ROBERT HAYDEN
1913-1980Robert Earl Hayden nasceu em Detroit, Michigan, Estados Unidos, no dia 04 de Agosto de 1913, de pais pobres e sem instrução. Ao nascer deram-lhe o nome de Asa Bundy Sheffey, “Asa” do nome do seu pai e “Bundy” do nome de um médico da família que fez o seu parto. Após a separação e o divórcio dos seus pais, enquanto ainda criança, sua mãe o colocou aos cuidados dos amigos William e Sue Ellen Hayden, enquanto ela ia à procura de trabalho para a sua manutenção. Foi encontrado um emprego em Buffalo, Nova York, e ela mudou-se para lá, visitando ocasionalmente Robert e os Haydens. Os Hayden não gostavam do nome “Asa” para a criança e, esperando que lhes seria permitido adotá-lo como seu próprio filho, deram-lhe o novo nome de “Robert Earl”. Sua mãe não fez objeção a mudança de nome, especialmente desde que começou a perceber que a criança tinha um bom lar enquanto ela estava trabalhando.
Durante os seus anos pré-escolar foi descoberto que ele tinha pouca visão. Não obstante, foi-lhe providenciado um óculos e imediatamente fizeram-no aprender a ler antes de entrar na escola. Durante os anos do seu curso primário, ele leu um dicionário, uma enciclopédia e qualquer outro material disponível, apesar de terem-no colocado numa classe de recuperação visual. Quando Robert entrou na escola, ele foi registrado como Robert Earl Hayden. Não antes do seu décimo quarto ano de idade, ele veio a saber que este não era o seu nome legal. Somente em 1978 é que o seu nome fora legalmente corrigido.
Toda a sua educação básica foi recebida em Detroit. Como não havia dinheiro para pagar a faculdade, quando terminou o curso secundário, ele perdeu as esperanças de adquirir uma educação superior. Contudo, o assistente social que serviu a sua família intercedeu em face das óbvias capacidades do jovem e conseguiu-lhe uma bolsa de estudos por quatro anos na Faculdade da Cidade de Detroit, agora conhecida como Universidade do Estado de Wayne. No verão de 1938, quatro anos depois de terminar o seu trabalho na Faculdade, ele entrou na Universidade de Michigan, em Ann Arbor, para estudos avançados. Foi lá que ele concorreu ao Prêmio Hopwood e naquele verão venceu um prêmio menor para poesia.
Em 1940, casou-se com Erma Inez Morris. No ano seguinte se mudaram para Ann Arbor, onde Robert iniciou o seu intenso trabalho para graduar-se e também teve a vantagem e a oportunidade de estudar com W.H. Auden, o qual naquela ocasião era um poeta visitante na Universidade de Michigan. Em 1940 o primeiro livro de poesia de Robert Hayden, Heart-Shape in the Dust, foi publicado por uma pequena editora de Detroit.
Em 1942 nasceu a sua filha Maia e naquele mesmo ano Robert venceu o maior Prêmio Hopwood para Poesia. Em 1944, ele recebeu na Inglaterra o grau de Mestre em Artes e naquele outono foi nomeado Professor Emérito em Inglês. Ele permaneceu naquela posição por dois anos; a primeira pessoa negra a receber aquela oportunidade na universidade.
Em 1946 Robert e sua família se mudaram para Nasville, Tennessee, onde ele ensinou na Universidade de Fisk por vinte e dois anos. Enquanto isto, continuava a escrever poesias, que era o seu primeiro amor. Não conseguia encontrar um editor, todavia, de vez em quando, seus poemas apareciam nos jornais, incluindo Atlantic Monthly e Poetry. Em 1962 foi publicado Ballad of Remembrance na Inglaterra. Em seguida, entre 1966 e 1978, os editores de Nova York e outros mais apresentaram Selected Poems, Words in the Mourning Time, Angle of Ascent, Night-Blooming Cereus e American Journal. Estas realizações levaram a outros reconhecimentos: recebimento do Grande Prêmio de Poesia do primeiro Festival Mundial de Artes, em Dakar, Senegal, ocorrido em 1975; o Prêmio Russell Loines de Artes para poesia, em 1970 Prêmio do Instituto Nacional de Artes e Letras; em 1975 eleito para a Academia Americana dos Poetas, membro da Academia Americana e Instituto de Artes e Letras e sua designação –de 1976-1978- para o posto de Consultor em Poesia da Biblioteca do Congresso Americano (Washington D.C.) – estes são algumas poucas das muitas honrarias que ele recebeu. Na última homenagem que lhe prestaram, em 03 de Janeiro de 1980, ele teve a oportunidade de chamar a atenção para os ensinamentos Bahá’ís, do administrador da Câmara do Senado, e de alguns oficiais do Governo, quando foi convidado pela Casa Branca para ler poesias com outros poetas, sendo recebido com genuína emoção Presidente Carter e esposa.
Robert não era uma pessoa sociável e a experiência passada o tornaram precavido da religião institucional. Contudo, a Mão da Causa Dorothy Baker, através do auxílio de Katherine Mills e de Ann Arbor, o convenceram da verdade da Causa de Bahá’ú’lláh e ele aceitou a Fé em 1943. Durante a sua vida como bahá’í, serviu na Assembléia Espiritual de Nashville, Tennessee e, enquanto tinha o cargo de Consultor da Biblioteca do Congresso de Falls Church, Virginia, falou muitas vezes da Fé no rádio e na televisão.
Robert era constantemente solicitado a proferir palestras sobre a Fé. Após alguns destes discursos, ele decididamente recusou tais convites, convencido de que poderia servir melhor a Causa como um poeta. Neste papel, ele serviu de um modo excelente. Recebeu muitos pedidos para declamar as suas poesias e sempre fazia tudo que podia para atende-los. Esta atividade o levava a visitar muitos lugares nos Estados Unidos. Nestas apresentações, ele normalmente usava poemas que havia escrito contendo referencias diretas da Fé, bem como de outros assuntos. Antes da leitura das poesias, ele fazia uma introdução sobre a Revelação Bahá’í . Contudo, o mais importante, é que ele, onde quer que fosse, era reconhecido por todos que o encontravam como aquele que promovia o sentido da visão universal, como encontrado na Fé de Bahá’ú’lláh. Fosse em salas de aula, em palestras ao público, ou em reuniões sociais, isto era a única visão que ele considerava válida. Isto também era a mesma verdade no seu trabalho. Numa carta escrita em 1970, dirigida a um indagador, ele declarou o seguinte: “ Eu penso dos escritos dos poemas como um caminho para alcançar as realidades internas e externas, como um ato espiritual genuíno, uma espécie de oração para a iluminação e a perfeição. A Fé Bahá’í, com a sua ênfase essencial na unicidade da humanidade, e da sua visão de uma unidade mundial, é uma poderosa força crescente que influencia a minha poesia de hoje - e a única para a qual prazeirosamente me submeto.”
De 1968 até sua morte, Robert Hayden foi um editor associado ao World Order, uma revista periódica Bahá’í, publicada sob o patrocínio da Assembléia Espiritual Nacional dos Estados Unidos. Ele fez constantes esforços para elevar o padrão da poesia usada nesta publicação. World Order falava de perto ao seu coração e ele pensou seu trabalho aqui era um real serviço que podia prestar à sua Fé.
Em 28 de Fevereiro de 1980, a Casa Universal de Justiça enviou o seguinte cabograma:
PESAROSOS PASSAMENTO ESTIMADO SERVO CAUSA, ROBERT HAYDEN, SUAS NUMEROSAS HONRARIAS E DISTINGUIDAS CONTRIBUIÇOES POESIA AMERICA, ENRIQUECE BRILHO ANAIS FÉ. AMOROSAMENTE TRANSMITAM FAMILIA CARINHOSAS SAUDAÇOES, ASSEGURANDO ORAÇOES PROGRESSO SUA ALMA.Erma Hayden - The Bahá’í World, 1979-83, Vol.XVIII, pp.715-717
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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.