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Primeira Parte - Sexta Lição
VIVÊNCIA ESPIRITUAL INTEGRAL
O Manifestante Divino
O Manifestante é o Homem Perfeito, o grande Exemplo para a Humanidade,
o Primeiro Fruto da árvore do gênero humano. Antes de O conhecermos, não
teremos conhecido as possibilidades latentes que existem dentro de nós. Cristo
diz que devemos olhar para os lírios, como crescem, e declara que nem mesmo
Salomão, em toda a sua glória, se adornou como qualquer um deles. O lírio sai
de uma raiz absolutamente sem atrativos. Se nunca tivéssemos visto o
desabrochar do lírio, se jamais tivéssemos contemplado o incomparável encanto
de suas folhas e flores, poderíamos conceber a realidade contida nesta raiz?
Ainda que a dissecássemos com o maior cuidado e examinássemos
minuciosamente, jamais descobriríamos a beleza adormecida que o jardineiro
sabe despertar.
Assim, antes que tenhamos visto a Glória de Deus revelada no Manifestante,
não poderemos fazer uma idéia da beleza espiritual latente em nossa própria
natureza e na dos nossos semelhantes. Conhecendo e amando ao Manifestante
de Deus, e seguindo os Seus en-sinamentos, tornamo-nos capazes, pouco a
pouco, de compreender as perfeições potenciais que existem em nós. Então, e
não antes, compreenderemos o significado e o propósito da vida e do universo.
Amor a Deus
Conhecer o Manifestante de Deus significa tambem amá-Lo. Uma coisa é
impossível sem a outra. Segundo Bahá’u’lláh, o objetivo da criação da
humanidade é conhecer e adorar a Deus.
Ter amor a Deus! Este é o objetivo único da vida para o bahá’í.
Ter Deus como seu maior Companheiro e mais íntimo Amigo, seu
Bem-Amado sem igual, em Cuja Presença está a alegria completa!
E amar a Deus significa amar a tudo e a todos, pois todos provém de Deus.
O ver-dadeiro bahá’í é a personificação perfeita do amor, a todos amando de
coração puro, fer-vorosamente, a ninguém odeia, nem despreza, pois se
habituou a ver a Face do Bem-Amado em toda a face, e a ver Seus traços em
toda parte. Seu amor não conhece limites de credo, nação, classe ou raça. Diz
Bahá’u’lláh:
Antigamente se dizia: "O amor à pátria é elemento da Fé em Deus"... A Língua da
Grandeza... no dia de Seu Manifestante, proclamou: "Não se vanglorie quem ama a sua
pátria mas, sim, quem ama à sua espécie."
E mais:
Bem-aventurado aquele que prefere o seu irmão a si próprio. Tal pessoa é do povo de
Bahá.27
'Abdu'l-Bahá diz que devemos ser como uma só alma em muitos corpos, pois
quanto mais amarmos uns aos outros, mais próximos estaremos de Deus.
Despreendimento
A devoção a Deus exige também, o despreendimento de tudo que não seja
de Deus, isto é, de todos os desejos egoísticos e mundanos e mesmo dos que
dizem respeito à vida de além-túmulo. A vereda de Deus pode conduzir à
riqueza ou à pobreza, à saúde, ou à doença, a um palácio ou uma masmorra, a
um jardim de rosas ou uma câmara de tormen-tos. Qualquer que seja seu
destino, o bahá’í aprenderá a aceitá-lo com "aquiescência radiante".
O despreendimento não quer dizer estulta indiferença do que lhe rodeia, ou
resignação passiva às más condições, como também não significa desprezar as
boas coisas criadas por Deus. O verdadeiro bahá’í não é insensível, apático,
nem ascético. Encontra abundante inte-resse, abundante trabalho e abundante
alegria no Caminho de Deus, mas ele não se desviará nem sequer pela grossura
de um fio de cabelo em busca do prazer, nem cobiçará o que Deus lhe haja
negado.
Quando um homem se torna bahá’í, a Vontade de Deus vem a ser sua
vontade, pois não estar de acordo com Deus é o que ele não pode tolerar. No
Caminho de Deus não há ter-rores que lhe possam amedrontar, nem
aborrecimentos que lhe possam desanimar. A luz do amor ilumina seus dias
mais escuros, muda os sofrimentos em alegria e o próprio martírio em êxtase. A
vida é levada ao plano heróico e a morte torna-se uma alegre aventura.
Serviço
A devoção a Deus implica também em uma vida de serviço aos nossos
semelhantes. De nenhum outro modo podemos servir a Deus. Se voltarmos as
costas aos nossos semelhan-tes, estaremos também dando as costas a Deus.
'Abdu'l-Bahá, diz:
Na Causa Bahá’í as artes, as ciências, e todos os ofícios, são tidos como adoração. O
homem que faz um pedaço de papel da melhor maneira que lhe é possível, conscientemente,
concentrando todas suas forças a fim de aperfeiçoá-lo, está dando louvores a Deus. Numa
palavra, qualquer esforço ou trabalho que o homem faça de todo coração, é adoração, se for
incentivado pelos motivos mais nobres e pelo desejo de servir à humanidade. Servir à
humanidade e suprir às necessidades do povo é adoração.
Servir é orar. Um médico, cuidando de um doente, meiga e ternamente, livre
de qualquer preconceito e acreditando na solidariedade da raça humana, está
louvando a Deus.28
Cortesia e Reverência
'Abdu'l-Bahá disse numa carta aos bahá'ís da América:
Acautelai-vos! Acautelai-vos, para que não ofendais a nenhum coração!
Acautelai-vos! Acautelai-vos, para que não ofendais a nenhuma alma!
Acautelai-vos! Acautelai-vos, para que a pessoa alguma trateis de um modo pouco
bondoso!
Acautelai-vos! Acautelai-vos, a fim de que não sejais causa de desespero para nenhum ser!
Se alguém se tornasse causa de tristeza para algum coração, ou desânimo para qualquer
alma, melhor seria que se escondesse nas íntimas profundezas da Terra, do que sobre ela
andasse.29
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