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Primeira Parte - Quarta Lição
AS DUAS NATUREZAS DO HOMEM
Sendo o homem espiritual, por que não é perfeito também em sua conduta,
em seu relacionamento com os semelhantes e também consigo mesmo? Por que
pensa de uma forma e age de outra? Por que não reflete exteriorrnente as
qualidades internas de pureza, amor, sabedoria e perfeição que Deus concedeu
à sua alma?
'Abdu'l-Bahá, filho de Bahá'u'lláh e por Este designado Seu intérprete
autorizado e con-tinuador de Sua obra na terra, dá-nos a resposta num discurso
feito em Paris, em 1911:
O homem possui duas naturezas, a natureza espiritual ou superior, e a material ou
inferior. Numa, ele se aproxima de Deus; na outra, vive só para o mundo. De ambas se
encontram sinais no homem. Em seu aspecto material ele expressa falsidade, crueldade e
injustiça. Tudo isso é resultado de sua natureza inferior.
Os atributos da natureza divina manifestam-se em amor, misericórdia, bondade, veracidade,
ustiça - sendo todas estas qualidades expressões de sua natureza mais eleuada. Todo bom
hábito, toda qualidade nobre, pertence à natureza espiritual do homem, enquanto que todas
as suas imperfeições, todos os seus pecados, derivam de sua natureza material. Quando a
natureza divina domina a humana, temos um santo.
O homem tem o poder de fazer tanto o bem como o mal. Quando o poder para o bem
predomina, e as inclinações para fazer o mal são superadas, então o homem merece, em
verdade, ser chamado de santo. Quando porém, ao contrário, ele rejeita as coisas de Deus e
permite que as más paixões o dominem, ele é até pior que um animal.
Santos são os homens que tem se livrado do mundo da matéria e vencido o pecado. Vivem
no mundo, mas não são deste mundo, estando seus pensamentos sempre no mundo do espírito.
Suas vidas são dedicadas à santidade e seus atos demonstram amor, justiça e piedade. Recebem
iluminação do alto, sendo assim, como lâmpadas brilhantes, espalhando luz nos tenebrosos
recintos da terra. São estes os santos de Deus.19
Pode-se transformar a natureza humana?
A religião, bem como a educação, baseia-se na hipótese de ser possível
transformar a natureza humana. De fato, basta pouca investigação para mostrar
que nada pode ser afir-mado com maior certeza, com relação aos seres vivos.
Sem mudança não pode haver vida. Mesmo o mineral não pode resistir à
modificação e, quanto mais subirmos na escala da existência, mais variadas,
complexas e maravilhosas as transformações se tornam.
Bahá'u'lláh declara que, assim como os seres inferiores têm épocas de
emergências repentinas para uma vida nova e mais ampla, também para a
humanidade há um "estado crítico", um tempo de "renascimento", e que está
próximo. Então os modos de viver que vêm persistindo desde os primórdios da
história serão rápida e irrevogavelmente alterados, e a humanidade atingirá uma
nova fase de vida, tão diferente da antiga como é a borboleta da larva, ou o
pássaro do ovo. A humanidade atingirá uma nova visão da verdade, assim como
um país inteiro é iluminado ao nascer do sol, de modo que todos possam ver,
claramente, onde uma hora antes, tudo estava escuro e sombrio.
Este é um novo ciclo do poder humano, diz 'Abdu'l-Bahá. Todos os
horizontes do mundo estão iluminados, e o mundo se tornará, de fato, um
jardim de rosas, um paraíso.20
A necessidade de um mediador
Esclarece 'Abdu'l-Bahá que:
Um mediador se nos apresenta necessário entre os homens e o Criador, alguém que receba a
plena luz do Esplendor e a irradie sobre a humanidade, do mesmo modo que a atmosfera da
Terra recebe e difunde o calor dos raios solares.2l
A menos que o Espírito Santo se torne o intermediário, não podemos receber diretamente
as graças de Deus. Não deixeis de considerar a verdade óbvia, pois é evidente "per si", que
uma criança não pode ser instruída sem o auxílio de um professor, embora seja o saber, uma
das graças divinas. O solo não se cobre de verdura e vegetação sem a chuva das nuvens. Por
conseguinte, a nuvem é a intermediária entre a graça divina e o solo... A luz tem um centro, e
se alguém desejar procurá-la de outro modo que não seja do seu centro, jamais a atingirá...
Volta a tua atenção para os dias de Cristo; algumas pessoas julgavam que sem a emanação
Messiânica, fosse possível atingir a verdade, mas foi precisamente essa idéia que se tornou a
causa de sua privação.22
Se desejamos orar, devemos ter algum objeto em que nos concentrarmos. Se nos voltarmos
para Deus, devemos dirigir nosso coração a algum centro... Se alguém deseja conhecer a Deus,
deve encontrá-Lo no espelho perfeito, Cristo ou Bahá'u’'lláh. Em qualquer destes espelhos
poderá ver refletido o Sol Divino. Do mesmo modo que conhecemos o sol físico pelo seu brilho,
pela sua luz e calor, assim também conhecemos a Deus, o Sol Espiritual, quando Ele se
irradia no templo de Seu Manifestante, pelos Seus atributos de perfeição, pela beleza de Suas
qualidades e pelo esplendor de Sua luz.23
Um homem que tenta adorar a Deus sem se dirigir a Seu Manifestante, é
como um homem numa masmorra, tentando, através de sua imaginação, gozar as
glórias da luz do sol.
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