Jejum Bahá'í - Programa devocional para aprofundamento e meditação no período do jejum

"Estes são os dias em que ordenaste a todos os homens observarem o jejum, para que, deste modo, purificassem suas almas e se livrassem de tudo, menos de Ti... "

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O Jejum

A importância e alguns esclarecimentos sobre a Lei Bahá'í do Jejum

Bahá'u'lláh dá extraordinária importância ao período do jejum e às virtudes com que o jejum foi dotado por Deus desde tempos imemoriais - e é redotado, por assim dizer, pelo Próprio Bahá'u'lláh. Em uma de Suas Epístolas, Ele declara que "o jejum... prescrito a todos" é um período especial, durante o qual os servos de Deus se seguram à corda de Seus mandamentos e apoderam-se do punho de Seus preceitos.

Dirigindo-se a Deus, em uma de Suas orações, Ele escreve: "Estes são os dias em que ordenaste a todos os homens observarem o jejum, para que, deste modo, purificassem suas almas e se livrassem de tudo, menos de Ti... Permite, ó meu Senhor, que este jejum se torne um rio de águas vivificadoras e dele provenha a virtude da qual Tu o dotaste. E, por seu meio, purifica os corações de Teus servos, os quais os males do mundo não puderam impedir de se volverem para Teu Nome Todo-Glorioso..."

O jejum está entre as "leis e preceitos maravilhosos"; dever-se-ia jejuar, Ele diz, por amor a Deus e de conformidade com Suas injunções, e afirma "Abençoado seja aquele que observa o jejum inteiramente por Teu amor", e ora a Deus para ajudar Seus servos a "Te obedecermos e guardarmos Teus preceitos", e coloca esta súplica na boca de Seus servos: que esta obediência do jejum "nos purifique do repugnante odor das nossas transgressões, ó Tu que Te tens chamado o Deus de Misericórdia!" Tão grandioso, afirma Bahá'u'lláh, é o jejum, que Ele adorna o "preâmbulo do Livro das Tuas Leis", e, continuando, diz que Deus tem "dotado de uma virtude especial cada hora destes dias...".

A oração longa do jejum ganha cada vez mais ascendência sobre nós durante todos os anos de nossa vida de adultos, até que no fim, a bênção de observar o jejum e a bênção de dizer esta oração durante o mesmo, torna-se uma grande dádiva anual, um privilégio especial da vida.

Começando-se aproximadamente cinco minutos antes do nascer do sol, descobre-se que ela parece deliberadamente estar sincronizada com o surgir do sol: descobre-se que se está de pé ante os "portais da cidade da Tua Presença", esperando pela graça Divina; então vem da "sombra da Tua mercê e do pálio da Tua generosidade" - a diferenciação entre luz e escuridão tem lugar, os pássaros estão cantando; e segue-se o "o esplendor da Tua fronte luminosa" e o "brilho da luz do Teu Semblante" - o céu começa a encher-se de cores: o devoto pede que lhe seja permitido "contemplar o Sol da Tua Beleza" - o sol se levanta! Em seguida vem a completa panóplia do amanhecer, símbolo da Primavera Divina de Deus, "pelo Tabernáculo da Tua majestade nos cumes mais elevados, e pelo Pálio da Tua Revelação sobre as mais altas colinas"; e, quando se observa o sol começando a galgar os céus, chega-se às palavras "por Tua Beleza que reluz sobre o horizonte da eternidade - uma Beleza diante da qual, logo que se revela, o reino da beleza se curva em adoração..."

Tudo isso tem lugar na primeira parte da oração. Porém, aquilo por que o devoto suplica é: receber a graça de Deus, de chegar mais perto d'Ele, de ser atraído a Ele e de beber Suas palavras, de servir Sua Causa de tal modo que não seja detido por aqueles que se afastaram de Deus, de capacitá-lo a reconhecer o Manifestante de Deus, de realizar o que Deus deseja, de permitir que "me faças morrer para tudo o que eu possuo e viver para tudo o que a Ti pertence", de lembrar e louvar Deus, de removê-lo para longe de tudo que desagrada a Deus e capacitá-lo a aproximar-se Daquele Que manifesta os sinais de Deus, de tornar conhecido a este devoto o que estava oculto no conhecimento e na sabedoria de Deus, de contá-lo entre aqueles que alcançaram o que Deus revelou, de registrar para ele o que foi registrado por Deus para Seus fiéis e escolhidos, de registrar para todos que se volveram para Deus e observaram o jejum prescrito por Ele "a recompensa destinada aos que só falam por Tua permissão, e que renunciaram a tudo o que possuiam, por amor a Ti e em Teu caminho" e, por último, "que anules os pecados dos que se seguraram às Tuas leis e observaram o que lhes prescreveste em Teu Livro".

Quase que como um motivo condutor em uma composição musical suntuosa, o mesmo refrão se repete reiteradamente: "Tu me vês, ó meu Deus, apoiando-me em Teu Nome, o Mais Sagrado, o Mais Luminoso, o Potentíssimo, o Supremo, o Sublime, O de Maior Glória, e me segurando à orla das vestes à qual se seguraram todos deste mundo e do vindouro". Quando eu repito isso, sempre visualizo a mim, e meus pais e entes amados que faleceram, todos juntos, se segurando a este manto celestial simbólico, e me sinto muito próxima deles. Verdadeiramente uma oração majestosa, contendo metáforas de profundo misticismo, uma oração que é uma experiência interminável. (3)