JAMES VASSAL FACEY
1896-1975James Vassal Facey ascendeu ao Reino de Abhá no dia 09 de julho de 1975. Ele viveu exemplarmente a vida bahá’í, uma vida completamente dedicada ao serviço à Bahá’u’lláh. Sua meta era de total compromisso com a Causa que ele amava tão ardentemente e à qual contribuiu com o máximo de si por trinta anos.
Jim e sua esposa Gladys - chamada de Maisie pelos seus amigos - aceitaram a Fé Bahá’í em junho de 1945 e estavam entre aquele primeiro punhado de almas que responderam aos esforços de ensino de Cora Oliver e Louise Caswell, as quais levaram a Fé para o Panamá em 1939. O Senhor e Senhora Facey compartilharam da distinção de serem incluídos no rol dos primeiros crentes do Panamá e estavam entre os cinco primeiros privilegiados a promoverem a Causa de Deus naquele país.
James Facey nasceu na Jamaica em 8 de agosto de 1896 e chegou ainda criança, com sua mãe que havia enviuvado, em Colón, o antigo porto marítimo do Panamá , no Atlântico. Enquanto ela trabalhava para ganhar o sustento dela própria e de seu filho, Jim vivia na casa de um pastor anglicano, Reverendo Edward Cooper, e freqüentava a escola. Quando jovem, serviu como coroinha da igreja, da qual o Reverendo Cooper era pastor. À medida que crescia e se tornava adulto, tanto o Reverendo Cooper como sua mãe o estimularam a estudar para ser um clérigo. No início Jim aceitou ser treinado para esta vocação, porém estava ficando cada vez mais descontente com os ensinamentos doutrinais e finalmente se convenceu de que o clero não era o que desejava. Deixou de freqüentar a escola e, sentindo que sob estas circunstâncias não mais poderia continuar aceitando a hospitalidade do Reverendo Cooper, deixou a residência paroquial e encontrou um emprego na Companhia de Importação e Exportação de Cólon, onde permaneceu como contador, por mais de cinqüenta anos.
Em 1924 conheceu e veio a se casar com uma jovem secretária de Cólon, Gladys Abrahams, que também era uma livre pensadora em questões de religião. Concordaram que não se filiariam a nenhuma igreja e no decorrer dos próximos vinte anos não praticaram qualquer religião formal, embora em seu lar se praticasse um alto padrão moral de conduta e seus quatros filhos, Cedric, Kathleen, Alicia e Betty, tenham sido exortados a obter uma boa educação.
No inicio da década de 1940, Maisie travou conhecimento com as duas pioneiras que estavam vivendo em Colón, Cora e Louise, e viu-se atraída aos ensinamentos bahá’ís. Após estudá-los seriamente, através de um curso, não demorou muito para que os Faceys compreendessem que eram bahá’ís e solicitassem o seu ingresso na Fé. Uma outra estudante, que também estava participando do curso, Iola Edwards, também foi aceita como membro junto com os Faceys e, dessa maneira, foi formado o primeiro grupo bahá’í em Cólon, a segunda maior cidade do Panamá.
Quando foi formada a primeira Assembléia Espiritual Local de Colón, pelos idos de 1950, Jim e Maisie passaram a ser membros e Jim foi eleito tesoureiro, um serviço que prestou até o fim de sua vida. Suas filhas tornaram-se bahá’ís; Kathleen em 1953 e Alicia no ano seguinte. Estavam elas com vinte e poucos anos e ambas serviram na Assembléia Local.
Jim foi membro da Assembléia Espiritual Nacional para a região da América Central e Antilhas, estabelecida em 1951 e serviu como tesoureiro daquele corpo até 1957, ocasião em que foi formada a Assembléia Espiritual Nacional da América Central. Quando em 1961 uma Assembléia Espiritual Nacional independente foi estabelecida no Panamá, ele foi eleito novamente como tesoureiro e nesta função continuou a prestar os seus fiéis e dedicados serviços até o ano de 1968. A Assembléia Espiritual Nacional do Panamá foi incumbida da responsabilidade de fazer o trabalho de base, sob a guia da Casa Universal de Justiça, para a aquisição de um terreno e a subsequente construção do Templo Mãe da América Latina. Não havia limites na sua grande dedicação ao trabalho relacionado com a construção da primeira Casa de Adoração Bahá’í no solo do Panamá. Ao ser escolhido como um dos leitores, por ocasião da inauguração do Templo, em abril de 1972, sua gratidão por esta generosidade foi imensurável.
O total comprometimento de Jim com a Causa de Bahá’u’lláh era rapidamente notado por todos aqueles que com ele entravam em contato. Para ele, a Causa era como um oceano e ele era um peixe nadando neste oceano. Ele ensinou a Fé por trinta anos, com uma firmeza que lhe era tão natural como se estivesse respirando. Um estranho sentando ao seu lado num banco de um parque público, um passageiro com quem viajasse num ônibus, trem ou avião, em poucos segundos ouviria sobre a Fé Bahá’í, ainda que rapidamente. O seu sempre fervoroso desejo de apresentar aos outros as verdades fundamentais dos ensinamentos de Bahá’u’lláh, foi talvez o seu ponto fraco, já que ficava geralmente impaciente com qualquer um que relutasse em reconhecer ou aceitar a Fé. Estando ele mesmo tão totalmente convencido, não conseguia entender como alguém podia falhar em reconhecer a verdade. Ele apoiou com avidez projetos de extensão de ensino em níveis local e nacional e fez circular inúmeros panfletos e livros bahá’ís. Ele jamais escrevia uma carta para um não bahá’í, sem que esta contivesse alguma referência à Fé.
Jim tinha uma profunda compreensão dos princípios administrativos da Fé. Ele estudou avidamente este aspecto da Fé e o aplicou no relacionamento com os seus companheiros bahá’ís, tanto como membros de instituições como no plano pessoal. Sendo sempre um destacado exemplo de lealdade à estas guias divinamente inspiradas, ele esperava das outras pessoas o mesmo. À medida que o seu trabalho na Companhia de Importação e Exportação de Cólon se prolongava, ele foi conseguindo habilmente conciliar as suas férias com as conferências e institutos bahá’ís, tanto no Panamá como no exterior, fazendo um esforço para estar presente ao maior número possível. Dava-lhe muita satisfação poder financiar às suas próprias despesas, deste modo economizando milhares de dólares ao fundo nacional que enfrentava dificuldades. Em 1952 ele teve o privilégio de testemunhar a inauguração do Templo Mãe do Ocidente, em Wilmette, Illinois, e também esteve presente por ocasião da Conferência Intercontinental de Ensino das Américas, em Chicago, no ano de 1953, quando foi lançada a Cruzada de Dez Anos. Participou da Convenção Internacional em Haifa, em 1963, para a primeira eleição da Casa Universal de Justiça, e serviu como escrutinador durante aquele memorável evento.
Quando os Faceys abraçaram a Fé Bahá’í, se tornaram alvos de sarcasmo e ridículo por parte de amigos e membros do clero, o qual profetizava que sua fidelidade a este “culto estranho” estava destinada a ter uma vida curta, e que eles, desiludidos, o abandonariam. A fé de Jim ainda foi exposta a outro teste, quando o amado Guardião anunciou que os bahá’ís deviam se retirar de organizações secretas, incluindo a maçonaria. Por muitos anos um membro proeminente da Loja Maçônica, Jim não hesitou em desassociar-se destes laços fraternais. Para ele, não poderia haver outro curso de ação; a Fé Bahá’í era a coisa mais importante de sua vida.
Cinco anos antes de sua doença final, Jim retirou-se dos negócios e construiu uma nova residência em Porto Pilon, um subúrbio de Cólon, onde ele planejou e plantou um jardim de grande extensão. Ele permaneceu interessado, ativo e com boa saúde até quase os oitenta anos de idade, continuando com as responsabilidades na sua Assembléia Local, no ensino pessoal e realizando viagens ocasionais.
Esteve doente somente por três meses antes de sua morte e veio a falecer tranqüilamente, com Maisie sentada ao seu lado. Nós sabemos que quando a história da Fé Bahá’í no Panamá for escrita, e as profecias de Abdu’l-Bahá sobre o seu papel no desenvolvimento da Fé tiverem sido cumpridas, as contribuições de James Facey para o seu estágio inicial farão jus a um reconhecimento singular.
“..deveis dar uma grande atenção à República do Panamá... Aquele lugar tornar-se-á muito importante no futuro .Os ensinamentos, uma vez ali estabelecidos, unirão o Oriente e o Ocidente, o Norte e o Sul.” Abdu’l-Bahá, Epístolas do Plano DivinoThe Bahá’í World, Vol. XVI, 1976-1979, pp. 556-558
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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.