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Segunda Parte - Final
ESCLARECIMENTOS CONCLUSIVOS
"O princípio fundamental enunciado por Bahá'u'lláh - crêem firmemente os
seguidores de Sua Fé - é que a verdade religiosa não é absoluta mas sim,
relativa; que a Revelação Divina é um processo contínuo e progressivo, que
todas as grandes religiões do mundo são divinas em origem, que seus princípios
básicos estão em completa harmonia, e seus objetivos e propósitos são um
mesmo, sendo seus ensinamentos apenas facetas de uma única verdade, que
suas funções são complementares, suas doutrinas diferem somente nos
aspectos não essenciais e que suas missões representam sucessivas etapas na
evolução espiritual da sociedade humana.
É missão de Baha'u'lláh proclamar que já passaram as fases da infância da
raça humana, e as convulsões associadas a presente etapa de sua adolescência
estão lenta e dolorosamente preparando-a para atingir o estado de adulto e
anunciando a aproximação daquela Era das Eras, quando das espadas serão
forjados os arados, quando se terá estabelecido o Reino que Jesus Cristo
prometeu e a paz do planeta terá sido definitiva e permanentemente assegurada.
"Bahá'u'lláh não declara ser final Sua própria Revelação; antes, estipula que
uma mais plena medida da verdade que o Todo-Poderoso O incumbiu de
conferir à humanidade, em tão crítica altura em seu destino, há de ser revelada
em futuras etapas na constante e ilimitada evolução do gênero humano.
"A Fé Bahá'í sustenta a unidade de Deus, reconhece a unidade de Seus
Profetas e inculca o princípio da unidade e solidariedade da inteira raça humana;
proclama ser necessária e inevitável a unificação da humanidade, da qual -
declara - ela pouco a pouco se aproxima, e assevera que nada menos que o
Espírito de Deus, com Seu poder transformador, atuando através de Seu
escolhido Porta-Voz neste dia, conseguirá finalmente efetivá-la. Ademais,
incumbe aos seguidores o dever primário de uma desembaraçada busca da
verdade, condena toda espécie de preconceito e superstição, diz ser o objetivo
da religião promover a amizade e concórdia, proclama sua harmonia essencial
com a ciência, e a reconhece como o fato primaz na pacificação, na ordem e no
progresso da sociedade humana.
"A Fé Bahá'í mantém inequivocamente o princípio de direitos, oportunidades
e privilégios iguais para homens e mulheres, insiste em educação compulsória,
elimina extremos de pobreza e riqueza, suprime a instituição do clero, proíbe a
escravidão, o asceticismo, a mendicância e o monasticismo, prescreve a
monogamia, procura evitar o divórcio, acentua a necessidade da estrita
obediência por parte de cada um a seu governo, e exalta ao nível de adoração
qualquer trabalho executado em espírito de serviço, recomenda com urgência a
criação ou a seleção de uma língua internacional auxiliar, e delineia os esboços
daquelas instituições que devem estabelecer e perpetuar a paz geral da
humanidade.
Dados históricos
"A Fé Bahá'í gira em torno de três Figuras Centrais. A primeira, um jovem
nativo de Shiráz [na antiga Pérsia, atual Irã], de nome Mirzá’Alí-Muhammad,
conhecido como o Báb (a porta) o qual, em maio de 1844, com a idade de vinte
e cinco anos, anunciou ser Ele o Arauto que, segundo as Sagradas Escrituras
das Revelações anteriores, deveria anunciar o advento de um Ser maior do que
Ele Próprio e Lhe preparar o caminho, Cuja missão seria - de acordo com
aquelas mesmas Escrituras - a inauguração de uma era de retidão e paz, uma era
que seria saudada como a consumação de todas as anteriores e a iniciação de
um novo ciclo na história religiosa da humanidade.
"Rápida e severa perseguição, ateada pelas forças organizadas da Igreja e do
Estado em Sua terra natal, precipitou sucessivamente Sua prisão, Seu exílio e
Sua execução, em julho de 1850, por um pelotão de fuzilamento na praça
pública de Tabriz.
"Nada menos de vinte mil de Seus seguidores foram trucidados com tão
barbara crueldade que evocou a fervorosa compaixão, bem como a admiração
incondicional, de vários escritores, diplomatas, viajantes e eruditos do
Ocidente, alguns dos quais testemunharam esses abomináveis ultrajes e se
sentiram constrangidos ao anotá-los em seus livros e diários.
"Mírszá Husayn-Alí, conhecido como Bahá'u'lláh (a Glória de Deus), nativo
de Mázindarán, cujo advento o Báb predissera, também foi vitima daquelas
mesmas forças de ignorância e fanatismo. Foi encarcerado em Teerã e exilado,
em 1852, de Sua terra natal para Bagdá, de lá para Constantinopla e
Adrianópolis e, finalmente, para a cidade-prisão de ‘Akká, onde per-maneceu
encarcerado por nada menos de vinte e quatro anos. Faleceu em 1892.
"Durante Seu exílio, especialmente em Adrianópolis e em ‘Akká, formulou
as leis e preceitos de Sua Revelação; expôs, em mais de cem volumes, os
Princípios de Sua Fé; proclamou Sua mensagem aos reis e governantes do
Oriente, como também do Ocidente, tanto cristãos como rnuçulmanos,
dirigiu-se ao Papa, ao Califa do Islã, aos principais magistrados das repúblicas
do continente americano, à inteira ordem sacerdotal cristã, aos chefes do Islã
xiita e sunita e aos sumos pontífices da religião zoroástrica.
"Nesses escritos proclamou Sua Revelação, convocando aqueles aos quais
se dirigia para atenderem ao Seu chamado e esposar Sua Fé, advertindo-os das
conseqüências se recusassem e, em alguns casos, Ihes denunciando a
arrogância e a tirania.
"Seu filho mais velho, 'Abbás Effendi, conhecido como ‘Abdu’l-Bahá (o
servo de Bahá), por Ele nomeado Seu legítimo sucessor e autorizado intérprete
de Seus ensinamentos, que desde a primeira infância havia estado intimamente
associado com o Pai e que participou de Seu exílio e Suas tribulações,
continuou preso até 1908 quando, em conseqüência da Revolução dos Jovens
Turcos, foi posto em liberdade. Estabeleceu residência, então, em Haifa, e
pouco depois, embarcou em viagem de três anos para o Egito, Europa e
América do Norte, no decorrer da qual expôs, diante de vastos auditórios, os
ensinamentos de Seu Pai, e predisse a aproximação daquela catástrofe que
breve sobreviria à humanidade. Regressou à Sua casa na véspera da Primeira
Guerra Mundial, durante a qual estava exposto a constante perigo até a
liberação da Palestina pelas forças sob o comando do General Allenby, quem
mostrou a máxima consideração a Ele, como também ao pequeno grupo de
Seus companheiros no exílio, em ‘Akká e Haifa.
"Em 1921 faleceu e foi sepultado no mausoléu que fora erigido no Monte
Carmelo, segundo as explícitas instruções de Bahá'u'lláh, para os restos mortais
do Báb, transferidos anterior-mente de Tabriz para a Terra Santa, depois de
haverem sido preservados por nada menos de sessenta anos em um lugar de
segredo.
"O passamento de 'Abdu’l-Bahá marcou o término da primeira Época - a
Época Heróica da Fé Bahá'í - e assinalou o início da Época Formativa destinada
a testemunhar a gradativa aparição de sua Ordem Administrativa, cujo
estabelecimento fora predito pelo Báb, cujas leis foram reveladas por
Baha'u'llah, o esboço da qual 'Abdu’l-Bahá delineou em Sua Última Vontade e
Testamento e os alicerces da qual estão sendo lançados agora pelos concílios
nacionais e locais, eleitos pelos declarados aderentes da Fé...
"Essa Ordem Administrativa, diferente dos sistemas evoluídos após o
falecimento dos Fundadores das várias religiões, é divina em origem, apoia-se
seguramente nas leis, nos preceitos e regulamentos e nas instituições que o
próprio Fundador da Fé especificamente formulou e de um modo inequívoco
estabeleceu, e ela funciona de estrito acordo com as interpretações dos
autorizados intérpretes de suas sagradas escrituras.
"Embora sempre, desde seu início, tenha sido violentamente atacada, tem
obtido sucesso - em virtude de seu caráter único nos anais da história religiosa
do mundo - em manter a unidade de seus partidários tão diversos e largamente
espalhados, e habilitá-los a iniciar, unida e sistematicamente, em ambos os
hemisférios, empreendimentos que visam a Ihe estender os limites e consolidar
as instituições administrativas.
"A Fé que tal Ordem serve, salvaguarda e promove - deveríamos a esta
altura notar - é essencial- mente sobrenatural, supra-nacional, inteiramente
apolítica, não partidária e diametralmente oposta a qualquer política ou escola
de pensamento que procure exaltar alguma raça, classe ou nação em especial.
Está livre de toda e qualquer forma de eclesiaticismo, não tendo clero nem
ritual, e é sustentada, exclusivamente, por contribuições voluntárias de seus
declarados aderentes.
"Embora leais a seus respectivos governos, embora imbuídos de amor a seu
próprio país e ansiosos de lhe promover em todas as oportunidades os
melhores interesses, os seguidores da Fé Bahá'í, entretanto, vendo o gênero
humano como uma única entidade, e profundamente devotados aos interesses
vitais dessa entidade, jamais hesitarão em subordinar todo interesse particular,
seja pessoal, regional ou nacional, aos interesses sobrepujantes da generalidade
da raça humana, bem sabendo que, em um mundo de povos e nações
interdependentes, o benefício da parte é melhor alcançado através do benefício
do todo, e que nenhum resultado duradouro poderá ser obtido por qualquer
uma das partes componentes se os interesses gerais da própria entidade forem
negligenciados." Shoghi Effendi 15
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