UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM



Bahia


          Em outubro de 1995 a Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil decidiu convidar a amada Mão da Causa de Deus Ruhíyyih Khanum para visitar o Brasil. Duas datas seriam comemoradas na ocasião: os 75 anos da Fé no Brasil e os 20 anos da Expedição Luz Verde na região amazônica.
          No principal jornal da capital baiana, A TARDE, no domingo, dia 04 de agosto de 1996, foi publicado a seguinte matéria:

                      RODA GIGANTE
                      Cidadania Mundial
                       O nome dela é complicado, Ruhíyyih Rabbani, e a missão também. Está com 86 anos e não perde a esperança de ver consumada a proteção e a preservação da natureza. Mas o que traz ao Brasil esta canadense radicada em Israel é o Encontro Latino-Americano pela Cidadania Mundial - a prática da unidade na diversidade, ora se realizando no Parlamento Latino-Americano, em São Paulo. Em Salvador, de 9 a 11 deste, a Sra. Rabbani chega como integrante do Centro Internacional de Ensino Bahá’í, para presidir um painel sobre “A nova ordem mundial”, no Hotel da Bahia. Antes de retornar a Haifa, sua cidade, receberá homenagem da Câmara dos Deputados, em Brasília, dia 14.”

                6 de agosto de 1996, terça-feira, 15h15m - Ruhiyyih Khanum chegou em Salvador/ Bahia às 15:15hs acompanhada pela Sra. Violet Nakhjavani, pelo Conselheiro Internacional Sr. Shapoor Monadjem, e pela acompanhante dela no Brasil, Sra. Neda Fatheazam, e pelo Sr. e Sra. Mas’ud Khamsi.
               O Aeroporto Dois de Julho está festivo: muitos são os rostos sorridentes desejando dar as boas vindas a Mão da Causa de Deus. Negros, brancos, indígenas, homens e mulheres, crianças, jovens e adultos se irmanam ante a visão de que a Bahia recebe a única sobrevivente da Família Sagrada de Bahá’u’lláh. Aos indígenas, uma porção de amor especial. As autoridades estão representadas.
               Khanum foi recebida no salão vip do aeroporto pelo Conselheiro Continental, dois membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil, um oficial militar representando o Governador do Estado da Bahia, membros do Comitê Regional de Ensino e Administração e da Assembléia Espiritual Local de Salvador, Bahia; e inúmeros amigos bahá’ís.
               Naquele momento Ruhíyyih Khanum foi fotografada com as crianças e os jovens e, junto com a Sra. Nakhjavani, recebeu flores da Assembléia Nacional e da Assembléia Local de Salvador, quando então dirigiu estas palavras aos amigos presentes :
              "Eu pensava que não voltaria jamais ao Brasil. Porque as pessoas não se dão consciência de que nos ensinamentos bahá’ís reside a solução para os problemas do mundo de hoje. Portanto, tudo que nós podemos fazer é transmitir isso para as pessoas. Encontrar tantas crianças é muito bom e também vi muitas crianças no Rio. Porque as crianças também podem ensinar a Fé Baha’í, porque as pessoas podem dizer  “eu tenho crianças na minha sala que são bahá’ís." Que essa é a forma como as crianças podem servir a Fé e ensinando... Certamente teremos reuniões muito bonitas aqui e as pessoas terão a oportunidade para colocar suas perguntas que eu possa responder."
                Khanum seguiu para o Hotel Le Meridien em carro oficial graciosamente oferecido pelo governo do estado da Bahia e acompanhada por outro carro contratado para serví-la durante sua estada nesta cidade.
               É esta mesma Bahia que ‘Abdu’l-Bahá mencionou por duas vezes em Suas Epístolas do Plano Divino:
             “Visitai especialmente a cidade de Bahia, na costa oriental do Brasil. Porque em anos passados esta cidade foi batizada com o nome BAHIA, não há dúvida que tenha sido através da inspiração do Espírito Santo.”
                O amado Guardião Shoghi Effendi também deixou várias referências e profecias com relação a Bahia e ao Brasil. Ele assim profetizou e nos assegurou quando escreveu para a mãe espiritual da América Latina, Sra. Leonora Armstrong:
                “Fixem seu olhar no Espírito de Bahá’u’lláh que a tudo conquista e lembrem-se que o tempo seguramente virá quando a Bahia e todo o Brasil alegremente responderão e universalmente reconhecerão o chamado de Yá-Bahá’ul-Abhá.”
                Estas referências, levaram a uma concentração de esforços direcionados para a Bahia, na certeza de que um movimento  aqui criado geraria energias que afetariam o desenvolvimento da Fé em todo o país.
                No dia 7 de agosto de 1996, quarta-feira, o jornal BAHIA HOJE publicou ampla reportagem com o título "Evento Para Comemorar Fé Bahá’í".
                Enquanto o jornal A TARDE, publicava matéria sobre a vida de Rúhíyyih Khanum, na Coluna NOMES.
                Às 20:30, desta quinta-feira,  foi oferecida uma recepção em homenagem à Ruhíyyih Khanum, no Hotel Le Meridien. Organizada pela Assembléia Espiritual Nacional. Cinquenta pessoas, entre bahá’ís e personalidades não-bahá’ís, que eram desde vereadores, artistas, intelectuais, a jornalistas que formam a opinião pública na sociedade bahiana. Foi uma excelente oportunidade para falar abertamente sobre a Fé.
               Durante o jantar o aniversário de Khanum foi comemorado - seis crianças vestidas com roupas típicas ofereceram-lhe singelos souvenirs locais. A Assembléia Espiritual Nacional presenteou cada convidado a esta tocante recepção com uma edição especial de um livro de poemas de Ruhíyyih Khanum em português e que recebeu o sugestivo título: “Em Tudo Está Tua Lembrança”.
               Ao final da recepção Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum dirigiu as seguintes palavras aos amigos presentes, deixando todos encantados com sua história, dedicação e força:

               “Estou muito tocada pela hospitalidade e pelo amor que tem sido dado a mim, não apenas desde a minha chegada até o Brasil, mas da cidade importante de Salvador e também pelo meu aniversário que é hoje. Não vou dizer a vocês a minha idade, pois não considero a idade importante mas agradeço o carinho.
                 Há vinte anos atrás eu realizei um sonho que tive a vida inteira: realizar uma expedição no meio da floresta. Sempre gostei muito das florestas, especialmente, da natureza, em especial, não gosto de cidades grandes e esse sonho se realizou quando fiz essa expedição durante a visita ao Amazonas. É muito extraordinário que vinte anos depois da expedição, estando aqui nesta sala, eu encontre pessoas que me acompanharam naquela ocasião como a Sra. Ruth Pringle, como o Sr. Massud Khamsi e Anthony Worley. Realmente é extraordinário que aconteça algo assim e é algo que não pode se repetir e a expedição é algo que não se pode repetir.
                 É uma alegria muito grande estar no Brasil. O Brasil é um país muito extraordinário, muito fascinante, um país que sempre me fascinou muito, um país muito grande e significativo, é uma nação progressista e rica, não apenas por causa do seu significado político, econômico no mundo,  mas por causa da fotografia do Brasil, a natureza do Brasil, é uma natureza extraordinária,  riquíssima. É uma alegria muito grande estar de volta então para essa comemoração dos 20 anos da nossa expedição, que vai ser realizada na cidade de Manaus. O que mais fascina nessa viagem é a oportunidade de, novamente, poder visitar as quedas do Iguaçu. Eu visitei as grandes quedas d’água do mundo, como Niágara, na américa, a queda Vitória, na África, como a da Suiça. Mas nada, nada no mundo, se iguala a Foz do Iguaçu.
               É maravilhoso poder admirar numa nação, numa terra as pessoas desse país. Eu já havia  mencionado antes como admiro o Brasil, devido a sua equidade social, ao equilíbrio social. Admiro o povo do Brasil. Nós temos muitos bahá’ís no Brasil e espero que em breve tenhamos muito mais e acredito que a maneira como o povo brasileiro se comporta, o sentimento do povo brasileiro, a sua cordialidade, simpatia, e fraternidade são muito, muito próximos da visão bahá’í.
               Nessa noite nós temos aqui reunidos pessoas bem educadas e acredito que nós tenhamos que colocar muito mais das nossas capacidades em prol do serviço à humanidade. Não apenas as capacidades mentais, mas nossas capacidades humanas, de amor, de retidão, de senso de responsabilidade e fazer com que isso transforme o mundo de uma maneira positiva. Nós temos esse desafio e o povo brasileiro pode contribuir muito nesse sentido. Não estou falando do país como um território, mas como uma terra, mas como um povo. Poucos lugares do mundo possuem um povo como o povo brasileiro. Eu conheço o mundo todo, poucas pessoas conhecem o mundo tão bem como eu conheço e posso dizer o quanto o povo brasileiro tem para contribuir para o mundo, desde que se coloque os sentimentos humanos em prol do serviço da humanidade.
                A idéia de céu, paraíso e o inferno quando eu morrer é que inferno é olhar para trás e ver todas as coisas que eu poderia ter feito e não fiz. Por outro lado, o paraíso é olhar para trás para aquilo que nós fizemos na vida e sentir que pelo menos nós fizermos um esforço para alcançar alguma coisa, já que ná Fé Bahá’í nós temos uma crença muito forte na permanência da individualidade da alma após a morte. Esse reconhecimento do que é necessário fazer o mundo temos o efeito especial do nosso tempo. Vivemos num tempo em que um esforço especial, moral e espiritual tem que ser realizado para melhoria do mundo.
                Espero que ele esteja traduzindo bem e queria agradecer a todos pelo carinho, por estarem conosco hoje a noite nesse meu lamentavelmente idoso aniversário e peço a vocês que se recordem de mim nas orações, porque tenho ainda grande trajeto, não apenas no Amazonas, mas eu vou outra vez a Foz Iguaçu.
                Eu gostaria também de dizer que a Sra. Nakhjávání e eu somos do Centro Mundial em Haifa, Israel, e se qualquer um dos amigos bahá’ís de qualquer um dos convidados esta noite vierem a Israel, por favor nos deixem sabidos, para que nós possamos acolhê-los, dar alguma coisa de comer e sair por um passeio na cidade."

                 Pela manhã deste dia 9 de agosto, sexta-feira, o jornal  A TARDE, publicava diversas  reportagens sobre a visita de Ruhíyyih Khanum à Bahia: Líder Bahá’i Retorna ao Brasil

                 Às três da tarde deste 9 de agosto teve início a II Conferência Nacional Bahá’í de Integração. Esta Conferência foi o motivo principal da visita de Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum à Bahia. A Conferência estendeu-se até domingo à tarde de 11 de agosto, com a participação de um grande número de fiéis nativos desta região,  muitos deles recém-declarados,  frutos de projetos de ensino em andamento. As artes tiveram especial destaque neste evento. Muita música, teatro e áudio-visuais. Amatu’l-Bahá honrou a conferência com sua participação durante três sessões e falou aos amigos na abertura e no encerramento, também participou brevemente em reunião especialmente programada pela juventude, paralela à conferência, contando com expressivo número de participantes.
                 Mais de 400 pessoas estiveram presentes, provenientes de nove países, cinco nações indígenas, 19 estados, 42 comunidades. Além da Mão da Causa de Deus, o Conselheiro Internacional Sr. Shapoor Monadjem, três Conselheiros Continentais, o Vice-fideicomissário Sr. Mas’ud Khamsi e cinco membros da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil.
                  Centenas de rostos se voltam para a entrada principal do Salão de Conferências do histórico Hotel da Bahia. Uma banda de músicos que recém haviam se declarado bahá’ís, a Akayala, estremece o auditório com o inconfundível ritmo dos tambores baianos. E eis que surge, o alvo desta maravilhosa confraternização de amor e unidade: Ruhíyyih Khanum, a esposa do Guardião da Fé Bahá’í, Shoghi Effendi. Os rostos felizes estavam sensibilizados por  testemunharem a forte emoção de ouvir o Nome de Bahá’u’lláh ecoando ao som do contagiante ritmo baiano.
                   A participação dezenas bahá’ís indígenas neste evento trouxe um toque especial à conferência, com a apresentação de sua dança sagrada, o Toré. Os caciques e pajés, representantes de diversas tribos do nordeste brasileiro, ao participarem de um comovedor painel expressaram seu amor por Bahá’u’lláh, seu reconhecimento da grandeza e do poder desta Causa, reafirmaram a confiança que têm nos bahá’ís, e atestaram sua felicidade por fazerem parte desta grande família, onde se sentem respeitados e amados e onde sua cultura é valorizada.
                    Durante a conferência, um grupo de crianças presta tributo emocionante à querida Assembléia Espiritual Nacional, oferecendo enorme bandeira composta por bandeiras menores enviadas por dezenas crianças de virtualmente todas as regiões brasileiras. Brasil. Estavam felizes por terem a honra de ter em solo brasileiro a bem-amada Mão da Causa de Deus.

                    A seguir a íntegra da Palestra de Abertura feita pela Mão da Causa de Deus Ruhíyyih Rabbani:

                    "Primeiro eu gostaria de dizer como eu estou feliz de estar aqui com vocês e em poder visitar tantas cidades no Brasil. Enquanto escutava as palestras, através da tradução, que foi dada, eu podia recordar muito da minha própria infância. (...) Eu creio que muito das palestras que hoje em dia se dá no mundo, o objetivo delas é a fotografia. De certa maneira está muito bom, porque permite que as pessoas tenham uma recordação que vai recordá-las como uma experiência que tiveram na vida. Mas não é alegria daqueles que falam, dos palestrantes.
                     Eu enquanto estava aqui me dando conta de que estava nesse país, no Brasil, nesta cidade na Bahia, cujo nome tem tanto a ver com o nome da Fé, e recordava do meu próprio período de menina, quando primeiro tive contato com este país. O desenvolvimento da Fé na América do Sul teve o seu foco principal dirigido ao Brasil, nos primeiros tempos. E eu desejo muito ter a oportunidade de visitar o túmulo de Leonora Armstrong e com certeza o Comitê responsável pela conferência vai informar todos desta ocasião que nós poderemos ir juntos pegar um ônibus e ter a     oportunidade de orar junto ao seu túmulo. Leonora era mais idosa do que eu e era amiga de minha mãe, minha mãe a amava muito. Eu acredito que estas coisas não há ninguém mais que possa contar isso para vocês, não há ninguém mais que esteja vivo para contar essas coisas. Então minha mãe levou Leonora, que era uma professora da Escola para fazer compras em Nova Iorque e eu tinha mais ou 12 ou 13 anos de idade. E o objetivo era comprar roupas para que ela pudesse vir aoBrasil, porque ela era pobre mas tinha esse desejo no seu coração de vir a esta terra e prestar algum serviço ao povo desse país.
                       Sabe, memórias são coisas estranhas. E tudo que eu posso lembrar daquela saída para fazer compras em Nova Iorque,  que minha mãe comprou (algo) para Leonora. Eu acredito que isso ficou na minha memória de criança, porque não muitas pessoas utilizam roupas de baixo de seda. Aquilo que escutei a respeito dos esforços de pioneirismo de Leonora aqui é digno de ser repetido. Acredito que ela dava aulas de inglês, não sei se particulares ou numa escola, e dessa  maneira ela ganhava para o seu sustento. Mas ela era muito pobre. E o único alojamento que ela pôde dispor naquela ocasião era muito primitivo. O Brasil é um país muito peculiar, mas muito bom. Enfim, eu recordo que minha mãe comprou para ela algumas roupas de baixo de seda e que ela veio para cidade e eu não tive, sabe, a oportunidade de ler coisas antes de viajar. Viollet e eu quando saímos de Haifa, saímos em meio a muito trabalho, eu estava muito ocupada e corremos para cá sem oportunidade de antes fazermos pesquisas adequadas. Mas essas são minhas memórias e essa parte da história é muito exata e verdadeira. Tudo que ela pôde encontrar era um alojamento, que era embaixo de uma casa, acredito que era embaixo de uma casa que não tinha janela, tinham portas que havia duplas e a única maneira dela receber ar era deixar essas portas abertas, elas tinham que ficar abertas. (...) Isso dá a vocês uma pequena  idéia do que esta pequena bahá’í tão distinguida, a jovem Leonora enfrentou para servir a Causa e para trazer a amada Fé de Bahá’u’lláh a esse país. Vocês vão escutar as palestras durante esses dias na própria língua de vocês sobre vários assuntos e eu não quero duplicar aqui aquilo que vai ser dito para vocês durante esse dias, mas gostaria de dizer algumas coisas na minha própria língua.
                        Eu percebo que há muitos jovens aqui nessa sala e eu digo isso para o benefício deles. Eu nessa idade e tive meu aniversário ontem, e não interessa a vocês que idade eu fiz. Eu sou bahá’í e sou ecologista. bahá’í, porque acredito que este é o caminho oferecido para o bem da humanidade neste dia dado por Sua manifestação Bahá’u’lláh. E sou ecologista porque amo o planeta. Isso pode parecer meras palavras, mas não é. Poucas pessoas neste planeta amam o planeta onde nós vivemos. Isso é muito importante que os jovens se dêem conta, uma vez que o Brasil é um país tão significativo, no sentido de preservação da vida neste planeta. O planeta, assim como eu compreendo, respira, principalmente, devido a atmosfera ao redor do Equador. A maior proteção para os planetas são as árvores. Eu não vou gastar tempo dando uma palestra sobre ecologia, mas sou primeiro uma bahá’í e em segundo lugar, uma ecologista. E as florestas do Brasil são parte dos pulmões do planeta.
                         Eu sugiro aos jovens que estudem sobre esse assunto, porque eles são jovens, eles são dinâmicos e podem, através deste conhecimento, orientar e advertir outras pessoas. Nós sabemos que os jovens, a juventude bahá’í no mundo todo, digamos, isso não é realmente uma definição de juventude, mas digamos, aqueles abaixo de 45 anos, que o futuro de vocês e o planeta é de vocês.
                         Acredito que primeiro de tudo vocês devem ser bahá’ís, porque não existe outro caminho para o mundo hoje, espiritualmente, economicamente, socialmente, a não ser os ensinamentos de Bahá’u’lláh. (...)
                        Enfim, acredito que os jovens, antes de tudo, precisam ser bahá’ís, mas também não devem se privar de dedicar as suas forças a tudo aquilo que promove o progresso do mundo nessa fase da história e uma dessas coisas é a ecologia. Minha secretária, na Terra Santa, acaba de sair para um tour de canções em toda a Europa, incluindo a Russia. Esses jovens que têm tanta capacidade porque eles podem cantar juntos, eles podem, com este dinamismo, com essa alegria, difundir os ensinamentos na comunidade indígena aqui no Brasil. E nós queremos ensinar a eles a Fé Bahá’í, porque sabemos que essa é uma Causa segura e é uma corda firme na qual eles podem se apoiar.
                        Creio que nos devemos perguntar a eles como vocês pensam que nós melhor poderíamos apresentar estes ensinamentos maravilhosos de  Bahá’u’lláh: espirituais, econômicos, sociais ao seu próprio povo. Creio que os baha’ís negligenciam esse aspecto, dificilmente nós pedimos conselhos e orientação para as pessoas que não são bahá’ís, de como nós poderíamos nos comportar melhor e ganharíamos muito com esses conselhos. Essa é uma das maneiras como nós podemos ensinar a Fé Bahá’í, perguntando as pessoas como podemos ensinar a Fé, porque as pessoas gostam de ensinar as outras pessoas, isto está dentro do coração do homem, o desejo de ajudar, de prestar um auxílio e nós não fazemos isso o suficiente, nós não perguntamos aos nossos pais que não são bahá’ís, aos nossos amigos que não  bahá’ís, de que maneira poderemos ensinar a Causa. Essa questão da unidade da humanidade, vocês vêem, não é bem compreendida, nós temos que pedir a eles que nos ajudem a desenvolver a maneira de como eles gostariam de ser ensinados, para que nós possamos fazer esse ensino a eles.
                        Vou contar uma história então. Penso que será suficiente. Quando anos atrás, Viollet e eu estávamos na India, durante uma viagem estourou a guerra em Israel e nós ficamos muito abaladas, porque nós tínhamos uma longa viagem pela frente, nós devíamos ir ao Oceano Índico e as Ilhas Maurício e não tínhamos nenhuma notícia, estávamos totalmente cortadas da Terra Santa.
                        Não sabíamos o que estava acontecendo e a guerra havia estourado. Então, nós fomos visitar o cônsul americano, em.... Então ela disse a ele “nós somos bahá’ís, nós soubemos da guerra em Israel e nós gostaríamos de consultar com o senhor”. Ninguém jamais havia pedido para consultar com ele antes, ele estava abismado com isso. Enfim, deu tudo certo, nós conversamos com ele, mas o que eu quero dizer é que nós em geral, não fazemos isso o suficiente, nós não vamos a outras pessoas pedir a elas ajuda de como nós poderíamos ensinar a Fé. Sabem, está nos ensinamentos e, eu inúmeras vezes, escutei o Guardião da Fé Bahá’í repetir isso: “de que nessa dispensação de Bahá’u’lláh a maioria da raça humana vai ingressar na Causa de Deus, mas não a totalidade”.
                        Há muitas pessoas em todas as partes, há muitas pessoas nesse Brasil que nunca escutaram falar da mensagem de Bahá’u’lláh e eu creio que vocês devem se sentir responsáveis por transmitir, pelo menos, oferecer esta mensagem a cada uma dessas pessoas. Eu sinto que os bahá’ís são todos pessoas muito boas e que eles sentem muito pelo sofrimento da humanidade, sofrimentos econômicos, sociais, os riscos de guerra, mas eu sinto que nós não fazemos o suficiente para ajudar nosso semelhante. Nós temos instituições na Causa: nós temos a Assembléia Nacional, nós temos os membros do Corpo Auxiliar, nós temos os Conselheiros, nós temos todas as instituições necessárias que são importantes, por que nos preocupar a respeito disso? Essas instituições todas têm origem divina e elas funcionam tão bem quanto a nossa capacidade de desempenho nela. Mas nós precisamos ir às pessoas que não são bahá’ís e pedir a elas ajuda para o ensino da Fé, talvez elas sejam católicas, tenham uma outra religião, não queiram mudar de religião, mas nós podemos pedir a elas “então nos ajude, como nós melhor pudemos enculcar esses ensinamentos de Bahá’u’lláh nos corações das pessoas”.
                          Existe um ditado em inglês que diz que “se vocês querem fazer a uma pessoa amiga, querem conquistar um amigo, peçam então a sua ajuda”. Eu que eu sou uma artista, tenho uma tendência de olhar tudo em imagens, em metáforas, eu acredito que nós podemos dizer que nós como bahá’ís somos como uma pessoa que compra um belo automóvel, um automóvel muito bonito. Trazemos este automóvel para casa e o estacionamos na frente da casa. O objetivo de ter um automóvel é entrar dentro dele e dirigir para algum lugar. Então, o objetivo  das instituições bahá’ís, o objetivo de ser bahá’í, se nós aceitamos isso, é compartilhar isso com humanidade. E as crianças também podem ensinar a Fé, não apenas os mais idosos ou apenas as pessoas de meia idade, não apenas os jovens, as crianças também podem ensinar."

                  Na sexta-feira à noite, deste inesquecível 9 de agosto de 1996, foi realizado um painel com tema Bahá’u’lláh e a Nova Ordem Mundial, composto por pessoas proeminentes que são amigos da Fé: dois vereadores, um ex-Reitor de Universidade e o fundador de um dos mais importantes projetos não-governamentais em defesa das crianças e jovens do país, o projeto Axé. Foi maravilhoso ver esses amigos dos bahá’ís falando sobre a posição de Bahá’u’lláh, a intensidade de Seus ensinamentos e o efeito que estes têm tido sobre cada um deles.

                  Os jornais baianos dedicaram amplo espaço à movimentada agenda de Ruhíyyih Khanum em Salvador:
                  O Jornal BAHIA HOJE, em seu Caderno Cidade, reproduziu uma fotografia mostrando a II Conferência Nacional Bahá’í de Integração com cerca de 10 mil fiéis e a seguinte manchete: "Comunidade Bahá’í faz Integração em Salvador".
                  O mesmo jornal publicava outra reportagem, ilustrada com um fotografia de Ruhíyyih Khanum em uma de suas viagens a Uganda, em 1958, com o seguinte teor: "Líder da Comunidade Bahá’í Realiza Conferência em SSA"
                  Enquanto isto, o jornal A TARDE, publicava esta matéria: "Fé Bahá’í".
                  Um momento de grande emoção e muitas lágrimas ocorreu quando ecoou pelo salão da Conferência a voz e a imagem do querido e abnegado servo de Bahá, Sérgio Resende Couto. Em um bonito áudio-visual de apenas oito minutos recordamos excertos das muitas aulas que Sérgio Couto ministrou no Instituto Bahá’í da Bahia. O telegrama da Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís anunciando o seu falecimento foi o tributo de amor que não podia esperar...
                  No dia 10 de agosto, Ruhíyyih Khanum pronunciou a conferência principal do dia  no Hotel da Bahia e depois respondeu as perguntas da audiência. A seguir, a transcrição de algumas palavras de Rúhíyyih Khanum:
              “Nunca considerei os microfones uma coisa necessária. Mas, provavelmente, são partes da nossa civilização moderna. Me recordo de uma ocasião na Índia, quando fiz uma palestra para um grupo de mais ou menos 400 ou 500 pessoas ao ar livre, sem microfone e todos eles me escutaram.
               Nós temos que recordar que os seres humanos têm se comunicado há milhões de anos e nunca necessitaram de microfones.
               Agora, amigos, eu acredito que esta mensagem que acabei de escutar com vocês, da Casa Universal de Justica, ressalta, outra vez, a necessidade tremenda de que todos nós temos, de compartilhar a mensagem de Bahá’u’lláh com aqueles ao nosso redor. Pelo que eu compreendo esta mensagem que acabei de escutar, e que eu não tinha escutado antes, acabei de escutar com vocês, chama cada um de nós para fazer algo especial. (Microfonia) Civilização moderna (muito riso). Eu, outra vez recordo aquela reunião na Índia, com 500 pessoas, sem microfone e que eles escutavam.
               Mas de qualquer maneira, não escutando o que eu digo, chamem a minha atenção para isso. Essa mensagem da Casa Universal de Justiça que acabei de escutar aqui com vocês, tem partido do aspecto que cada um de nós deve ensinar a outra pessoa. Eu recordo e estou tentando aprender através das minhas próprias experiências, eu não posso aprender através da experiência de outras pessoas, só posso aprender através das minhas próprias experiências.
                Eu recordo da experiência na Bolívia, numa vila muito pequena, no meio das montanhas, uma fazenda, um sítio muito pequeno de uma família bahá’í. As pessoas naquela parte do mundo são muito pobres, porque a terra não é muito fértil, então são necessários muitos e muitos hectares de terra para poderem sustentar uma só família. Estávamos ali reunidos, tínhamos chegado lá de carro, com muita dificuldade, porque não havia estrada, íamos de um buraco a outro sobre os Andes. Havia ali talvez uns 20 ou trinta bahá’ís, pessoas, todos montanheses, todas pessoas simples.
                Eu recordo que depois que eu terminei a palestra, um homem, que me pareceu ser primo do dono da fazenda, se levantou e disse que gostaria de ser aceito como membro dessa Causa, porque de tudo que ele tinha ouvido, ele acreditava que Bahá’u’lláh era o enviado de Deus para hoje. Nós todos ficamos muito entusiasmados, muito alegres, era um encontro pequeno, 30 ou 40 pessoas talvez, lá em cima das montanhas. Nós demos a ele as boas-vindas, com muito carinho, com muita alegria,   dentro da comunidade bahá’í como um novo bahá’í. Ele foi oficialmente registrado e todo mundo estava muito contente. E então disse a ele “e agora quando você  voltar por todos estes caminhos para sua própria fazenda, você precisa ensinar sobre a Fé Bahá’í para aqueles que estão lá na sua própria terra. E ele disse “quem, eu? Mas eu não sei nada, eu recém me tornei bahá’í, eu não sei nada para ensinar.” Disse a ele que “aquilo que você escutou, você pensa que é bom, não pensa?”
                 E ele sabia. “E você também sabe que esta é uma mensagem para o dia de hoje”. E isso ele também sabia. E eu disse a ele “você sabe o nome daquele que trouxe a mensagem para o mundo: Bahá’u’lláh.” Ele teve muito problema com o nome Bahá’u’llah, não é espanhol. Finalmente, ele conseguiu pronunciar Bahá’u’lláh. Então eu disse a ele, agora: “são estas as três coisas, que você sabe e pode ensinar: esta é uma mensagem de Deus, estes são os ensinamentos para o dia de hoje, para toda a humanidade e quem trouxe os ensinamentos foi Bahá’u’lláh.”
                 Eu realmente acredito, queridos amigos, que obviamente esse é o final do século. Os ensinamentos bahá’ís nos afirmam que este é o século que vai haver o estabelecimento da Paz Menor. A Paz Menor que nós vamos ter até o final do século, é aquela paz estabelecida em todo o mundo, de uma maneira política, mas a Paz Maior, aquela que nós, no futuro, vamos nos dirigir, é a fase estabelecida por nações bahá’ís. Talvez isso não ocorra em 70 ou 100 anos, nós não sabemos.
                  A Paz Menor, no entanto, nós sabemos que vem até o final do século e é aquela paz quando os  povos do mundo, oficialmente, pararão de resolver os seus conflitos através do derramamento de sangue e da guerra, não é claro as pequenas disputas tribais mas sim, oficialmente, a generalidade da humanidade, não mais vão fazer a guerra.
                   E a Paz Maior é aquela paz que as nações bahá’ís, preponderantemente, as nações bahá’ís vão estabelecer no mundo de acordo com os ensinamentos de Bahá’u’lláh. Isso virá, nós não sabemos quando, talvez em meados do próximo século, não sabemos, mas esta Paz Maior também virá. A melhor maneira pela qual eu consigo visualizar isso, em outra maneira de expressão, é através da Bíblia, “e o espírito do Senhor haverá de cobrir a terra, assim como a água cobre o mar”. Esta é a grande paz profetizada por Jesus Cristo. E isso virá através dos bahá’ís no próximo século. Ele será o florescimento da espécie humana como as conquistas espirituais, conquistas intelectuais, com as conquistas artísticas da espécie.
                    Mas eu acredito, pessoalmente, que a coisa mais importante para nós fazermos, eu e você, é permitir que as pessoas todas saibam que a Fé Bahá’í existe, porque a maior parte das pessoas não sabem que a Fé existe. Sem sermos o que a gente poderia dizer “chatos”, sem sermos insistentes ou incorretos na nossa atitude, mas precisamos executar alguma ação que permita as pessoas saberem da existência da Fé. Realmente eu viajo tanto que às vezes eu me pergunto “aonde é que eu estou?”. Por exemplo, esta nossa conferência, pode oferecer um instrumento muito natural, muito oportuno para esse ensino, nós podemos voltar para as nossas casas e dizer “eu participei de uma conferência muito bonita, havia pessoas de várias partes do Brasil, pessoas de outros países, aqui outras nações representadas, havia tantas tribos.” No final da conferência vocês podem receber estatísticas de quantas pessoas de várias partes estiveram presentes e esta é uma maneira muito prática, bonita de dizer as pessoas que “eu estive lá também, que é uma conferência bahá’í e eu também sou bahá’í”, de uma maneira natural e gostosa de falar da Fé a ele. Nós podemos, no final  da conferência, então ter essas estatísticas e vocês podem utilizá-las depois. Não tanto estatísticas que vão dar números, porque não é uma conferência tão grande, mas que vai dar algumas estatísticas de quantas regiões estavam representadas, quantas cidades estavam representadas, de que lugares vieram as pessoas. Isso dá uma impressão muito grande da unidade na diversidade que tivemos aqui.
                       E também é muito importante contar que nesta conferência, onde temos tantas raças representadas, tantas regiões, tantas cidades, que também as nações indígenas baha’ís estavam aqui presentes e que participaram conosco. Uma conferência como esta é uma oportunidade maravilhosa que nós podermos compartilhar a Fé com as pessoas, mas de uma maneira natural, vamos dizer que estivemos lá, as pessoas vão nos perguntar a respeito da Fé, se nós tivermos um folheto nos podemos dar a ele para que saibam mais. É uma oportunidade maravilhosa para eles.
                        Acredito que os bahá’ís deveriam parar para pensar um pouco mais a respeito desse assunto.
                        Não sei exatamente qual a população do planeta, mas hoje em dia são cerca de 6 bilhões de pessoas em todo o planeta e desse conjunto os bahá’ís são um grupo bastante pequeno. Shoghi Effendi, o Guardião da Fé, costumava dizer que nessa dispensação de Bahá’u’lláh a maioria dos povos do mundo aceitarão a Causa. Não a totalidade, a totalidade significaria cem por cento, mas a maioria representa um índice bastante alto e óbvio do que representa um grupo total
                        Tenho certeza, nessa reunião, nessa conferência nós temos muitos bahá’ís que participam em instituições, na Assembléia Nacional, nos Comitês Regionais, nas Assembléias Locais, nos outros comitês, todos nós somos bahá’ís muito dedicados. O amado Guardião costumava sempre dizer aos peregrinos que vinham do Ocidente enquanto estávamos reunidos na mesa junto com os peregrinos e eu tinha a oportunidade de estar junto, obviamente, enquanto o Guardião se dirigia a eles. O Guardião costumava contar uma história de um imperador europeu que costumava gritar na frente de seu exército viajando é, óbvio para algum tipo de luta, aquilo que as pessoas costumavam viajar para fazer, até recentemente. E ele estava junto com todo esse exército andando ao longo do rio Reno. O Reno é um dos grandes rios da Europa. Então um missionário cristão encontrou esse rei e converteu este rei para o cristianismo. Então esse rei, Carlos Magno diz ao seu exército “entrem no rio Reno e sejam batizados”. Eles entraram dentro do rio, pagão, então em nome do pai e do filho do espírito santo e de um pouco de água, eles saíram cristãos.
                        Sabe, este tipo de coisa nos deveriam fazer pensar, porque são coisas muito significativas.
                        Eu não sou muito boa nessas coisas, em histórias, em datas mas havia um rei da Noruega, que visitou, fez uma peregrinação a Jerusalém. Ele se tornou um cristão devotado e voltou novamente para seu lar, na Noruega. Então ele disse à sua nação: “De hoje em diante todos vocês são cristãos”. Simples dessa maneira. Não sei como os bahá’ís pensam que vão trazer a maior parte da humanidade para dentro da Causa de Bahá’u’lláh. Será com conferências desse tamanho? Vejam, nós temos tudo a nosso favor: nós temos a Casa Universal de Justiça, o Centro Internacional de Ensino, temos os Corpos de Conselheiros, temos as Assembléias Nacionais, temos os membros do Corpo Auxiliar, temos os Comitês, tudo, tudo está pronto. Devido a minha característica de ser artista, eu sempre visualizo as coisas em imagens. Então imagino um homem que tem uma casa muito agradável e que tem um gramado muito bonito na frente da sua casa, e ele comprou um automóvel há pouco tempo, um automóvel muito bonito e colocou esse automóvel estacionado na frente do gramado. O objetivo de um automóvel não é deixar estar estacionado na frente do gramado, é entrar dentro do automóvel e ir a algum lugar. Agora nós temos a administração da Fé, esse é o automóvel. Depois de todos esses trabalhos, todos esses esforços, por parte de ‘Abdu’l-Bahá, por parte de Shoghi Effendi, por parte da Casa Universal de Justiça, tudo isso está organizado, tudo está indo bem. Agora vocês devem entrar no carro e ir para algum lugar. Então, como eu disse, vejo tudo em imagem, vamos entrar dentro desse automóvel, vamos que já está pronto, preparado e vamos ir a algum lugar com ele, ensinando a Fé Bahá’í. Eu gostaria muito de responder perguntas, se nós temos tempo para isso. Agora gostaria que ela viesse por escrito, que por minhas experiências em conferências, as pessoas muitas vezes quando querem fazer perguntas se perdem, mas quando elas escrevem elas conseguem ser mais objetivas e aí nós podemos ler todas aqui e responder.
                          Eu trouxe um bonito quadro para presentear à Assembléia Espiritual Nacional e enquanto  vocês estão escrevendo as perguntas, posso mostrar a vocês o que eu trouxe para colocar Haziratu’l-Quds da Assembléia Nacional. Ratificando, é para a Sede Local de Salvador.

                           No dia 11 de agosto, domingo, o jornal A TARDE, publicou o seguinte texto em seu Caderno 2, com três fotos da Sra. Rabbani com Heather McLane Marques, agente consular dos EUA, Germano Tabacoff, Anna Amélia Vieira Nascimento, Pedro Godinho, Yolanda Pires e Gabriel Marques:

                     "Viver Viver, Viver com Fé
                       Como na Santa Ceia, a mesa do Hotel Meridien foi posta em nome da paz e da fraternidade. Era uma quinta-feira de festa lavrada na fé bahá’í que aqui recebia sua primeira-dama, a Sra. Ruhiyyih Rabbani, nome religioso da canadense Mary Sutherland Maxwell, readicada em Israel. Ela é a pioneira do movimento verde, ecologista de primeira hora,  inspiradora  das  inúmeras  ONGs  ora preocupadas  com o  meio ambiente,  as minorias e a confraternização entre os povos. Está voltando à Amazônia depois de tê-la visitado  há  20  anos.  Leva  o  mesmo  fotógrafo que  a  acompanhou para  registrar  as condições de vida dos indígenas, o também Bahá’í Anthony Worley, radicado na Bahia. Aqui a Sra. Rabbani rega com um encontro, no Hotel da Bahia, a semente de sua fé plantada há 75 anos. Isso mesmo. A Bahia é Bahá’í e primeira cidade a ter um templo dessa Religião. Dos 100 mil adeptos espalhados pelo Brasil, 10 mil estão em nosso estado e sete mil em Salvador. Isso merecia comemoração como mereceu coanto de “parabéns pra você”a dama visitante, completando 86 anos na reunião de 55 pessoas levadas ao jantar ecumênico, somando seu povo, alguns políticos e convidados especiais, aídos da área cultural. Os que estiveram ouvindo as palavras dessa sábeia snhora aprenderam mais uma lição: Viver é ter projetos futuros, é investir no próximo e pensar grande.”