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ABDIAS
DO NASCIMENTO
Professor emérito da Universidade
de Nova York e Doutor Honoris Causa pela Universidade
do Estado do Rio de Janeiro, participou da Frente
Negra Brasileira da década de 30. Participou
de vários eventos internacionais do mundo africano.
Foi consultor da UNESCO, Senador da República
e Presidente do Memorial Zumbi.
Ajudou a esboçar a formação de
um grupo de negros organizados dentro do partido político
que é co-fundador. Liderou a Secretaria Nacional
do Movimento Negro do PDT.
Foi o primeiro Deputado Federal afro-brasileiro a
defender no Congresso Nacional os direitos humanos
e civis da comunidade afro. Fundou o Teatro Experimental
do Negro com o objetivo de resgatar no teatro brasileiro
o motagonismo do negro.
Promove a defesa das populações afro-brasileiras
com um projeto de lei para ação afirmativa
ou ação compensatória.
Como Senador conseguiu se utilizar de sua posição
de destaque para evocar a atenção e
convidar todos a refletirem sobre os problemas causados
por preconceito. Levando a sociedade a ter consciência
da origem do povo brasileiro, resgatando a origem
africana e a defesa dos direitos civis e humanos do
povo negro.
Como Senador e intelectual foi aplaudido e reconhecido
pelos seus trabalhos que defendem a causa negra.
Fundar, criar e apoiar entidades que lutem pela igualdade
racial, como a Fundação do Teatro Experimental
Negro que conseguiu criar o Conselho de Mulheres Negras
do Brasil.
É uma referência de militante da causa
negra no país. Inovador, o intelectual é
consciente da importância de seu trabalho em
prol dos direitos humanos dos brasileiros afro-descendentes.
CEAP
– Centro de Articulação de Populações
Marginalizadas
ONG
sem fins lucrativos fundada em 1989 por ex-internos
da FUNABEM, membros da Comunidade negra e do movimento
de mulheres. O CEAP envolveu-se nas principais ações
promovidas no país contra a violação
dos direitos humanos, como a campanha Não Matem
Nossas Crianças que denunciava o extermínio
de crianças e adolescentes, lançada
em 1989, e a campanha mais recente Violência
policial, não: Porque todos têm direito
a dignidade.
Faz parte do grupo de ONGs que disponibiliza e promove
um dos mais importantes serviços de atendimento
a vítimas de discriminação racial
em funcionamento no país: o SOS Racismo, inteiramente
gratuito.
Uma das principais metas do CEAP é criar mecanismos
políticos com o propósito de eliminar
o racismo e o preconceito no Brasil, sendo suas ações
desenvolvidas junto às comunidades que vivem
em situação de risco.
Suas ações são desenvolvidas
em diversos lugares, mobilizando em cada um dos ambientes,
centenas de jovens e adultos para projetos educacionais
e projetos de capacitação profissional.
A instituição é conceituada em
nível nacional e internacional como uma das
mais engajadas em prol dos direitos humanos.Em defesa
da igualdade racial, no rol de denúncias, destaca-se
a ação movida contra o palhaço
Tiririca e a gravadora Sony Music e outra movida contra
o Ministro dos Transportes, Eliseu Padilha.
Pode se afirmar que o CEAP é uma das poucas
organizações com mais de uma década
de existência mexendo com temas tão polêmicos,
sempre lutando contra a impunidade, o tráfico
de mulheres, a prostituição infanto-juvenil
e a desigualdade racial.
CIMI
– Conselho Indigenista Missionário
Criado
em 1972 procurou favorecer a articulação
entre aldeias e povos, promovendo as grandes assembléias
indígenas, onde se desenharam os primeiros
contornos da luta pela garantia do direito à
diversidade cultural. O CIMI é um organismo
da Conferência Nacional de Bispos do Brasil
- CNBB
O CIMI traz à tona o respeito à alteridade
indígena em sua pluralidade étnico-cultural
e histórica. A instituição valoriza
os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas
e atua como mediador importante entre leigos e religiosos
e os índios.
Os membros da instituição acreditam
que os povos indígenas são fontes de
inspiração para a revisão dos
sentidos, da história, das orientações
e práticas sociais, políticas e econômicas
constituídas até hoje.
De acordo com as propostas do grupo indígena,
o CIMI apóia todas as lutas e iniciativas que
levem ao fortalecimento da autonomia dos povos indígenas.
Procura promover o acesso indígena de direitos
constitucionais como terra, educação,
saúde e auto-sustentação. Além
de apoiar ações e iniciativas de intercâmbio
e comunicação, assim como possibilitar
a capacitação dos missionários
do CIMI para que possam apoiar as iniciativas dos
povos e comunidades indígenas.
Através da internet pode-se ler textos da publicação
mensal Porantim, cujas propostas refletem as do grupo:
apoiar a questão indígena nas áreas
de saúde, educação, luta pela
demarcação e garantia de terra e segurança
dos povos indígenas.
Já é possível notar a diferença
com relação à política
quando se fala de índio. No país, segundo
fonte datada de 6 de outubro de 2000 do Jornal O Globo,
72 índios foram eleitos em 11 estados. Isso
demonstra que, apesar de minoria, estão conseguindo
ter voz ativa.
Devido aos problemas causados pelo homem branco, em
suas ações inconseqüentes, muitos
povos indígenas tornaram-se arredios ao contato
social. Mesmo assim, o CIMI procura facilitar e melhorar
as condições de vida dos povos indígenas
oferecendo informações, levando até
eles condições de se estabelecerem,
saúde e a possibilidade do convívio
social, respeitando suas origens e crenças.
Geledés
O
Geledés - Instituto da Mulher Negra tem mais
de 5 anos de atuação no Brasil. Essa
ONG tem como objetivo educar e informar mulheres e
jovens afro-brasileiros, para isso desenvolve projetos
voltados para as áreas de direitos humanos
e social.
Dentro de um Programa de Direitos Humanos o Geledés
reúne vários outros projetos que almejam
proteger, assegurar e expandir os direitos básicos
de cidadania da população negra, e tem
conseguido resultados históricos tanto na assistência
jurídica quanto na capacitação
de pessoas na luta contra o racismo.
Devido sua tradição e experiências
exemplares, o Geledés é referência
para outras ONGs do Brasil e da América Latina.
Através de seus vários projetos em andamento,
levantam sempre o debate sobre a problemática
da mulher negra como um dos aspectos fundamentais
e explicativos dessa realidade brasileira injusta.
O Programa de Direitos Humanos foi estruturado em
4 módulos que se articulam. O SOS – Racismo
oferece assistência legal gratuita para vítimas
de discriminação racial. O Projeto Rappers
articula a atividade cultural com a ação
política, usar a linguagem musical como instrumento
de conscientização e valorização
da população negra. O Centro de Estudos
Jurídicos visto como uma necessidade vital
e urgente de aperfeiçoamento na legislação
anti-racista no Brasil. Por último, o Núcleo
de Educação e Formação
Política cujo objetivo é o de promover
cursos de formação de professores e
multiplicadores de informação no combate
à discriminação racial.
A instituição é referência
no Brasil e na América Latina que tem conseguido
obter êxito e respeito devido a sua forma organizada
e bem articulada de atuação contra o
racismo e o sexismo no Brasil. O Geledés foi
premiado pelo governo francês pela sua atuação
na área de direitos humanos em 1999. O projeto
SOS –Racismo tem feito conquistas históricas,
atendendo 800 vítimas em cinco anos.
Geledés é originalmente uma forma de
sociedade secreta feminina de caráter religioso,
existente nas sociedades tradicionais yorubás,
que expressam o poder feminino sobre a fertilidade
da terra, a procriação e o bem estar
da comunidade. Inspiradas nesta tradição
a ONG Geledés tem como seu maior desafio atualizar
as necessidades contemporâneas da mulher negra
e desafiar o racismo, o sexismo e a baixa auto-estima.
Grupo Rappa
O
Rappa, formado em 1993, é hoje uma das bandas
mais representativas do cenário pop/rock nacional
e que melhor exprime em suas letras as diferenças
e complexidades sociais. Conquistou o respeito com
o grande público e com a imprensa carioca,
principalmente, por lutar em prol uma sociedade mais
justa e segura.
Através de sua música, a banda engajou-se
em importantes causas sociais e escolheu dar visibilidade,
denunciar e combater o racismo e a desigualdade social.
Além de dar aulas de música, proferir
palestras e incentivar grupos comunitários
dos morros na periferia carioca.
A idéia do Projeto Na Palma da Mão (campanha
de incentivo aos jovens marginalizados de todo país)
nasceu de uma parceria entre a banda e a FASE (ONG
brasileira promove programas de cunho social atendendo
comunidades carentes). Parceria que visa passar 5%
dos lucros da venda do terceiro CD da banda (LADO
B – LADO A) aos projetos sociais desenvolvidos
pela FASE.
Atuam de forma militante em prol uma sociedade mais
igualitária, pois acreditam que “a maior
arma contra a violência é diminuir a
desigualdade social”. Lançou a campanha
Na Palma da Mão e no encarte do terceiro CD,
um boleto bancário apela aos fãs que
contribuam com qualquer valor para a campanha. Os
fundos arrecadados são repassados à
FASE que, por sua vez, distribui essa verba entre
os projetos associados.
Nos seus shows, são distribuídos folders
que apresentam os projetos da banda e convidam o fã
a colaborar e atuar nestes. Nos seus videoclipes,
ao final deles, a campanha é apresentada e,
mais uma vez, convida o fã atuar socialmente.
A banda abre mão de 5% dos seus lucros para
a ONG e procura sempre divulgar a campanha. Além
de continuar participar de forma marcante nos projetos
que desenvolve nos morros após o dramático
acidente, com o letrista-baterista Marcelo Yuka que
foi baleado e está paraplégico.
Tem desenvolvido um belo trabalho na cidade do Rio
de Janeiro que repercute nacionalmente. Além
de ser uma das bandas que mais se destaca por trabalhar
em prol da humanidade, mostrando que todos têm
direito à cidadania, e que por uma injusta
ironia do destino colocou o letrista-baterista da
banda numa situação irreversível.
Kilombo
Atua
em prol da mulher negra, comunidades negras rurais,
direitos humanos e educação, no Rio
Grande do Norte. Realiza trabalhos por meio de parcerias
com diversos atores sociais – associações,
sindicatos, federações sindicais, empresas
e ONG’s – dispostos a desenvolver ações
para eliminar as desigualdades e combater as distintas
formas de discriminação no mercado de
trabalho. Os exemplos são o Programa Pró-Dignidade
e o movimento Kilombo é uma referência
no estado do Rio Grande do Norte, trabalhando para
o reconhecimento da presença negra.
A entidade luta pelo esclarecimento e pela igualdade
racial da escola até a chegada de jovens afro-descendentes
ao mercado de trabalho. Discute e se empenha cada
vez mais em diagnosticar a real condição
da população afro-descendente no estado
do Rio Grande do Norte. Seu maior desafio é
crescer e ampliar os debates acerca da condição
negra no Brasil.
Maria Mulher
Organização
feminista, criada em março de 1987, na cidade
de Porto Alegre, tem por missão institucional
a defesa dos direitos humanos das populações
marginalizadas e excluídas, principalmente
dos afro-descendentes, assim como o combate às
discriminações sexual e étnico-racial,
levando o conhecimento de seus direitos e leis que
a ampara e protege contra a violência.
O trabalho da entidade está voltado ao atendimento
de mulheres vítimas de violência doméstica,
meninas e adolescentes vítimas de abuso sexual,
procurando sempre desenvolver e promover a construção
da cidadania, a estruturação emocional
e econômica das mulheres agredidas.
Maria Mulher estruturou para as mulheres vítima
de violência doméstica o atendimento
psicossocial, oficina de auto-estima, oficina de alfabetização
e oficina de economia solidária. Para as meninas
e adolescentes vítimas de abuso sexual oficina
de reciclagem de papel, reforço escolar, oficinas
de saúde reprodutiva e educação
social.
Utilizando a internet como veículo de informação,
defende a implementação de políticas
públicas nas áreas de saúde,
educação e cidadania, informando sobre
eventos e fornecendo subsídios para pesquisas
que envolvam a questão da mulher.
A procura pelos serviços da entidade aumenta
gradativamente devido à divulgação
das próprias usuárias que um dia foram
encorajadas a buscar ajuda. Isto é comprovado
pela análise estatística do prontuário
que possui um campo informando a fonte que recomendou.
Orlando
Villas Boas
Aos
86 anos de idade, quase 50 vividos na mata, Orlando
Villas Boas foi o maior indianista brasileiro. Além
de ser o mais respeitado e referência entre
antropólogos do mundo inteiro.
Em 1961 criou, foi o primeiro diretor do Parque Nacional
do Xingu e autor de três grandes clássicos
da antropologia mundial: Almanaque do Sertão:
História Visitantes, Sertão; Marcha
para o Oeste: Epopéia Expedição
Roncador-Xingu; e Arte dos Pajés.
Em 1941, deixou seu emprego de escriturário
em São Paulo para integrar a expedição
Roncador-Xingu criada pelo governo Getúlio
Vargas para desbravar o Brasil central. Criador do
Parque Nacional do Xingu.
Defendeu e institucionalizou 3 grandes tópicos.
O primeiro, que as reservas indígenas são
lugares onde se cultivam as tradições
milenares dos índios. O homem branco não
deve querer impor sua lógica às tribos
indígenas. E por último, que o turismo
tem que ser fora das áreas demarcadas e as
ONG’s não podem querer mandar na vida
da aldeia.
Conseguiu sensibilizar e humanizar o homem branco
em relação à lógica indígena.
E também, mobilizar e criar leis que respeitam
espaços, terras indígenas.
Duas vezes indicado para o Prêmio Nobel da paz
na década de setenta, uma delas por meio da
Câmara de Lordes da Inglaterra.
Vítima de 287 malárias, Orlando Villas
Boas julgava-se imune à “maleita”
como dizem os caboclos. “A tenacidade e coragem
com que ele enfrentou as dificuldades do sertão
valem um capítulo especial na história
do Brasil” . O tremor e as altas e baixas temperaturas
no organismo provocadas pela malária não
foram suficientes para arrancar da cabeça de
Villas Boas o ideal de defender os índios a
qualquer custo.
O Cacique Ialapiti Aritana, um dos mais respeitados
do Xingu, definiu em uma frase o que representa Orlando
Villas Boas para os índios da região:
“Orlando é pai, irmão e um grande
espírito da floresta e dos rios”.
Sebastião Salgado
Nasceu
na cidade de Aimorés, Minas Gerais. Cursou
economia sendo doutor pela Universidade de Paris.
Trocou economia por fotografia, focando seus trabalhos
em reportagens sociais e humanas. Trabalha desde 1994
com o tema: Movimento das Populações
do Mundo.
Criou o Instituto Terra, organização
sem fins lucrativos em combate ao desmatamento e distribuição
de terras no Brasil. Enfatiza em seu trabalho uma
realidade que merece ser transformada. Tem postura
inovadora na campanha em prol da distribuição
de terras no Brasil .
Convida por meio de sua arte a refletir sobre indivíduos
e grupos que ocupam os 4 cantos do mundo mostrando
a sua existência e sua importância, beleza,
luta e complexidade.
Mobiliza e sensibiliza todos aqueles que tem acesso
a sua obra, pois consegue exprimir com fidelidade
e realismo o universo de homens, mulheres e crianças.
Já viajou para 47 países fotografando
várias etnias e culturas distintas que são
vítimas da guerra, da fome, da doença
e do preconceito.
É, atualmente, o mais respeitado fotógrafo
internacional na área do fotojornalismo. Já
para nós brasileiros, é reconhecido
como o maior fotógrafo de toda nossa história.
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