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Os sete professores presos no Irã.

Os sete professores presos no Irã.

Julgamento de Educadores Bahá’ís: intensifica-se a condenação internacional

11/11/2011 16:17:54



7 de novembro de 2011, GENEBRA — À medida que surgem mais informações a respeito do julgamento dos sete educadores bahá’ís, o protesto mundial contra a perseguição aos estudantes e professores bahá’ís do Irã continua a se ampliar.

 

Nos últimos dias, políticos no Brasil, acadêmicos na Alemanha e Irlanda e um destacado grupo internacional de cineastas condenou a sistemática exclusão dos bahá’ís da educação superior no Irã e os ataques do governo iraniano às iniciativas informais da comunidade bahá’í para educar seus membros jovens.

 

A Comunidade Internacional Bahá’í soube recentemente que os sete educadores presos – todos professores ou colaboradores na iniciativa da comunidade conhecida como Instituto Bahá’í de Educação Superior (BIHE) foram levados à corte em dois diferentes dias, algemados e acorrentados nos tornozelos. Lá, na presença de seus advogados, foram informados do veredito e de suas sentenças.

 

“Nem os réus nem seus advogados viram uma cópia por escrito do veredito”, disse Diane Ala’i, representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto às Nações Unidas em Genebra, “mas, pelas anotações feitas por pessoas presentes na audiência, sabemos que os sete foram considerados culpados por serem ‘membros da seita desviada bahaísta, com o objetivo de tomar ações contra a segurança do país, a fim de promover os propósitos da seita desviada e de organizações de fora do país.

 

O julgamento descreve as atividades dos acusados no BIHE como crimes, taxando-as de evidências de seu suposto objetivo de subverter o estado, acrescentou a Sra. Ala’i.

 

Dois dos bahá’ís, Vahid Mahmoudi e Kamran Mortezaie, receberam cada um sentenças de cinco anos de prisão, enquanto Mahmoud Badavam, Nooshin Khadem, Farhad Sedghi, Riaz Sobhani e Ramin Zibaie receberam sentenças de quatro anos de prisão.

 

“As autoridades iranianas sabem muito bem que não há qualquer verdade nas acusações”, disse a Sra. Ala’i. “A proibição de diplomatas estrangeiros assistirem ao julgamento e a recusa do judiciário de providenciar um documento por escrito contendo o veredito demonstram quão injustificáveis são as afirmações e ações do governo, e claramente expõem a ostensiva discriminação religiosa que existe no âmago deste caso.”

 

Condenação intensificada

 

Nos últimos cinco meses, desde que inicialmente foram detidos, o protesto contra encarceramento dos sete educadores estendeu-se pelo mundo todo. O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-Moon, juntamente com figuras proeminentes globais como os Prêmios Nobel, Arcebispo Desmond Tutu e Jose Ramos-Horta, Presidente do Timor Leste, lideraram as críticas aos atos do Irã. Em outubro, cerca de 43 destacados filósofos e teólogos de 16 países assinaram uma carta aberta protestando contra os ataques ao BIHE.

 

Na última sexta feira, mais de 50 acadêmicos da Irlanda clamaram às autoridades iranianas para cessar os ataques aos bahá’ís e permitir acesso à educação superior a todos. “É difícil acreditar que algum governo negue o direito à educação a um grupo de estudantes”, eles escreveram ao Irish Times. “Estas ações deixam claro que as autoridades iranianas estão determinadas a bloquear o progresso e o desenvolvimento desses jovens, excluindo-os da educação unicamente por causa de sua religião.

 

Na Alemanha, 45 professores proeminentes também exigiram a imediata libertação dos sete. Numa carta datada de 25 de outubro ao ministro iraniano de Ciência, Pesquisa e Tecnologia, eles escreveram: “Insistimos na a irrestrita observância do direito à educação superior para todos os cidadãos de seu país, de acordo com as normas internacionais...”

 

Quatro dias antes, Markus Loning – Comissário de Políticas de Direitos Humanos e Ajuda Humanitária do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha – disse: “Os acusados devem ter o direito a um processo transparente de acordo com os princípios do estado de direito”. Rolf Mutzenich, porta-voz de política externa do grupo parlamentar Social Democrata da Alemanha, descreveu o julgamento como “inaceitável” e considerou “intolerável a intolerância religiosa que ele reflete... É urgente e necessário que o governo iraniano cesse sua discriminação contra os bahá’ís e respeite seus direitos básicos à educação e à prática de sua fé”.

 

Na semana passada, 26 cineastas, produtores e atores instaram o governo do Brasil a defender os direitos dos cineastas, jornalistas e educadores bahá’ís e conclame o Irã a libertá-los imediatamente. Entre os signatários da carta aberta, segundo reportado no prestigiado jornal Folha de São Paulo, estavam diretores aclamados como Hector Babenco, Atom Egoyan, Mohsen Makhmalbaf e Walter Salles.

 

Em um pronunciamento realizado em 20 de outubro, o Deputado Federal do Brasil Luiz Couto – ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos do país – afirmou: “Todos nós conhecemos o trabalho que os bahá'ís desenvolvem aqui no Brasil nas temáticas de promoção da igualdade, da justiça e dos direitos humanos; muitos de nós conhecemos também o trabalho educacional que os bahá'ís desenvolvem nas suas comunidades... Por que essas pessoas não podem ter o direito de professar a sua fé?”

 

Os educadores bahá’ís aprisionados receberam o apoio de Scholars at Risk (SIR) [Acadêmicos em Risco], uma rede internacional de mais de 260 universidades e faculdades de 33 países que se dedicam à promoção da liberdade acadêmica, liberdade de pensamento, opinião, expressão, associação e deslocamento.

 

“Os fatos insinuam uma tentativa de excluir os indivíduos bahá’ís de oportunidades de educação superior no Irã, e levantam sérias preocupações a respeito de uma campanha mais ampla para limitar a capacidade de intelectuais e acadêmicos em geral de trabalharem livremente no Irã”, escreveu a SIR em 31 de outubro.

 

“A Scholars at Risk considera estas insinuações particularmente lamentáveis e deploráveis, tendo em vista a rica história intelectual do Irã e seu tradicional apoio aos valores da academia e da livre pesquisa.”

 

Cobertura das agências bahá'ís de notícias sobre a perseguição aos Bahá’ís no Irã

 

A Agência Bahá'í de Notícias - ABEN publicou uma Seção Especial que inclui artigos adicionais e informações gerais sobre a campanha do Irã de negar educação superior aos bahá’ís. Lá estão disponíveis notícias acerca dos mais recentes acontecimentos, um resumo da situação, perfis dos educadores bahá’ís aprisionados, artigos selecionados, estudos de caso e testemunhos de estudantes, recursos e links. Para acessar o link do BWNS (em inglês), clique aqui.

 

Outra Reportagem Especial oferece artigos e informações gerais sobre as sete lideranças bahá’ís do Irã – suas vidas, seu aprisionamento, julgamento e sentenças – e as alegações contra eles. A reportagem oferece também recursos adicionais sobre a perseguição à comunidade bahá’í do Irã. Para ter acesso às notícias internacionais divulgadas pelo BWNS, clique aqui.


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