IONITA WRIGHT
1915 – 1968

            Ionita Wright, uma das primeiras habitantes da ilha de San Andrés a aceitar a Fé de Bahá’ú’lláh, nasceu em 29 de Junho de 1915 e ascendeu ao Reino de Abhá em 5 de Maio de 1968. Ela ouviu sobre a Fé Bahá’í de um pioneiro que estava na ilha e em poucos dias Ionita abraçou a Causa, a despeito da grande pressão e oposição dos parentes e amigos que a censuravam pôr seguir um “falso profeta”. Ela amava profundamente a beleza dos ensinamentos e das orações e o seu maior desejo era ser uma instrutora Bahá’í;  dedicava muitas horas estudando e memorizando os Escritos Bahá’ís, vez que muito mal sabia ler e escrever. Ela começou a sofrer  de câncer e dizia freqüentemente  para os seus amigos,  os quais  não sabiam da sua doença, que o primeiro funeral Bahá’í  de San Andrés seria o dela.
             Seu corpo alto sempre foi  frágil e magro;  trabalhava muito e passava muitas horas cuidando do seu pai idoso e desamparado; de sua filha mais velha de treze anos e de outros parentes os quais eram, pelo menos parcialmente, dependentes de vez em quando de sua generosidade e do seu trabalho. Ela foi eleita para a Assembléia Espiritual em 1967 e era uma das mais  devotadas pela sua  freqüência e participação.  Às vezes, chegava até o portão do local da reunião da Assembléia e ficava aguardando ganhar forças para suportar as dores antes de subir os seis degraus da casa.
             Assim que a morte se aproximava, ela conseguiu a promessa do seu irmão e filho que teria um funeral Bahá’í, promessa que foi  garantida a despeito da pressão  externada  contra o abandono da tradição da ilha. Durante as suas últimas horas, ela parecia viver de modo crescente  no mundo do espírito. Seu semblante crescia em luminosidade e santidade. Faleceu pacificamente, repetindo: “Bahá’ú’lláh, Bahá’u’lláh.”  Aqueles que a visitaram no hospital para insistir que ela chamasse um ministro para ser batizada, Ionita  dizia:  “Eu sou uma Bahá’í  e morrerei como uma Bahá’í,  pois sei que isto é o certo. Se qualquer um renunciar  Bahá’ú’lláh, Eu não farei. Se não mais  houver nenhum outro  Bahá’í nesta ilha, permanecerei como uma Bahá’í até a minha morte”.
            Inesperadamente, a firmeza de Ionita   comandou a proclamação da Causa em sua ilha nativa  - suas orações  para tornar-se uma instrutora da Fé foram atendidas. O serviço do seu funeral foi anunciado no radio e compareceram aproximadamente umas quinhentas pessoas de todas as camadas da sociedade. Os visitantes olhavam atentamente as cópias mimeografadas das leituras bahá’ís e as levavam para casa para mostrar aos seus amigos e parentes; pedidos de mais cópias foram mais tarde solicitados.  Os Bahá’ís da ilha encontraram nova força e capacidades neles mesmos e, inspirados pelo exemplo de coragem, foram perdendo o medo do ridículo  de serem conhecidos como seguidores de Bahá’ú’lláh.

Helen  Hornby - The Bahá’í World, 1968-73, Vol.XV, pp. 434-35

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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.