Uma Declaração da Comunidade Bahá'í do Brasil
A emancipação da mulher, a conquista da total igualdade
dos sexos, é essencial para o progresso humano e a transformação
da sociedade.
A desigualdade retarda não somente o avanço da mulher,
mas o progresso da própria civilização. A persistente
negação da igualdade para metade da população
do mundo é uma afronta à dignidade humana, e promove
atitudes e hábitos destrutivos em homens e mulheres que passam
pela família, local de trabalho, vida política e, em
última análise, para as esferas das relações
internacionais. Não existe nenhuma base moral, biológica
ou tradicional que justifique a desigualdade. O clima moral e psicológico
necessário para capacitar nossa nação a estabelecer
a justiça social e contribuir para a paz global será
somente criado quando as mulheres alcançarem completa parceria
com os homens em todos os empreendimen- tos.
A sistemática opressão da mulher é um fato conspícuo
e trágico da história. Restritas a estreitas esferas
de atividade na vida da sociedade, com oportunidades de educação
e direitos humanos básicos negados, sujeitas à violência,
e freqüentemente tratadas com desprezo, as mulheres foram privadas
de compreender seu potencial verdadeiro. Velhos padrões de
submissão, refletidos na cultura popular, na literatura e na
arte, na lei, e até em escrituras religiosas, continuam a impregnar
todos os aspectos da vida.
A despeito do avanço dos direitos políticos e civis
das mulheres no Brasil muito ainda necessita ser feito para a elevação
da condição da mulher em nosso país.
Os efeitos danosos do preconceito de gênero representam
um grave defeito na base de nossa vida nacional. Os benefícios
para a mulher jazem inquietantemente sobre imutáveis suposições
herdadas, mais geralmente não examinadas. Muito há
para ser feito. A conquista da total igualdade exige um novo entendimento
sobre quem somos, qual é nosso propósito na vida, e
como nós nos relacionamos uns com os outros - um entendimento
que irá nos compelir a remodelar nossas vidas e por meio disso
nossa sociedade.
Em nenhum outro tempo, desde o início do movimento pelos direitos
da mulher no Brasil, a focalização desse assunto
se fez tão urgente e vital. Estamos no limiar de um novo século
e de um novo milênio. Seus desafios já estão sobre
nós, influenciando nossas famílias, nossos estilos de
vida, nossa nação, nosso mundo.
No processo da evolução humana, o estágio da
infância já passou. A turbulência da adolescência
está gradativa e dolorosamente nos preparando para a maturidade,
quando o preconceito e exploração serão abolidos
e a unidade estabelecida. Os elementos necessários para unir
as pessoas e as nações são precisamente aqueles
necessários para estabelecer igualdade dos gêneros e
para melhorar os relacionamentos entre mulheres e homens.
O esforço para superar a história de desigualdade exige
a total participação e educação de todo
homem, mulher e criança. Há mais de um século
atrás, pela primeira vez na história religiosa,
Bahá’u’lláh, o Fundador da Fé Bahá’í,
anunciando o propósito de Deus para essa era, proclamou o princípio
da igualdade para mulheres e homens, dizendo: "As mulheres e os homens
sempre foram e sempre serão iguais aos olhos de Deus". O estabelecimento
de iguais direitos e privilégios para mulheres e homens - disse
Bahá’u’lláh - é um pré-requisito para
a obtenção de uma unidade mais ampla que irá
assegurar o bem-estar e segurança de todas as pessoas. Os Escritos
Bahá’ís afirmam enfaticamente que:"quando todo gênero
humano tiver recebido a mesma oportunidade de educação
e a igualdade entre mulheres e homens for estabelecida, as bases da
guerra serão completamente abolidas."
Conseqüentemente a visão bahá’í de igualdade
entre os gêneros baseia-se no princípio espiritual da
unidade do gênero humano. O princípio da unidade exige
que "consideremos a humanidade como um único indivíduo,
e cada um, como um membro desta forma corpórea", e que
nutramos uma consciência inabalável de que "se dor ou
injúria afligir qualquer membro daquele corpo, vai resultar
em sofrimento inevitável para todo o resto."
Bahá’u’lláh ensina que o propósito divino da
criação é a conquista de unidade entre as pessoas:
"Não sabeis por que Nós vos criamos a todos do mesmo
pó? A fim de que ninguém se enaltecesse acima dos outros.
Ponderai no coração, em todos os tempos, de que modo
fostes criados. Já que vos criamos a todos da mesma substância,
deveis ser como uma só alma, andando com os mesmos pés,
alimentando-vos com a mesma boca e habitando na mesma terra, a fim
de que, do imo do vosso ser, através de vossas ações,
se manifestem os sinais da unidade e a essência do desprendimento."
A total e igual participação da mulher em todas as esferas
da vida é essencial para o desenvolvimento social e econômico,
a abolição da guerra, e para o estabelecimento definitivo
de um mundo unido. Nas Escrituras Bahá’ís a igualdade
dos sexos é a pedra fundamental do plano de Deus para o desenvolvimento
e prosperidade humana: "O mundo da humanidade possui duas asas: o
homem e a mulher. Enquanto essas duas asas não forem equivalentes
em força, o pássaro não voará. Até
que o gênero feminino alcance os mesmos graus que o masculino,
até que participe da mesma arena de atividades, extraordinárias
realizações para a humanidade não serão
alcançadas; a humanidade não poderá voar rumo
às alturas da verdadeira realização. Quando as
duas asas ... se tornarem equivalentes em força, gozando das
mesmas prerrogativas, o vôo da humanidade será distinguidamente
sublime e extraordinário."
As Escrituras Bahá’ís estabelecem que proclamar igualdade
não é negar que existem diferenças de funções
entre mulheres e homens, mas sim, reconhecer seus papéis complementares
no lar e na sociedade. Estabelecendo que a aquisição
de conhecimento serve como uma "escada para a ascensão humana",
Bahá’u’lláh prescreve idêntica educação
para mulheres e homens mas estipula que quando os recursos são
limitados, a prioridade deve ser dada às mulheres. A educação
das meninas é particularmente importante porque, embora ambos
os pais tenham responsabilidades na criação das crianças,
é através de mães educadas que os benefícios
do conhecimento podem ser mais efetivamente difundidos em nossa sociedade.
Respeito e proteção à maternidade sempre foram
usados como justificativas para manter as mulheres social e economicamente
em desvantagem. É este resultado discriminatório e nocivo
que deve mudar. Grande honra e nobreza são certamente conferidas
ao estado de maternidade e a importância do ensino às
crianças. Referindo-se a esta elevada posição,
os Escritos Bahá’ís atestam, "Oh! Vocês amadas
mães, saibam que aos olhos de Deus, a melhor das maneiras de
louvá-Lo é educar as crianças e treiná-las
nas perfeições do gênero humano...".
O grande desafio da sociedade é criar as condições
necessárias, tanto social como econômicamente para a
participação igual e total das mulheres em todos os
aspectos da vida, enquanto simultaneamente reforça as funções
críticas da maternidade.
Declarando que mulheres e homens partilham similares "graus e estados"
e "são igualmente recipientes de poderes e dons de Deus", os
ensinamentos bahá’ís oferecem um modelo de igualdade
baseado no conceito de parceria. Somente quando as mulheres se tornarem
totalmente participantes em todos os campos da vida e puderem entrar
em importantes arenas de tomada de decisão estará a
humanidade preparada para embarcar no próximo estágio
de seu desenvolvimento coletivo.
As Escrituras Bahá’ís, enfaticamente, atestam que a
mulher será o grande fator no estabelecimento da paz universal
e decisões internacionais. "Assim chegará o momento
em as mulheres participarão igual e totalmente nas questões
do mundo. Quando elas entrarem confiante e eficazmente na grande arena
de leis e políticas, as guerras cessarão; porque a mulher
será um obstáculo e um impedimento para a guerra".
A eliminação da discriminação contra as
mulheres é uma obrigação moral e espiritual imperativa
que deve, no final das contas, remodelar os arranjos legais, sociais
e econômicos. Promover a entrada de um grande número
de mulheres em posições de proeminência e autoridade
é uma necessidade mas não um passo suficiente na criação
de uma justiça social.
Sem mudanças fundamentais nas atitudes e valores individuais
e no caráter fundamental das instituições sociais,
uma total igualdade entre mulheres e homens não poderá
ser atingida. Uma comunidade baseada em parceria, uma comunidade na
qual as agressões e o uso da força são suplantados
pela cooperação e consulta, exige a transformação
do coração humano.
"O mundo, no passado, foi regido pela força, e o homem dominou
a mulher por ser mais impetuoso e agressivo de mente e corpo. Mas
o equilíbrio já está mudando; a força
está perdendo seu domínio, a agilidade mental, a intuição
e as qualidades espirituais de amor e serviço, nas quais as
mulheres são fortes, estão ganhando ascendência.
Conseqüentemente a nova era será menos masculina e mais
permeada com os ideais femininos... uma era em que elementos masculinos
e femininos da civilização serão mais equilibrados."
Os homens têm um dever do qual não podem escapar, que
é promover a igualdade da mulher. A presunção
da superioridade pelo homem impede o desenvolvimento das mulheres
e inibe a criação de um ambiente onde a igualdade possa
reinar. Os destrutivos efeitos da desigualdade impedem os homens de
amadurecerem e desenvolverem as qualidades necessárias para
enfrentarem os desafios de um novo milênio. "Enquanto as mulheres
forem privadas de atingir suas mais altas possibilidades," as Escrituras
Bahá’ís atestam, "os homens não serão
capazes de atingir a grandiosidade que pode ser deles". É essencial
que os homens se engajem num cuidadoso e ponderado exame de atitudes,
sentimentos e comportamentos profundamente enraizados nos hábitos
culturais, que bloqueiam a igual participação das mulheres
e suprimem o crescimento dos homens. A vontade dos homens de tomar
responsabilidade pela igualdade criará um ótimo ambiente
para o progresso: "Quando os homens reconhecerem a igualdade das mulheres
não haverá mais necessidade para que elas lutem pelos
seus direitos."
A longa, profunda e enraizada condição de desigualdade
tem de ser eliminada. Para superar tal situação exige-se
o exercício de "amor genuíno, extrema paciência,
humildade verdadeira, tato consumado, iniciativa sadia, sabedoria
madura, deliberado e persistente esforço devotado." Tenhamos
em nossos corações e em nossas mentes esta promessa
de Bahá’u’lláh: "O dia virá em que os homens
darão boas vindas às mulheres em todos os campos da
vida."
Agora é o tempo para nos movermos decididamente rumo ao futuro
prometido!
Comunidade Bahá’í do Brasil
Caixa Postal: 7035
CEP 71619-970, Brasília, DF
Fax: (0XX61) 364-3470
Tel: (0XX61) 364-3594
E-mail: info@bahai.org.br
http://www.bahai.org.br