OLAVO NOVAES
1927 - 1994
 

            Olavo Novaes ficou conhecido por sua humildade, alegria, espírito sempre radiante, sua coragem e constância no serviço à Causa. Ele era puro amor e carinho. Todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo puderam saborear de sua simplicidade e doçura e se impressionar com a profundidade e sinceridade de sua fé. Ele estava sempre feliz e gostava de dar largas e envolventes risadas. Era uma alma livre, voando nos céus do ensino da Causa. Ele foi um dos primeiros crentes nativos  brasileiros a se levantar para cumprir metas de pioneirismo internacional.
            Nasceu no interior do estado de São Paulo em 1º de junho 1927. Tinha cerca de 27 anos quando conheceu a Fé Bahá’í. Trabalhava em um escritório de advocacia na cidade de São Paulo, onde realizava os serviços rotineiros junto ao fórum e outras repartições públicas. À noite, três vezes por semana, tomava conta da Sede da Sociedade Teosófica de São Paulo. Essa Sociedade emprestava sua sede para reuniões de outros grupos religiosos, inclusive para os bahá’ís. Ainda que os bahá’ís tivessem seu próprio local de reuniões, eles usavam a  Sociedade Teosófica para palestras. Assim Olavo Novaes teve a oportunidade de ouvir e conhecer muitos dos primeiros bahá’ís, incluindo a Sra. Leonora Armstrong, o Sr. e Sra. Edmund e Muriel Miessler, a Sra. Margot Worley, o Sr. Rangvald Taetz, dentre outros. Entre estes, estava o Sr. Lima, um dos bahá’ís de São Paulo, o qual, após as palestras, sempre convidava o Sr. Olavo para assistir às reuniões bahá’ís que se realizavam na residência dos Miessler ou na Sede Bahá’í. Naquele tempo, Olavo juntamente com o Sr. Dorian Seabra — quem igualmente participava da Sociedade Teosófica — passaram a comparecer regularmente, nos fins de semana, às reuniões na residência dos Miessler e a ajudá-los na difusão dos ensinamentos bahá’ís. Às vezes, nos finais de semana, visitavam casa a casa, quarteirão após quarteirão, entregando folhetos bahá’ís e, outras vezes, iam visitar alguns bahá’ís persas residentes na cidade de São Caetano.
            Olavo freqüentava todas as reuniões da comunidade. Passou a solicitar livros emprestados e a pesquisá-los com o maior interesse, inclusive a freqüentar mais regularmente a comunidade de São Caetano onde. com um maior número de bahá’ís presentes, ele podia trocar idéias. Em 1957 ele ainda não havia se declarado oficialmente, quando chegou a notícia sobre o falecimento do Amado Guardião: “ Eu estava trabalhando, quando me telefonaram dizendo:— Olavo, vem aqui! Vai haver reunião porque o Guardião morreu”.  A noite ele foi à reunião e ficou muito impressionado com a tristeza que se abateu sobre a comunidade bahá’í. Ele não podia entender muito bem o que estava se passando, o motivo de tanta consternação; entretanto, com seu bom temperamento, que quase sempre o levava a colocar uma pitada de humor até nas coisas tristes, ele relembra: “ Todos estavam chorando” . E pensava: “Puxa, tem tanta gente!. Agora que morreu um, estão todos chorando!”
            Naqueles dias Olavo estava muito impressionado com a grande movimentação dos bahá’ís em virtude do chamado do Guardião para que os bahá’ís, que estavam muito concentrados na cidade de São Paulo, saíssem para cidades menores no interior do estado.
            Teve o privilégio de conhecer várias Mãos da Causa de Deus, incluindo o Sr. William Sears e o Dr. Hermann Grossmann, o qual visitou o Brasil várias vezes. Em 1960 a Mão da Causa de Deus Sr. William Sears, durante uma reunião em São Paulo, fez um apelo para que um ou dois bahá’ís do Brasil pudessem se levantar e sair como pioneiros para a Colômbia, para auxiliar no cumprimento da meta de eleição da Assembléia Nacional daquele país no próximo ano. O próprio Olavo escreveu sobre aquele momento: “Então, uns choravam de um lado e outros de outro, e falavam que o único que poderia ir para lá era o Olavo. Eu pensava: — Como é que eu vou? Eu nunca tinha saído, ainda mais para a Colômbia ou outro país.  Até que começaram a gritar: “Olavo! Olavo!” Aí todos vieram e me abraçaram. Isto foi no dia 10 de abril de 1960”.
            Poucos dias depois Olavo viajava para a Colômbia, atendendo ao chamado de pioneirismo. Desligou-se de seu trabalho e, mesmo diante da incredulidade de seus colegas, aproveitou para confirmar sua fé e proclamar a Causa, dizendo que “agora era um pioneiro e que estava indo ajudar na formação da Assembléia Nacional. O pessoal que trabalhava lá começou a rir e dizer que eu ia só até Manaus e que quando  visse o que estava fazendo, voltaria no outro avião”.  Apesar das dificuldades da longa viagem, chegou na Colômbia a tempo de ajudar nos preparativos da eleição da Assembléia Espiritual Local de Cartagena, a qual foi eleita por aclamação, sendo ele próprio um dos membros daquela nova instituição. No ano seguinte, 1961, era eleita a Assembléia Espiritual Nacional da Colômbia. Olavo permaneceu como pioneiro naquele país por 13 anos, durante os quais dedicou-se como fervoroso instrutor viajante da Causa. Foi eleito membro daquela Assembléia Nacional, na qual serviu durante alguns anos. Incansável em seu trabalho, visitou juntamente com bahá’ís nativos e pioneiros da Colômbia centenas de localidades, abrindo-as à Causa de Deus. Existem muitos registros e relatos das inúmeras atividades de ensino de Olavo Novaes. Ele não conseguia ficar parado. Estava sempre se movimentando de lugar a lugar, sempre animado pelo amor ao ensino da Causa. Visitou também os países vizinhos à Colômbia, como o Peru, Bolívia, Equador, Panamá e Venezuela. Em 1967, por exemplo, cumprindo meta do Plano de 9 anos, Olavo em uma de suas viagens à Sierra Nevada, conseguiu a tradução de três orações bahá’ís para o idioma indígena Arhuaco. Ainda naquele mesmo ano, juntamente com Luiz Montenegro, então membro da Assembléia Nacional da Colômbia , visitaram as comunidades do Sudoeste da Colômbia, estando em Neiva, Florência, Pasto, Popayán, Jamundi, Cal, Tuluá, Pereira e outras localidades.
            Em 1968 a Assembléia Espiritual Nacional da Colômbia elaborou um plano de atividades, no qual seus próprios membros estariam encarregados do desenvolvimento de determinadas áreas, em colaboração com as Assembléias Espirituais Locais, em suas metas específicas. Pelo plano se pode depreender a grande participação de Olavo nas atividades levadas à cabo naquele período na Colômbia: “ …as A.E.L’s  de Barranquilla e Cartagena deverão coordenar com Betty Toomes e Olavo Novaes a introdução da Fé em Cesar, Bolívar, Atlántico, Magdalena, Córdoba e Sucre. Os grupos de Quibdó e Medellín se dedicarão à Antioquia e Chocó e nestes serão auxiliados por Galo Vanegas e Olavo Novaes. Cali será a força de apoio aos Departamentos do Valle, Cauca e Nariño e contarão para isto com Ines de Simmons e Leonor Porras. Bucaramanga estará encarregada de proclamar a Causa em Santander, Norte de Santander e Arauca. A Assembléia Espíritual Local de Letícia será apoiada por Olavo Novaes para o ensino em Caquetá, Putumayo e Amazonas. Na Guajira Colombiana já se encontram as Sr.as Paulina Morales e Lew Toomes, que se reunirão com a Sra. Betty Toomes em Riohacha para executar o plano coordenado entre os Guajiros.”  Assim, pelo plano da Assembléia Nacional, o Sr. Olavo Novaes deveria estar envolvido no trabalho coordenado de ensino, em nada menos que 11(onze) dos 27 (vinte e sete) Departamentos  da Colômbia.
            Quando da primeira visita do Dr. Muhájir à Colômbia, esta Mão da Causa de Deus manifestou aos amigos o desejo de que fosse dado ênfase ao ensino da Causa nas áreas indígenas. Prontamente Olavo, juntamente com os membros Auxiliares, Srs. Peter McLaren e Donald Witzel, e outros bahá’ís da Colômbia, iniciaram o trabalho de ensino naquelas regiões. Deu-se início à construção do Instituto Nacional Bahá’í em Riohacha, na região da Guajira e, logo em seguida, Escolas de Inverno e Verão e cursos de treinamento e capacitação de instrutores eram realizados com participação de amigos vindos tanto da Colômbia como da Venezuela. As atividades de ensino cresceram tanto nas comunidades indígenas da região da Guajira colombiana e venezuelana, que em 1967 a Assembléia Nacional comprou um veículo, tipo Jeep, e o entregou ao Olavo, devido às dificuldades de transporte e aos grandes desafios resultantes do crescimento da Causa naquela área.   Mais de 140 comunidades haviam sido abertas à Fé. Olavo conta: “Coloquei um alto-falante no carro e um ou outro falava, e então chamávamos a atenção do povo e de todo mundo ali esperando. Havia muitas moças que estavam nos ajudando. Cinco ou seis delas nos acompanhavam. Conseguimos também uma exposição. Por isso, naquele tempo, a Fé Bahá’í cresceu muito lá”.
            Durante aqueles anos, a Mão da Causa de Deus Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khanúm visitou a Colômbia e Olavo foi o seu guia na visita aos índios Yucos. Apesar das dificuldades do caminho, ele visitava regularmente aquelas comunidades. Ele mesmo relata que o local era de tão difícil acesso que “muita gente ia uma vez e depois nunca mais voltava lá” . A aldeia dos índios Yucos estava localizada em uma área inóspita da Guajira, onde veículos não conseguiam chegar. A viagem de cerca de 50 léguas era feita em parte à cavalo e os trechos mais difíceis do percurso eram feitos à pé. Ali foi onde levaram a Mão da Causa Sra. Rúhíyyih Khanúm e em mais algumas comunidades.
Naquela época o ensino da Causa estava concentrado no estado da Guajira, no extremo norte do país. Em uma de suas visitas, a Mão da Causa de Deus, Dr. Muhájir, solicitou que se testasse a receptividade à Causa em outras duas ou três novas áreas. O próprio Olavo recorda então, o ensino na região Chocó, próximo à fronteira com o Panamá: “ Eu encontrei muitos professores e todo mundo aceitou a Fé. Houve uma Conferência e eu fiquei lá seis meses, numa casa muito grande e todo o dia tinha reunião” . Dali as atividades de ensino e aprofundamento dos crentes se estendeu para o estado vizinho da Antióquia onde, na cidade de Medellín, em breve ocorreria uma conferência especial com participação de grande número de crentes tanto da Antióquia, como de Chocó.
            Com tantas atividades de ensino seguidas de centenas de novas declarações, ele relembra: “Tudo mudou no panorama da Colômbia” . Dr. Muhájir queria ver a receptividade do povo da Colômbia. Assim, enviaram alguns amigos a diferentes comunidades para prepará-las para uma visita da Mão da Causa de Deus. Olavo foi enviado à Puerto Tejada. Ele recorda: “Eles nos mandaram reunir o maior número possível de pessoas. Foi assim que eu cheguei lá. No primeiro dia, como eu nunca tinha ido lá, não achei nada, zero. No segundo dia, zero. Então, quase chorando, no terceiro dia um senhor gritou que se eu quisesse fazer alguma coisa ali, ele teria uma casa. Abriu a porta e emprestou essa casa” .
            Em seguida, ele fez uma visita ao pequeno cinema local, onde solicitou que anunciassem a vinda da Mão da Causa de Deus, Dr. Muhájir. Em seu caminho de volta afixou nos postes de iluminação pública pequenos cartazes também anunciando a vinda do Dr. Muhájir. Ainda não satisfeito perguntou a um senhor, morador da localidade, o que faria “ se quisesse juntar muita gente”. A resposta do homem foi: “ Pegue um rojão, solte aqui e todo mundo saberá que vamos ter uma reunião ou alguma outra coisa” . Olavo seguiu as dicas e comprou duas dúzias de rojões e passou a soltá-los um após o outro. Os moradores observavam Olavo soltando rojão toda a tarde.  A pequena cidade está no centro de uma região açucareira, onde ao longe muitos ouviram os rojões. Ao deixar as plantações ao fim do dia, muita gente começou a chegar. Assim ele descreveu o que se sucedeu: “ Então, muita gente ficou me esperando no final do dia. Vi aquele povão perguntando onde seria a reunião. Diziam: “Vamos estar todos lá!” Algumas horas mais tarde uma grande multidão já enchia toda a praça daquela pequena cidade. Quando os bahá’ís chegaram, acompanhando a Mão da Causa de Deus, Dr. Muhájir, e viram tão grande multidão, imaginaram que estava acontecendo algum outro evento na cidade e que não seria possível realizarem a reunião imaginada. Foi só então que se deram conta de que toda aquela população estava aguardando a vinda de Dr. Muhájir. Alguns bahá’ís ficaram assustados e disseram: “Olavo, como você fez isso? Nós não estamos preparados. Que é que vamos fazer agora?”  Olavo estava tranqüilo e sorridente, afinal a Assembléia Nacional havia lhe solicitado preparar uma reunião sem precedentes e era exatamente o que ele havia conseguido.
            A reunião foi coroada de grande sucesso, com muitas declarações. O grupo somente retornou a Cali na noite do dia seguinte, mas já com algumas decisões. Debaixo da guia da Mão da Causa de Deus, Dr. Muhájir, decidiram encontrar um terreno para construir um Instituto em Puerto Tejada. Da cidade de Cali, Olavo retornou três vezes à Puerto Tejada, antes de encontrar um local apropriado. Ele relata: “Fui e voltei. No primeiro dia nada; no segundo dia, nada. No terceiro dia me encontrei com um senhor, proprietário de uma empresa de ônibus, que me disse ter uma casa para vender. Caso o pagamento fosse em dinheiro, ele até venderia mais barato” . Alguns membros da Assembléia Nacional após verificarem a documentação e estando tudo “o.k.”, fecharam o negócio e logo em seguida fizeram uma reforma na casa para servir aos propósitos da Causa.
Depois de ter passado 13 anos como pioneiro dedicado inteiramente ao serviço da difusão da Causa de Deus na Colômbia, Olavo retornou ao Brasil. Foi para São Paulo de onde saíra no ano de 1960. Olavo nunca se casou.  Em São Paulo foi residir junto a uma irmã, mas estava se sentindo um pouco constrangido, pois não lhe sobrou tempo para ganhar e juntar algum dinheiro durante os anos de serviço à Causa. A situação estava bastante difícil. Ele já estava procurando um emprego há mais de dois meses e não conseguia um trabalho. Diziam-lhe: “A vaga que temos não é para você. Você merece um lugar melhor” . Ele apenas queria um trabalho. Aqueles dias foram difíceis para Olavo. Ele recorda: “É duro, depois de passar mais de 10 anos fora de casa, chegar e ainda pedir dinheiro emprestado!”  Um dia ele estava comendo cachorro-quente na porta de uma fábrica, enquanto buscava trabalho, e falou com o vendedor sobre sua situação. O vendedor lhe aconselhou: “Se quer dinheiro, venda cachorro-quente. À tarde você já terá dinheiro”.  Olavo disse que nunca havia trabalhado vendendo cachorro-quente e o vendedor propôs ensinar-lhe. Já no dia seguinte, Olavo estava vendendo cachorro-quente. Passava o dia vendendo cachorro-quente em um carrinho em frente à fábrica e ao final do dia recebia comissão pela venda. Não se passaram muitos dias e o dono, decidindo mudar de ramo de atividade, ofereceu vender ao Olavo os carrinhos de cachorro-quente. Olavo estava inseguro sobre o que fazer e também não tinha o dinheiro para comprar os carrinhos. O dono, entretanto, queria ajudar-lhe e facilitou tudo. Olavo se recorda: “Eu estava sem nada, zerado. Tudo o que ele pode ajudar, ajudou. Ele me deu dois carrinhos de cachorro-quente, todos os preparativos, a freguesia, as caixas de refrigerantes, para eu começar a trabalhar. É como dizem: às vezes, você não tem nada, a coisa está difícil; você começa a caminhar e todo mundo ajuda. Não é verdade? Foi isso que aconteceu comigo!” , concluiu ele.
            Alguns anos depois, quando o Brasil se preparava para receber a Mão da Causa de Deus, Amatu’l-Bahá Rúhíyyih Khanúm, no ano de 1975, para a “Expedição Luz Verde”, e uma grande Conferência de Ensino estava prevista em Manaus, no Amazonas, a Assembléia Nacional do Brasil convidou mais uma vez ao Olavo para realizar uma tarefa especial na região norte do país. Sem vacilar, Olavo, em apenas duas semanas, arrumou tudo. Deixou os carrinhos de cachorro-quente encostados na garagem da casa de sua irmã e zarpou para o novo serviço à Causa. Somente retornou à São Paulo dois anos mais tarde, encontrando seus carrinhos de cachorro-quente já em adiantado estado de ferrugem. Sua irmã então o aconselhou a vender os carrinhos, ao que ele atendeu, terminando com tudo aquilo.
            Levantou-se uma vez mais para o campo de pioneirismo. Desta vez foi para Belém, no estado do Pará, onde passou vários meses. Naqueles dias ele era um sustentáculo e apoio a outros instrutores que viajavam por aquelas distantes e quase isoladas regiões. Um instrutor viajante recorda ter estado com ele em Breves, na Ilha de Marajó. “Cheguei de barco ao porto apinhado de pequenas embarcações já ao por do sol. Olavo me aguardava com um sorriso em sua face iluminada. Ficamos juntos por umas duas semanas. Por onde caminhava cumprimentava e era saudado com respeito pelos moradores daquele pequeno lugarejo. Ele estava sempre feliz. Cantava durante boa parte do dia; contava casos de sua experiência no campo do ensino, algumas das quais ele relatava como se fossem divertidas anedotas e falava com imensa alegria dos dias de seu pioneirismo na Colômbia”.
            Depois do Pará, Olavo retornou à região do alto Amazonas (cidades de Marco, Letícia e Tabatinga) na fronteira do Brasil com Colômbia,  região que foi aberta à Causa por ele mesmo em anos passados.  Apesar da idade já avançada mantinha o mesmo espírito de serviço e dedicação. Alejandro Duque  relata os dias que passou com Olavo, por volta do ano de 1990, na cidade de Tabatinga: “ Em um daqueles dias, Olavo me chamou e disse: “Amanhã haverá uma festividade aqui em Tabatinga. Como virão pessoas de diferentes povoados, precisamos aproveitar para fazer uma proclamação da Causa”. O plano era acordar ainda de madrugada e afixar cartazes com dizeres bahá’ís nos postes da cidade, especialmente na rua principal, por onde seguramente passaria a grande maioria das pessoas. Combinamos nos levantar bem cedo e sair para realizar o trabalho. Despertei por volta das 6:00 horas e vi que o Olavo ainda estava dormindo. Pensei comigo mesmo: Olavo já está em a idade avançada. O melhor é  deixar ele dormir um pouco mais. Voltei a dormir e novamente despertei às 7:00 horas. Vi que o Olavo continuava a dormir. Deixei ele descansar um pouco mais e por volta das 7:30 o despertei, dizendo: Vamos, Olavo!”
            Ele virando-se para mim, disse que havia despertado às 4:00 horas da manhã, tinha pego sozinho uma escada e afixado os cartazes nos postes da rua principal…”
            Assim era o Olavo Novaes: um servo dedicado à Causa de Bahá’u’lláh! “Ele era uma alma única, inteiramente devotado à Causa; tinha uma coragem que só poderia ter nascido de uma fé indômita”
            Mais tarde dedicaria esforços na região Centro-Oeste do Brasil, especialmente nas cidades de Campo Grande, Cuiabá e Ponta Porã onde passou cerca de 7 meses. Novamente deslocou-se, agora para a região sudeste, visitando as cidades de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Niterói. Mais tarde retornaria ao norte do país, para Belém do Pará e depois para Manaus, onde passou seus últimos dias.
            Amável, alegre, descontraído; dedicou grande parte de seu tempo aos assuntos da Causa. Seu passamento para o Reino de Abhá ocorreu em 29 março de 1994, na cidade de Manaus, na região amazônica, tendo ele a idade de 66 anos.
            Ao tomar conhecimento de seu passamento, a Casa Universal de Justiça escreveu:
FICAMOS ENTRISTECIDOS AO TOMAR CONHECIMENTO DO FALECIMENTO DO SR. OLAVO NOVAES, QUE SE DISTINGUIU POR SUAS MERITÓRIAS ATIVIDADES DE PIONEIRISMO. SEUS SERVIÇOS NA COLÔMBIA, QUE INCLUÍRAM SUA PARTICIPAÇÃO COMO MEMBRO DA ASSEMBLÉIA ESPIRITUAL NACIONAL E POSTERIORMENTE SEUS  DESTACADOS SERVIÇOS NA REGIÃO DO ALTO AMAZONAS, CONTRIBUEM TODOS PARA UM REGISTRO DE DEVOÇÃO À
ABENÇOADA BELEZA QUE É CALOROSAMENTE RECORDADA. ASSEGURAMOS ORAÇÕES NOS SANTUÁRIOS SAGRADOS PELO PROGRESSO DE SUA ALMA.

Antonio Gabriel Marques Filho

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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.