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2001: Alguns registros da premiação

2001

Biografia dos Agraciados
Resumos biográficos dos agraciados

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Resumos biográficos dos agraciados com o Prêmio Cidadania Mundial 2001

A sétima edição do Prêmio Cidadania Mundial realizada em 2001 destacou instituições e indivíduos que promovem ações visando à igualdade racial e o apreço pela diversidade humana objetivando a elevação da qualidade de vida de povos discriminados.

Conheça um pouco sobre os agraciados em 2001:

ABDIAS DO NASCIMENTO
CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas
CIMI – Conselho Indigenista Missionário
GELEDÉS
GRUPO RAPPA
KILOMBO
MARIA MULHER
ORLANDO VILLAS BOAS
SEBASTIÃO SALGADO

 


ABDIAS DO NASCIMENTO

Professor emérito da Universidade de Nova York e Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, participou da Frente Negra Brasileira da década de 30. Participou de vários eventos internacionais do mundo africano. Foi consultor da UNESCO, Senador da República e Presidente do Memorial Zumbi.
Ajudou a esboçar a formação de um grupo de negros organizados dentro do partido político que é co-fundador. Liderou a Secretaria Nacional do Movimento Negro do PDT.
Foi o primeiro Deputado Federal afro-brasileiro a defender no Congresso Nacional os direitos humanos e civis da comunidade afro. Fundou o Teatro Experimental do Negro com o objetivo de resgatar no teatro brasileiro o motagonismo do negro.
Promove a defesa das populações afro-brasileiras com um projeto de lei para ação afirmativa ou ação compensatória.
Como Senador conseguiu se utilizar de sua posição de destaque para evocar a atenção e convidar todos a refletirem sobre os problemas causados por preconceito. Levando a sociedade a ter consciência da origem do povo brasileiro, resgatando a origem africana e a defesa dos direitos civis e humanos do povo negro.
Como Senador e intelectual foi aplaudido e reconhecido pelos seus trabalhos que defendem a causa negra.
Fundar, criar e apoiar entidades que lutem pela igualdade racial, como a Fundação do Teatro Experimental Negro que conseguiu criar o Conselho de Mulheres Negras do Brasil.
É uma referência de militante da causa negra no país. Inovador, o intelectual é consciente da importância de seu trabalho em prol dos direitos humanos dos brasileiros afro-descendentes.

 


CEAP – Centro de Articulação de Populações Marginalizadas

ONG sem fins lucrativos fundada em 1989 por ex-internos da FUNABEM, membros da Comunidade negra e do movimento de mulheres. O CEAP envolveu-se nas principais ações promovidas no país contra a violação dos direitos humanos, como a campanha Não Matem Nossas Crianças que denunciava o extermínio de crianças e adolescentes, lançada em 1989, e a campanha mais recente Violência policial, não: Porque todos têm direito a dignidade.
Faz parte do grupo de ONGs que disponibiliza e promove um dos mais importantes serviços de atendimento a vítimas de discriminação racial em funcionamento no país: o SOS Racismo, inteiramente gratuito.
Uma das principais metas do CEAP é criar mecanismos políticos com o propósito de eliminar o racismo e o preconceito no Brasil, sendo suas ações desenvolvidas junto às comunidades que vivem em situação de risco.
Suas ações são desenvolvidas em diversos lugares, mobilizando em cada um dos ambientes, centenas de jovens e adultos para projetos educacionais e projetos de capacitação profissional.
A instituição é conceituada em nível nacional e internacional como uma das mais engajadas em prol dos direitos humanos.Em defesa da igualdade racial, no rol de denúncias, destaca-se a ação movida contra o palhaço Tiririca e a gravadora Sony Music e outra movida contra o Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Pode se afirmar que o CEAP é uma das poucas organizações com mais de uma década de existência mexendo com temas tão polêmicos, sempre lutando contra a impunidade, o tráfico de mulheres, a prostituição infanto-juvenil e a desigualdade racial.

 


CIMI – Conselho Indigenista Missionário

Criado em 1972 procurou favorecer a articulação entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembléias indígenas, onde se desenharam os primeiros contornos da luta pela garantia do direito à diversidade cultural. O CIMI é um organismo da Conferência Nacional de Bispos do Brasil - CNBB
O CIMI traz à tona o respeito à alteridade indígena em sua pluralidade étnico-cultural e histórica. A instituição valoriza os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e atua como mediador importante entre leigos e religiosos e os índios.
Os membros da instituição acreditam que os povos indígenas são fontes de inspiração para a revisão dos sentidos, da história, das orientações e práticas sociais, políticas e econômicas constituídas até hoje.
De acordo com as propostas do grupo indígena, o CIMI apóia todas as lutas e iniciativas que levem ao fortalecimento da autonomia dos povos indígenas. Procura promover o acesso indígena de direitos constitucionais como terra, educação, saúde e auto-sustentação. Além de apoiar ações e iniciativas de intercâmbio e comunicação, assim como possibilitar a capacitação dos missionários do CIMI para que possam apoiar as iniciativas dos povos e comunidades indígenas.
Através da internet pode-se ler textos da publicação mensal Porantim, cujas propostas refletem as do grupo: apoiar a questão indígena nas áreas de saúde, educação, luta pela demarcação e garantia de terra e segurança dos povos indígenas.
Já é possível notar a diferença com relação à política quando se fala de índio. No país, segundo fonte datada de 6 de outubro de 2000 do Jornal O Globo, 72 índios foram eleitos em 11 estados. Isso demonstra que, apesar de minoria, estão conseguindo ter voz ativa.
Devido aos problemas causados pelo homem branco, em suas ações inconseqüentes, muitos povos indígenas tornaram-se arredios ao contato social. Mesmo assim, o CIMI procura facilitar e melhorar as condições de vida dos povos indígenas oferecendo informações, levando até eles condições de se estabelecerem, saúde e a possibilidade do convívio social, respeitando suas origens e crenças.

 


Geledés

O Geledés - Instituto da Mulher Negra tem mais de 5 anos de atuação no Brasil. Essa ONG tem como objetivo educar e informar mulheres e jovens afro-brasileiros, para isso desenvolve projetos voltados para as áreas de direitos humanos e social.
Dentro de um Programa de Direitos Humanos o Geledés reúne vários outros projetos que almejam proteger, assegurar e expandir os direitos básicos de cidadania da população negra, e tem conseguido resultados históricos tanto na assistência jurídica quanto na capacitação de pessoas na luta contra o racismo.
Devido sua tradição e experiências exemplares, o Geledés é referência para outras ONGs do Brasil e da América Latina.
Através de seus vários projetos em andamento, levantam sempre o debate sobre a problemática da mulher negra como um dos aspectos fundamentais e explicativos dessa realidade brasileira injusta.
O Programa de Direitos Humanos foi estruturado em 4 módulos que se articulam. O SOS – Racismo oferece assistência legal gratuita para vítimas de discriminação racial. O Projeto Rappers articula a atividade cultural com a ação política, usar a linguagem musical como instrumento de conscientização e valorização da população negra. O Centro de Estudos Jurídicos visto como uma necessidade vital e urgente de aperfeiçoamento na legislação anti-racista no Brasil. Por último, o Núcleo de Educação e Formação Política cujo objetivo é o de promover cursos de formação de professores e multiplicadores de informação no combate à discriminação racial.
A instituição é referência no Brasil e na América Latina que tem conseguido obter êxito e respeito devido a sua forma organizada e bem articulada de atuação contra o racismo e o sexismo no Brasil. O Geledés foi premiado pelo governo francês pela sua atuação na área de direitos humanos em 1999. O projeto SOS –Racismo tem feito conquistas históricas, atendendo 800 vítimas em cinco anos.
Geledés é originalmente uma forma de sociedade secreta feminina de caráter religioso, existente nas sociedades tradicionais yorubás, que expressam o poder feminino sobre a fertilidade da terra, a procriação e o bem estar da comunidade. Inspiradas nesta tradição a ONG Geledés tem como seu maior desafio atualizar as necessidades contemporâneas da mulher negra e desafiar o racismo, o sexismo e a baixa auto-estima.

 


Grupo Rappa

O Rappa, formado em 1993, é hoje uma das bandas mais representativas do cenário pop/rock nacional e que melhor exprime em suas letras as diferenças e complexidades sociais. Conquistou o respeito com o grande público e com a imprensa carioca, principalmente, por lutar em prol uma sociedade mais justa e segura.
Através de sua música, a banda engajou-se em importantes causas sociais e escolheu dar visibilidade, denunciar e combater o racismo e a desigualdade social. Além de dar aulas de música, proferir palestras e incentivar grupos comunitários dos morros na periferia carioca.
A idéia do Projeto Na Palma da Mão (campanha de incentivo aos jovens marginalizados de todo país) nasceu de uma parceria entre a banda e a FASE (ONG brasileira promove programas de cunho social atendendo comunidades carentes). Parceria que visa passar 5% dos lucros da venda do terceiro CD da banda (LADO B – LADO A) aos projetos sociais desenvolvidos pela FASE.
Atuam de forma militante em prol uma sociedade mais igualitária, pois acreditam que “a maior arma contra a violência é diminuir a desigualdade social”. Lançou a campanha Na Palma da Mão e no encarte do terceiro CD, um boleto bancário apela aos fãs que contribuam com qualquer valor para a campanha. Os fundos arrecadados são repassados à FASE que, por sua vez, distribui essa verba entre os projetos associados.
Nos seus shows, são distribuídos folders que apresentam os projetos da banda e convidam o fã a colaborar e atuar nestes. Nos seus videoclipes, ao final deles, a campanha é apresentada e, mais uma vez, convida o fã atuar socialmente.
A banda abre mão de 5% dos seus lucros para a ONG e procura sempre divulgar a campanha. Além de continuar participar de forma marcante nos projetos que desenvolve nos morros após o dramático acidente, com o letrista-baterista Marcelo Yuka que foi baleado e está paraplégico.
Tem desenvolvido um belo trabalho na cidade do Rio de Janeiro que repercute nacionalmente. Além de ser uma das bandas que mais se destaca por trabalhar em prol da humanidade, mostrando que todos têm direito à cidadania, e que por uma injusta ironia do destino colocou o letrista-baterista da banda numa situação irreversível.

 


Kilombo

Atua em prol da mulher negra, comunidades negras rurais, direitos humanos e educação, no Rio Grande do Norte. Realiza trabalhos por meio de parcerias com diversos atores sociais – associações, sindicatos, federações sindicais, empresas e ONG’s – dispostos a desenvolver ações para eliminar as desigualdades e combater as distintas formas de discriminação no mercado de trabalho. Os exemplos são o Programa Pró-Dignidade e o movimento Kilombo é uma referência no estado do Rio Grande do Norte, trabalhando para o reconhecimento da presença negra.
A entidade luta pelo esclarecimento e pela igualdade racial da escola até a chegada de jovens afro-descendentes ao mercado de trabalho. Discute e se empenha cada vez mais em diagnosticar a real condição da população afro-descendente no estado do Rio Grande do Norte. Seu maior desafio é crescer e ampliar os debates acerca da condição negra no Brasil.

 


Maria Mulher

Organização feminista, criada em março de 1987, na cidade de Porto Alegre, tem por missão institucional a defesa dos direitos humanos das populações marginalizadas e excluídas, principalmente dos afro-descendentes, assim como o combate às discriminações sexual e étnico-racial, levando o conhecimento de seus direitos e leis que a ampara e protege contra a violência.
O trabalho da entidade está voltado ao atendimento de mulheres vítimas de violência doméstica, meninas e adolescentes vítimas de abuso sexual, procurando sempre desenvolver e promover a construção da cidadania, a estruturação emocional e econômica das mulheres agredidas.
Maria Mulher estruturou para as mulheres vítima de violência doméstica o atendimento psicossocial, oficina de auto-estima, oficina de alfabetização e oficina de economia solidária. Para as meninas e adolescentes vítimas de abuso sexual oficina de reciclagem de papel, reforço escolar, oficinas de saúde reprodutiva e educação social.
Utilizando a internet como veículo de informação, defende a implementação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação e cidadania, informando sobre eventos e fornecendo subsídios para pesquisas que envolvam a questão da mulher.
A procura pelos serviços da entidade aumenta gradativamente devido à divulgação das próprias usuárias que um dia foram encorajadas a buscar ajuda. Isto é comprovado pela análise estatística do prontuário que possui um campo informando a fonte que recomendou.

 

 

 

Orlando Villas Boas

Aos 86 anos de idade, quase 50 vividos na mata, Orlando Villas Boas foi o maior indianista brasileiro. Além de ser o mais respeitado e referência entre antropólogos do mundo inteiro.
Em 1961 criou, foi o primeiro diretor do Parque Nacional do Xingu e autor de três grandes clássicos da antropologia mundial: Almanaque do Sertão: História Visitantes, Sertão; Marcha para o Oeste: Epopéia Expedição Roncador-Xingu; e Arte dos Pajés.
Em 1941, deixou seu emprego de escriturário em São Paulo para integrar a expedição Roncador-Xingu criada pelo governo Getúlio Vargas para desbravar o Brasil central. Criador do Parque Nacional do Xingu.
Defendeu e institucionalizou 3 grandes tópicos. O primeiro, que as reservas indígenas são lugares onde se cultivam as tradições milenares dos índios. O homem branco não deve querer impor sua lógica às tribos indígenas. E por último, que o turismo tem que ser fora das áreas demarcadas e as ONG’s não podem querer mandar na vida da aldeia.
Conseguiu sensibilizar e humanizar o homem branco em relação à lógica indígena. E também, mobilizar e criar leis que respeitam espaços, terras indígenas.
Duas vezes indicado para o Prêmio Nobel da paz na década de setenta, uma delas por meio da Câmara de Lordes da Inglaterra.
Vítima de 287 malárias, Orlando Villas Boas julgava-se imune à “maleita” como dizem os caboclos. “A tenacidade e coragem com que ele enfrentou as dificuldades do sertão valem um capítulo especial na história do Brasil” . O tremor e as altas e baixas temperaturas no organismo provocadas pela malária não foram suficientes para arrancar da cabeça de Villas Boas o ideal de defender os índios a qualquer custo.
O Cacique Ialapiti Aritana, um dos mais respeitados do Xingu, definiu em uma frase o que representa Orlando Villas Boas para os índios da região: “Orlando é pai, irmão e um grande espírito da floresta e dos rios”.

 

 


Sebastião Salgado

Nasceu na cidade de Aimorés, Minas Gerais. Cursou economia sendo doutor pela Universidade de Paris. Trocou economia por fotografia, focando seus trabalhos em reportagens sociais e humanas. Trabalha desde 1994 com o tema: Movimento das Populações do Mundo.
Criou o Instituto Terra, organização sem fins lucrativos em combate ao desmatamento e distribuição de terras no Brasil. Enfatiza em seu trabalho uma realidade que merece ser transformada. Tem postura inovadora na campanha em prol da distribuição de terras no Brasil .
Convida por meio de sua arte a refletir sobre indivíduos e grupos que ocupam os 4 cantos do mundo mostrando a sua existência e sua importância, beleza, luta e complexidade.
Mobiliza e sensibiliza todos aqueles que tem acesso a sua obra, pois consegue exprimir com fidelidade e realismo o universo de homens, mulheres e crianças. Já viajou para 47 países fotografando várias etnias e culturas distintas que são vítimas da guerra, da fome, da doença e do preconceito.
É, atualmente, o mais respeitado fotógrafo internacional na área do fotojornalismo. Já para nós brasileiros, é reconhecido como o maior fotógrafo de toda nossa história.

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