ROBERT S. ABBOTT
O Bahá’í World registra com pesar o passamento de Robert S. Abbott, que pertenceu a Comunidade Bahá’í de Chicago por alguns anos, durante os quais, sempre que a saúde o permitia, se associava em companhia de outros amigos bahá’ís e com grande sinceridade e devoção não poupava esforços para promulgar a Fé Bahá’í, especialmente o princípio da Unidade da Humanidade, a justiça do qual ele sentia tão profundamente.
The Chicago Defender, a principal publicação do país, a dedicar-se aos interesses da raça negra e ao princípio de justiça e retidão, escreveu o seguinte a respeito de seu respeitável e querido editor, através da pena de Lucius C. Harper:
“O decano do jornalismo Negro está morto. Até mesmo seus contemporâneos, que muitas vezes questionavam sobre a sabedoria com que conduzia a sua vida, não lhe negaram aquele título honorável em morte. Ele desbastou até o fim a floresta da dúvida e do desespero, com uma honestidade de coração e um espírito determinado. Ganhou vitórias lutando sempre com muitas dificuldades. Amava a vida e as suas aflições. Coragem para enfrentar os problemas nunca lhe faltou.
Robert S. Abbott dividiu a vida em quatro palavras dinâmicas ... Amor, Ideal, Fé e Energia. Ele as usou no caminho do sucesso. Colocava de lado os indecisos, os zombadores... tapava seus ouvidos para não escutar o programa de rádio “Isto não pode ser Feito”, e construiu um monumento duradouro para o seu longo e incansável trabalho... The Chicago Defender.
Ele educou os da sua raça para exigirem os seus direitos como cidadãos. Removeu-os dos lamaçais dos pântanos e do desânimo para a terra prometida de esperança e de liberdade. A parte Sul (dos EE.UU) desprezava-o pela sua coragem e com ameaças de morte proibia-o a retornar para a terra do seu nascimento. Ele não conhecia a derrota. Para ele, a morte era uma vitória sobre a dor.
Robert S. Abbott foi um homem de uma idéia, a qual é tudo o que o cérebro de qualquer homem de ação jamais pode aprisionar. Ele não foi um filósofo que perdia tempo, e portanto acreditava que tinha uma missão no mundo; que precisava se envolver rapidamente no seu trabalho, não descansando dia ou noite, até que este houvesse sido concluído. Ele foi o Toussaint L’Ouverture do jornalismo; não era um bom protótipo para a paz em um mundo que prospera sob o lema: “alguns homens se elevam, enquanto outros declinam”; porém o modelo que aqui e lá, em decadência através dos tempos, foi necessário para inflamar uma chama que deveria queimar instituições maliciosas e erros antigos no cadinho de uma raça que se despertava. Sua breve vida como um jornalista e abolicionista foi dedicada contra a injustiça no trabalho, contra a pobreza e a miséria. Seu instinto natural jamais fora deturpado ou paralisado pela erudição. Sua mente era obstinada por amor à sua raça; seu aguçado senso de justiça e profunda simpatia eram capazes de igualar-se ao mais alto padrão de educação. Ele jamais perdeu o traço comum; era um defensor militante dos humildes. Acreditava em Deus e em sua raça.
Não era minucioso, fanático ou interesseiro. Era como todos os homens de visão que impressiona profundamente a geração com a qual convive. Tivesse ele limitações e interesse na sua luta para erguer a sua raça naqueles dias tempestuosos, de disputas e pobreza, ele teria indagado a si mesmo: “ O que adianta isto?” e a resposta seria por uma vida fácil e uma morte serena.
Quando empenhou-se em levantar o homem negro ao mesmo nível do homem branco, ele foi estigmatizado como um radical. O radical de hoje, é o conservador de amanhã e outros mártires conduzem o trabalho através de outras noites, e o surdo e o mundo estúpido cravam seus fatigados pés sobre os chinelos de areia encharcados pelo suor de suas testas e o mundo continua em movimento.
Felizardos são os filhos dos homens negros, quando tais mártires e servos fiéis da raça, tais como Robert S. Abbott nascem sobre a terra. Sobre seus berços negligenciados cantam as estrelas do amanhecer, e ao redor de seus humildes lares, quietude e expectativa aguardam as frescas brisas da manhã, que levarão para longe a neblina antes do nascer do sol, e assim a raça do homem, ferida pelas correntes, pode ver clarear a chegada do progresso.
Adeus, ‘Comandante’, você apontou para uma estrela ... possa ela iluminar os nossos pés fatigados ao longo do caminho da esperança , como ocorreu com você em seus passados anos de dificuldades.
A edição do The Chicago Defender do dia 09 de Março, dedica a maior parte da sua edição à história da vida deste homem notável, mostrando a sua luta no interesse dos seus irmaõs e pagando um valioso tributo à realização dos ideais que ele alcançou. Descrevendo os serviços que foram realizados por ocasião do seu funeral, é citado a longa lista das pessoas proeminentes que se aglomeravam para prestar homenagem ao Sr. Albert Abbott, e entre aqueles que oficiaram a cerimônia estava o Sr. Albert Windust, coordenador da Assembléia Espiritual Bahá’í de Chicago, de cuja Comunidade o Sr. Abbott era um membro.The Bahá’í World, 1938-40, Vol. VIII, pp.666-68
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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.