WALDETRUDES PEIXOTO DA SILVA FILHA
1920-1997Waldetrudes Peixoto da Silva Filha, mais conhecida por Trude, como ela gostava de ser chamada, nascida entre dez irmãos, foi uma criança e uma adolescente tímida, magrinha e sem atrativos. Extremamente inteligente, foi uma excelente aluna e se destacou como pianista, se apresentando em recitais e recebendo da crítica abalizada inúmeros elogios.
Infelizmente, ela abandonou todos os seu estudos ao se casar ainda bastante jovem. Deste casamento nasceram quatros filhos.
Após o nascimento do primeiro filho, ela desabrochou em todos os sentidos: o “patinho feio” transformou-se em um lindo cisne. Sua beleza realmente a todos encantava.
Entretanto, o seu não foi um casamento feliz: aconteceram várias separações, até chegar à definitiva, quando já tinha os seus primeiros netos.
Apesar dos sofrimentos e dificuldades ela sempre foi uma pessoa muito alegre, cheia de vida, amorosa e sempre pronta a estender a mão a quem precisasse. Adorava música, dança e, principalmente, ler. Sempre leu muito e sobre quase tudo. Na realidade, ela foi uma autodidata.
O seu renascimento foi em 1961, quando devido ao seu anseio de ampliar os seus conhecimentos, decidiu retomar o seu curso de inglês. Ele, o Mais Generoso, a levou a procurar a Sra. Margot Worley para este fim. Assim ela conheceu e veio a aceitar esta amada Causa e, aos poucos, foi envolvendo seus filhos através da transmissão direta e indireta de Seus ensinamentos. Logo, suas duas filhas se declararam e anos mais tarde seus dois filhos também.
Assim foi dado início a mais uma geração de bahá’ís que já se estende aos bisnetos.
Durante toda a sua vida, desde o dia da sua declaração, sua casa sempre esteve aberta para as atividades bahá’ís, assim como para receber os amigos em viagem de serviço à Causa.
Trude estava entre os primeiros instrutores a visitarem a região indígena de Mirandela/Bahia. Serviu durante muitos anos como ajudante do membro do Corpo Auxiliar. Foi membro das Assembléias Espirituais Locais da Bahia (assim se chamava na época), Lauro de Freitas, Salvador e Ilhéus, tendo sido pioneira nesta última localidade, onde sua principal atividade foi dar aulas para crianças. Durante alguns anos ela foi o esteio da comunidade de Salvador. Tendo portanto demonstrado durante toda sua vida sua firmeza e imenso amor por Bahá’u’lláh.
No dia 11 de maio de 1995 ela sofreu um sério derrame que a deixou com os membros do lado direito paralisados e impossibilitada de se comunicar, assim como teve também a capacidade de compreensão reduzida. Apesar de ter momentos depressivos e de forte nervosismo, ela permanecia a maior do tempo tranqüila, doce, carinhosa, preocupada com o bem-estar de todos, ria bastante quando alguma situação lhe parecia engraçada, cantava junto com a gente, chegando até a dançar, mesmo sentada, e sempre participava das orações, não só ouvindo com reverência mas, também, ela própria fazia orações na sua linguagem incompreensível. É importante ressaltar ainda sua força de vontade, cooperação e determinação em relação a qualquer atividade ou exercício, quando compreendia ser em seu benefício.
No dia 3 de agosto de 1997, ele teve o segundo derrame, vindo a falecer 4 dias depois. Encontra-se sepultada em Ilhéus/BA, comunidade à qual dedicou os últimos anos de sua vida.
Nossos corações se enchem de gratidão e imenso afeto por todos aqueles, parentes e amigos que tanto se fizeram presente através de ações e demais manifestações de carinho, apoio e orações. Agradecemos particularmente às suas irmãs e cunhados que tanto nos ajudaram a cuidar dela com constante e amorosa dedicação. E agradecemos especialmente à Casa Universal de Justiça, ao Centro Internacional de Ensino e à Assembléia Espiritual Nacional dos Bahá’ís do Brasil pelas orações tanto durante sua enfermidade como por ocasião do seu falecimento.
Impossível deixar de expressar o nosso profundo e eterno amor por esta mãe que nos foi destinada por Deus e que tornou plena a sua missão ao se tornar também a nossa mãe espiritual. Que Bahá’u’lláh permita que sejam infinitos estes laços de sangue e de amor com que Ele Próprio nos abençoou. Obrigada, mãezinha querida. Obrigada, meu Deus, por nossa mãe. Seus filhos, genros e noras, netos e bisnetos
Ao tomar conhecimento de seu falecimento a Casa Universal de Justiça enviou o seguinte correio eletrônico, datado de 14 de agosto de 1997:
ENTRISTECEU-NOS TOMAR CONHECIMENTO DO FALECIMENTO DA MUITO AMADA PROMOTORA BRASILEIRA DA FÉ, WALDETRUDES PEIXOTO DA SILVA FILHA. SUA FIRME LEALDADE E MUITOS DEDICADOS SERVIÇOS SÃO AMOROSAMENTE RECORDADOS. ASSEGURAMOS ARDENTES ORAÇÕES NOS SEPULCROS SAGRADOS PELO PROGRESSO DE SUA RADIANTE ALMA EM TODOS OS MUNDOS DE DEUS. GENTILMENTE ESTENDAM SINCERAS CONDOLÊNCIAS À SUA FAMILIA E MUITOS AMIGOS.
A CASA UNIVERSAL DE JUSTIÇA
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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.