Eu era apenas um homem como os outros, adormecido
em meu leito, quando eis que os sopros do Todo-Glorioso
manaram sobre Mim e Me deram o conhecimento de tudo
o que já existia. Isso não provêm
de Mim, mas de Um que é Todo-Poderoso e Onisciente.
E Ele ordenou que Eu levantasse Minha voz entre a
terra e o céu, e por isso Me sucedeu o que
fez correrem as lágrimas de todo homem de compreensão...
Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos
da Vontade de teu Senhor, o Todo-Poderoso, Alvo de
todo louvor... Seu chamado predominante atingiu-Me
e Me fez expressar Seu louvor entre todos os povos.
Em verdade, era Eu feito um morto, quando Seu imperativo
foi anunciado. A mão da Vontade de teu Senhor,
o Compassivo, o Misericordioso, transformou-Me.
Por
Minha vida! Não Me revelei por Minha vontade,
mas Deus, por Sua própria vontade, quis Manifestar-Me.
Sempre que Eu procurava entregar-Me ao silêncio
e repouso, eis que a Voz do Espírito Santo
à Minha direita, despertava-Me, e o Supremo
Espírito aparecia-Me, o anjo Gabriel Me encobria
com sua sombra e o Espírito da Glória
se agitava dentro de Meu peito, concitando-Me a levantar
e a romper Meu silêncio.
Certo dia num sonho, estas exaltadas palavras foram
ouvidas em toda parte: Verdadeiramente, Nós
te faremos vitorioso por Ti Mesmo e por Tua Pena.
Não te aflijas pelo que Te tem acon-tecido,
nem temas, por que Tu estás em segurança.
Muito em breve Deus levantará os tesouros da
Terra - homens que te auxiliarão por meio de
Ti Mesmo e de Teu Nome, com que Deus revigorou os
coracões daqueles que O reconheceram.
Durante os dias em que permaneci na prisão
de Teerã, embora o peso esmagador das correntes
e o nauseabundo ar ambiente pouco Me permitissem dormir,
contudo, em tais raros momentos de repouso, tinha
a sensação de alguma coisa estar fluindo
de Minha cabeça para o Meu peito, assim como
uma poderosa torrente que, vertendo de uma altíssima
montanha se precipitasse ao solo. Em consequência
cada fibra de Meu corpo ardia como fogo. Em tais momentos,
Minha língua dizia coisas que nenhum homem
poderia suportar.
Enquanto
mergulhado em amarguras, ouvi uma voz, a mais doce
e maravilhosa, a chamar sobre Minha cabeça.
Voltando Meu rosto, vi uma Jovem - personificação
do Nome de Meu Senhor - suspensa no espaço
diante de Mim. Tão jubilosa estava em sua própria
alma, que seu semblante irradiava a graça Divina
e suas faces inflamavam-se com o esplendor do Todo-Misericordioso.
Pairando entre o céu e a terra, fez uma exortação
que cativou o coração e a mente dos
homens. Deu-me a conhecer as boas novas que alegraram
todo o Meu Ser e as almas dos honrados servos de Deus.
Apontando para a Minha cabeça, dirigiu-se a
todos os que estavam no céu e a todos que estavam
sobre a terra, dizendo: ‘Por Deus! Este é o
Mais Amado em todos os mundos, mas ainda não
compreendeis isso! Ele representa a Formosura de Deus
entre vós e o poder de Sua soberania em vosso
seio -saberieis, se vos fosse dado entender! Este
é o Mistério de Deus e Seu Tesouro,
a Causa de Deus e Sua Glória, para todos os
que estão nos domínios da revelação
e nos reinos criados - saberíeis, se estivésseis
entre aqueles que percebem!
Meu Deus, Meu Mestre, Meu Desejo... Tu criaste este
átomo de pó mediante o consumado poder
de Tua grandeza e O nutriste com Tuas mãos,
as quais por ninguém podem ser acorrentadas...
A Ele tens destinado provas e sofrimentos que língua
alguma pode descrever, nem qualquer uma de Tuas Epístolas
relatar de um modo adequado. A garganta que Tu acostumaste
ao toque de seda, tens, afinal, cingido de fortes
correntes, e o corpo ao qual deste o conforto de brocados
e veludos, tens sujeitado, por fim, à degradação
de um calabouço. Teu decreto Me prendeu com
inumeráveis grilhões e ao redor do pescoço
Me pôs correntes que ninguém pode romper.
Passaram-se alguns anos, durante os quais aflições,
assim como chuvas de misericórdia, sobre mim
caíram... Quantas foram as noites em que o
peso de correntes e grilhões nenhum repouso
Me permitia, e quão numerosos os dias durante
os quais paz e tranquilidade Me eram negadas, por
causa daquilo com que as mãos e as línguas
dos homens Me afligiram! Tanto o pão como a
água - que Tu, através de Tua misericórdia
que a tudo abarca, tens concedido aos animais do campo
- eles, a este servo, têm por algum tempo negado,
e as coisas que recusaram inflingir àqueles
que se têm apartado de Tua Causa, as mesmas
eles deixaram ser infligidas a Mim, até que,
finalmente, Teu decreto irrevogável foi determinado,
e Teu mandato intimou este servo a que partisse da
Pérsia (atual Irã), acompanhado por
um grupo de homens debilitados e crianças de
tenra idade, neste tempo em que o frio é tão
intenso que se não pode nem falar, e o gelo
e a neve estão tão abundantes que é
impossível se mover.
Ao suportar durezas e tribulações, bem
como ao revelar versículos e expor provas,
foi sempre o propósito deste Oprimido extinguir
o fogo do ódio e da animosidade, a fim de que
os horizontes dos corações humanos sejam
talvez iluminados com a luz da concórdia e
atinjam a verdadeira tranquilidade.
Vaguei
pelo deserto da resignação, viajando
de tal modo que, no Meu exílio, todos os olhos
pranteavam Minhas penas e todas as criaturas vertiam
lágrimas de sangue em razão de Minha
angústia. Os pássaros do céu
eram os Meus companheiros e os animais do campo a
Mim se associavam.
De
Meus olhos vertiam lágrimas angustiosas e de
Meu coração dilacerado surgia um oceano
de agônicos pesares. Muitas noites não
tive com que Me alimentar e muitos dias Meu corpo
não encontrou repouso...Sozinho comunguei com
Meu espírito, alheado do mundo e de tudo o
que nele existe.
O
dilúvio de Noé é apenas a medida
de lágrimas por Mim vertidas, e o fogo de Abraão
uma ebulição de Minha alma. O pesar
de Jacó é apenas um reflexo de Minhas
tristezas e as aflições de Jó
uma fração de minha calamidade ... Derrama
sobre Mim paciência, ó Meu Senhor, e
faze-Me vitorioso sobre os transgressores.
Sabe
tu, em verdade, que este Jovem, ao voltar os olhos
para Seu próprio Ser, o acha a mais insignificante
de todas as criaturas. Quando, porém, contempla
o esplendoroso fulgor que Ele foi habilitado a manifestar,
eis este Ser, diante Dele, transfigurado numa Potência
soberana que penetra a essência de todas as
coisas visíveis e invisíveis. Glória
Aquele que, através do poder da verdade, enviou
o Manifestante de Sí Próprio e O incumbiu
de transmitir Sua mensagem a toda a humanidade.
Magnificado
seja Teu Nome, ó Senhor meu Deus! Não
sei com que água Tu me criaste, ou que fogo
acendeste dentro de mim, ou com que argila me amoldaste.
A agitação de todo mar aquietou-se,
menos a agitação deste Oceano que se
move à mercê dos ventos de Tua Vontade.
A chama de todo fogo já se extinguiu, salvo
a Chama que as mãos de Tua onipotência
acenderam e cujo esplendor Tu, pelo poder de Teu Nome,
fizeste irradiar ante todos em Teu céu e todos
sobre Tua terra. E seu ardor cresce, à medida
que as tribulações se aprofundam.

Nenhum dos reis da terra tem o poder de me impedir
de Tua comemoração ou do enaltecimento
de Tuas virtudes. Fossem eles coligar-se - como já
se coligaram - contra mim, ameaçando-me com
suas espadas mais aguçadas e seus dardos mais
aflitivos, eu não hesitaria em magnificar Teu
Nome diante de todos os que se acham em Teu céu
e sobre Tua terra. Não, antes, eu exclamaria
dizendo: "Esta, ó meu Amado, é minha
face, e este é meu espírito que sacrifiquei
por Teu espírito, e este é o meu sangue
que se agita em minhas veias em seu ardente desejo
de se derramar por amor a Ti e em Teu caminho."
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