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Fotografia: Farid Bidardel.
30/12/2011 09:47:20
Conforme orientação da Assembleia Espiritual Nacional do Brasil a Aben disponibiliza a segunda tradução das mensagens da Casa Universal de Justiça entre os períodos de 14 maio de 2009 a 17 de junho de 2011, cujos temas são extremamente apropriadas para o nosso contexto social.
19 de maio de 2009
Aos Crentes no Berço da Fé
Amigos ternamente amados,
Das Convenções Nacionais, que ocorreram no mundo inteiro nas últimas semanas, ressoaram expressões de amor e solidariedade que os bahá’ís de todos os lugares, orgulhosos de serem contados entre seus irmãos e irmãs espirituais, têm por vocês em seus corações. Cientes das energias espirituais liberadas pela sua firmeza e sacrifício, e desse modo reforçadas, eles estão empenhados em defender seus direitos, propagando os ensinamentos bahá’ís, e contribuindo para o bem-estar do mundo da humanidade.
Entre os muitos comunicados a que aludimos na nossa carta de 14 de maio de 2009, incluem-se relatos do aumento sem precedentes que vocês têm testemunhado de oportunidades de afastar das mentes de seus concidadãos os mal-entendidos relacionados à história e ensinamentos da Fé. O fato de vocês terem demonstrado, apesar da intensificada perseguição, uma crescente capacidade de recuperação, apegando-se firmemente às suas crenças e cumprindo suas obrigações espirituais, tem tido efeitos profundos cujas implicações ainda não podem ser apreciadas adequadamente. Somente o tempo haverá de revelar a plena importância dos momentosos eventos que nos últimos anos convergiram sobre vocês. Especialmente notável nesse sentido é o crescente anseio do povo iraniano de entender o verdadeiro caráter da Fé e o entendimento cada vez maior entre a juventude de seu país de que nos ensinamentos de Bahá’u’lláh há de ser encontrada uma nova fonte de esperança para o futuro. Com seus corações cheios de certeza, nós os urgimos a seguir adiante, com sabedoria e dentro da estrutura de orientação estabelecida nos nossos comunicados anteriores, no cumprimento de suas responsabilidades espirituais individuais.
Alguns de vocês, em suas cartas, têm levantado questionamentos que giram em torno do tema do fortalecimento da comunidade. Isto é de fato um assunto de importância fundamental, e é bom que todo crente mantenha estes requisitos em mente. Através da unidade de pensamento e ação alcançada pelos crentes, e de seu entusiasmo e companheirismo, vocês já viram o efeito que o cumprimento de suas responsabilidades espirituais individuais tem sobre a vida da comunidade. Existem inúmeros outros fatores que melhoram ainda mais a vitalidade da vida da comunidade. Entre eles, os mais importantes são educação espiritual para crianças e jovens, oportunidades criadas para aprofundar o entendimento dos ensinamentos, reuniões para celebrar as Festas de Dezenove Dias e outras ocasiões, esforços para nutrir e manter a unidade em todos os assuntos, assistência aos jovens e famílias que passam necessidade, e tempo dedicado a visitas a amigos e vizinhos, em suas casas, para manter conversas significativas e fortalecer laços de afeição e solidariedade.
Na medida em que os princípios e o espírito da Fé se refletirem no caráter da comunidade, sua vitalidade se evidenciará e seus esforços individuais e coletivos tornar-se-ão mais eficazes. As circunstâncias atuais, que exigem que vocês avancem na ausência do Yárán e do Khádimín e a inspiração e ajuda que eles proviam, exigirão de cada um de vocês novos níveis de tolerância e disciplina, bem como um compromisso para encorajar e apoiar os outros. Ao mesmo tempo, vocês devem reconhecer que, à medida que suas atividades individuais se orientarem mais para o exterior, a administração dos assuntos internos da comunidade se tornará mais fácil. O cumprimento das responsabilidades individuais e coletivas anteriores faz parte da identidade bahá’í; este é um dos compromissos com o qual cada seguidor de Bahá’u’lláh está empenhado.
Tais expressões de sua crença estão em sintonia com reconhecidos padrões dos direitos humanos individuais. Continuem, pois, a cumpri-los com confiança e vigor, guiados pelos ditames da sabedoria, fiéis à lei civil, e sensíveis às condições sociais.
A carta que lhes enviamos, datada de 18 de março de 2009, chamava a atenção para o papel da consulta no crescimento do nível de maturidade da comunidade e de sua eficiência. Assim, ficamos satisfeitos em notar, através das suas cartas recentes, uma maior difusão de sua prática entre os crentes. A lei da consulta, conforme revelada por Bahá’u’lláh, é um ensinamento fundamental da Fé. Ele nos diz que através da consulta a “maturidade do dom do entendimento” se torna manifesta. “Ela é, e sempre será”, diz Ele, “uma causa de percepção e de despertar, e uma fonte de benefício e bem-estar”. “A consulta concede maior consciência e transforma a conjetura em certeza”, continua Ele. “É uma luz radiante que, num mundo tenebroso, indica o caminho e orienta.” A consulta pavimenta o caminho do empenho individual e coletivo. O crescimento, o progresso e a unidade duradouros da comunidade são assegurados através de sua prática. É indispensável para a boa organização dos afazeres humanos. ‘Abdu’l-Bahá refere-Se à consulta como “a causa de grandes vitórias”, assegurando que “ela atrai a ajuda e os favores de Deus”.
Como vocês sabem, a consulta bahá’í deve ser feita com o máximo de amor, sinceridade e unidade. Seus participantes devem se reunir numa atitude de oração, buscando assistência do Reino de Glória, expressando seus pensamentos de forma livre, renunciando todo apego às suas opiniões individuais, e mostrando consideração imparcial e cuidadosa aos pontos de vista dos outros, numa tentativa de chegar a um consenso. ‘Abdu’l-Bahá informa-nos que, caso, no processo de se chegar a uma decisão, perceba-se que a discussão se prolongou ou que deu margem a disputa, a consulta deve ser postergada e retomada num tempo mais propício. Estejam confiantes de que, quando se dedicam à consulta bahá’í em meio a famílias ou em pequenos grupos, seus esforços sinceros em manter estes princípios capacitá-los-ão, através do poder do Convênio e da assistência Divina, a resolver a grande maioria das questões que os confrontam. Evidentemente, deve-se lembrar que o propósito da consulta não precisa sempre ser alcançado numa decisão particular ou final. Frequentemente o objetivo pode ser simplesmente o de trocar ideias de modo a ajudar a esclarecer algum assunto e criar uma unidade de visão. Além disso, vocês devem reconhecer que devido às atuais circunstâncias, talvez existam questões que não possam ser resolvidas neste momento e que devam ser deixadas para consideração futura.
Alguns de vocês perguntaram sobre a Festa de Dezenove Dias, cuja observância é ordenada por Bahá’u’lláh em Seu Livro Sacratíssimo, o Kitáb-i-Aqdas. Desde os primórdios da Fé, a Festa foi uma característica distintiva de sua vida espiritual e social, essencial para o desenvolvimento do indivíduo e da comunidade, e ela deve continuar a ser observada com sabedoria e considerando as circunstâncias locais. Dentro do contexto da clara orientação a respeito de sua natureza e propósito, vocês têm uma ampla liberdade de ação na qual podem organizar e conduzir tais reuniões.
Com frequência lembramo-nos de vocês nos Santuários Sagrados e oferecemos orações de gratidão por sua firmeza. Em vocês vemos manifestas estas palavras de ‘Abdu’l-Bahá:
Ó amigos espirituais e amados do Todo-Misericordioso!
Em cada era, os crentes são muitos, mas os testados são poucos. Rendei louvores a Deus, vós que sois crentes testados, que fostes submetidos a todo tipo de provações no caminho do Senhor Supremo. No fogo das provações, vossas faces se tornaram de um rubor incandescente como puro ouro, e em meio a chamas de crueldade e opressão que os perversos acenderam, vocês se deixaram consumir enquanto permaneciam paciente todo o tempo. Desse modo, iniciastes cada crente no caminho da firmeza e da fortitude.
[Assina: A Casa Universal de Justiça]
Leia a mensagem original em persa aqui.