocupam o plenário do Congresso Nacional. Pontualmente às 15 horas, todos se postam em pé e ansiosos dirigem o olhar para a entrada principal do plenário de onde surge Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum... Os corações estão acelerados, as lágrimas contagiam de terna emoção aquele recinto solene. Estamos testemunhando o início de um eloquente tributo de amor e respeito pelos ensinamentos de Bahá’u’lláh, por Sua vida de serviço à humanidade e pelo estabelecimento de Sua Fé, há 75 anos passados no Brasil.

            O Presidente da Câmara dos Deputados abre a Sessão Solene e convida à Mesa dos Trabalhos os representantes da Comunidade Bahá’í. Deputados representando 14 partidos políticos se revesam na tribuna enaltecendo os esforços e a vida de Ruhíyyih Khanum dedicada à promoção da unidade entre os povos do mundo, emocionam-se com fatos da vida de Bahá’u’lláh, louvam Seus ensinamentos de paz e unidade, defendem nossos irmãos de fé que sofrem cruel perseguição no Irã, rendem tributo à memória de Leonora Stirling Armstrong, discorrem sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres, elogiam a iniciativa da Comunidade Bahá’í em tornar acessível documentos preciosos como "A Promessa da Paz Mundial" e "A Prosperidade da Humanidade", apresentam testemunhos sobre sua convivência com bahá’ís em suas cidades de origem...

            Apesar da facilidade com que ela se move nos principais círculos de influência, cultura e autoridade, a Sra. Rabbani talvez seja mais conhecida e amada nas cidades, aldeias e vilarejos espalhados por todo o mundo, devido ao seu imenso amor e profundo respeito pelos povos indígenas do mundo, e sua íntima conexão com eles.

            Esse admirável relacionamento‚ mostrado em toda a sua beleza em The Green Light Expedition, um filme de duas horas que ela mesma produziu, documentando sua viagem de sete meses para visitar dezenas de comunidades indígenas na Colômbia, Venezuela, Suriname, bacia amazônica, Brasil, Bolívia e Peru. Em recente entrevista ela disse: "Eu lhes darei um exemplo da razão pela qual amo os povos indígenas... .. há uma pureza e sanidade nos povos que vivem junto à natureza que não encontramos nas nossas selvas de concreto e que muito me atrai. Eu amo os povos indígenas."

            Esse amor tem sido retribuído pelos povos indígenas de toda parte. Ruhíyyih Khanum é um testemunho vivo de amor aos povos indígenas. Seu relacionamento com todos os povos indígenas é profundo e sincero. Ela ganhou o nome de Natu Ocsist - Mãe Abençoada - dos índios Blackfoot do Canadá; foi adotada pela tribo Eagle dos índios Tlingit do Alasca, recebendo o nome de Senhora Preciosa; e foi adotada pelo neto do famoso chefe Sioux Touro Sentado, que lhe deu o nome da filha de Touro Sentado, Princesa Bela Pena. "Eu não tenho como pôr isso em palavras, mas sempre me senti mais … vontade com os povos indígenas" - afirmou Ruhíyyih Khanum.

            Em dezembro de 1991, a Sra. Rabbani, acompanhada pelo governador-geral do Canadá, Sua Excelência Ramon Hnatyshyn, abriu a exposição da obra arquitetônica de seu pai (William Sutherland Maxwell) e seu tio (Edward Maxwell) no Museu de Belas-Artes de Montreal.