CHRISTOPHER V. KUHLASE
1937 - 1975
“Ó Filho do Espírito! Meu primeiro conselho é este: Possui um coração puro, bondoso e radiante, para que seja tua uma soberania antiga, imperecível e eterna.”
Bahá’u’lláhEssas palavras de Bahá’u’lláh foram a estrela guia de vida de Christopher Vikelizizwe Kuhlase. Seu “coração puro, bondoso e radiante” conquistou-lhe amigos de todas as idades e de todas as posições sociais. Só de se ver seu fulgurante sorriso, podia-se dizer: “Ele, sem dúvida, é um bahá’í.”
Christopher foi um dos primeiros bahá’ís da Suazilândia, tendo aceito a Fé quando ainda era um jovem, enquanto estudava na Escola Secundária Nacional Suazi, em Matsapa. Nascido na área rural de Nhlangano, Suazilândia, em 1937, era o mais velho de uma família de quatro irmãos e uma irmã. Seu irmão, Samuel, elogiava sumamente Christopher que, segundo ele, teve que fazer um tremendo esforço para obter uma educação. Vivendo em um ambiente que desencorajava as crianças de irem à escola, e sem dinheiro para pagar as taxas escolares, uma criança realmente tinha que demonstrar uma grande determinação para persistir em seus estudos. Era necessário a um estudante sincero persuadir o Departamento de Educação a lhe dar uma bolsa de estudos e, depois, estar à altura de um alto padrão de realizações; se a criança fosse reprovada em um curso, não tinha uma segunda chance.
Quando Christopher cursava a Escola Secundária em Matsapa, o Diretor interino tomou conhecimento de que Chris havia se tornado membro de uma estranha religião chamada “Bahá’í” e que estava difundindo os seus ensinamentos entre seus colegas. O Diretor interino o ameaçou de expulsão, se ele continuasse a difundir o que era considerado serem falsas idéias. Chris salientou que Matsapa era uma escola governamental e que o Governo defendia a liberdade de religião. O Diretor interino ainda assim tentou intimidá-lo mas não agiu no sentido de expulsar o jovem, já que Chris havia solicitado que a razão para a sua dispensa fosse dada por escrito. Foi preciso grande coragem de sua parte para não negar sua crença na Fé Bahá’í, embora a conseqüência pudesse ter sido, ao recusar fazê-lo, vir a ser privado de ter uma educação superior, depois de ter batalhado tanto para ser admitido na única escola que o poderia qualificar.
Depois de sua graduação na Escola Secundária em Matsapa, ele foi para a Faculdade Papa Pio II em Roma, Basutolândia (atualmente Lesotho), qualificando-se, no ano de 1963, para obter um diploma de professor dos primeiros anos da secundária. Após a faculdade, ingressou na profissão de professor e rapidamente ascendeu ao cargo de Diretor da Escola Primária de Bhunya, com um corpo discente de 1000 alunos. Seu sucesso em elevar o padrão de educação desta escola, levou a sua nomeação como Diretor da Escola Secundária de Lobamba, situada no coração e centro administrativo da nação Suazi.
Durante esses anos Christopher foi extraordinariamente ativo no serviço da Fé. Foi membro de vários comitês locais e nacionais, bem como da primeira Assembléia Espiritual Nacional para a Suazilândia, Lesotho e Moçambique, eleita em 1967. Ele serviu como secretário assistente deste corpo, até lhe serem designadas funções além mar pela nação Suazi.
Ele era um palestrante convincente e brilhante e viajou por muitas partes da Suazilândia, levando a mensagem de Bahá’u’lláh.
A Suazilândia alcançou sua independência em 1968 e aqueles de talento e capacidade reconhecida foram chamados a ajudar no desenvolvimento da nação. Christopher foi selecionado por Sua Majestade, o Rei Sobhuza II, para servir no corpo de funcionários da Embaixada da Suazilândia, em Washington, D.C. Ele também serviu como membro suplente da delegação representando a Suazilândia na sede das Nações Unidas em Nova York.
Ao retornar dos Estados Unidos em 1969, Christopher ingressou no Departamento de Estabelecimento e Treinamento como Secretário Assistente e mais tarde foi designado Secretário da Comissão de Serviço Público. Em seguida tornou-se Subsecretário no Ministério de Obras, Energia e Comunicações. Em 1972 foi transferido para o Ministério de Assuntos Estrangeiros, como Subsecretário, posição que exerceu até seu acidente fatal.
Durante suas viagens como empregado do governo da Suazilândia aos Estados Unidos da América, bem como a outros países que visitou como representante do Ministério de Assuntos Estrangeiros, encontrou-se com muitos bahá’ís, adquirindo um profundo conhecimento da Fé e uma apreciação de sua capacidade para resolver problemas complexos do mundo, sendo-lhe possível compartilhar tal conhecimento com muitas pessoas destacadas de diversas nações do mundo, com as quais se encontrou.
Sua morte, assim como sua vida, foi dada no serviço de seu bem-amado Bahá’u’lláh. Pouco antes do acidente automobilístico que prematuramente ceifou sua vida em 29 de março de 1975, Christopher tinha instruído sua esposa, de que ele deveria ter um funeral bahá’í, sem saber o quão perto daquela ocasião ele estava. Seu funeral foi conduzido desde o Centro Nacional Bahá’í Leroy Ioas, em Mbabane, Suazilândia, e contou com a presença de 400 a 500 acompanhantes. A procissão de carros que lentamente seguiu para os imaculados e bonitos jardins da Sede Bahá’í, tinha mais de uma milha de extensão. Muitos de seus amigos do serviço governamental estavam presentes ao funeral e falaram com muito carinho de seus serviços prestados ao Governo e ao povo da Suazilândia; expressaram a esperança que outro com seu calibre de integridade, honestidade e brilho se levantasse em serviço à nação. Nenhum outro evento que a comunidade bahá’í pudesse ter organizado poderia ter oferecido tal oportunidade para uma proclamação tão eloqüente dos ensinamentos de Bahá’u’lláh.Benjamin N. Dlamini e Valera F. Allen - The Bahá’í World, Vol. XVI, 1973-1976, pp. 546-547
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Todos os textos fazem parte do livro "Histórias de Bahá'ís Afro-Descendentes", compilado por Gabriel Marques.