Educando Alunos 
Livres de Preconceitos 
Uma oficina para educadores sobre tema transversal no currículo escolar
por 
Heather McLane Marques e Gabriel Marques


EDUCAÇÃO
UNIDADE DA HUMANIDADE
UNIDADE NA DIVERSIDADE
CIDADANIA MUNDIAL
DURAÇÃO DA OFICINA
ENSINANDO CRIANÇAS SOBRE A UNIDADE
MOSTRA DE MATERIAIS EDUCATIVOS
DESENVOLVIMENTO DE ELEMENTOS CURRICULARES
VÍDEO: “CHAMANDO TODAS AS CORES”
PROCESSAR O APRENDIZADO

SOBRE OS AUTORES
CONTATO



     Trazer a tona uma nova compreensão sobre como os professores podem influenciar e desenvolver a habilidade de seus alunos em se relacionarem amigavelmente com outras pessoas e para apreciarem a diversidade; aumentar sua compreensão de que os alunos em sí mesmos possuem uma percepção aguda da realidade e que podem contribuir decisivamente na proposição de soluções, é um dos objetivos da Oficina ‘Educando Alunos Livres de Preconceitos’, dentro da proposta de inclusão nos currículos do tema transversal: pluriculturalismo. Dirigida a professores e administradores escolares, a Oficina cria um ambiente propício para se ponderar e refletir sobre quão profundamente um professor pode influenciar a atitude da criança na apreciação de pessoas de diferentes raças, culturas ou aparências; desenvolve formas e maneiras de sensibilização dos alunos para apreciarem a diversidade e para explorarem as implicações do conceito da “unidade”;  estimula também nos participantes o reconhecimento e criação de um ambiente apropriado na escola para a educação de “alunos livres de preconceitos”,  desenvolvendo novas abordagens e atividades educativas que promovam o conceito da cidadania mundial.

             A proposta básica da oficina é promover uma transformação em relação a atitude do professor, de forma a se promover uma nova cultura, não mais reativa ao preconceito em suas diversas formas de manifestação, mas uma cultura que reconheça e valorize a diversidade como fonte de riqueza, beleza e poder. Neste sentido, a oficina através de uma abordagem pró-ativa, busca introduzir soluções mais permanentes ao problema, através da criação de uma visão e currículos que reconheçam as diferenças e que valorize a diversidade, especialmente considerando o fato de que os corpos discente e docente de nossas escolas possuem uma ampla variedade de origens religiosas, economicas e raciais.

             É extremamente importante estabelecer as premissas básicas logo no início da oficina.  Tais premissas, tem como objetivo estabelecer as base para o desenvolvimento de novos elementos curriculares.  Dentre tais premissas se destacam: O papel vital do processo educativo na transformação individual e coletiva; a introdução aos princípios da unidade da humanidade e a unidade na diversidade.

 

Educação

             Reconhecidamente a educação é o instrumento mais eficaz para se moldar valores, comportamentos e habilidades. A educação alem disso, diante dos processos de evidente globalização do planeta, deve preparar as futuras gerações para uma sociedade multicultural.

             Grande parte de nossas dificuldades atuais, no campo das relações entre os povos, está relacionada com a cultura, isto é, existe uma série de valores e estereótipos que estão internalizados em cada cultura e que precisam ser compreendidos e questionados.

             Neste sentido, se a cultura é parte do problema, ela também deve ser parte da solução.Assim é preciso introduzir elementos de uma visão mais universal nos currículos escolares, de maneira a criar uma apreciação pelo diferente; saber que diferenças não significam necessariamente conflito e o conflito não implica obrigatoriamente em violência, assim como harmonização não significa homogeneidade.

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Unidade da Humanidade

             Este princípio está baseado na afirmação e visão contida na seguinte declaração expressa por Bahá’u’lláh em meados do século passado: “A Terra é um só pais e os seres humanos seus cidadãos.” O imenso desafio deste final de século é o de encontrar uma visão comum da natureza do homem e da sociedade humana, a busca de um novo modelo de vida, que possa transformar o atual padrão de conflitos e disputas em uma visão positiva de futuro, onde prevalesçam a harmonia e a cooperação, ajuda mútua e reciprocidade.
             A história, até os dias de hoje, registrou principalmente a experiência de tribos, culturas, classes e nações. Com a unificação física do planeta neste século e o reconhecimento da interdependência de todos os que nele vivem, a história da humanidade como um só povo está agora começando. Temos que reconhecer que “o longo e vagaroso processo civilizatório do caráter humano desenvolveu-se de modo esporádico, desigual e reconhecidamente injusto quanto as vantagens materiais que proporcionava. Contudo, dotados da riqueza de toda a diversidade genética e cultural que evoluiu ao longo das eras passadas, os habitantes da Terra são hoje desafiados a recorrer à sua herança para assumir de maneira consciente e sistemática, plena responsabilidade pelo traçado de seu futuro. De acordo com Shoghi Effendi, “a unificação da humanidade inteira é o distintivo da etapa da qual a sociedade humana atualmente se aproxima”.

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Unidade na Diversidade

            O vasto conteúdo e implicações deste novo conceito, bem pode ser deduzido da seguinte declaração:  “ A diversidade na família humana deveria ser a causa de amor e harmonia, assim como o é na música, onde muitas notas diferentes se harmonizam a fim de produzirem um acorde perfeito.

             Descartando a uniformidade como padrão nas relações entre os muitos povos do planeta, a intodução do princíupio da unidade na diversidade reconhece e reforça a necessidade da valorização da contribuição de cada cultura. Bahá’u’lláh (1817-1892) comparou o mundo ao corpo humano. Na verdade, no mundo dos fenômenos, não existe outro modelo aceitável ao qual possamos olhar, que exemplifique com melhor perfeição a unidade e diversidade das interações entre as partes componentes da sociedade humana, bem como reconhece a diversidade de pensamentos, culturas, climas, temperamentos, etc. como fonte de riqueza e beleza.

            O princípio da Unidade na Diversidade está intimamente associado ao conceito da Unidade da Humanidade . A apresentação de ambos os conceitos, dentro da proposta de uma educação formadora de novos habitos e valores, traz à tona o surgimento de um novo tipo de cidadão, agora comprometido com uma visão mais ampla: preocupado não apenas com o local, mas também com o global.

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Cidadania Mundial

             Conforme esclarecido por Shoghi Effendi, a Cidadania Mundial começa com a aceitação da unidade da família humana e a interconexão das nações da “terra, nosso lar”. Ao mesmo tempo em que incentiva um patriotismo são e legítimo, ela insiste também numa lealdade mais ampla, um amor à humanidade como um todo. Não implica, entretanto, no abandono de lealdades legítimas, na supressão da diversidade cultural, na abolição da autonomia nacional ou na imposição da uniformidade. Ela é caracterizada pela “unidade na diversidade”.

             A cidadania mundial engloba os princípios de justiça social e econômica, entre as nações e dentro das mesmas; a tomada de decisões de maneira cooperativa em todos os níveis da sociedade; a igualdade dos sexos; a harmonia racial, étnica, nacional e religiosa; e, a disposição de sacrificar-se pelo bem comum. Outras facetas da cidadania mundial - todas as quais promovem a honra e a dignidade humanas, a compreensão, a amizade, a cooperação, a confiabilidade, a compaixão e o desejo de servir - podem ser deduzidas daquelas já mencionadas. Portanto, o conceito de cidadania mundial precisa ser ensinado e enfatizado em todas as escolas. Alguns temas  poderiam ser abordados, como forma a realçar a importância da questão, servindo como tema de redação e concursos.

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Duração da Oficina

             A duração ideal da oficina é de dois dias, a fim de estabelecer uma nova visão de cultura voltada para a apreciação do diferente, com maiores oportunidades de desenvolvimento de elementos curriculares para cada matéria e estabelecer parcerias entre os professores, no sentido de entrelaçar os conhecimentos das diferentes matérias (geografia, historia, matemática, etc.) com os novos elementos curriculares.

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Ensinando Crianças sobre a Unidade

             Um dos elementos mais importantes da oficina é a oportunidade de compartilhar com os participantes os conceitos básicos sobre a unidade da humanidade e a unidade na diversidade no programa da escola, visando o desenvolvimento de um currículo em relação ao reconhecimento e valorização da diversidade, isto é, a educação de crianças que amam a diversidade. Os materiais utilizados nesta atividade consiste de um jogo de pequenos textos alusivos ao tema de ‘unidade’, seguidos de desenhos que complementam os textos.

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Mostra de materiais educativos

             A Oficina inclui ainda a exposição de materiais didáticos como forma de apoio ao professor em sua tarefa de educar alunos cidadãos do mundo.  Uma relação de livros e materiais,  em forma de uma bibliografia comentada é apresentada aos participantes, como demonstração da existência e disponibilidade de recursos didáticos, que podem servir na implementação das idéias do tema.  Um pequeno exemplo destes materiais é o  livro Matemática Multicultural, que inclui a utilização do Ábaco, por exemplo, na China.  Outros materiais tratam de atividades  no campo das ciências sociais, literatura, música e outros e que podem ser utilizados da pré-escola ao segundo grau.

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Desenvolvimento de Elementos Curriculares

             No coração da Oficina está o envolvimento dos professores no planejamento e desenvolvimento de elementos curriculares voltados para a realidade de cada escola. Tais elementos são desenvolvidos pelos próprios professores, através da interação de professores de diferentes matérias.  Neste sentido, é também a oportunidade da criação de uma visão unificada quanto às possibilidades de um currículo integrado, onde professores de diferentes matérias estarão ensinando e reforçando os mesmos conceitos.

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Vídeo: “Chamando todas as cores”

             Este vídeo traz à tona a importante questão e percepção de que as crianças estão atentas à questão da discriminação e podem ajudar na solução do problema.  A mostra do vídeo de 20 minutos demonstra a consciência das crianças sobre assuntos raciais. O vídeo mostra imagens de uma conferência organizada por crianças e para crianças, na Carolina do Sul, Estados Unidos.  A apresentação de tal vídeo dentro da oficina tem como objetivo chamar a atenção dos participantes para os sentimentos e atitudes das crianças em relação ao racismo e à unidade racial, bem como aquilo que elas acreditam ser a solução.  Observa-se ainda alguns jogos que podem aumentar a sensibilidade das crianças e jovens para a necessidade de unidade e integração entre diferentes grupos. Ao término da apresentação do vídeo,  alguns questionamentos são apresentados aos participantes, e embora não se espere uma resposta verbal, o objetivo é levar a uma reflexão mais profunda sobre o tema do preconceito.
             Quão consciente estão as crianças sobre questões raciais?
             Qual é a capacidade das crianças de compreenderem o conceito de racismo versus unidade e para influenciar outras crianças?

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Processar o aprendizado

             Longe de consistir em meras sessões expositivas, de análise, reflexão e desenvolvimento de novos elementos curriculares voltados à educação livrre de preconceitos, os participantes são chamados ainda a processar o aprendizado através da reflexão dos conceitos gerais apresentados e são levados a responderem questionamentos tais como:

            Como pode o professor demonstrar o poder do exemplo?  Quais são as implicações da questão do exemplo para educadores? O que se tem aprendido sobre a capacidade de crianças em tratar deste assunto, quando apoiados pelos pais, professores e pela comunidade?

            O que acontece quando existe pouco ou nenhum apoio e as crianças tem muitas experiências negativas? O que se tem aprendido sobre o papel e o poder dos professores em ajudar seus alunos a compreenderem e praticarem o conceito da unidade da humanidade?

            Como podemos encorajar em nossos alunos as características de uma criança livre de preconceitos, que amam a diversidade e tem a coragem de se levantarem para promover a unidade da humanidade?

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Sobre os autores

== Heather May McLane Marques é mestra em educação pela Lesley College e em Biblioteconomia pela Universidade de Southern Mississippi;  Facilitadora do Programa Gestão Participativa da UFBA; tem graduação em Estudos Latino-Americanos pela Universidade de California, Los Angeles.

== Gabriel Marques é autor do livro “Da Senzala à Unidade Racial”, membro da Afro Latin-American Research Association (University of Missouri) e membro da Comunidade Bahá’í do Brasil.

Onde encontrar maiores informações sobre a Oficina

Pode-se escrever diretamente para os autores:
Av. Jorge Amado, 176/904 - Imbuí, 41.740-140 Salvador, Bahia.
E-mail: gmarques@svn.com.br
ou pelos telefones/fax: 071-231.8210/ 345.1545

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