UM TRIBUTO À MEMÓRIA DE
AMATU'L-BAHÁ
RÚHÍYYIH KHANUM



 
Ata da Sessão Solene
Câmara dos Deputados, Brasília
onde Rúhíyyih Rabbani representou
a Comunidade Bahá'í


14 de Agosto de 1996, quarta-feira, 14:30 horas - Senadores, Deputados Federais, Autoridades Federais do Executivo e do Judiciário, Representantes de Organizações Não-Governamentais e mais de uma centena de bahá’ís ocupam o plenário do Congresso Nacional. Pontualmente às 15 horas, todos se postam em pé e ansiosos dirigem o olhar para a entrada principal do plenário de onde surge Amatu’l-Bahá Ruhíyyih Khanum... Os corações estão acelerados, as lágrimas contagiam de terna emoção aquele recinto solene. Estamos testemunhando o início de um eloquente tributo de amor e respeito pelos ensinamentos de Bahá’u’lláh, por Sua vida de serviço à humanidade e pelo estabelecimento de Sua Fé, há 75 anos passados no Brasil.

O Presidente da Câmara dos Deputados abre a Sessão Solene e convida à Mesa dos Trabalhos os representantes da Comunidade Bahá’í.

Deputados representando 14 partidos políticos se revesam na tribuna enaltecendo os esforços e a vida de Ruhíyyih Khanum dedicada à promoção da unidade entre os povos do mundo, emocionam-se com fatos da vida de Bahá’u’lláh,  louvam Seus ensinamentos de paz e unidade, defendem nossos irmãos de fé que sofrem cruel perseguição no Irã, rendem tributo à memória de Leonora Stirling Armstrong, discorrem sobre a igualdade de direitos entre homens e mulheres, elogiam a iniciativa da Comunidade Bahá’í em tornar acessível documentos preciosos como “A Promessa da Paz Mundial” e “A Prosperidade da Humanidade”, apresentam testemunhos sobre sua convivência com bahá’ís em suas cidades de origem....

O painel registra a presença de noventa deputados federais no plenário. São eles, em ordem alfabética: Adauto Ferreira, Adilson Motta, Adroaldo Strock, Albérico Cordeiro, Alberto Cordeiro, Alberto Goldman, Alcides Modesto - (Quem fez a oração de unidade), Alzira Ewerton, Ana Júlia, Aníbal Gomes, Antônio Feijão*, Antonio Sérgio Carneiro, Arnaldo Faria Sá, Arnaldo Madeira, Arthur Virgílio, Augustim Freitas, Ayrton Xerxes, Benedito Guimarães, Carlos Airton, Carlos Camurça, Ceci Cunha, Célia Mendes, Costa Ferreira, De Valasco, Domingos Leonelli, Eduardo Jorge, Emanuel Fernandes, Enio Bacci, Euripedes Miranda, Fernando Diniz, Fetter Junior, Flávio Arns, Franco Montoro, Gedel Vieira Lima, Genésio Bernardino, Henrique E. Alves, Herculano Anchinetti, Hilário Coimbra, Jairo Carneiro, João Coser, João Leão, João Mendes, João Pizzolatti, José Brilhante, José Coimbra, José Genoino, Junia Maria, Laura Carneiro, Leônidas Cristino, Luciano Castro, Luciano Zica, Luis Eduardo, Luiz Buaiz, Luiz Gushiken, Marçal Filho, Marcia C. Viana, Maria Valadão, Marcelo Deda, Mario Cavallazzi, Nelson Branco, Nelson Meuser, Nilton Temer, Odílio Balbonotti, Olávio Rocha, Oscar Goldoni, Padre Roque, Pauderney Avelino, Paulo Baner, Paulo Bernardo, Paulo Delgado, Paulo Titan, Pedro Wilson, Ricardo Heráclio, Ricardo Izar, Roberto Campos, Roberto Paulino, Robson Tuma, Romel Anísio, Salomão Cruz, Salvador Zimbaldi, Samuel Carvalho, Severino Cavalcanti, Silvio Lopes, Telma Souza, Vadão Gomes, Valdemar Guedes, Vilma Rocha, Werner Wander, Zulaie Cobra.

A seguir, o teor dos pronunciamentos e dos apartes dessa magnífica Sessão Solene:

                    “O SR PRESIDENTE (Wilson Campos) - Havendo número regimental, declaro aberta a sessão.
                    Sob a proteção de Deus e em nome do povo brasileiro iniciamos nossos trabalhos.
                    A Presidência dispensa a leitura da ata da sessão anterior.
                    A presente sessão destina-se a homenagear a ilustríssima Sra. Ruhiyyih Rabbani, primeira dama da Comunidade Bahá’í Mundial, a requerimento do Deputado Luiz Gushiken, a quem solicito acompanhar, para compor a Mesa, a homenageada, Sra. Rabbani, o Sr. Shapoor Monadjem, membro do Centro Mundial Bahá’í, o Sr. Farhad Shayani, Conselheiro Continental para as Américas e o Sr. Rolf von Czékus, também Conselheiro.
                   O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - iniciando a sessão de homenagem à Sra. Ruhiyyih Rabbani, concedo a palavra ao Sr. Deputado Luiz Gushiken, autor da proposição. (Palmas)
                    O SR. LUIZ GUSHIKEN (PT-SP. Pronuncia o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Ilma. Sra. Ruhiyyih Rabbani, demais membros da comunidade Bahá’í, minhas senhoras e meus senhores, há quatro anos, exatamente no dia 28 de maio de 1992, esta Casa se enalteceu ao promover sessão solene de homenagem ao Centenário da Ascensão de Bahá’u’lláh, fundador da Fé Bahá’í.
                    Na data de hoje, esta Casa promove sessão solene de homenagem à ilustríssima Sra. Ruhiyyih Rabbani, figura destacada dessa fé religiosa.
                    Tive a honra, Sr. Presidente, de ser o propositor dessas sessões. E nem poderia ser de outra forma, visto que fui, como poucos, privilegiado em conhecer um legado de idéias que movimenta hoje mais de 6 milhões de pessoas no mundo, e que, no futuro, ceramente haverá de infundir, numa vastidão muito maior de corações e mentes, os mais nobres ideais a que pode postular o espírito humano.
                    Fui agraciado também, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em conhecer uma história ainda pouco difundida, uma história repleta de lutas, de sofrimentos, convicções, heroísmos e atrocidades inomináveis que se abateram sobre milhares de famílias, uma história que o futuro haverá de registrar como uma das mais belas e tumltuadas páginas do movimento religioso mundial.
                    A Sra. Rabbani é uma das figuras chaves que ajudam a tecer o fio dessa história de mais de um século de luta, dedicando para esse objetivo todas as suas energias físicas e espirituais.
                    Cento e oitenta países visitados, expedições a centenas de povos indígenas dos mais variados continentes do mundo, inclusive os nativos da nossa Amazônia, inúmeros livros publicados em várias línguas, conversações diretas com dezenas de governantes dos mais variados países, centenas de palestras em Inglês, Francês, Alemão e Persa, tudo isso é a demonstração desse espírito infatigável que marca a vida da Sra. Rabbani.
                    Uma vida dedicada à difusão de idéias simples, mas de difícil absorção pelo mundo contmporâneo, o qual foi transformado em palco de injustiças de toda ordem, em arena de conflitos extrememente perigosos para a humanidade.
                    E quais são essas idéias simples que movem esta singular senhora, que, merecidamente, recebe desta Casa homenagens? Eis algumas delas: justiça, igualdade entre os homens e mulheres, harmonia entre ciência e Religião; investigação independente da verdade, eliminação de todos os preconceitos; amabilidade, cortesia e retidão de caráter.
                    Mas, é na difusão do princípio de unidade do gênero humano que as idéias defendidas pela Sra. Rabbani encontram plena expressão e atualidade. Decorre desse princípio a arquitetura do mais grandioso projeto político jamais imaginado pelo homem: uma instituição mundial, que com seus poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Militar, organizada democraticamente a partir da vontade soberana das nações e capaz de promover a paz mundial e a justiça social.
                    Desse princípio decorre também a criação de uma lealdade mais ampla entre os homens, capaz de superar os limites de nacionalidade, Religião, sexo, cor, etc.
                  Foi Bahá’u’lláh quem formulhou a idéia-síntese desse princípio ao afirmar que “A terra é um só país e os seres humanos seus cidadãos.”
                    O SR. MARCELO DEDA - Nobre Deputado Luiz Gushiken, concede-me V. Exa. um aparte?
                    O SR. LUIZ GUSHIKEN - Com prazer, deputado Marcelo Deda.
                    O SR. MARCELO DEDA - Deputado Luiz Gushiken, inicialmente, gostaria de formular as minhas felicitações a V. Exa. pela idéia, prontamente acolhida pela Casa, desta sessão especial em homenagem a Sra. Ruhiyyih Rabbani, Primeira Dama Mundia do Movimento Bahá’í, e, através desta homenagem a essa ilustre senhora, também a todos aqueles que fazem a comunidade Bahá’í, a todos aqueles que participam desse movimento, que, sem dúvida alguma, tem o respeito de todo o  mundo. Mas, em função das idéias que defendem, da fé que pregam, têm merecido inúmeras perseguições, especialmente no Irã, o que tem sido repelido pela consciência livre do mundo e, muito em particular, pela Câmara dos Deputados. Com a permissão de V. Exa., gostaria de trazer um testemunho. Sou Deputado Federal representando o Estado de Sergipe, o menor Estado da Federação. Muito embora não integre o movimento Bahá’í, tenho a honhra de ter vários amigos que dele fazem parte, especialmente a Sra. Felora Sherafat que é lider do movimento no meu Estado. O
meu testemunho refere-se à preocupação dos Bahá’ís em aperfeiçoar as instituições políticas do Brasil, trazendo contribuições, como, por exemplo, reuniões com representantes, com dirigentes políticos, suas experiências, reflexões e idéias da fé que professam. Além disso, em Sergipe dedicam-se a um trabalho social da mais alta envergadura, na prevenção das drogas. Inclusive, em Convênio com a Secretaria de educação do Estado, há todo um trabalho de orientação de professores para tentar conter o grande número de viciados em álcool e outras drogas, como se tem            verificado nas escolas públicas do meu Estado. E mais, na defesa do meio ambiente, na participação constante, oferecendo subsídios e idéias, os bahá’ís, muito embora em pequeno número, já são uma comunidade que merece o respeito e a consideração de todos os sergipanos. No próximo mês, a Dra. Felora, pelo seu trabalho, estará recebendo da Câmara Municipal da nossa capital o título de Cidadã Aracajuana. Portanto, neste momento em que V. Exa. pronuncia tão brilhante discurso,                    prestando esta sincera e justa homenagem aos Bahá’ís e a sua líder, a Sra. Rabbani, gostaria de associar-me também ao seu discurso e prestar este testemunho do excelente trabalho que os Bahá’ís fazem no meu Estado. (Palmas)
                    O SR. LUIZ GUSHIKEN - Acolho com muita alegria o aparte de V. Exa. foi muito bem lembrada a perseguição que os bahá’ís sofrem no Irã. Aliás, registro que recentemente recebemos informações que o governo do Irã, ou melhor, seu Poder Judiciário, havia determinado a morte de um Bahá’í, através de uma sentença judicial, que está sendo hoje questionada, e que mostra uma flagrante violação dos direitos humanos naquele país.
                    É importante o testemunho de V. Exa. para fortalecer essa luta de pessoas que, como disse, fazem parte de uma história que marca uma das mais belas páginas do movimento religioso mundial.
                   Nem poderia ser de outra forma a violência que cometem os líderes Religiãoiosos do Irã sobre os bahá’ís. A fé bahá’í nasceu na Pérsia, hoje Irã, e postula principios que colidem frontalmente com aquilo que é cultuado naquele país, como, por exemplo, a igualdade entre homens e mulheres. É evidente que ao postular essa bandeira a ira do clero Religiãoioso iria se abater, como se abateu.
                    Quem postula a necessidade de investigar de maneira mais acurada, independente, o processo religioso que marca as Religiões desde a sua origem não está procurando questionar a validade dos profetas, amados por diversas Religiões. Mas, ao pedir a investigação para que se compreenda melhor o processo das sucessivas revelações ao longo da história, evidentemente, esse processo, esse método que oferece a fé bahá’í colide com aqueles que defendem a exclusividade da                sua Religião, como é o caso do atual clero muçulmano. Como político, analiso o processo em curso no Irã e vejo o quanto é importante a manifestação de Deputados brasileiros e na defesa dos bahá’ís do Irã, visto que é inominável a vilência cometida contra eles.
                   Sr. Presidente, eu estava falando sovre o princípio da unidade do gênero humano e sobre o papel de destaque que oferece essa proposição na arquitetura daquilo que chamei de o mais ambicioso projeto político já imaginado pelo ser humano: a edificação de uma estrutura supranacional que possa governar o mundo, a partir da idéia de que ele deve ser protegido por uma força unitária, mundialmente falando.
                    Como os senhores devem estar percebendo, o universo de idéias que movimenta o espírito da Sra. Rabbani é muito vasto e profundamente instigante. Mas tendo em vista a exigüidade do tempo de que disponho, gostaria agora de me dirigir à Sra. Rabbani para transmitir-lhe a minha profunda admiração por sua pessoa e desejar-lhe os mais sinceros votos de longa vida.
                    Há dois anos, por ocasião de minha visita a Haifa, tive o prazer de conhecer a amabilidade e cortesia da Sra. Rabbani. Ficará sempre em minha lembrança a prazerosa conversa que tivemos em sua residência, onde morou Abdu’l-Bahá, figura ímpar que a Comunidade Bahá’í oferece como modelo de conduta humana.
                    Sra. Rabbani, hoje convidamos os Deputados e os amigos da Fé Bahá’í para homenageá-la por tudo o que V. Sa. tem feito em prol de uma sociedade mais justa e mais humana.
                    Como sabe Vossa Senhoria, há quatro anos esta Casa realizou uma sessão solene pelo Centenário do falecimento de Bahá’u’lláh. Ouso dizer que, em verdade, nenhuma instituição é, e jamais será, suficientemente digna de fazer menção àquele que é o autor da mais poderosa Revelação Religiosa.
                    Por tudo isto, mais do que uma homenagem a Vossa Senhoria, que de forma tão exemplar defende os ideais de Bahá’u’lláh, a presente sessão solene é uma honra para esta casa.
                    Muito obrigado. (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (WILSON CAMPOS) - Concedo a palavra à Exma. Sra. Deputada Maria Valadão, que  falará pelo Bloco Parlamentar, ou seja, pelo PFL. (Palmas)
                    A SRA. MARIA VALADÃO (Bloco PFL/GO, pronuncia o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Ilma. Sra Rabbani, demais autoridades da Fé Bahá’í, senhoras e senhores, foi para mim uma imensa honra ter sido designada pelo meu partido para, em seu nome, saudar a ilustre personalidade que ora nos visita, a Sra. Ruhiyyih Rabbani, e prestar uma justa homenagem à             Comunidade Bahá’í Brasileira, no momento em que comemora os 75 anos da chegada da pioneira da Fé Bahá’í no Brasil, Leonora Armstrong.
                    Na verdade, não é por mera coincidência que, nesta sessão, estamos homenageando duas mulheres, assim como não terá sido por simples acaso que a primeira missão bahá’í no país foi liderada por uma mulher. Tal fato pode causar surpresa para os seguidores de outros credos, mas não para quem conhece os ensinamentos da Fé Bahá’í, que privilegia, de modo ímpar, a ação da mulher na        sociedade.
                    Por sinal, foi um dos fatores que mais provocaram a ira dos contemporâneos do Báb e de Bahá’u’lláh, pois, se ainda hoje - e mesmo na nossa sociedade ocidental, tida como mais “desenvolvida”e “progressista”- a proeminência da mulher na vida social, profissional e cultural ainda constitui uma excessão e muitas vezes até causa espanto, pode-se bem imaginar a verdadeirarevoluçào que causou a nova doutrina, que exigia, como um de seus pilares, a igualdade entre os homens e mulheres.
                    A nova Fé que Bahá’u’lláh expunha não previa apenas a igualdade na teoria, mas sobretudo apresentava modelos concretos de como essa igualdade deveria tornar-se real na sociedade. Não espanta, portanto, que tenha sido bahá’í a primeira escola para mulheres no Irã, num momento em que a educação não atingia as mulheres, por consideradas desnecessária ou mesmo prejudicial a elas.
                    O fato é que a educação, para Bahá’u’lláh, era o instrumento primeiro e ideal para a elevação do ser humano, tanto material como espiritualmente, e, portanto, para que as mulheres pudessem atingir os mesmos patamares dos homens, em termos espirituais ou materiais, a elas deveria ser dado amplo acesso à educação, não como uma concessão, um favor, mas como uma obrigação.
                    A Fé Bahá’í não apresenta dogmas, mas apenas o cerne de uma doutrina formulada por Bahá’u’lláh e aprofundada por seus herdeiros e sucessores, Abdu’l-Bahá, intérprete Autorizado da Fé, designado pelo próprio Profeta-Fundador, e Shoghi Effendi, Guardão da Fé. Mas, apenas numa comparação imperfeita, poderíamos até dizer que o dogma bahá’í é o da igualdade.
                    O SR. FRANCO MONTORO - Permite-me V. Exa. um aparte?
                    A SRA. MARIA VALADÃO - Tem V. Exa. a palavra.
                    O SR.  FRANCO MONTORO - Congratulo-me com V. Exa. e com os promotores desta homenagem. Se a idéia de uma paz universal de um governo mundial é um sonho que na época, já no início do mundo moderno Kant (?) intitulou o seu livro “O mundo de apaz, de paz universal”, esse velho sonho tem hoje uma atulaidade extraordinária. Esta globalização caminha no aspecto econômico, no aspecto tecnológico e exatamente por isso é necessário que se dê a ela uma alma.
                    No último relatório que a Organização das Nações Unidas, particularmente o PNUD, publicou a todo o mundo, há uma observação que precisa ser fixada: a Globalização que está realizando é acompanhada do aumento das desigualdades e, portanto, das injustiças. Daí a necessidade de se corrigir essa pendência, que representa uma ofensa à justiça e, por conseguinte, à paz, com medidas concretas, alimentadas pela idéia fundamental da solidariedade. É essa grande mensagem de solidariedade, do entendimento acima de quaisquer diferenças, que marca esta solenidade de que hoje é palco o plenário da Câmara dos Deputados. Congratulo-me com V. Exa. pelo seu discurso, com os  promotores deste evento e com a homenageada, que honra o Parlamento brasileiro com sua presença. (Palmas)
                    A SRA. MARIA VALADÃO - Deputado Franco Montoro, agradeço a V. Exa. o aparte, que acrescenta ao meu pronunciamento prestígio e conhecimento, além de trazer a esta solenidade o brilho de sua presença.
                    Continuando, queremos dizer que igualdade entre os seres humanos, o que elimina liminarmente toda e qualquer discriminação, seja de raça, etnia, cor, ideologia - e, obviamente, de sexo -, pois, como bem comparou Abdu’l-Bahá, o homem e a mulher são duas asas de uma mesma ave, esta não podendo voar nem mesmo viver sem uma delas.
                    Na verdade, o, digamos assim, “feminismo”de Bahá’u’lláh vai, em muitos aspectos, além ainda do que o do nosso século, pela sua objetividade e acerto. No caso da educação, por exemplo, as palavras de Bahá’u’lláh indicam a necessidade de uma educação ainda mais acurada para as mulheres, pois, afinal, são elas as primeiras educadoras de qualquer ser humano; daí que o resultado da educação deste refletirá, naturalmente e na mesma medida, a educação da mãe.
                    Não podemos nos esquecer ainda de que sãoas mulheres que formam a maioria absoluta das profissionais de educação básica, essa educaçào que, desde a mais tenra infância, terá reflexos no ser humano durante toda a vida, mas que tantas vezes é relegada a um plano tão secundário.
                    Não há a menor dúvida também - e isso os números comprovam de que os coeficientes de mortalidade infantil estão intimamente ligados aos anos de estudo da mãe. Os dados do IBGE, reproduzidos no documento da Comunidade Bahá’í do Brasil, intitulado “Subsídios Bahá’ís aos Novos Governantes e Legisladores do Brasil.”
                    Enquanto em famílias cujas mães tem menos de um ano de escolaridade a taxa de mortalidade é de 100 mortos para 100 mil nascidos, essa taxa baixa vertiginosamente de 19 mortos para 100 mil nascidos nos lares em que a mãe tem mais de oito anos de escolaridade.
                    Sr. presidente, Sras. e Srs. Deputados, a presença ativa da mulher bahá’í é uma realidade, consequência natural do papel na família e na sociedade que a ela atribuiu Bahá’u’lláh.
                    Não é de surpreender, portanto, que nas Assembléias Espirituais Nacionais e mesmo no corpo maior do administrativo e legislativo da Fé Bahá’í. A Casa Universal de Justiça, encontrem-se mulheres liderando reuniões, sejam elas apenas no âmbito familiar ou em grandes auditórios, chefiando delegações de alto nível ou pregando a doutrina Bahá’í.
                    Na verdade, a inexistência de um clero formal na Fé Bahá’í propicia uma atuação inigualável das mulheres mesmo na formação Religiãoiosa dos seguidores de Bahá’u’lláh, pois é sabido que todas as Religiãoiões tradicionais tendem a favorecer o sacerdócio masculino, muitas vezes restando à mulher apenas um papel adjutório. Na Fé Bahá’í, a mulher divide com o homem também a tarefa de difusão da doutrina - o que, afinal, ainda causa espanto, mesmo no nosso Ocidente progressista.
                   Aliás, é interessante notar que a Fé Bahá’í, nascida no Oriente, como todas as outras grandes religiões, expandiu-se como nenhuma outra, de modo tão rápido e eficiente, por todos os quadrantes do mundo. Uma das razòes, não há dúvida, terá sido o trabalho missionário das mulheres, possível graças à atitude da nova Fé, que dava a elas oportunidade de se instruir, e autoridade e direito de difundir, onde quer que fosse, a palavra de Bahá’u’lláh. Pois como afirmou Abdu’l-Bahá:
                    “Uma causa divina de bem-estar universal não pode ser limitada ao Orientenem ao Ocidente, pois, o esplendor do Sol da Verdade ilumina tanto o Oriente como o Ocidente, e faz sentir o seu calor no sul e no norte -nenhuma diferença há entre um pólo e outro.”
                    A Fé Bahá’í não é uma Religião oriental, como os menos avisados possam supor, nem um ramo ou dissidência do Islã, como outros pensam. Embora nascida em seu seio, a mensagem de Bahá’u’lláh transcende não só de quaisquer limites geográficos, como também - e principalmente - quaisquer conceitos restritivos, entre os quais as restrições à participação da mulher na vida social e religiosa.
                    Isso fez com que a Comunidade Bahá’í mundial seja hoje reconhecida como uma das organizações não-governamentais mais atuantes nos mais altos foros internacionais, onde se discutem os mais cruciantes problemas sociais, entre os quais, com destaque, os problemas da mulher no seio da ONU, principalmente, onde já lhe foi outorgado status de Órgão Consultivo.
                    Não vamos fazer aqui um balanço da atuação da Comunidade Bahá’í nas inúmeras conferências regionais e mundiais promovidas pela ONU, nem havia necessidade, mas gostaria de mencionar uma contribuição rescente, feita por ocasião do 50º aniversário de fundação das Nações Unidas, no ano passado. Trata-se de documento intitulado “Momento Decisivo Para Todas as Nações”, que enfoca, do ponto de vista bahá’i, todos os pontos de atuação da Organização Mundial.
                    No item referente à mulher, três sugestões, objetivas e precisas, dirigidas não diretamente à Organização, mas, sobretudo, aos países-membros, para que a mulher se veja mais atuante em nível mundial nos foros da ONU - medidas essas que devem ser objeto de atenção também do nosso Legislativo e do Executivo, portanto, bem pertinente que sejam mencionadas agora nesse Plenário.
                    São elas: primeiro, aumentar a participação das mulheres nas delegações dos países-membros, como embaixadores ou em postos similares; segundo, encorajar a ratificação universal das convenções internacionais que protegem os direitos da mulher e melhoram a sua posição; e terceiro, e planejar e implementar a Plataforma de Ação de Pequim.
                   Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, é impossível discorrer sobre a atuação da Comunidade Bahá’í em prol da mulher sem pecar pela omissão. Num breve momento como esse. Não pretendi esgotar o assunto, mas apenas trazer alguns conceitos fundamentais da doutrina bahá’í, ainda que esparsos, e, por consequência natural, alguns exemplos de como eles são postos em prática.
                    Creio que tenha sido o suficiente para, pelo menos, podermos ter uma idéia, ainda que vaga, do que representou o surgimento da Fé Bahá’í para o seu tempo e o peso que ela demonstra hoje em dia.
                    Sabemos que, apesar de todo o progresso, a situação da mulher ainda não evoluiu em muitos lugares, a níveis minimamente aceitáveis.
                    Em nome de uma pretensa inferioridade - tantas vezes sancionada por tortas interpretações religiosas - ainda se mutilam mulheres, ainda se lhes negam direitos mínimos, ainda delas se exigem ônus insuportáveis e lhes oferecem condições deprimentes de vida. Certamente, onde falta o ensinamento de Bahá’u’lláh, expresso de maneira muito clara nas palavras do Intérprete da Fé, 'Abdu’l-Bahá:
                    “Até que a mulher e o homem reconheçam e percebam a igualdade não será possível nenhum progresso social e político ... pois o   mundo humano consiste de duas partes ou membros: um é a mulher; outro é o homem.  Até que esses dois membros sejam  iguais em força, a unidade da humanidade não pode ser estabelecida, e a  felicidade da raça humana não será uma realidade.
                    Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, em nome do meu partido e em meu próprio nome, reitero os cumprimentos à Comunidade Bahá’í Mundial, tão brilhantemente representada na pessoa da Sra. Rabbani, e à Comunidade Bahá’í do Brasil, expressando a gratidão, como brasileira e como mulher, ao sublime trabalho que vem empreendendo, já há setenta e cinco anos em prol do país e da mulher em nosso solo.
                    Muito obrigada. (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Concedo apalavra ao Exmo. Sr. Deputado José Coimbra, que falará pelo PTB. (Palmas)
                    O SR. JOSÉ COIMBRA (Bloco/PTB-SP - pronuncia o seguinte discurso)- Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, sejam as minhas primeiras palavras de congratulações ao nobre colega Deputado Luiz Gushiken pela acertada iniciativa de promover esta sessão solene, com a dupla finalidade de recepcionar a ilustre representante da Comunidade Bahá’í do Mundial, que nos honra com sua visita, Sra. Rabbani, e evocar os setenta e cinco anos da chegada da pioneira da Fé Bahá’í  em solo brasileiro.
                    Certamente, a Sra. Leonora Armstrong, ao decidir-se vir pregar a nova Fé em nossa terra, conhecia a realidade brasileira de então: uma jovem república, que apenas trinta anos antes decidira pela liberdade de credo e pela separação da Igreja do Estado; uma sociedade dominada pelas elites econômicas paulistas e mineiras, que se revezavam no poder em defesa de seus interesses; um povo que continuava se amando pelo amálgama de tão diferentes tipos humanos - como ex-escravos, filhos destes, indiígenas, imigrantes do Oriente, do Ocidente, da Europa - enfim, uma extensa gama de culturas que se fundiam e se complementavam na criação de algo tão diverso e ao mesmo tempo tão comum que é o povo brasileiro.
                    Leonora Armstrong terá tido, sem dúvida alguma, como impulso ao seu trabalho, as palavras de Bahá’u’lláh:
                    “Não vos considerei uns aos outros como estranhos. Convivei com os seguidores de todas as Religiões em espírito de amizade e camaradagem. Sois os frutos   de  uma  só árvore, as folhas do mesmo ramo.”
                    Conhecia, sem dúvida, também as palavras d’Aquele que antecedera a Bahá’u’lláh - “ide e ensinai a todos os povos”- pois, sua Fé não nega as Religiãoiões anteriores nem seus escritos sagrados, mas, pelo contrário, aceita o que eles contém de mais profundo e verdadeiro. Vinha, enfim, movida pelo mesmo espírito preconizado por Cristo de haver na terra “um só rebanho e um só pastor”.
                    Desde então, a Comunidade Bahá’í do Brasil vem se destacando na cooperação com o povo brasileiro, não com uma preocupação meramente proselitista, mas, sim, num verdadeiro apostolado em favor da promoção espiritual e material do ser humano, qualquer que seja a sua origem, sua cor ou mesmo Religião.
                    São várias as vertentes dessa ação: em favor dos necessitados; pela criança através da educação básica, em prol da condição da mulher; contra a degradação ambiental; pela moralidade na administração da coisa pública; apenas para mencionar alguns campos onde a Fé Bahá’í se mostra mais atuante.
                    Através de importantes mensagens universais - verdadeiras enciclicas que expõem a visão bahá’í em relação a todos os tópicos que afetam a conduta humana - a Comunidade Bahá’í vem oferecendo preciosas lições de comportamento não apenas para seus membros, mas para toda a humanidade.
                    Também no plano nacional, as Assembléias Espirituais vêm se preocupando em apresentar sugestões e normas que possam contribuir para o aperfeiçoamento do ser humano através da sua ação na comunidade.
                    Não há agora como enumerar à exaustão as iniciativas da Assembléia Espiritual Bahá’í brasileira, mas não posso me furtar de mencionar pelo menos uma das mais recentes, que toca a nós parlamentares de maneira toda especial.
                    Trata-se do documento “Subsídios Bahá’ís aos Novos Governantes e Legisladores do Brasil”, publicado no início do ano passado e dirigido àqueles que tnham, então, sido recentemente investidos de mandato neste Lesgislativo e nos Legislativos e Executivos estaduais e federal.
                    O documento, uma verdadeira carta-aberta, abrange quatro áreas básicas que, segundo os ensinamentos de Bahá’u’lláh, são cruciais para o aperfeiçoamento humano: educação, com especial ênfase à população rural; promoção da mulher; liderança e moralidade. E como precisamos disso! - e prosperidade da humanidade.
                    Nada mais oportuno que este terceiro item, “Liderança e Moralidade”, e nada mais perfeito que o enfoque apresentado pela Comunidade Bahá’í, que, por sinal, coincide com os reclamos da sociedade brasileira por um novo modo de pensar e sobretudo de fazer política no País.
                    Inicia o documento afirmando que os “líderes”- e que todos os que aqui apresentamos naturalmente somos líderes - “foram aqueles que ousaram inovar, enfrentaram desafios e alteraram as condições de vida de seus liderados”. Aos líderes - portanto, a nós também, e ainda hoje - exortou Bahá’u’lláh, sobre a responsabilidade que intrinsecamete detém:
                    “Deus entregou às vossas mãos as rédeas  do governo do povo, para que possais reger com justiça, salvaguardando os direitos dos espezinhados e punindo os malfeitores.”
                    Para isso, prossegue o documento, a liderança deve ser exercida com dois predicados essenciais - justiça e moderação - devendo o líder possuir a capacidade de estabelecer justiça, dialogar com todos os segmentos da sociedade, construir unidade na diversidade e demonstrar coerência entre o discurso e ação, algo aparentemente óbvio, não há dúvida, mas nem sempre facilmente palpável.
                    É dada ênfase à moralidade da ação do líder, o que exige dele a disposição de um trabalho conjunto com os seus liderados. Na verdade, para o crente bahá’í, a comunidade é um microcosmo da humanidade; a união desta depende da união daquela. Daí por que a importância primordial que a Fé Bahá’í empresta às decisões colegiadas, por serem expressões precisas do interesse da comunidade.
                    Ou, como afirma o próprio texto:
                    Os governos são formados para assegurar a continuidade  ordenada  da  vida  social   no planeta e encorajar a realização cloetiva dos dotes latentes na humanidade. É mediante a defesa  dos princípios  de  justiça  que  eles mantêm  sua  autoridade  e  capacidade de canalização do  fluxo do progresso da civilização. Somente a justiça, que implica uma cidadania plena, é capaz de liberar energias de um povo na forma de serviço ao bem-estar humano.
                    Justiça - essa é a base da moralidade que deve distinguir o líder. E justiça pressupõe, antes de mais nada, uma percepção aguda da realidade social em que ela deve ser exercida. Diz-nos o documento, com clareza:
                    “O direito da população a um governo justo e fundamental ao progresso da coletividade.Isso implica tratar de forma apropriada e distinta os que   são   socialmente   diferentes, buscando reduzir as desigualdades, para que todos tenham oportunidades   de trabalho e vida condignas.”
                    Pensamento que coincide com aquele bem conhecido do maior homem público que o País já conheceu, Rui Barbosa, quando afirmava que “tratar desiguais com igualdade é tão injusto quanto tratar iguais com desigualdade”
                    Pagamento também atualíssimo: os rescentes estudos da ONU mostram que ainda é grande a desigualdade em nosso País. Este é, sem dúvida, o maior mal que nos assola, e só com verdadeiros líderes à nossa frente é que poderá ser diminuído.
                    O documento termina o capítulo com uma constatação simples: “Só por meio da educação é que a ética e a moral poderão ser aperfeiçoadas, pois, em suas próprias palavras, as lideranças dos terceiro milênio já estão nos bancos escolares.”
                    E, se não dermos a essas gerações, que se tornarão líderes, no futuro, uma educação que não privilegia apenas o conhecimento, a informação, a quantidade de saber, em detrimento de uma formação de base ética e moral — e, poque não dizer, também Religiãoiosa — não podemos esperar por progressos sociais  senão por mais regressos ainda.
                    A sra. Armstrong tinha consciência disso 75 anos atrás, tanto que hoje, onde a comunidade Bahá’í mais se destaca é justamente na educação de base, que, em suas escolas, enfatiza a convivência harmoniosa entre todas as raças e incentiva a busca do conhecimento interior, espiritual, moral, a par da aquisição dos necessários, mas não exclusivos, conhecimentos formais.
                    Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, como mencionei, preferi ater-me apenas a um pequeno ponto da atividade da comunidade Bahá’í no Brasil. Pequeno sim, mas nem por isso de menor significado. Não haveria tempo de um aprofundamento maior neste momento, mas creio não ser necessário: a Comunidade Bahá’í nos oferece suas sugestões, suas propostas, para que, em ideais comuns, ainda que em credos distintos, nos unamos numa única meta, esta não apenas de bahá’ís,
                    como também de qualquer homem de boa-vontade. A união da humanidade com a meta de se aperfeiçoar e atingir a plenitude espiritual que o Deus único dos judeus, budistas, cristãos, muçulmanos, bahá’ís ou de qualquer pessoa que nele creia almeja a todos os seus filhos.
                    É, portanto, com imenso prazer e honra que, em nome do Partido Trabalhista Brasileiro, saúdo a Comunidade Bahá’í Mundial, aqui representada na pessoa da Sra. Ruhiyyih Rabbani e na Assembléia Nacional Bahá’í, que congrega os crentes de Bahá’u’lláh, há cinco anos, de norte a sul do país, neste momento em que celebra os 75 anos de profícua atividade na terra que Leonora Armstrong escolheu para sua altíssima missão. O nosso agradecimento a todos. (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Concedo a palavra ao Deputado Flávio Arns.
                    O SR. FLÁVIO ARNS (PSDB-PR, Pronuncia o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Sra. Ruhiyyih Rabbani, Sras. e Srs., com grande satisfação atendemos à indicação do nosso partido, o PSDB, para saudar, nesta solena sessão da Câmara dos Deputados, a Comunidade Bahá’í e a sua líder mundial, a Sra. Ruhiyyih Rabbani, ora em visita ao Brasil. Nossa satisfação em participar desta homenagem se justifica por duas razões principais. Primeiro, pelo reconhecimento ao louvável trabalho que esta entidade vem realizando, desde o século passado, pelo mundo inteiro. Segundo, por nos identificarmos também, enquanto integrante de um movimento não-governamental, que é o movimento das Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAEs, com o espírito que  norteia os seguidores da Comunidade Bahá’í.
                    Efetivamente, no mundo moderno, as organizações não-governamentais, como a Comunidade Bahá’í ou as APAEs, estão assumindo um papel cada vez mais preponderante na sociedade.
                   Levantando bandeiras em diversas áreas, desde a defesa dos direitos do cidadão à preservação ambiental, as organizações não-governamentais estão dando mostras incontestáveis de que conhecem a fundo a realidade e os problemas das nações e que têm contribuições positivas a dar na orientação dos destinos da humanidade.
                    Na última reunião do Habitat, realizado em Istambul, vale ressaltar, as organizações não governamentais apresentaram as soluções mais viáveis para os problemas nas cidades.
                   Neste contexto, a Comunidade Bahá’í se destaca. Tanto por ter sido a primeira organização não governamental criada no mundo - através de seu fundadeor e líder máximo Bahá’u’lláh, falecido em1892 - e formalmente reconhecida pela ONU há cerca de cinquenta anos, como também pelo desprendimento que tem conduzido trabalhos em defesa do meio ambiente, do habitat, do homem e da paz mundial, em 188 países, dentre os quais o Brasil.
                    Em nosso país, aliás, já há 75 anos, os seguidores da Comunidade Bahá’í estão presentes.
                   Atualmente, são milhares de membros vindos das mais diversas origens sociais, econômicas, culturais e étnicas, residentes em 1.215 Municípios. Em muitas cidades, além do trabalho de desenvolvimento espiritual e moral, os Bahá’ís também executam projetos no campo econômico e educacional, como a Escola das Nações em Brasília; a Associação Monte Carmello, em Mogi Mirim, em São Paulo; o Centro Educacional de Salvaterra, em Salvaterra, Pará; ou o Instituto Politécnico Rural, em Iranduba, Amazonas.
                    Sra. Ruhiyyih Rabbani, é com grata alegria que, em nome do PSDB, partido sintonizado com as causas sociais e preocupado com a realização da cidadania, saudamo-la e damos-lhes as boas-vindas por esta sua nova visita ao Brasil. Que sua estada entre nós se traduza no fortalecimento do trabalho da Comunidade Bahá’í e no estreitamento dos laços da sua inconteste liderança mundial com os membros que aqui desenvolvem ações concretas, notadamente no campo              educacional.
                    Muito obrigado.
                    O SR. PRESIDENTE (Fernando Ferro) - Convido a fazer uso da palavra, pelo Bloco/PPB/PL, a Deputada Alzira Ewerton. (Palmas)
                    A SRA. ALZIRA EWERTON (Bloco/PPB/PL-AM, Pronuncia o seguinte discurso) - Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, ilustre Sra. Rabbani, demais membros da Comunidade Bahá’i, senhoras e senhores, é com grande honra que, em nome do Partido Progressista Brasileiro, PPB, subo à Tribuna nesta sessão solene convocada para comemorar o 75º aniversário da chegada de Leonora Armstrong ao Brasil e receber a Sra. Rabbani, que nos enobrece com sua presença entre nós.
                    Para mim, amazonense de nascimento e representante do Estado do Amazonas, a incumbência que me deu o partido traz uma alegria toda especial, pois são históricos os vínculos da Comunidade Bahá’í com aquela região, e mais especial ainda a relação que a Sra. Rabbani mantém, já de longa data, com a Amazônia.
                    Em 1921, a jovem Leonora Armstrong, enviada ao Brasil para difundir os ensinamentos de Bahá’u’lláh, antes de fixar na Bahia, empreendeu uma longa jornada pelo Nordeste e Norte do País, tendo ido até Manaus. Pode-se imaginar o que representou uma empreitada desse tipo, levando-se em consideração não só o isolamento em que ainda se encontrava a Amazônia como também o fato de ser uma mulher a fazê-la, o que ceramente terá causado surpresa, numa época em que às     mulheres não cabiam tarefas dessa natureza.
                    Mas, para a Comunidade Bahá’í, já àquela época, à mulher eram dados papéis iguais aos do homem, e os preceitos que ela vinha difundir exigiam esse tipo de ação, pois para a Fé Bahá’í o mundo não é mais do que uma grande família, e a Terra o seu Lar. Era, portanto, imprescindível, conhecer de perto cada membro dessa família e cada recanto desse grande lar. A grande família bahá’í compõe-se de todos os povos do planeta e, por isso, é preciso que os membros dessa família se conheçam uns aos outros, aprendam uns com os outros, ajudem-se uns aos outros e também que todos eles cuidem do lar onde habitam.
                   Natural, portanto, a determinação da jovem Leonora de conhecer melhor a variedade humana e física que o país apresentava, e também natural seu interesse pela Amazônia, recanto especial desse grande lar, jardim maior do mundo, abençoado, como poucos outros, pelo Criador em belezas e recursos naturais, e dotado de enorme potencial humano que, na maioria das vezes, é menosprezado, quando não simplesmente aniquilado, apenas por ser diferente, não inferior, dos outros homens, estes ditos civilizados.
                    Meio século depois, outra ilustre bahá’í iria se embrenhar pela mesma Amazônia, desta vez numa empreitada bem mais ousada, dadas as facilidades que os novos tempos ofereciam, e também dados os novos e maiores problemas e desafios que o progresso tinha levado à região. A expedição liderada pela Sra. Ruhiyyih Rabbani em 1975 - denominada de “Luz Verde”, por levar uma chama de esperança a todos os povos amazônicos - iria se tornar um marco histórico no desbravamento e    no estudo da Amazônia.
                    Não incluiu apenas a Amazônia Brasileira, desconheceu fronteiras e chegou às origens do grande rio que lhe dá o nome. Realizou-se em quatro etapas: a primeira, singrando os rios da região por barco e canoa, teve início na Venezuela, na região de Orinoco, percorrendo uma extensão de mil e setecentos quilômetros; a segunda chegou ao interior do Suriname, a terceira percorreu mais de 3.000 quilômetros, de avião e barco, pelo Rio Amazonas, no Brasil, Colômbia e Peru, com o objetivo de visitar populações ribeirinhas e povos indígenas; e a quarta foi a visita aos índios da Bolívia e do Peru.
                    Os menos avisados poderão supor que um a viagem dessa natureza, promovida por uma instituição religiosa, tenha tido como finalidade apenas o proselitismo. Apenas quem não conhece os preceitos basilares da Fé Bahá’í - exige o respeito à cultura própria de cada comunidade humana, seja qual for sua origem - poderia ver a Expedição Luz Verde desse ângulo. Além disso, os resultados da
empreitada conduzida pela Sra. Rabbani comprovam os seus objetivos bem mais amplos.
                    Hoje, eles se traduzem em vários projetos sócio-econômicos de vulto na região, sobretudo no meu Estado. Não haverá necessidade de fazer um relato pormenorizado, mas não posso deixar de mencionar os mais significativos, para que façamos um quadro mais preciso do que representou a Expedição Luz Verde, e do que representa hoje a contribuição da Comunidade Bahá’í à população da Amazônia.
                    Como não poderia deixar de ser, a ênfase é dada à educação, pois a Fé Bahá’í vê a educação do ser humano como condição intrínseca para o seu desenvolvimento pessoal e o progresso da comunidade onde ele vive. Pois, foi o próprio Bahá’u’lláh que disse:
                    “O  conhecimento é como asas para a vida do homem; é como uma escada  pela qual ele possa ascender.Incumbe a cada um adquirí-lo. (...) Na verdade, o conhecimento é um verdadeiro tesouro para o homem; é  para ele uma fonte de glória, de graça, de  júbilo  e exaltação, de alegria e contentamento.”
                    Vejamos, portanto, ainda que rapidamente, os princípios frutos que a Expedição Luz Verde produziu no campo da educação. Podemos citar o Instituto Politécnico Djalal Eghrari - perdoem-me a pronúncia -, na periferia de Manaus, dedicado ao ensino de 1º e 2º graus, especialmente programado para aquela comunidade rural. É interessante notar que esse intituto congrega estudantes de 5a a 8a séries de vinte comunidades diferentes, índios em  sua maioria, recebendo, como em nenhuma outra escola técnica ou agrícola da região, um grupo de ingígenas tão diverso.
                    Temos também a Associação para o Desenvolvimento Coesivo da Amazônia, dedicada ao desenvolvimento das populações rurais e das periferias urbanas, que, por sinal, nasceu de uma outra extensa viagem na região promovida pela Comunidade Bahá’í em 1984. A partir da fundação e desenvolvimento dessa Associação, foi criado, em 1985, o Lar Linda Tanure, para crianças abandonadas; hoje mais ampliado, constitui o Núcleo de Bem-Estar Social, com vários projetos em andamento.
                    Este núcleo mantém diversos convênios a fim de dar maior eficiência ao seu trabalho: com os órgãos de assistência a menores infratores, para recuperação social; com a Universidade luterana do Brasil, para assistência psicológica de intergração familiar; com o SEBRAE e a Universidade de Tecnologia do Amazonas, para a formação profissional na área de marcenaria.
                    Não podemos nos esquecer de mendionar um dos grandes projetos bahá’ís na região, a Escola Vocacional masrour, na periferia de Manaus, que atende a mais de 700 alunos da pré-escola à 5a série, fundada em 1991. Pretende dar oportunidade a crianças e adolescentes carentes através do ensino profissionalizante, e atendimento de saúde e nutrição às mães.
                    Devemos citar ainda a Escola Novo Jardim, funcionando desde 1993, e com perspectivas e planos de ampliação, também na Capital do Estado, com cursos pré-escolares e de alfabetização, atendendo a crianças carentes.
                    Como se percebe, foi a partir da grande investida da Sra. Rabbani na Amazônia adentro que os projetos bahá’ís proliferaram na reigião. E não foi por acaso. É notória, e reconhjecida em âmbito internacional, a preocupação da Comunidade Bahá’í com os problemas ecológicos globais. Tal posição, como manecionaie, é coerente com a visão da fé Bahá’í da terra como a pátria única, lar geral dessa grande família, que é toda a humanidade.’
                    A amazônia, portanto, não poderia deixar de receber atenção especial por parte da Comunidade Bahá’í, e não é de admirar que em todas as escolas bahá’ís da região seja dada tanta importância à educação ambiental e ao desenvolvimento sustentado, pois sabemos que grande parte dos problemas de degradação ambiental derivam ou da falta de informação ou da simples miséria, que não oferece opção àqueles que procuram tirar da natureza ou do seu sustento imediato, não importanto as consequências a médio ou a longo prazo.
                    Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, poucas entidades Religiãoiosas terão hoje tanta preocupação com o meio ambiente e a educação ambiental quanto a Fé Bahá’í, e uma visão tão evoluída sobre a questão. Provém do próprio credo bahá’í de que os povos do mundo nada mais são do que uma única civilização em constante evolução, o que exige a necessidade de novas alternativas para novas questões, alternativas essas de alcance planetário, pois que assim exige a cidadania mundial que a Fé propugna.
                   Daí o interesse da Comunidade Bahá’í em desenvolver projetos na Amazônia centralizados no desenvolvimento moral, espiritual e material do ser humano, pois só desse modo é que poderá se dar qualquer outro tipo de desenvolvimento. Portanto, é com satisfação que vemos a implementação dos projetos bahá’ís na Região Amazônica. E a Sra. Rabbani, na visita que fará ao Estado do Amazonas, para lembrar a epopéia de vinte anos atrás, sentirá, sem dúvida alguma, o  reconhecimento do povo do Amazonas ao seu esforço.
                   Assim, ao saudar a Comunidade Bahá’í Brasileira, pelos seus setenta e cinco anos e à Sra. Ruhiyyih Rabbani, pela visita que nos faz o que tanto nos honra, permitam-me enviar uma saudação especial aos oito mil bahá’ís declarados da região, congregados nas 25 Assembléias Espirituais Locais, responsáveis que são por boa parcela do progresso espiritual e material de tantos amazônidas.
                   Sra. Rabbani, eu gostaria que V. Exa. aceitasse, através da minha pessoa, como representante da população do Estado do Amazonas, a manifestação de carinho e esperança pela sua passagem novamente por nosso estado.
                    Muito obrigada a todos (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (Fernando Ferro) - Convidamos a fazer o uso da palavra a Deputada Ceci Cunha, pelo PSDB. (Palmas)
                    A SRA. CECI CUNHA (PSDB-AL, Sem revisão da oradora) - Sr. Presidente, Sras. e Srs.Deputados, Sra. Ruhiyyih Rabbani, homenageada desta tarde, Sr. Shapoor Monadjem, membro do Centro Mundial Bahá’í e Conselheiro, Sr. Rolf von Czékus, Conselheiro Continental para as Américas, Sr. Farhad Shayani, Conselheiro Bahá’í, este encontro, convocado para comemorar o septuagésimo quinto aniversário da chegada da Fé Bahá’í ao Brasil, e recepcionar a ilustre Sra. Ruhiyyih Rabbani, torna-se ocasião das mais oportunas para que reflitamos sobre as mensagens que Bahá’u’lláh revelou a toda a humanidade, e sobre como elas têm sido realizadas, ao longo deste século e meio.
                    A Fé Bahá’í, por ser a mais nova Religião revelada, nascida e desenvolvida numa época que já permitia um razoável nível de comunicação mundial, apresenta uma característica peculiar: tem seu acervo doutrinário totalmente preservado, ou seja, tem a palavra do Profeta-Fundador e a de seus sucessores autenticada, não permitindo dúvida quanto a sua veracidade ou origem.
                    Assim, temos incólumes as lições de Bahá’u’lláh, do Intérprete 'Abdu’l-Bahá e do Guardião Shoghi Effendi, que formam o alicerce doutrinário da Fé. É com base nesse precioso acervo que a Comunidade Bahá’í Mundial, através de seu órgão spremo, a Casa Universal de Justiça, continua expandindo a Fé através de pronunciamentos, publicações e declarações universais.
                    Uma delas, das mais importantes, expostas a público em 1985, refere-se aum tema crucial para todo o gênero humano: a paz mundial. Na verdade, a paz tem sido preocupação de todas as grandes Religiãoiões, desde quando Isaías proclamou que “São formosos sobre os montes os pés dos que anunciam a paz.” (Is. 52,7), ou quando Cristo se despediu de seus apóstolos com “Eu vos dou a paz, eu vos deixo a minha paz.”(Jo 14,27).
                    Bahá’u’lláh, que pregou um mundo unido, sem fronteiras, sem distinções de qualquer tipo, não poderia deixar de se pronunciar sobre a paz, pois a família única que é a humanidade, habitando um lar único, que é a Terra, não terá como viver bem ou mesmo sobreviver, se não viver em paz. E é nesse a edição de “A Promessa da Paz Mundial”, apresentada como contribuição bahá’í ao Ano Internacional da paz, promovido pela ONU, em 1986.
                    Não pretendo fazer uma análise minuciosa desse documento, pois o tempo não seria suficiente, nem minhas condições pessoais, dada a aprofundidade da mensagem da Casa Universal de Justiça. Mas mesmo incorrendo na omissão é importante que sublinhemos as linhas gerais do pensamento bahá’í a respeito, expresso nessa importante declaração aos povos do mundo.
                    Em primeiro, há que se observar que o século atual se caracteriza por um quase paradoxo - a constância da guerra ao lado da busca acelerada pela paz mundial. Numa análise menos acurada, se poderia dizer que o século XX não tem trazido muito alento à paz. Não na visão bahá’í, que o classifica como “extraordinariamente abençoado”, e vejamos por quê.
                   Foi neste século que as nações se deram conta que só pela união dos esforços, pelo entendimento mútuo e pela decisão colegiada é que conseguiriam qualquer progresso, onde quer que seja. Foi assim que este século viu nascer a Liga das Nações, viu esta se expandir na Organização das Nações Unidas, viu esta gerar os grandes organismos regionais e proliferarem os seus órgãos especializados de cooperação. Viu, enfim, um mundo mais preocupado em se agregar e a decidir de    modo conjunto.
                    O próprio Bahá’u’lláh foi claro em expor a importância de um mecanismo de decisão conjunta entre as nações.
                    São suas as palavras:
                    “A  consulta confere maior consciência e transforma as confeturas em certezas. É  uma luz brilhante que, num mundo escuro, ilumina e guia  o caminho.Para tudo existe e continuará a existir um estágio de perfeição  e maturidade.A maturidade do dom    do entendimento é manifesta  através da consulta.”
                    Por sinal, a maturidade do gênero humano é, segundo a visão bahá’í, o seu próximo estágio, estando hoje em plena adolescência. Daí as convulsões constantes por que passa tualmente, período de mudanças, caótico, sim, mas necessário à transição, prenúcio, portanto, da estabilidade que define o estágio maduro da  humanidade.
                    E, neste processo, a Religião exerce um papel especial, pois é ela que deve guiar o homem na direção da paz, pois a paz entre as nações nunca se dará se não se der, primeiro, a paz em cada homem. A paz em cada um de nós. Na verdade, ao dizer “A paz esteja convosco”, o Cristo ressuscitado exigia a paz individual, caminho natural para a paz coletiva.
                    É bem verdade, a história nos tem mostrado que, em muitas ocasiões, a própria Religião tem sido empecilho à paz, ou mesmo motivo de guerra. Mas isso não pode ser argumento para que se negue a importância da Religião, uma das mais sublimes faculdades da natureza humana, em tal processo.
                    OU como adverta a Casa Universal de Justiça:
                    “Dificilmente, se poderá negar que a perversão desta faculdade tenha contribuído em  grande parte para a confusão que atualmente reina no mundo  e os conflitos existentes entre os indivíduos e no seu íntimo. Ao mesmo tempo, nenhum observador imparcial pode menosprezar a influência preponderante exercida pela Religião sobre   as   expressões vitais da civilização. Mais ainda sua indispensabilidade à ordem social tem sido repetidamente  demonstrada por seu efeito direto sobre as leis e a moralidade.”
                    Essa asserção repousa nas sábias palavras de Bahá’u’lláh:
                    “A Religião é o maior de todos os meios para o estabelecimento da ordem no mundo e  para  o contentamento pacífico  de todos  os  que  nele habitam.(...) Se  a   lâmpada da Religião for obscurecida, reinarão  o   caos  e  a confusão,  e as  luzes da eqüidade, da justiça, da tranquilidade e da  paz deixarão de brilhar.”
                    Assim, o presente século é um momento de reflexão, de introspecção da humanidade, que deve “olhar para si mesma, para a sua própria negligência, para a fonte dos mal-entendidos e confusão cometidos em nome da Religião”. Mas, para que isso aconteça, o documento bahá’í apresenta alguns requisitos.
                    Primeiro, a eliminação do racismo e de qualquer forma de discriminação, pois essas, sabemos bem, têm sido causas constantes de dissensão e guerra entre as nações. Há que se eliminar também a disparidade extrema entre a riqueza e a pobreza, o nacionalismo exacerbado e o fanatismo religioso.
                    Sobre ele, um dos grandes males, sempre combatido em doutrina e em ação pela Fé Bahá’í, ela própria vítima maior em sua terra natal pronunciou-se a Casa Universal de Justiça no documento.
                    Uma das características mais estranhas e  mais tristes da irrupção atual do fanatismo religioso é o modo como,  em  cada  caso,  está minado não só os valores  espirituais   conducentes   à unidade da humanidade, mas  também  aquelas vitórias morais inigualáveis  conquistadas  pela religião particular a que pretende servir.
                    Portanto, para que se alcance a paz mundial preconizada por Bahá’u’lláh, há que se tratar o problema, antes de mais nada, como uma questão de princípios, por que, como afirma a Declaração, a paz advém de um estado  interior apoiado por   uma  atitute  espiritual  ou  moral, e é principalmente  através  da  evocação  dessa atitude que se pode chegar á possibilidade de soluções duradouras.
                    Daí a importância que a Fé Bahá’í confere à educação de base, para que se forme no homem uma mentalidade moldada em preceitos espirituais e morais desde a infância. Daí a exigência da fé bahá’í de igualdade de direitos entre homens e mulheres. E, neste particular, ‘Abdu’l-’Bahá chega a afirmar que quando a mulher estiver em posição de igualdade com o homem, poder-se-á vislumbrar o fim das guerras, pois a mãe sempre preferirá a negociação e o entendimento a mandar o seu filho para o campo de batalha.
                    Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, Srs. participantes, o assunto obviamente não se esgota aqui.
                    Como disse, não pretendi nem mesmo analizar a Declaração da Casa Universal de Justiça em seu todo, mas apenas chamar a atenção para alguns pontos, ainda que esparsos.Mesmo assim, creio já ter sido o suficiente para que possamos fazer uma idéia da contribuição bahá’í à paz mundial. Tal contribuição - e isto é importante que se firse - não se reduz apenas a declarações de princípios, à edição de mensagens, mas vê-se efetivada a cada dia, tanto no seio de cada lar bahá’í e de cada
                    Assembléia Espiritual, quanto no trabalho que a Comunidade empreende nos organismos internacionais, onde se debatem os problemas sociais da humanidade, com especial destaque na Organização das Nações Unidas, onde já desfruta, desde longa data, do status de órgão consultivo.

                    É uma ação levada ao dia-a-dia, motivada pela profecia e promessa de Bahá’u’lláh sobre as tribulações por que hoje o mundo passa: “essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar, e a paz máxima há de chegar”. A paz mundial.
                    Em nome de meu partido, o PSDB, externo os cumprimentos à Comunidade Bahá’í brasileira pelos setenta e cinco anos de frutífera ação em nosso País em prol da paz, ação esta traduzida no serviço em favor de tantos brasileiros que devem à Comunidade Bahá’í um pouco mais de conforto espiritual e material.
                    Muito obrigada. (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - concedo a palavra ao Sr. Deputado Eduardo Jorge, que falará pelo PT.
                    O SR. EDUARDO JORGE - Sr. Presidente, ilustre convidade Sra. Rabbani, demais convidados, Deputadas e Deputados, é muito importante a proposta do Deputado Luiz Gushiken, do nosso partido, que veio em boa hora, de propor esta sessão solene. falo por delegação da liderança do meu partido, o Partido dos Trabalhadores, um partido de esquerda e socialista, o maor deles no Brasil neste momento.
                    Estava observando a feliz coincidência de, há setenta e cinco anos, a comunidade Bahá’í ter se estabelecido no Brasil justamente em Salvador, na bahia, onde tudo começou na civilização moderna no Brasil, ou seja, foi lá que houve o descobrimento, a nossa primeira capital e Salvador é hoje o maor centro de difusão de cultura popular do país. Esse fato, carregado de simbologia, felicidade e coincidência, deve ter algum significado do destino para a presença da comunidade Bahá’í do Brasil. Fico particularmente feliz por isso, porque sou eleito por São Paulo, mas sou        baiano, nascido em Salvador. (Palmas)
                    Já algum tempo, através do Deputado Luiz Gushiken e de uma amiga chamada Cláudia, tomei conhecimento dos princípios que definem e orientam a comunidade Bahá’í. É claro que há uma série de princípios elevados, positivos e importantes, mas tenho maior simpatia e identificação com o do reconhecimento da unidade da Humanidade, afastando todo tipo de fanatismo, discriminação e                 separação de raças, culturas e nações e propondo a necessidade de construção da unidade da humanidade. Acho que esse princípio tem um significado político atual e importantíssimo tanto à comunidade bahá’í como para a Humanidade como um todo.
                    Li documento que a Comunidade Bahá’i divulgou ano passado, por ocasião do quinquagésimo aniverário da Organização das Nações Unidas, segundo o qual esse princípio será concretizado através de uma série de sugestões altamente consequentes e práticas, para que esse caminho possa ser trilhado por todos os povos, nações e culturas. Trata-se de sugestões concretas nas áreas de economia, educaçào, Legislativo possíveis atividades executivas no âmbito internacional, etc. Esse         documento defende também a reorganização, de forma construtiva, da Organização das Nações Unidas, instituição que tantos serviços vem prestando e tão importante papel vem exercendo na luta pela paz e pela unidade da Humanidade, embora com todas as suas deficiências, precisando passar por uma reforma que a coloque à altura das tarefas de que precisamos no nosso planeta. Esse documento concreto e prático que os senhores divulgaram no ano passado mostra como esse princípio tem atualidade e, se bem, aplicado, terá uma consequência política muito ampla e profunda
em todo o planeta.
                    Ouço, com muito prazer, o nosso colega, Deputado Luciano Zica.
                    O SR. LUCIANO ZICA - Obrigado, Deputado Eduardo Jorge, junto-me à sua fala em homenagem à comunidade bahá’í do Brasil e testemunho que tive contato, na cidade de Campinas, com pessoas seguidoras da fé bahá’í, que me ensinaram muito, particularmente um cidadão muito simples, trabalhador e batalhador daquela cidade, de nome Iradj, que me tem colocado em contato com o pensamento daquela fé. Sou testemunha da contribuição importante dos representantes da
comunidade bahá’í, na cidade de campinas, para a constituição da possibilidade de construção de um mundo mais feliz. Diferentemente do que hoje propugna a globalizaçào, tão falada e propagada no mundo, que não leva em conta a felicidade das pessoas, a fé bahá’í leva em conta a construção de um mundo de seres humanos felizes. Por isto, acho que cabe a importância  desse pensamento para, inclusive, manifestar-nos diante do governo do Irã, a fim de que ele respeite, dentro da nação
iraniana, a liberdade de manifestação da fé bahá’í (Palmas) porque a construção de um mundo feliz pressupõe liberdade de manifestação, de crença, Religião e comportamento das pessoas, respeitando-se os interesses e limites de cada indivíduo, mas pensando numa coletividade feliz.
                    Portanto, associo-me às suas palavras, no sentido de engrossar esta homenagem e de dar a devida importância à iniciativa do Deputado Luiz Gushiken, do Partido dos Trabalhadores.(Palmas)
                    O SR. EDUARDO JORGE - Concedo o aparte ao nobre colega de partido, Deputado Paulo Delgado, de Juiz de Fora, Minas Gerais.
                    O SR. PAULO DELGADO- Deputado Eduardo Jorge, é uma dupla satisfação falar numa sessão solene em homenagem à comunidade bahá’í e seus membros. É uma satisfação de caráter pessoal, pois um dos meus filhos - quando me mudei para Brasília no meu primeiro mandato - estudou em uma escola Bahá’í e, até hoje, ele distingue-se dos seus dois irmãos por sua visão pacifista, universalista e mais generosa. Ele é um pouco professor dos seus irmãos. (Palmas). É também uma
satisfação política, pelo fato de encontrar, nesta solenidade, duas das personalidades mais ricas do meu partido: V.Exa. que me concede o aparte, e o deputado Luiz Gushiken, que pensam que a combinação mais moderna do pensamento no mundo é a subjetividade colocada a favor das atitudes concretas para melhoria do ser humano. Os bahá’ís tem uma visão da vida que deve contaminar organizações internacionais, como a Organização das Nações Unidas, por causa das três características principais da sua fé, ou seja, a visão universalista, ecumenista e pacifista.
                   Parabéns aos bahá’ís e muito obrigado a V. Exa. pela gentileza do aparte. (Palmas)
                    O SR. EDUARDO JORGE - Agradecendo aos Deputados Luciano Zica e Paulo Delgado pelos apartes, quero dizer que pensar ser possível a unidade do gênero humano é algo pouco comum, mas relativamente mais fácil pelo desenvolvimento de uma série de forás materiais que possibilitam e indicam que essa visão guiada por um ideal tem uma base concreta para se realizar. Mas difícil - e
                    isso deve ser motivo de admiração - é pensar essa possiblidade num mundo de 1840 ou1850, num país fortemente clerical e autoritário como o da origem da pessoa.
                    Selecionei um texto demonstrando que é um grande mérito. Não estou falando do ano de 1996, mas de 1850 ou 1860. É o seguinte:
                    “Haverá de chegar o tempo em que a necessidade imperiosa da convocação de uma vasta e ampla assembléia de homens será universalmente percebida. Os governantes e os reis da Terra terão de tomar parte nela e, participando de suas deliberações, deverão considerar métodos e meios capazes de assentar os fundamentos para a Grande Paz, mundial, entre os homens. Tal paz requer que as
grandes potências resolvam, a bem da tranquilidade dos povos da terra, reconciliar-se plenamente entre si. Se algum rei pegar em armas contra outro, todos unidos, devem erguer-se e detê-lo. Se isso for feito, as nações do mundo não mais precisarão de armamentos, exceto para preservar a segurança de seus domínios e manter a ordem interna dentro do próprio território ...Aproxima-se o dia em que todos os povos do mundo terãoadotado um idioma universal e uma escrita comum. Quando isso for realizado, não importa a que cidade um homem viaje, será como se estivesse
entrando no próprio lar ... É homem, verdadeiramente, quem hoje sededica ao serviço da humanidade inteira... Não se vanglorie quem ama a pátria, mas sim quem ama o mundo inteiro. A terra é um só país, e os seres humanos seus cidadãos.”
                    Isso foi escrito em 1850 ou 1860 - não sei bem a data. É grande o mérito de quem escreveu esse tipo de formulação, porque hoje quem se der ao trabalho de examinar sem preconceito ou dogmatismo, vai ver que praticamente nenhum dos grandes problemas dos homens, das mulheres, das nações ou dos países pode ser resolvido por uma única nação ou país. Vejam, por exemplo, o problema das drogas. Qual é a possibilidade de qualquer nação, mesmo a mais poderosa, resolver  o problema das drogas a partir de suas próprias fronteiras, sem pensar numa resolução de âmbito mundial? Nenhuma. Isso está provado. É só visitar os Estados Unidos. Vejam o problema das doenças. As epidemias respeitam qualquer tipo de fronteira e deixam de voar nas modernas tecnologias de transporte, estendendo-se instantaneamente por qualquer ponto do planeta? A fome, as doenças das migrações, vindas dos chamados países pobres do Terceiro e do Quarto Mundo, se transportam em direção ao centro do poder financeiro, do capital, de forma irrefreável e               incontrolável. Isso pode ser resolvido com o fechamento de fronteiras ou com a exclusão ou limitação de pessoas em determinadas áreas do planeta? Não é possível.
                    Há divisão e crescimento da desigualdade entre os povos, dentro dos povos e entre as nações. Isso é possível ser resolvido por iniciativas, por mais força que tenha um país?
                    A defesa do meio ambiente, a preservação das espécies e todos esses outros problemas que são verdadeiramente universais e planetários só podem ter solução neste nível. É uma necessidade não mais de um ideal, mas uma necessidade material da sobrevivência da humanidade e da Terra.
                    Por isso, tenho conversado bastante dentro do meu partido e com os setores do nosso campo, da esquerda e dos setores socialistas, que se postam em relação à chamada globalização apenas do ponto de vista negativista. Tenho dito que isso é um erro, por que, se é verdade que o grande capital financeiro e industrial tem-se aproveitado desse fonômeno da globalização, aumentado o seu poderio e gerado a desigualdade mais profunda no mundo inteiro, a globalização, o esenvolvimento dos mecanismos de transporte, de comunicação, também gera uma única forma de se superar esse tipo de problema e deixa ir ao seu curso a chamada globalização. O poderio do capital financeiro do mundo e de sua indústria só vai acentuar essa desigualdade.
                    Por isso tudo, se eles do capital financeiro têm essa agilidade e facilidade de acompanhar e usar os modernos mecanismos de tecnologia, de comunicação e de tranporte, a sociedade civil, as organizações não governamentais a nível mundial e a organização das nações, num Estado Federado, tem que se pôr à altura. Mercado, Estado e Sociedade Civil têm que se equilibrar para tomar e guiar a humanidade para um caminho justo, um caminho chamado do meio, como já disse uma Religião oriental há muito tempo. É uma necessidade.
                    Se a sociedade civil, se as nações congregadas no Estado não se ombrearem ao chamado mercado livre, submergirão a este mercado, que é a barbárie. O mercado por si só é a barbárie, é a lei do mais forte, é a lei que premia aqueles que têm mais poder e penaliza aqueles mais fracos e pobres.
                    Por isso tudo, acho que essa mensagem que V. Sas. vêm divulgando há mais de cem anos tem atualidade política, é uma oportunidade moral e ética fundamental para a humanidade neste momento.
                    Mas uma vez, quero somar-me ao Deputado Luiz Gushiken e a todos os outros Deputados que fazem esta homenagem a Sra. Ruhiyyih Rabbani.
                    Vi o currículo da Sra. Rabbani e o Deputado Luiz Gushiken também se referiu a ele aqui. É grande a quantidade de países, de povos e ilhas que já receberam a sua visita e a sua mensagem, a qual ela acredita profundamente.
                    Para nós que somos de um país de forte tradição cristã, onde o peregrino, aquele que prega para a humanidade já na origem da Religião cristã, é uma figura ímpar - vejam São Paulo,  os nestorianos - a pereginação da Sra. Rabbani tem um grande significão, com uma diferença: Considero que a sua peregriação à Terra Santa não está localizada num determinado ponto, porque para V. Sas. e para a senhora parece que a Terra Santa é todo o planeta. Por isso a senhora é uma peregrina do planeta. (Palmas.)
                    O SR. TILDEN SANTIAGO - Deputado Eduardo Jorge, V. Exa. concede-me um aparte?
                    O SR. EDUARDO JORGE - Pois não.
                    O SR. TILDEN SANTIAGO - Nobre Deputado, queria associar-me a V. Exa nas referências que aqui fez a todos aqueles que abraçam a fé bahá’í, e o faço pensando em inúmeros amigos e amigas em Minas Gerais que vivem dessa fé e com os quais eu aprendi a dialogar valores espirituais de fontes diferentes das que eu tive na minha formação, mas que muito aprendi. Gostaria ainda de dizer que todas as espiritualidades diferentes das que eu tive na minha formação, mas que muito
aprendi. Gostaria ainda de dizer que todas as espiritualidades deveriam saber somar na busca dessa centralização das forças espirituais no mundo inteiro, para que pudesse tirar o nosso mundo da possibilidade do caos em que coloca, porque, se hoje o homem tem a possibilidade de dar os grandes passos que são dados, por outro lado, temos em mãos o poder de destruir o planeta.
                    Acredito que só a conjunção das forças espirituais de todas as origens - e aí eu acho a fé bahá’í é um exemplo de tolerância muito grande com as demais crenças - nos faria caminhar. Certamente, seria uma força espiritual muito forte para se contrapor a esse mundo de conflito e de contradições no qual vivemos. Infelizmente, muitos dos intelectuais hoje são absorvidos e se perdem no mundo das contradições e não têm esse horizonte da unidade espiritual, da unidade energética de todo o universo. (Palmas). Por isso, queria associar-me às palavras de V. Exa., tendo lido artigo escrito
por V. Exa. e pelo Deputado Luiz Gushiken recentemente na Folha de S. Paulo. (Palmas)
                    O SR. EDUARDO JORGE - Como disse, já encerrei meu pronunciamento. Apenas afirmo à Sra.Rabbani o valor do depoimento do nosso colega Tilden Santiago, que foi durante décadas padre da Igreja Católica.
                    Muito obrigado. (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Ao final desta sessão, a Mesa cumprimental a Sra.Rabbani, os demais presentes, principalmente os convidados e os colegas Deputados. Em 28 de maio de 1992, a Câmara dos Deputados reuniu-se em sessão solene para celebrar o centenário da ascensão de Bahá’u’lláh e, neste mesmo plenário, teve a honra de receber os mais altos dignatários e membros da Comunidade Bahá’í no Brasil, além de Parlamentares das duas Casas e tantos quantos se interessam pelos conceitos que lastreiam a Fé Bahá’í.
                   Nesta mesma ocasião, lembraram-se os principais passos da vida de Mirzá Husayin-Ali, do berço ao passamento, com especial destaque à doutrina que embasa a Fé por Ele fundada, sua expansão pelos cinco continentes e a atuação, não só no plano espiritual como também na esfera terrena, onde a comunidade bahá’í granjeou reconhecimento internacional, sobretudo por seu trabalho junto à Organização das Nações Unidas em favor da ecologia, dos direitos humanos e da prevenção de todas as formas de discriminação.
                    Hoje, duplamente honrada, a Cas realiza nova sessão, para recepcionalr a Sra. Ruhiyyih Rabbani e evocar os setenta e cinco anos da fé bahá’í em solo brasileiro.
                    É significativa a presença da Sra. Rabbani entre nós - não só pelos vínculos familiares, que a aproximam de maneira direta a Bahá’u’lláh, como também pela lembraça que nos traz de outra ilustre mulher bahá’í Leonora Armstrong, que, em 1921, iniciou o trabalho espiritual e social que hoje se vê espalhado em todas as unidades da Federação.
                    Não é a primeira vez que a Sra. Rabbani visita o nosso país - os amazônidas ainda retêm na memória a viagem que ela liderou por toda a Amazônia, vinte anos atrás, da qual resultaram projetos relevantes para os seus habitantes - e agora volta para um extenso programa de visitas em vários estados e para participar do I Encontro Latino-Americano pela Cidadania-Mundial, a se realizar na próxima semana em São Paulo.
                  O tema central do encontro - “A Prática da Unidade na Diversidade”- evidencia o cerne da Fé Bahá’í: de um mundo unificado pelos sublimes ideais de paz e prosperidade humana, sem que para isso se tenha de eliminar a individualidade que caracteriza cada raça, cada etnia, cada povo, cada nação, cada Estado Soberano. Não é outro o sentido do moto bahá’í “A terra um só país, e os seres humanos seus cidadãos”, palavras de Bahá’u’lláh, que norteiam as ações da Comunidade.
                    Foi com este igual ideal  que os seguidores de Bahá’u’lláh se espalharam pelo mundo afora, levando a mensagem maior de fraternidade e de união, sem quaisquer restrições quanto a cultura, cor ou religião. E foi imbuida desse mesmo ideal que Leonora Armstrong chegou a nosso país - continental na sua dimensão, sem por isso deixar de ser uno na diversidade que o caracteriza.
                    Não causa  estranheza, portanto, que aqui se tenha encontrado solo fértil para sua atuação, desenvolvida, como não poderia deixar de ser, sobretudo na área social, com destaque na educação. Hoje, é significativa a contribuição da Comunidade Bahá’í na formação espiritual, moral e cultural de um grande número de brasileiros, de norte a sul.
                    Fruto da visão universalista que caracteriza a educação bahá’í, que pretende formar o ser humano de maneira integral, como um ente ao mesmo tempo espiritual e material, a comunidade bahá’í tem-se destacado pela contribuição constante que vem emprestando ao povo brasileiro, através de documentos de reflexão sobre temas fulcrais de interesse da Nação, nos momentos mais oportunos.
                    Basta que citemos o documento produzido por ocasião da Assembléia Nacional Constituinte, “Os Bahá’ís e a Constituinte”, ou, mais recentemente, outro, intitulado “Subsídios Bahá’ís aos Novos Governantes e Legisladores do Brasil”, tornado público no começo do ano passado, quando se iniciavam novos mandatos executivos e legislativos, além, é claro, das considerações que a comunidade vem apresentando, regularmente, aos órgãos técnicos da ONU, sobremaneira nos      campos da ecologia e dos direitos humanos.
                    São essas algumas poucas ações de âmbito nacional e mundial, que refletem as diretrizes básicas da Comunidade Bahá’í de participar, em todos os níveis, do aperfeiçoamento dos seres humanos onde quer que eles se congregem - na verdade, resultado do entendimento da Religião como instrumento excelente para o aperfeiçoamento da humanidade em constante evolução e una na diversidade.
                    Esta sessão solene, portanto, pretende não só servir de momento de reflexão sobre os ensinamentos da Fé Bahá’í e recepcionar uma de suas mais insignes líderes, como também principalmente tornar-se ocasião para o povo brasileiro, que aqui representamos, patentar sua gratidão pela magnífica obra iniciada entre nós setenta e cinco anos atrás por Leonora Armstrong.
                    Esta sessão pretende ainda dar continuidade àquela que em 1992, que tanta repercussão causou junto à Comunidade Bahá’í Mundial, numa clara demostração do acerto das palavras de Bahá’u’lláh a respeito da unidade dos povos e das nações. Na ocasião, esta Casa recebeu mensagens de saudações de Assembéias Espirituais Nacionais de vinte e cinco países, dos cinco continentes.
                    Sentiu-se especialmente lisonjada com a mensagem recebida da Casa Universal de Justiça, a instituição espiritual e administrativa suprema de Fé Bahá’í, na qual expressa o sentimento que promoveu aquela sessão, agora renovado, e que tenho a satisfação de citar:
                    “Nossos corações estão repletos de amor, de apreço por essa ação da Câmara   dos Deputados uma  iniciativa  que sentimos ter profunda significação espiritual e social para o povo brasileiro.
                    Trata-se também de um arrebatador lembrete de   importância que Bahá’u’lláh atribui aos corpos legislativos e aos representantes eleitos   pelo povo  os quais deveriam, conforme ele escreveu,considerar a si próprios como representantes de todos que habitam a Terra.”
                    A toda a comunidade bahá’í, aqui representada na pessoa da Sra. Ruhiyyih Rabbani, a Casa renova as mais fraternas saudações e a mais sincera gratidão.
                    O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - Antes de encerrar a sessão, concedo a palavra ao Deputado Alcides Modesto para que faça uma oração a pedido da Sra. Ruhiyyih Rabbani. (Palmas)
                    O SR. ALCIDES MODESTO (PT-BA Sem revisão do orador) - Convido a todos a ficarem de pé para que façamos a nossa oração neste plenário.
                    Oração do Fundador da Fé, Bahá’u’lláh que assim se expressa:
                    “Ó meu Deus, ó meu Deus! Une os corações de teus servos e revela-lhes o teu grande plano.Que sigam teus mandamentos e permaneçam firmes em tua fé.Ó Deus, ajuda-os em seus esforços e concede-lheso poder de te servirem.Em verdade, tú és seu amparo e seu Senhor.”
                    (Palmas)
                    O SR. PRESIDENTE (Wilson Campos) - A Mesa agradece o comparecimento de todos nesta solenidade e a participação dos partidos, que se fizeram representar pelos Srs. Deputados, os quais tiveram a oportunidade de expressar sua fé. Também agradeço ao Deputado Alcides Modesto,       demonstrando sua fé na Religião.A ilustríssima Sra. Rabbani, que aqui se encontra, queremos desejar que em nosso país e em todo o continente latino-americano seja bem sucedida na pregação que vai fazer por algum tempo, como foi dito horas atrás.
                    O SR PRESIDENTE (Wilson Campos) - nada mais havendo a tratar, vou encerrar a presente sessão...
                    ORDEM DO DIA
                    Está encerrada a sessão. (Levanta-se a sessão as 17h10).”