ISAAC EZIUKWU
1934 -1973
Isaac Eziukwu foi um dos primeiros crentes a aceitar a Fé de Bahá’u’lláh em Bangui, na República Centro Africana. Ele era nigeriano, nascido na vila de Umuokehi, perto de Umuahia, e tinha vindo para Bangui, diversos anos antes de conhecer a Fé, como comerciante. Era ativo em sua própria Igreja como pastor leigo. Uma noite, em 1956, na soleira da casa de um amigo, por acaso ouviu uma oração bahá’í sendo lida em inglês. A tal ponto a oração o comoveu e atraiu, que ele pediu emprestado o livro de orações. Já depois de uns poucos dias, devolveu o livro ao dono, que era bahá’í, e lhe disse: “Estou convencido que estou perdendo o meu tempo com outras religiões. De hoje em diante eu tenho que ser um bahá’í”. Ele passou muito tempo com o seu novo amigo, um nativo de Camarões que falava inglês e que tinha sido o primeiro bahá’í a vir para Bangui. Ansiosamente Isaac aceitou a nova Revelação e imediatamente levantou-se em seu serviço, com devoção e entusiasmo que nunca diminuíram. Após o retorno, em 1960, de seu amigo para Camarões, foi Isaac quem manteve bem alto o estandarte da Fé em Bangui, até a chegada de Qudratu’lláh Ázamíkháh, que ali chegou como pioneiro em outubro de 1961. Isaac, sequioso por aumentar o seu conhecimento e compreensão da Causa, acolheu com alegria a vinda do novo pioneiro e animadamente começou a trabalhar para estabelecer a primeira Assembléia Espiritual Local de Bangui, a qual foi formada no Ridván de 1962. Quando, pouco depois desta ocasião, o Sr. Ázamíkháh foi compelido a partir, Isaac voltou novamente a ser a mola mestra da pequena comunidade, continuamente encorajando os demais crentes.
Quando, no início do Plano de Nove Anos, a Casa Universal de Justiça solicitou pioneiros, Isaac partiu, tão logo lhe foi possível, para o Gabão e chegou em Libreville em junho de 1964. Trabalhou consertando lâmpadas de querosene, atrás do mercado em Libreville, uma habilidade que lhe fora ensinada pelo Sr. Ázamikháh, e, pouco a pouco, foi capaz de ensinar a Fé e reunir os primeiros crentes. Em abril de 1966 foi formada a primeira Assembléia Espiritual Local de Libreville. Grandemente encorajado pelos visitantes bahá’ís, Isaac começou a ensinar a Fé em localidades próximas a Libreville e, mais tarde, visitou áreas muito adentro do interior. Com a ajuda de outro pioneiro, foi estabelecida a Assembléia Espiritual Local de Mounana e, deste modo, a Fé começou a se espalhar às várias partes do Gabão.
No início de 1971, Isaac devotou-se à tarefa de conseguir o reconhecimento da Fé Bahá’í no Gabão. Os estatutos da Assembléia Espiritual Local de Libreville foram elaborados e submetidos às autoridades competentes, ficando Isaac esperançoso que se lograria ter sucesso. Contudo, para seu profundo desapontamento, passaram-se meses e finalmente anos sem resultado. Em julho de 1973, ele tomou conhecimento do falecimento de seu querido amigo e companheiro de pioneirismo, Sr. Ázamíkháh, que havia se estabelecido em Brazzaville. Ouviram-no dizer, após a leitura de algumas orações: “Se for do agrado de Bahá’u’lláh tomar a minha própria vida e permitir que a Fé seja reconhecida aqui no Gabão, eu ficarei agradecido”.
Pouco tempo depois, tornou-se evidente que Isaac não estava bem. Sua condição piorou rapidamente e em outubro de 1973, com sua esposa e o filho ainda bebê, ele retornou para a Nigéria, onde faleceu no dia 23 de outubro. Ele encontra-se sepultado perto da casa de seu pai, em sua aldeia natal.
De Isaac, poder-se-ia verdadeiramente dizer que foi um amante de Bahá’u’lláh. Desde o tempo em que pela primeira vez fora atraído à Fé e até o seu falecimento, viveu para a Causa e para a tarefa que impôs a si mesmo: levantar o chamado do Reino.
Ao tomar conhecimento do falecimento de Isaac, a Casa Universal de Justiça escreveu o seguinte em uma carta dirigida à Assembléia Espiritual Local de Libreville, datada de 6 de dezembro de 1973:
- “...A TRISTE NOTÍCIA DO FALECIMENTO DO SR. ISAAC EZIUKWU FOI RECEBIDA E TROUXE UM PROFUNDO PESAR AOS NOSSOS CORAÇÕES. ESTE FIRME E DEVOTADO CRENTE FOI UM PROMOTOR SINCERO DA CAUSA E UM VERDADEIRO AMANTE DA ABENÇOADA BELEZA. ELE PASSOU OS SEUS DIAS EM DESPRENDIMENTO E SERVIÇOS, TORNANDO-SE UM EXEMPLO DE DEDICAÇÃO PARA OS SEUS COMPANHEIROS DE CRENÇA, ONDE QUER QUE ESTIVESSE. NÓS OS ASSEGURAMOS DE NOSSAS FERVOROSAS ORAÇÕES NOS SAGRADOS SANTUÁRIOS PELO CONTÍNUO PROGRESSO DA SUA NOBRE ALMA NO
REINO DE ABHÁ...”Javád J. Mughrabí - The Bahá’í World, Vol. XVI, 1973-1976, pp. 522-523
Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.